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A Indústria de Armas na Argentina

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A fabricação de armas portáteis na Argentina tem uma marcante tradição desde os primórdios do século XIX. Diversas armerias, impulsionadas em sua grande maioria por imigrantes italianos e espanhóis , instalaram-se em Buenos Aires e em suas cercanias, bem como em algumas outras cidades, como as do polo industrial de Santa Fé e Rosário. Grande parte dessas armerias iniciaram-se como pequenas oficinas domésticas e algumas, em virtude da boa qualidade do produto, vieram a se tornar indústrias de maior porte.

Mesmo aqui no Brasil temos histórias similares, principalmente no Rio Grande do Sul, como as da empresa Amadeo Rossi e da E.R. Armantino, verdadeiras fabricantes familiares de armas e que com o tempo, evoluíram para empresas de capital aberto, sem falar das diversas outras pequenas produtoras de armas, como se pode avaliar melhor em nosso artigo Antigas Fábricas de Armas no Brasil.

A Argentina, pelas suas tradições oriundas de países europeus como Espanha, Itália e Alemanha, sempre foi muito mais bem servida de clubes e associações de caça e tiro, com muito mais atividades do que no Brasil. Aliado ao fato de que, com uma legislação de armas de fogo bem regulada, mas muito mais coerente e inteligente que a que impera em nosso país, os argentinos sempre foram muito mais adeptos ao esporte do tiro, com esportistas de muito mais alto nível e com recursos de aquisição de armas e munições muito mais facilitada, com enorme quantidade de estabelecimentos comerciais dedicados ao ramo.

A importação de armas na Argentina também foi um dos pontos fortes para o incentivo à caça e ao tiro no país, visto que não houve períodos de restrição às importações nem mesmo em épocas economicamente desfavoráveis. Aliás, mesmo durante o período negro da ditadura militar no país, a população em geral e principalmente os atiradores esportivos e caçadores nunca tiveram seus direitos cerceados quanto à posse e o uso de armas de fogo.

Vamos então conhecer com mais detalhes, quem foram ou os que ainda são, esses fabricantes:

H.A.F.D.A.S.A.

Por volta de 1925, Carlos Ballester obteve uma licença para representar o fabricante de veículos espanhol Hispano-Suiza, iniciando seus negócios importando os veículos montados e posteriormente fabricando-os localmente. Alguns anos mais tarde, se associou à Eugenio Molina e montaram uma fábrica de armas na região de Cabalitto, bairro de Buenos Aires, onde essa atividade se unificou à montagem dos automóveis. Essa empresa se denominava Hispano Argentina Fabrica de Automóviles S. A. (HAFDASA)

No campo de armas de fogo, seu mais famoso produto foi, sem dúvida alguma, a pistola Ballester-Molina, em calibre .45ACP, baseada no projeto da Colt 1911, destinada à dotação do Exército Argentino. Estima-se que cerca de 80 a 90 mil pistolas tenham sido produzidas. Originalmente o nome desta arma era Ballester-Rigaud. O francês Rorice Rigaud foi engenheiro e C.E.O. da empresa por muitos anos e o idealizador das mudanças e modificações executadas sobre o projeto original da Colt. A arma foi apresentada às Forças Armadas Argentinas como alternativa ao uso da Pistola Colt Modelo 1927, que por sua vez era um modelo produzido na Argentina sob licença da Colt. A produção da Ballester-Molina iniciou-se em 1938 e cessou em 1953.

Acima, a pistola Ballester Molina em calibre .45 ACP

A semelhança desta arma com a Colt 1911 é muito grande, chegando a ter peças idênticas como o cano, mola recuperadora, bucha do cano, trava de ferrolho (“hold-open“) e o carregador com capacidade para 7 cartuchos. Porém, as semelhanças terminam por aqui: para simplificar processos de fabricação e baratear custos de produção, o mecanismo de disparo foi modificado e eliminou-se a trava de segurança da empunhadura, mantendo-se somente a trava lateral. O compartimento da mola do martelo, que na Colt é uma peça separada, situada na parte traseira inferior da empunhadura, foi eliminado e optou-se por uma armação inteiriça sem possibilidade de remoção externa. A tecla do gatilho é articulada através de um pino na armação, ao invés de um sistema de tecla corrediça, como na Colt 1911.

Pouco antes da II Guerra a HAFDASA fechou um excelente contrato com o Governo Britânico, entre 1940 e 1942, fabricando para aquele país entre 8.000 a 10.000 pistolas. As armas pertencentes a esse contrato são identificadas através do prefixo “B” que antecede o número de série, que se situam entre 12.000 e 22.000.

BERSA

A BERSA foi fundada por volta em 1958 pelos imigrantes italianos Benso Bonadimani, Ercole Montini e Savino Caselli, todos eles engenheiros mecânicos de formação, na localidade de Ramos Mejía, província de Buenos Aires.

Benso era natural de Cologna Veneto, localizada perto de Verona, e veio para a Argentina em 1950. Ercole Montini era de Brescia, cidade que hospedava a maior parte das fábricas de armas na Itália, inclusive a Beretta, fábrica onde trabalhou por um bom tempo antes de viajar para a Argentina.

Savino Caselli veio da Itália para a Argentina em 1953, através de sua empregadora em seu país, a fábrica de equipamentos para escritório Olivetti. Enquanto ainda trabalhava na filial da Olivetti, Caselli veio a se encontrar com Ercole, que já exercia as atividades de armeiro em seu bairro. Daí, com a posterior amizade que fizeram com Benso, transformaram a oficina em uma empresa. No início, o nome da empresa era “Tecnocofres” mudando, em 1962 para BERSA.  O nome BERSA provém das inciais de Benso, Ercole e Savino. Benso tinha nesta ocasião somente 18 anos, enquanto seus dois sócios estavam com 30, aproximadamente.

A princípio começaram a produzir peças e componentes para a HAFDASA e seu primeiro produto próprio foi a pistola Luan, uma modificação da Ballester-Molina. Não obteve sucesso comercial, de forma que rapidamente foi descontinuada e hoje é um ítem raríssimo de ser encontrado.

Savino fez uma viagem à Brescia e ali adquiriu uma pistola Beretta em calibre .22. Ficou entusiasmado com o desenho e desmontando-a, estudou a arma profundamente. Decidiram então fabricar uma pistola similar à ela, na Argentina. Por volta de 1959 a BERSA lança sua primeira pistola em calibre .22LR, comercializada com o nome de Modelo 60, que evoluiu posteriormente para o Modelo 62, baseadas que foram no projeto da Beretta.

Material de divulgação da época do lançamento da Bersa modelo 62 (arma do centro da foto) – as duas pistolas das extremidades são de fabricação Beretta; acima, o modelo adquirido por Savino e embaixo, a Beretta mod. 70. (Fonte: Bersa)

Era uma arma bem feita e de boa qualidade, destinada ao tiro de recreação. Diversos outros produtos na linha de espingardas (1963), rifles (1974) e de pistolas foram ganhando aceitação e respeito no mercado, impulsionando o nome da empresa. Em meados de 1973 a Bersa lança a pistola Lusber, em calibre 7,65mm Browning, visando o mercado de exportação, pois nesta ocasião as leis argentinas impediam a venda de qualquer arma acima de calibre .22 LR. O nome Lusber veio à tona para acrescentar o nome do mais novo integrante da sociedade, Luis Dondoli.

Acima, propaganda em revista das carabinas Bersa em calibre .22, modelos em sistema semi-automático. (Fonte: Bersa)

A BERSA Thunder22/6, em calibre .22LR, dupla-ação, bem construída e acabada.

Em 1989, a Bersa lança sua primeira pistola em calibre 9mm Parabellum, visando o mercado policial e militar, o modelo 90. Por volta de 1994 um novo projeto denominado de “Thunder” ganha as ruas, oferecendo dois modelos de pistolas, oferecidas desde o calibre .22LR até 0 .380ACP, funcionando no sistema “blow-back” (sem travas de culatra), e também no calibre 9x19mm, denominada de Modelo 90, essa funcionando no sistema de “locked-breech” (culatra trancada).

Em 1990 a BERSA ganhou um contrato para fornecer a nova pistola que viria a ser adotada oficialmente pelas Forças Armadas Argentinas, em substituição às Browning Hi-Power M1935. Essa arma é a BERSA Thunder 9, uma evolução do Modelo 90.

Acima a BERSA Thunder 9, em calibre 9X19 (9mm Parabellum), oficialmente adotada pelo Exército Argentino

A BERSA é atualmente o maior fabricante privado de armas de fogo na Argentina. Sua produção hoje é bem diversificada, com cerca de 10 tipos de pistolas oferecidas a partir do calibre .22LR, passando pela muito popular Thunber 380 e a série Ultra Compacta fornecida em calibres 9mm Parabellum, 40S&W e 45ACP.

A empresa é conhecida e respeitada pela qualidade de seus produtos, oferecendo muito bom acabamento, estilo, precisão e confiabilidade. Os projetos da BERSA, em sua grande maioria, se baseiam nos mais comumente encontrados na indústria alemã de armas, principalmente da firma Carl Walther, apesar de que não se trata de cópias; existe toda uma engenharia de processo e fabricação envolvida em modificações que são exclusivas do fabricante argentino.

Vista en Raios-X da Bersa 9, sistema de dupla-ação e com trava de culatra por curto recuo do cano

Os projetos das Thunder 22, 32 e 380 são realmente inspirados nos famosos modelos PP e PPK daquele fabricante alemão, sendo que os modelos mais potentes, tais como a Thunder 9 e Thunder 40 lembram, em alguns detalhes, o modelo P88 da mesma casa Walther.

Hoje a BERSA exporta para diversos países, inclusive para o Brasil, e tem muito boa aceitação no concorrido e extremamente exigente mercado norte-americano, presente com seus Modelos 380 e Modelos 9, através de sua importadora exclusiva Eagle Imports, Inc. , de New Jersey. A empresa dedica-se também à fabricação de espingardas de um só cano, monotiro, a partir do calibre 16 até 28.

TALA

Não tão conhecida fora da Argentina como são a Ballester-Molina e as Bersa, embora tenha contado com uma produção de grande presença nos mercados sul-americanos, a fabricante T.A.L.A. teve seu espaço e sua oportunidade na indústria de armas leves argentina. A Talleres de Armas Livianas Argentinas foi fundada na década de 50 em Punta Alta, proximidades de Bahia Blanca.

Pistola argentina TALA em calibre .22LR, cano de 7″, claramente inspirada no famoso modelo “Woodsman”, da Colt

Detalhe das marcas de fábrica de uma pistola TALA em cal. 22 LR

Seus modelos eram pistolas semi-automáticas, baseadas do famoso projeto da Colt “Woodsman” norte-americana, com diversos comprimentos de cano desde o de 4 1/2″ até uma de 10″, denominada de Olimpic 35. Eram armas muito bem construídas, material de qualidade, com acabamento aceitável e boa precisão de tiro, construção robusta e simples de operar. Mesmo no Brasil as pistolas .22 fizeram um razoável sucesso, tendo sido comercializadas em lojas de São Paulo durante os anos 60 a 70.

Acima a TALA em calibre .22LR, com cano de 4″ 1/2 e talas em madeira, um dos modelos mais luxuosos da marca, apesar de não contar com miras reguláveis. 

Baseada que foi nos projetos da Woodsman, a arma em seus modelos básicos possuía muito boa empunhadura, situada em um ângulo bem acentuado e confortável mas, para uso além de tiro de recreação, deixava a desejar pois infelizmente não possuía alça de mira graduada e tampouco regulagem de pressão do gatilho. No entanto, alguns modelos mais caros eram providos de alça de mira regulável. Entretanto, seu baixo custo em comparação com a “irmã” norte-americana a deixava em posição de vantagem, quando comercializada nos países sul-americanos.

Antigo anúncio das indústrias TALA em revistas especializadas

AMOTOR

A bem pouco conhecida empresa Amotor foi fundada em janeiro de 1952, iniciando a produção de carabinas modelo Comando, modelos 59 e 61 em calibre .22LR e as pistolas Zonda. Esses modelos de pistolas eram virtualmente idênticos aos primeiros modelos lançados pela HAFDASA em seus primórdios, apresentando um desenho característico e pouco comum; eram na verdade, bem incômodas de manejar.

A estranha e desajeitada pistola Zonda, em calibre .22LR

DANIEL AMARETTI SA

Empresa radicada na cidade de San Francisco, província de Córdoba, dedicou-se a fabricação de espingardas da marca Sole modelos S1 e S2, de um cano basculante, monotiro, em diversos calibres.

ESTABELECIMIENTOS VENTURINI SAICF

O imigrante italiano Guerrino Venturini fundou a empresa por volta de 1960 e sabe-se que permaneceu na ativa por pelo menos 20 anos. Foi detentor da marca Ruby e fabricou diversos rifles de ferrolho e semi-automáticos em calibre .22LR, alguns modelos utilizando coronhas de madeira e outros mais baratos, com coronhas feitas em plástico. Além das carabinas, Venturini produziu os revólveres Ruby Extra desde o calibre .22LR , passando pelo .32 S&WL e pelo .38 Special, carabinas de ar comprimido e de CO² (Golondrina). A pedido das Forças Armadas, a empresa reconverteu diversas pistolas HAFDASA de calibre .45 para calibre .22, para servirem como armas de treinamento. 

FABRICA DE ARMAS HALCÓN SAIC (METALURGICA CENTRO)

A empresa Halcón foi fundada em Dezembro de 1941 em Buenos Aires. Produziu carabinas semi-automáticas em calibre .22LR e de sistema de repetição por ferrolho, esses últimos denominados de modelo 71, alguns deles dotados de cano pesado, até hoje utilizados e vistos em alguns clubes de tiro de Buenos Aires, proporcionando aos seus atiradores, belos grupamentos no alvo. Abaixo, propaganda da década de 70 em revistas especializadas, do rifle modelo 71.

As sub-metralhadoras da Halcón, a princípio produzidas com a intenção de fornecimento às forças armadas, eram projetos derivados das submetralhadoras Beretta M38 e das M3, que foram a um tempo adotadas e utilizadas pelo Exército Argentino.

Acima, a submetralhadora desenvolvida pela Halcón em calibre 9x19mm (9mm Parabellum)

INDUSTRIAS MECÁNICAS LONGO Y HERMANOS

Empresa radicada na localidade de Ramos Mejía, província de Buenos Aires, produzindo espingardas de um cano baseadas no projeto das espingardas monotiro italianas Beretta, as mesmas que também foram produzidas no Brasil, em calibres 12, 16, 20 e 24.

INDUSTRIAS MARCATI

A Marcati tornou-se muito conhecida pela fabricação de uma espingarda de ação de bomba, desenvolvida sob licença da Ithaca, Inc. dos Estados Unidos. A arma que originou a espingarda “pump-action” Bataan foi o modelo M37 do fabricante americano. Conhecida por sua confiabilidade e funcionamento exemplar, tanto a M37 como a Bataan modelo 71 eram armas bem robustas; sua principal característica era a ausência da tradicional janela de ejeção ao lado direito da armação, muito comum na maioria das espingardas de ação de bomba e nas semi-automáticas. No caso da Bataan, tanto a alimentação dos cartuchos no carregador tubular como sua ejeção eram feitas pela mesma abertura, localizada na base da arma.

A espingarda “pump-action” Bataan modelo 71, da Marcati, mostrando a janela de alimentação e ejeção.

As espingardas Bataan foram largamente utilizadas pelas polícias provinciais da Argentina, principalmente o modelo “riot“, com cano e carregadores mais curtos. O calibre de todas as Bataan é o 12/70, ou seja, cartucho 12 com câmara de comprimento 70mm.

Os demais produtos do fabricante incluíam as carabinas Super 54, Ariete 62 e Zumbo 66, em calibre .22LR além das pistolas J-3, rifles de CO² da marca Comanche e de ar comprimido da marca Churrinche. A carabina semi-automática Super 54, em calibre .22LR é uma das mais famosas da marca, conhecida pela sua bela coronha de madeira que a recobria até a ponta do cano, bem no estilo “Schützen”.

Acima, anúncio publicado em revistas das décadas de 60 e 70

LASSERRE SA

A Laserre é uma empresa fundada em 1969, na localidade de Avellaneda, província de Buenos Aires, e dedica-se à produção de armas longas e curtas para uso militar, policial e civil, seguindo uma tradição familiar desde 1920.

Seus produtos são bem diversificados, com uma boa linha de espingardas em calibre 12 por ação de bomba (pump-action), muito similares em construção às Remington norte-americanas. A linha de revólveres compreende modelos de calibres  .22 LR, .32 SW, .38 Spl e .357 Magnum, tanto com acabamento oxidado como e em aço-inox. Essas armas são comercializadas através da marca Rexio.

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Espingarda “pump-action” Rexio em calibre 12 para uso policial – produção atual da empresa.

LEANDRO REDAELLI

Eram os produtores das espingardas Centauro de um cano e das carabinas Diana em calibre .22 LR. Os famosos revólveres da marca Tanque, feitos em calibre .22LR e .32S&W foram também fabricados por essa empresa.

SAURIO S.A.

Produziu carabinas semi-automáticas em calibre .22 LR, além de pistolas semi-automáticas neste mesmo calibre, consideradas em sua época armas de boa qualidade. Carabinas no sistema de alavanca, modelo 700 (lever-action) foram produzidas durante a década de 70, em calibre .22LR, com dois comprimentos de cano e capacidade que variava de 9 a 14 cartuchos .22 Long Rifle. O modelo 600 era a versão do modelo 700 mas no sistema semi-automático; era o mais vendido, uma arma bonita e bem acabada, com carregador tubular debaixo do cano  com as mesmas capacidades do modelo de alavanca.

Acima, a pistola Saurio mod. 500, semi-automática em calibre .22LR, com um desenho claramente inspirado nas pistolas Ruger, de fabricação norte-americana. 

Antiga propaganda da Saurio, publicada em revistas especializadas

DIRECCIÓN GENERAL DE FABRICACIONES MILITARES

A Dirección General de Fabricaciones Militares (DGFM) de Argentina foi criada pelo governo em 1941 e tem uma semelhança com a nossa IMBEL; empresa de economia mista, é uma das maiores fornecedoras de equipamento bélico para as Forças Armadas e Policiais da Argentina, produzindo armas de qualidade e de primeiro nível, além de prover uma linha de armas esportivas para uso civil. Possuem hoje quatro unidades fabris em diversas localidades do país, como em Santa Fé e Córdoba, entre outras.

Seus principais produtos são os fuzís automáticos FAL, FAP e FARA (baseados no FAL belga, da F.N.) em cal. 7,62x51mm (7,62mm NATO), pistolas semi-automáticas baseadas no modelo 1911 da Colt em calibre 9x19mm, as sub-metralhadoras PAM, PAM2 e FMK3, além de carabinas calibre .22LR, uma réplica do fuzil britânico Brown Bess com ação de perderneira, carregadores, acessórios e canos sobressalentes. Além disso, produz pólvora, materiais químicos para uso em indústria bélica, cartuchos para armas curtas, longas e para canhões, rojões para morteiros, granadas, etc.

Nos anos 60 e 70, sob licença da Beretta, chegou a produzir muito boas espingardas de competição em calibre 12, do sistema de canos sobrepostos, além de carabinas para competição em calibre .22LR de ação por ferrolho e semi-automáticas.

Antiga propaganda da FM editada em revistas da década de 60

Sua linha atual de pistolas semi-automáticas no calibre 9×19 (9mm Parabellum), baseada nas Browning Hi-Power 1935 compreende os modelos MM HP, M 95 CLASSIC, HP DETECTIVE e HP M95 CLASSIC. Esse “namoro” argentino com as Browning Hi-Power iniciou em 1937, quando a Policia Civil da Capital importou 1.600 armas da Fabrique Nationale (FN). Em 1960, a DGFM negociou com a FN a produção local das pistolas, sob licença; após concedida, fabricou-se milhares de pistolas para suprir o país e inclusive, exportando diversos lotes para países sul-americanos como El Salvador, Honduras e Uruguai. Em 1967 a Policia Federal Argentina substituiu suas antigas pistolas .45 baseadas na Colt 1911 pelas Hi-Powers produzidas no país.

As pistolas da DGFM baseadas na Browning Hi-Power; da esquerda para a direita temos a M90 Classic, a Detective e a MM HP

A partir de 1973, as pistolas passaram por modificações a fim de adequá-las à novas necessidades, surgindo aí os modelos 90 e Detective 90. Um dos últimos modelos desenvolvidos foi o M95, muito similar à F.N. Mk. III com travas de segurança ambi-destras e miras reguláveis.

DIVERSOS FABRICANTES

Diversos outros fabricantes participam desta lista e merecem ser citados, apesar da maioria deles contar com produção em baixa escala e com curta duração no mercado. São eles:

S.A.C.I.A.C. Industria de Armas Pasper (Bagual), empresa localizada nas proximidades da antiga estação ferroviária de La Roca, Avellaneda, na grande Buenos Aires, lançou um revólver de dupla-ação com o nome de Bagual em calibre .22LR por volta das décadas de 60 a 70. A arma era toda fabricada em liga de zinco, alumínio, cobre e magnésio (ZAMAK) e não se aconselha o seu uso com munições modernas.

Lado esquerdo do revólver Bagual em cal. 22 LR (gentileza do leitor R.S.M.)

Lado direito do revólver Bagual em cal. 22 LR (gentileza do leitor R.S.M.) – note a tampa basculante para o carregamento dos cartuchos, visto que o tambor era fixo.

Alsacia Metalurgica SCA, produzia pistolões de dois canos marca Safari, em calibre 32 e 36.

Italo Gra srl (revólveres Italo Gra calibre .22), alguns modelos em duralumínio e de qualidade abaixo da média, porém, de baixo custo. O modelo .22 Short, mostrado no anúncio abaixo, possuía uma interessante trava de segurança, algo raro em revólveres. O último produto desse fabricante foi um revólver em calibre .38SPL, de desenho e concepção próprias, mas que não fez muito sucesso.

Ulisses J. Pesce, espingardas da marca FARO de um cano, calibres 16, 24 e 28.

Garb Moneti y Cia. (pistolas semiautomáticas calibre .22 LR marca GMC)

Industrias Dillon Argentina SA (revólveres calibre .22 marca Dillon)

JL Yurgas y Cia. (revólveres Yurgas calibre .22)

Krahmer Pfefer y Cia., fundada em Novembro de 1944 (rifles de ar comprimido Kafema modelos C45 y AK58 no calibre 4,5 mm e AK62 no calibre 5,5 mm.)

Mahely Ind. Y Com. srl, fundada em 1946 (carabinas semiautomáticas modelos Caballería e Súper T em calibre .22, pistolas calibre .22 Destroyer, espingardas em calibres 12, 16 y 20, rifles de ar comprimido Júnior calibre 4,5 mm e Senior calibre 4,5 mm e 5,5 mm)

Mauriño Bernaldez y Cia. (rifle de ar comprimido marcas Ri Brown e Super Valiant)

Metalurgias Jaguar srl, fundada em outubro de 1948 (espingardas Jaguar em calibres 32, 36 y 28 e a Toledo em calibres 28, 24, 20 e 16)

Otme srl, radicada em Córdoba (carabinas e sub-metralhadoras marca Mems)

Paolone & Sala srl (pistolão marca Centella em calibres 28 e 36)

Pesc-Art, produziu pistolas calibre .22 marca Gunther.

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Written by Carlos F P Neto

23/08/2011 às 14:45

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