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Submetralhadoras ERMA MP-38 e MP-40

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Por quaisquer que sejam os motivos, as armas portáteis militares, principalmente as utilizadas na II Guerra Mundial, sempre exerceram um grande fascínio e um misto de atração, curiosidade e respeito, o que acabou transformando algumas delas em objetos realmente míticos e cultuados. No caso das armas leves alemãs, como ocorreu com as pistolas Parabellum (Luger) e as metralhadoras MG-34 e MG-42, as sub-metralhadoras MP-38 e MP-40 compartilham deste mesmo fato. Mas, muitas vezes, devido a um certo exagero, realçado principalmente em filmes do gênero e a um pouco de falta de conhecimento, muitas dessas armas quando analizadas à fundo, sejam elas alemãs ou não,  não merecem tanto assim toda essa admiração. Mas isto não é, sem dúvida, o caso das sub-metralhadoras Erma.

A empresa alemã ERMA, cujo nome é uma abreviatura de ERfurt MAchinen, foi fundada em 1924 por Berthold Geipel, que havia sido diretor do famoso Arsenal de Erfurt, desativado após a I Grande Guerra. Apesar de vários protótipos terem sido desenvolvidos e apresentados, somente em 1927 que uma arma realmente eficiente veio à tona. Como era de praxe na Alemanha de então, ainda sofrendo com as restrições de armamento impostas pelo Tratato de Versalhes, a Guerra Civil Espanhola serviu como campo de provas para testes da nova arma. Cabe citar aqui que nesta mesma Alemanha do pós Guerra já eram conhecidos outros projetos de armas similares, podendo-se citar principalmente as Bergmann MP-18 e a MP-28, projetos derivados do inventor Hugo Schmeisser, e as posteriores MP-34, 35 e 39. As MP-28, por exemplo, foram extensivamente usadas pela polícia civil e, inclusive, pelas primeiras milícias formadas das SS (Schultz Staffeln) e das SA (Sturm Abteilung).

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(Foto: a MP-40 em ação, na II Guerra Mundial)

Porém, na Erma, o engenheiro Berthold Geipel contava  no seu quadro de funcionários com o famoso projetista Heinrich Vollmer, encarregado do desenvolvimento da arma, patenteada em 1927, tendo saído os primeiros exemplares da linha de produção da Erma Werke em 1928. Duas versões foram lançadas: uma com um monopé telescópico e escamoteável, dotada de um cano prolongado, e outra sem o monopé e com cano mais curto. Essas armas foram vendidas para a França, México e alguns países da América do Sul, inclusive o Brasil, durante o final dos anos 20, além de serem utilizadas na Guerra Civil Espanhola. Basicamente o conceito  dessas sub-metralhadoras era o que até hoje é comum, ou seja, trabalham com o ferrolho aberto, sem travas de culatra (blowback) e um sistema de mola recuperadora enclausurada em um tubo telescópico, uma solução engenhosa que serve de guia para que a mola, razoavelmente longa, não se deforme com os constantes movimentos de compressão e expansão.

O modelo EMP

Essa arma levou o nome de EMP (Erma Machinen Pistole) e gerou posteriormente  tres variações importantes: A primeira dotada de mira tangencial, em 1935, cano longo com camisa perfurada e encaixe para baioneta, vendida para a Ioguslávia. A segunda variante possuía pequenas alterações, principalmente na coronha e a terceira, que foi a mais vendida e mais usada na Espanha, incorporava pela primeira vez uma trava se segurança. Todos esses projetos, entretanto, utilizava o mecanismo desenvolvido por Vollmer. A EMP possuía carregadores para 20 ou 32 cartuchos, calibre 9mm Parabellum, posicionado na parte frontal e à esquerda da arma, em posição  de 90º em relação à empunhadura. Pesava cerca de 4,200Kg. e tinha uma cadência de tiro de 350 a 450 disparos por minuto. Não possuía recurso para tiro único.

empA Erma EMP, projeto de Vollmer – na foto do lado esquerdo pode-se ver claramente a entrada do alojamento para o carregador.

A escolha do calibre 9X19, óbviamente, vinha de encontro ao fato de utilizar o mesmo cartucho já tido como padrão pelas forças armadas alemãs, na pistola Parabellum (Luger), desde  a sua adoção em 1902.

 O modelo MP-38

Durante os anos 30, as forças armadas da Alemanha estavam constantemente requisitando dos fabricantes o desenvolvimento de uma arma automática leve, confiável e com excelente poder de fogo. Porém, essa não era a intenção do Alto Comando do Exército, que achava não haver, ainda, a necessidade de um contrato deste tipo. Mesmo assim, Vollmer continuou com um projeto novo, ainda utilizando o seu já provado conceito de mola e tubo telescópico. O protótipo final desta nova arma foi apresentado em 1938 e logo foi vendido para a polícia alemã de fronteira e para alguns outros países da Europa, mas em quantidade não muito elevada.

Finalmente, ainda em 1938, a menos de um ano da invasão da vizinha Polônia, fato que desencadearia o maior conflito armado da História, uma mudança de conceitos no Alto Comando Alemão fez com que seus chefes entrassem em contato com Geipel solicitando com urgência o desenvolvimento e fabricação de uma arma automática que suprisse as necessidades, principalmente de tropas motorizadas e de paraquedistas. Foi realmente providencial a atitude de Vollmer de ter continuado com seu projeto, pois a Erma tinha, agora, condições de, em tempo recorde, suprir essa exigência do Alto Comando. Para esta nova arma, a Erma designou a nomenclatura de MP-38, ou Machinen-Pistole Modell 1938 .

 

ermamp38

A Mp-38 foi, sem sobra de dúvida, uma espécie de “mãe” de quase todas as sub-metralhadoras desenvolvidas desde então, revolucionando o conceito de fabricação em massa, de custo baixo e de soluções práticas e eficientes, principalmente pela substituição de madeira por resinas plásticas e o uso de uma coronha dobrável, que deixava a arma muito mais prática e menor para uso geral, podendo até mesmo ser disparada com uma só mão por um soldado paraquedista treinado, mesmo estando ainda em processo de “aterrizagem”, tal como a praticidade de uma autêntica pistola metralhadora. Seu sistema era de ferrolho aberto e com a mola embutida em um tubo telescópico, tal como a EMP; a armação era de chapa estampada e a estrutura da empunhadura em alumínio; as placas de empunhadura e fustes eram em plástico. A arma possuía ainda uma peça em plástico, com articulação bem abaixo do cano, que uma vez escamoteada, servia como um apoio, um tipo de monopé.

Cabe aqui uma explanação que gera muita confusão quando se fala das Mp-38. Elas são, muitas vezes e  equivocadamente chamadas de “Schmeisser”, palavra que se refere ao nome do ilustre projetista de armas alemão, Hugo Schmeisser, já citado anteriormente e criador dos modelos da Bergmann. Isso deve ter sido atribuido em virtude de que Schmeisser foi gerente-geral da indústria Haenel, empresa que durante a sua gestão produziu várias unidades da MP-38. Mesmo quando a MP-38 foi substituída pela MP-40, não só a Haenel continuou sua fabricação como Schmeisser, agora sim, efetuou modificações na arma e criou a MP-41, que abordaremos em seguida.

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Modelo ERMA MP-38

Todas as Mp-38 produzidas pela Erma tinham a marca código “ayf 27“, feitas durante 1938 e 1940. A Mp-38 foi, sem dúvida, a melhor submetralhadora de sua época e superior às utilizadas pelos Aliados, como as Thompson e as M3 norte-americanas, as Sten inglesas e as PPSh russas, no que tange à facilidade de produção, calibre bem equilibrado e eficácia em combate. A bem da verdade, eram armas temidas e admiradas por aqueles combatentes rivais.

A Mp-38 possuía um carregador posicionado na parte frontal, alinhado com a empunhadura, com capacidade para 32 cartuchos calibre 9mm Parabellum (9×19), com uma cadência de tiro entre 500 a 550 disparos por minuto, pesando a arma desmuniciada cerca de 3,700Kg. Não possuía seletor de tiro.

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Diagrama da Mp-38, totalmente desmontada. Repare os tubos telescópicos da mola recuperadora. O cano era encaixado, e desta forma, facilmente removido e trocado mediante o destarrar de uma manga de pressão.

A MP-38/40

Um dos problemas que mais afetava a MP-38 e igualmente em quase todas as armas similares, é a questão da segurança. Como essas armas trabalham com o ferrolho aberto, e eles possuem geralmente suas alavancas proeminentes, existe uma grande possibilidade de disparos acidentais em quedas ou batidas fortes. Esse problema foi resolvido de forma bem simples, até. Uma pequena reentrância criada no final do rasgo por onde corre a alavanca do ferrolho servia para que esta alavanca ali fosse encaixada e evitasse o seu retorno acidental para a posição de disparo. No mais, a arma era virtualmente idêntica à Mp-38.

O modelo MP-40

Neste modelo o principal foco foi facilitar ainda mais o processo de produção e reduzir custos. A armação passou a ser feita de chapa estampada em duas partes e soldada à ponto. O material plástico utilizado no fuste foi substituído por um tipo de resina fenólica que era mais resistente ao calor e à impactos. Outra importante mudança foi a utilização de aço com mais baixo teor de carbono, o que facilitava as usinagens.

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Os dois lados de uma excelente sub-metralhadora – a Erma MP-40 (Foto do Autor)

Essas mudanças fizeram da MP-40 a arma ideal de se produzir em período de guerra. Vários outros fabricantes cooperaram na massificação da produção, como a austríaca Steyr e a Haenel. Por volta de 1944, mais de um milhão dessas armas foram feitas. Os códigos para esses fabricantes eram os seguintes:

27 – usada pela Erma antes de 1940
ayf – usada pela Erma pós 1940
660 – usadas nas fabricadas pela Waffenfabrik Steyr até 1941
bnz – usadas nas Steyr pós 1941
fxo – Haenel
cos – Merz Werke
knd – National Krup Registier
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Detalhes do modelo MP-40 – à esquerda a marca bnz-43 que indica fabricação Steyr em 1943 – à direita, a marca do  “WaffenAmt” no cano, prova de inspeção utilizada pelo III Reich. O WaffenAmt (WaA) era um órgão controlador do armamento das forças armadas alemãs. (Fotos do autor, clique para ampliar)
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Submetralhadora ERMA MP-40

No final da guerra, com todas as dificuldades existentes, outras pequenas modificações foram sendo implementadas pelos fabricantes, como a Steyr, que resolveu unificar os dois lados da armação e a empunhadura em uma só peça. O tubo telescópico acabou sendo eliminado, e para piorar, começaram a usar a mesma mola da metralhadora MG-42, só que cortada ao meio, o que começou a gerar problemas com a cadência de tiro e engasgues na ejeção, principalmente levando-se em conta que os cartuchos desta época também sofriam com a falta de padronização. Na tentativa de aumentar a capacidade de tiro, na chamada MP-40/2, utilizou-se dois carregadores de 32 cartuchos cada, alinhados lado a lado e deslizantes cada um a seu tempo, na medida que um deles era esvaziado.

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(Foto: detalhe da adaptação feita para uso de dois carregadores simultâneos)

Os americanos testaram a MP-40 no Aberdeen Proving Ground, o campo de provas de armamento do Governo Norte-Americano, em 1940 e 1941. Os resultados quanto à confiabilidade e precisão foram muito favoráveis e considerados excelentes. Este parecer, vindo do APG, é bem mais que um elogio. Este campo ficou famoso por ter sido o local onde se realizaram os famosos testes que levaram os USA a adotar a pistola Colt 1911 como arma oficial.

Os números de produção da Mp-40 são os seguintes: 1940 -  113.700 armas; 1941 – 230.000; 1942 – 232.000; 1943 – 235.000 e 1944 – 229.000 armas. A Mp-40 pesava cerca de 3,700Kg, carregadores para 32 cartuchos ou os duplos de 64 cartuchos e cadência de 500 a 550 tiros por minuto.

O modelo MP-41

Este modelo foi desenvolvido por Hugo Schmeisser na fábrica da Haenel, baseada na MP-40 mas com coronha de madeira e um dispositivo de tiro seletivo similar à das EMP. Muitas delas possuem a marcação “MP-41 Schmeisser Patent”, o que sem dúvida também deve ter contribuído para a denominação equivocada de Schmeisser aos modelos anteriores feitos pela Erma.

O modelo EMP-44

Este sim, era um projeto inteiramente novo desenvolvido pela Erma e que, indubitavelmente, nada tinha a ver com suas ancestrais, quer fosse em qualidade de manufatura ou em confiabilidade. Trata-se de um desenho que, baseado nas condições em que a Alemanha se encontrava na ocasião, veio à tona para tentar, como último recurso, dotar tropas com uma arma automática independente do fato de ser bem feita ou não. Para muitos ela remete a um montoado de peças, algumas que até parecem vindas de um encanador, soldadas a esmo sem qualquer critério. Eram peças dotadas de péssimo acabamanto, com rebarbas e marcas de solda aparentes, e utilizando-se os mais baratos e mais facilmente encontrados materiais, como tubos de ferro galvanizado. Apesar de terem sido gradualmente distribuídas às tropas, ela nunca representou nada de importante no cenário da guerra.

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(Foto: a EMP-44)

Após o término do conflito e com a Alemanha ocupada pelas forças aliadas, a Erma, por sua localização, caiu nas mãos das tropas de ocupação russas. Muitos dos funcionários abandonaram as instalações e se mudaram para Dachau, na região da Bavária. Assim em 1949, a Erma Werke se tornou, novamente, uma fabricante de armas. O desenvolvimento de novas armas se tornou sua atividade normal, e mediante diversos contratos com países até então inimigos, como a França, Dinamarca e Suécia, surgiram modelos novos de sub-metralhadoras, como a PM-9, a MP-56, 57, 58, 59 e 65. Nenhum desses novos desenhos tem qualquer semelhança com as antigas MP da Erma. O modelo MP-59, por exemplo, tinha um recurso muito interessante: o uso de um pistão de recuo hidráulico, similar a um amortecedor de automóvel, mas com pressão regulável, que permitia estabelecer o ciclo de disparos desde 100 a 600 tiros por minuto. Muitos dos modelos novos da Erma foram fornecidos incorporados à unidades policiais de diversos países, tanto do leste europeu como os de fora da então “cortina de ferro”.

Particularmente o modelo MP-60 e sua posterior MP-65, apesar de um desenho simples e com processos quase totalmente voltados à estamparia, provou ser um projeto de muito sucesso, sendo considerada por suas soluções engenhosas, a sub-metralhadora mais segura então fabricada. Sua desmontagem pode ser feita sem uso de ferramentas e a substituição do cano é muito simples, além de possuir dispositivo de tiro seletivo e uma “imunidade” muito eficiente quanto à entrada de agentes externos como lama e areia.

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(Foto: a MP-60) Além dos projetos e fabricação das sub-metralhadoras, a Erma produziu diversos outros tipos de armas e acessórios, como cópias das carabinas americanas .30 M1 em calibre .22LR, cópias de  fuzis Mauser em calibre .22LR para treinamento, kits de adaptação para conversão de fuzis Mauser para o calibre .22LR e uma interessante “réplica” não muito fiel da pistola Luger (Parabellum), também em calibre .22LR, com armação feita em duralumínio para venda no mercado norte-americano, pegando carona da “febre” do pós-guerra que acometia os aficionados por aquela mítica pistola,  que não podiam contar ainda com uma peça original.

A empresa americana Iver-Johnson manteve, por vários anos (décadas de 70 a 80) um contrato de distribuição das armas Erma nos USA. As carabinas réplicas da .30M1 eram vendidas com a marca da Iver Johnson, mas contando com a inscrição “Made in Germany” estampada nas mesmas.

A Erma se tornou subsidiária da Lear Siegler Inc. por volta de 1965 mas terminou solicitando sua falência em 1997;  mesmo assim, passou para as mãos da Suhler und Sportwaffen de Suhl (uma divisão da  Steyr-Mannlicher) em 1998. Até  2007  a Suhler und Sportwaffen era uma divisão da Merkel. Em conclusão, a Erma foi uma empresa que merece ser admirada, pois apesar de toda a sua história conturbada, de erros e de acertos, além da destruição de suas instalações após a guerra, ainda conseguiu se reerguer e se transformar em uma empresa rentável e produtiva, até seu fechamento definitivo em 1998.

Written by Carlos F P Neto

02/09/2009 às 15:44

2 Respostas

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  1. Parabéns CArlos
    Não conhecia seu site, está excelente
    Abraços

    • Prezado Nilson, muito obrigado, meu caro amigo e sabe como é bom receber elogios seus; pena que está difícil de nos vermos de novo mas há de chegar o dia em que os “quatro” mosqueteiros se encontrarão.

      Carlos F P Neto

      08/04/2012 at 19:15


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