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Fuzil Automático Browning “B.A.R.”

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OS PRIMÓRDIOS

Em 6 de abril de 1917, após longos meses de discussões e avaliações sobre o cenário bélico na Europa durante a I Grande Guerra, e ansiando por novos tempos de paz naquela região, o governo dos Estados Unidos da América resolve declarar estado de guerra contra a Alemanha Imperial. Apesar de que os Estados Unidos sempre tiveram tradição no desenvolvimento de armamentos que, de modo geral, foram bem sucedidos, esse evento pegou as Forças Armadas meio de surpresa no que se referia ao uso de armamento de infantaria de tiro rápido; ou seja, metralhadoras pesadas ou leves, ou até mesmo os fuzis metralhadores.

Das pouquíssimas 1.100 armas automáticas leves existentes nos arsenais do Exército pouco antes da I Guerra, 670 eram os arcaicos e obsoletos fuzis- metralhadores Benet-Mercie, mais 282 metralhadoras Maxim e 158 metralhadoras Colt M1895.

O Benet-Mercie (pron. Benê-Merciê) era um desenho francês, projeto de Lawrence Benet e de Henri Mercie, e produzido pela companhia Hotchkiss, fundada pelo norte-americano Benjamin B. Hotchkiss. Eram alimentados por carregadores metálicos horizontais em formato de pentes, onde os cartuchos ficavam totalmente expostos. O carregamento desses pentes era um problema crônico porque, se os cartuchos estivessem mal alinhados ou fossem montados com pouco cuidado, isso causava emperramentos constantes na arma. Nas trincheiras e no meio da escuridão, era quase impossível para um municiador conseguir executar bem o serviço.

Durante os conflitos de fronteira dos Estados Unidos com o México, em 1916, guerrilheiros de Pancho Villa não tinham muita dificuldade em atacar batalhões norte-americanos, armados somente com seus fuzis Mauser de repetição, pois as Benet-Mercie raramente estavam em condições de funcionar bem. Uma anedota na época fazia alusão a um possível acordo entre os combatentes americanos e mexicanos para que os ataques só fossem realizados durante o dia, pois dessa forma os carregadores da arma poderiam ser municiados com mais facilidade.

Fuzil-metralhador Benet-Mercie, adotado pelos Estados Unidos em 1909 como “Benet-Mercie Machine Rifle, Caliber .30 U. S. Model of 1909″, em calibre .30-06.

Um fato interessante é que, nesta mesma época, o inventor americano Hiram Maxim havia projetado e desenvolvido uma metralhadora pesada, a qual ele estava, em vão, tentando vender para o governo americano, sem muito sucesso. Ironicamente, a Inglaterra e a própria Alemanha tiveram interesse muito grande na arma, posteriormente produzindo-as em seu próprio país mediante licença de patente. O Tenente Coronel Isaac Lewis, criador da que foi considerada uma das melhores metralhadoras no mundo até antes da II Guerra, também não conseguiu infiltrá-la nas fileiras norte americanas, indo assim parar nas mãos dos Ingleses e dos Belgas.

Para poder suprir o Exército a fim de combater na Europa, em 1917, os Estados Unidos tiveram que lançar mão de armas automáticas oriundas da Inglaterra e da França, para aumentar o seu poder ofensivo. Da França vieram as metralhadoras Hothckiss, aliás, criada por um nativo norte-americano, Benjamim Hotchkiss.

Outro equipamento importado da França foi o fuzil “metralhador”, adotado em 1917, denominado de C.S.R.G., iniciais que significam Chauchat, Suterre, Ribeyrolle et Gladiator. Os tres primeiros nomes são os dos seus projetistas e o último, do fabricante da arma, Établissements des Cycles “Clément-Gladiator”, um fabricante francês de bicicletas.  Apesar de sua aparência estranha, era bem revolucionário em sua concepção, tanto que fazia enorme sucesso militar no cenário da I Guerra, mas só nas mãos dos franceses.

Um fuzil Chauchat modificado para o calibre 30-06, com carregador retilíneo e bipé.

O modelo enviado aos USA para posteriormente ser distribuído às tropas foi adaptado para o calibre .30-06 Springfield,  ao invés do padrão 8mm X 50R, cartucho que era utilizado pela França em seus fuzis de repetição Bertier e Lebel. Essa arma atuava no sistema de longo recuo, utilizando um ferrolho com trancas rotativas. A modificação para o cartucho .30-06, muito mais potente que o original 8mm, não lhe fez muito bem e assim, padecia de numerosos engasgues. Era, a bem da verdade, uma monstruosidade com 1,09 metro de comprimento e 9Kg de peso.

Acima, soldado norte-americano lançando mão da sua fiel e infalível “nineteen-eleven”, a Colt .45, depois de ter lutado algum tempo com um outro inimigo, o fuzil Chauchat

O modelo mais comum possuía um carregador em forma de meia lua, muito trabalhoso de municiar e capacidade para 16 cartuchos. Um dos modelos utilizados pelos Estados Unidos usava um carregador retilíneo para 30 cartuchos. A arma teve sua avant-première em 21 de outubro de 1917, na região de Sommerville. Relatos da época fazem alusão à alguns soldados norte-americanos, que optavam por abandoná-los na lama das trincheiras, trocando-os pelos simples, mas mais efetivos, fuzis Springfield M1903. Os americanos o chamavam de Show-Show ou até mesmo de Shoo-Shoo, mas esses nomes eram muito menos utilizados do que outros tantos mais, os quais prefiro omitir aqui. Eu creio que essa arma não possui rival, na história do armamento bélico utilizado nos Estados Unidos, quanto à péssima fama adquirida em combate. O carregador meia-lua possuía enormes janelas laterais, desenvolvidas para que o atirador pudesse acompanhar melhor a capacidade de cartuchos restantes. Entretanto, lama, areia e cascalhos eram o que as trincheiras mais ofereciam de pior aos soldados e às suas armas, e esses carregadores se entupiam com isso. Além do mais, eram frágeis e entortavam facilmente quando derrubados ao chão.

A freqüencia de engasgues dessa arma era imensurável; a bem da verdade, o Chauchat não prometia um mal funcionamento constante; ele realmente garantia isso. Tornou-se assim num grande fracasso, o que  acelerou mais ainda o plano de se desenvolver, com a máxima urgência, uma nova arma para substituí-lo.

O Fuzil “Metralhador” Leve de projeto francês: C.S.R.G. – Chauchat, Suterre, Ribeyrolle et Gladiator, em calibre 8X50R e adaptado para .30-06. O carregador em forma de meia-lua era resultado do fato dos cartuchos 8X50R possuírem  um acentuado formato cônico e serem dotados de aro (rimmed).

JOHN BROWNING ENTRA EM CENA

Em 1917, poucos meses antes dos Estados Unidos entrarem na I Guerra, como um verdadeiro enviado dos céus para tentar por fim à crítica situação reinante, surge o gênio norte-americano John Moses Browning, trazendo nas mãos um projeto de um eficiente, preciso, confiável e durável fuzil automático, funcionando sob a ação dos gases recolhidos no cano, gerados pela combustão da pólvora.

O primeiro modelo do B.A.R desenvolvido por Browning

John Browning trouxe pessoalmente para Washington dois novos modelos de armas: uma metralhadora pesada refrigerada à água, mais tarde adotada comoa Browning M1917 e um fuzil automático, destinado a ser usado apoiado no ombro do atirador, ambos no calibre .30-06, cartucho já adotado naquela época pelas Forças Armadas, o mesmo do fuzil de repetição Springfield M1903. Na localidade de Congress Heights, nas proximidades de Washington, em 27 de fevereiro de 1917, John Browning diante de uma platéia de cerca de 300 pessoas, entre elas vários políticos, órgãos de imprensa e o alto comando militar, executou uma série de testes com suas armas.

Uma simulação executada com tiro automático de varredura sobre supostas tropas inimigas, em campo aberto, deixou a platéia tão extasiada e entusiasmada que até esqueceram-se do fato muito importante que, até aquele momento, somente uma arma daquele tipo existia. A metralhadora refrigerada à ar foi rapidamente adotada em serviço, logo após a demonstração. Para John Browning, o episódio foi uma espécie de coroação pelos seus méritos, mais que merecida, pois não era praxe para o pessoal do Departamento de Ordenança adotar uma nova arma com tanta facilidade.

O pessoal da Ordenança do Exército Americano, situados no Arsenal de Springfield, procedeu a diversos testes adicionais com as duas armas, e o fuzil foi finalmente adotado com o nome de Rifle Caliber .30, Automatic, Browning M1918. Já em julho de 1917 cerca de 12.000 fuzís foram encomendados à Colt Firearms. Porém, já estando trabalhando no pico da capacidade por contratos assinados com a Inglaterra no fabrico das metralhadoras Vickers, a Colt cedeu a vez para a Winchester Repeating Arms, sua arqui-rival na indústria de armas nos USA. A Winchester procedeu a algumas pequenas alterações no projeto para adequá-lo à produção em massa e assim, deu-se início à produção em série, com um contrato de fornecimento de 25.000 armas.

John Browning discute detalhes do B.A.R com um expert em armas automáticas da Winchester Company. 

A Colt e a empresa Marlin-Rockwell começaram a produzir o fuzil pouco depois da Winchester fazê-lo, de forma que no período entre 1918 e 1919, a Winchester entregou 47.123 armas, a Colt 16.000 e a Marlin-Rockwell participou com 39.002 unidades. Apesar de que somente em setembro de 1918 o fuzil chegou às mãos de soldados norte-americanos na França, ainda assim deixou uma significante impressão nos militares aliados, sendo que a própria França encomendou 15.000 dos fuzis Browning para substituir os seus tradicionais Chauchat. O próprio filho de John Browning, o 2º Tenente Val Allen Browning promoveu diversas sessões de demonstração da arma aos aliados. Assim, verdadeiramente, o B.A.R. não chegou a ter participação em muitas ações nos campos de batalha da I Guerra; entrou em cena um pouco tarde, e  havia até uma certa relutância do próprio Exército dos Estados Unidos em distribuí-lo às tropas, para evitar que caíssem em mãos inimigas. Apesar disso, acredita-se que cerca de 85.000 armas participaram do conflito.

Com o armistício em 1918 e a paz novamente reinando na Europa, a assinatura do Tratado de Versailles limitou de forma muito restrita a liberdade e capacidade dos países derrotados de produzirem novas armas. A bem da verdade, nas décadas posteriores de 20 e 30, outras nações que participaram do conflito se dedicaram à tarefa de desenvolver projetos novos de armas longas para infantaria, com poder de fogo automático, mas que fosse, ao mesmo tempo, leve, potente e de alta capacidade de munição, como foi o caso do fuzil britânico Bren. Mesmo focando no cenário Norte-Americano, vemos somente a opção do B.A.R. que era, definitivamente, um projeto um pouco longe de atender o requisito de portabilidade, com seus quase 9Kg de peso, sendo assim um verdadeiro martírio para o infante que o transportava.

Fuzil Automático Browning (BAR) modelo 1918A2, em calibre .30-06, adotado pelo governo dos USA durante a I Grande Guerra – apesar de diversos problemas inerentes ao projeto, foi largamente utilizado na II Guerra e também na Guerra da Coréia.

OS MODELOS BÁSICOS

Tal como todas as armas que J. M. Browning desenvolvia, o BAR apresentava uma excelente robustez e confiabilidade, mas infelizmente  acompanhadas de problemas crônicos: o excesso de peso, a baixa capacidade de seu carregador de 20 cartuchos, que se esvaziava com grande rapidez e uma certa dificuldade no controle em fogo sustentado, por parte do atirador.

Os modelos posteriores ao de 1918 tiveram a inclusão de um regulador de cadência de tiro, para minimizar o problema de gasto excessivo da munição. Mesmo assim, no cenário da II Guerra, ele foi muito importante para o fogo de cobertura no avanço dos pelotões de infantaria, visto que os USA não dispunham de uma metralhadora leve que pudesse ser transportada no dia a dia pelos batalhões de reconhecimento. As metralhadoras Browning .30 modelos 1917 e 1918, refrigeradas à água e à ar, por seu peso e porte, não eram, decididamente, armas para esta finalidade.

Na foto, detalhe da alça de mira regulável lateralmente e na elevação.

Existem, basicamente, tres modelos do Fuzil Automático Browning:

Modelo 1918

Este primeiro modelo não dispunha de um bipé, pois a intenção inicial era de que a arma fosse utilizada diretamente no ombro do atirador, enquanto o mesmo ainda estava em movimento, tal como ocorria com um fuzil comum. Na prática, entretanto, verificou-se que isso nem sempre acontecia, devido ao peso da arma e do recuo excessivo que a tirava facilmente da linha de visada.

O modelo dispunha de tiro seletivo, ou seja, automático ou semi-automático, escolhidos através de uma alavanca seletora com tres posições: “S” Safe, “F” Fire e “A” Automatic. Dispunha de carregador destacável para 20 cartuchos calibre no calibre 30-06, sistema bifilar. O cano era rosqueado à armação mas não podia ser trocado com facilidade. Na boca do cano havia um supressor de chama, alça de mira regulável de 100 a 1500 jardas. Uma baioneta até chegou a ser cogitada para essa arma, baseada na utilizada pelo fuzil Springfield, mas a idéia foi descartada posteriormente por agregar ainda mais peso à arma.

Modelo 1918A1

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Fuzil Automático Browning M1918A1, sem seu carregador

Em 24 de junho de 1937 foi aprovado pelo Depto de Ordenança a inclusão de  uma chapa de aço articulada, montada na soleira da coronha, que servia como um útil apoio da arma no ombro do atirador. Um bipé frontal, articulado e com altura regulável, passou a ser oferecido, montado no tubo inferior do cano, que recobre o cilindro de captação dos gases. O bipé era uma necessidade já muito solicitada pelos atiradores, devido a facilitar a utilização da arma na posição deitada.

Lateral da caixa de culatra de um B.A.R. modelo 1918A2 com sua alça de mira levantada.

Modelo 1918A2

Em abril de 1938, várias outras alterações começaram a ser implantadas no fuzil, visando uma atuação em campo de batalha mais voltada ao tiro de suporte a um batalhão, de maneira similar onde seria empregada uma metralhadora leve. Uma versão com punho pistola chegou a  ser desenvolvida na Bélgica, fabricada pela Fabrique Nationale, de Herstal, que também implementou um mecanismo de regulagem de cadência de tiro. Entretanto, em 1939 o Exército Americano reafirmou que todas as modificações feitas no fuzil deveriam permitir a retroatividade aos modelos anteriores sem problemas de compatibilidade de peças. Essa decisão, infelizmente, matou o projeto muito bem elaborado feito pela F.N.

Modelo do Fuzil Automático Browning produzido na F.N. na Bélgica, com regulador de cadência de tiro, cano ventilado e punho-pistola – projeto não vingou nos USA por problemas de compatibilidade de peças.

Finalmente, o projeto final do 1918A2 saiu da prancheta em junho de 1938. O Arsenal de Springfield também desenvolve um mecanismo retardador da cadência de disparos, alojado dentro da coronha. Havia a opção de duas velocidades de fogo, de 330 e de 500 disparos por minuto, mas foi eliminada a opção de tiro semi-automático. O bipé regulável e escamoteável passou a ser fixado diretamente no cano, bem próximo à massa de mira. Um protetor de calor foi acrescentado no guarda-mão frontal da coronha para evitar aquecimento excessivo e danos à mola de recuperação, que ali fica alojada. Houveram alguns incidentes de tiro que foram causados pela perda de têmpera desta mola, devido ao aquecimento constante. Um monopé podia ser montado debaixo da coronha, para apoio da arma no solo. Novos supressores de chama foram desenvolvidos e uma alça de transporte escamoteável foi providenciada posteriormente, já nos anos da II Guerra.

Acima os tres modelos básicos do Fuzil Automático Browming: modelo 1918, 1918A1 e 1918A2 – neste último, note o monopé incorporado abaixo da coronha e o bipé montado na dianteira. 

Acima, o modelo 1918A2 com a alça de mira graduada; no centro, o M1922 montado no bipé M1924 e dotado de cano aletado para refrigeração; finalmente um T34 NATO, em calibre 7,62X51mm. 

Durante o curto período de paz na Europa, de 1918 a 1939, as Forças Armadas Norte-Americanas foram introduzindo gradativamente o B.A.R. em suas fileiras. A Marinha americana e o grupo de Fuzileiros Navais também adotaram a arma; interessante citar que nos arsenais dos navios, cada exemplar do fuzil era acompanhado de um cano sobressalente. Na Marinha, os fuzis chegaram a se manter em serviço até meados de 1960 e chegaram a participar dos conflitos no Haiti e na Nicarágua.

A Cavalaria do Exército dos USA adotou em 1922 uma versão modificada do fuzil, versão essa que resultou na M1922 Light Machine Gun, que possuía um cano ventilado através de ranhuras, bipé com regulagem de altura e que permitia ser ajustado em diversas posições no cano, monopé traseiro com regulagem de altura e com a particularidade de utilizar um novo tipo de munição .30-06 com projétil mais pesado, o denominado cartucho .30M2.

Em 1919, a Colt introduz o seu Fuzil Automático M1919 na versão comercial, designado pela fabricante como Modelo U, com diferenças no mecanismo de retorno comparados ao M1918. Pouco mais tarde, em 1924, foi oferecida uma nova versão com punho-pistola em uma variedade grande de calibres além do 30-06 Springfield, como o 7,65X53mm Mauser (Bélgica), 7X57mm Mauser, 6,5X55mm, 7,92X57 Mauser e .303 British.

Em 1931 a Colt Firearms introduz o Colt Monitor modelo R80, destinado principalmente para equipar guardas de presídios e agências governamentais, como o F.B.I. O bipé foi eliminado, a coronha modificada para permitir o uso de um punho pistola, o cano teve seu comprimento reduzido para 45,8 cm e equipado com um compensador de recuo do tipo “Cutts”. Pesando cerca de 8 quilos, o Colt Monitor possuía uma cadência de tiro de 500 disparos por minuto.

O Colt Monitor M1922

Durante os anos de 1920 a 1930 a Colt forneceu o M1919 para diversos países do mundo, e na variedade de calibres em que eram encomendados; dentre essas regiões se destacavam a própria América do Norte (Canadá e México), América do Sul, Grã-Bretanha, Rússia, Turquia, Tailândia, Índia e Austrália.  O Brasil adquiriu o B.A.R. na sua versão M1918A2 após a II Guerra Mundial, em calibre .30-06, cartucho que já havia sido adotado em substituição ao 7mmX57 Mauser.

Uma variante conhecida pelo nome de F.N. Mle 1930 foi desenvolvida pela Fabrique Nationale e adotada pela Bélgica, sob licença da Colt Firearms. Era basicamente o modelo M1925 mas em calibre 7,65X53mm, com um dispositivo redutor de cadência de tiro desenvolvido por Dieudonne Saive, instalado parte na armação e parte no punho pistola. Posteriormente a F.N. incorporou a opção de troca rápida do cano e um método de desmontagem simplificada para ser levada a cabo durante os combates. Esta versão foi produzida até mesmo após a II Guerra, denominada de FN Mle D, em calibres .30-06 e em 7,62X51mm NATO.

Suécia, Noruega e Polônia foram algumas das outras nações que no período pré II Guerra encomendaram à F.N. os fuzis automáticos Browning baseados no M1930. Na Polônia, a arma foi adotada como “7,92 mm rkm Browning wz. 1928″ e o Exército Polonês possuía cerca de 20.000 dessas armas antes da invasão alemã de 1939.

II GUERRA MUNDIAL

Após a entrada dos Estados Unidos na Guerra, o Departamento de Ordenança tinha conhecimento de que o Exército dos Estados Unidos não dispunha de uma metralhadora leve para ser transportada por batalhões. Assim sendo, o M1918A2 foi adotado como arma regular em 1938 e destinado a equipar um homem de um batalhão composto de oito soldados, esses últimos portando basicamente o fuzil M1 Garand. Porém, todos esses integrantes possuíam treinamento básico no manuseio do B.A.R. para o caso do seu atirador ser morto ou ferido. Algumas unidades de infantaria equipavam os batalhões com mais de um “BAR man“, como eram então chamados seus atiradores, e um ou dois asssitentes (ammo bearers) transportando carregadores municiados extras.

Os fuzileiros navais, por outro lado, normalmente empregavam dois atiradores de B.A.R. em seus batalhões. A missão principal dos atiradores de B.A.R. era o chamado fogo de cobertura, onde as pequenas e curtas rajadas proviam um fogo de sustentação para proteger o avanço do restante do pelotão.

Qualquer leitor deste artigo que se encontra numa faixa etária sexagenária vai, sem dúvida, se lembrar da famosa série de TV americana Combat!, exibida aqui no Brasil na década de 60, e que se tornou um “cult” dos aficionados de filmes de guerra.

Todos se lembram que no famoso batalhão comandado pelo sargento Saunders, o “BAR man” era o soldado William G. Kirby, um sujeito estilo “bad-boy”, briguento, baixinho, mas atarracado. Ironicamente os “BAR man” eram os mais baixos a serem os destinados a portar a arma, que era a mais pesada do batalhão. Havia um “conceito” vigente no comando de que assim, eles seriam um alvo “pouco mais difícil de ser atingido” !

À esquerda, o soldado Kirby com seu B.A.R., na série de TV Combat!

O conceito criado em torno dos “BAR men“, quando à sua forma de atuação em combate, com fogo de apoio ao avanço do restante do grupo, apesar de vários adeptos, sofreu algumas críticas durante a guerra, porque na verdade, na maioria das vezes, as forças de infantaria norte-americanas se deparavam com infantaria alemã muito bem equipada com armas automáticas, tanto sub-metralhadoras como metralhadoras leves. Esse conceito alemão era, de certa forma, uma espécie de compensação devida ao uso dos mais lentos fuzis de repetição Mauser K-98 em relação aos M1 Garand, pois a quantidade de soldados germânicos portando tanto sub-metralhadoras MP-38 e 40 ou as temíveis metralhadoras leves MG-34 e 42 era muito maior do que a presença das Thompsons e dos B.A.R. nas tropas americanas.

Com o passar dos anos, problemas começaram a surgir com os fuzis automáticos Browning, a começar com emperramentos constantes no mecanismo de retardo da cadência de fogo. Técnicos que analisavam esses casos chegaram a conclusão de que isso era devido ao costume dos soldados limparem a arma na posição vertical, com a coronha apoiada no solo, e todo o resíduo de solvente, óleo e resíduos adentravam o mecanismo montado na coronha. Outro fator grave era o entupimento e a corrosão dos componentes da regulagem de tomada de gases, que ao contrário do que ocorreu no Garand, nunca foram substituídos por peças feitas em aço inoxidável.

Em 1949 foi introduzida a versão T34, que foi o último modelo do B.A.R. utilizado pelas Forças Armadas Norte-Americanas. O processo de fabricação do fuzil, principalmente de sua caixa de culatra em aço forjado, começou a se tornar inviável pelo alto custo envolvido das intricadas operações de usinagem. Apesar de que diversos testes e experimentos foram feitos durante a II Guerra para baratear seu custo, todos eles resultaram em problemas de robustez e quebra de componentes. O B.A.R. já não era mais, na segunda metade do século XX, uma arma viável do ponto de vista de fabricação em larga escala.

Apesar de todos esses percalços, estivessem nas mãos de soldados nos campos da Europa como de marines nas ilhas do Pacífico, o B.A.R. , sem dúvida alguma, marcou sua presença na história da guerra. Cumpre ressaltar que essas armas continuaram em serviço na Guerra da Coréia, onde com a ajuda de outros fabricantes como a Royal Typewriter Co. de Hartford, o governo supriu as forças americanas com mais de 60.000 armas. Os problemas com os componentes da tomada de gases do cano continuaram, sendo que esforços foram dispendidos no sentido de eliminá-los, o que ocorreu com a substituição das peças por outras descartáveis, feitas em nylon, o que também evitava o tedioso trabalho de constantes desmontagem do conjunto para limpeza.

Mesmo nos primeiros anos da guerra do Vietnã, os fuzis automáticos Browning ainda foram utilizados por fuzileiros navais norte-americanos. Aos poucos, essas armas, já consideradas como sendo de “segunda-linha”, começaram a ser doadas para os aliados, como o exército sul-vietnamita.

Grande quantidade de fuzis BAR permaneceram em uso pela Guarda Nacional Norte-Americana até meados de 1970 e diversos países pertencentes à O.T.A.N. ainda os utilizavam até o final da década de 80.

FUNCIONAMENTO E CARACTERÍSTICAS

O Fuzil Automático Browning é uma arma de tiro seletivo, ou seja, com escolha para fogo automático ou semi-automático, refrigerada à ar, funcionando com o sistema de ferrolho aberto mas com culatra trancada, destravada por ação dos gases recolhidos no trecho médio do cano através de um pistão. Possui um carregador removível no sistema bifilar, com capacidade de 20 cartuchos. Em sua concepção básica e tal como foi adotado pelas Forças Armadas dos USA, o calibre empregado é o .30-06 Springfield, adotado pelos USA em 1903 e utilizado nos fuzis M1903 de repetição e nos M1 Garand semi-automáticos.

Fuzil Automático Browning M1918A2 em calibre .30-06 Springfield

Seu peso descarregado era de cerca de 8,8 Kg, dependendo da versão e de seus acessórios instalados, com o comprimento ao redor de 1,22 m. De acordo com suas versões, a cadência de disparos poderia variar de 300 a 650 tiros por minuto; em alguns modelos, essa velocidade podia ser selecionada através de uma chave, inclusive com a opção de tiro semi-automático. A opção de trabalhar com o ferrolho aberto, característica muito comum em metralhadoras e em quase todas as submetralhadoras, serve para se evitar o efeito denominado de “cook-off“, ou seja, o aquecimento demasiado de um cartucho na câmara muito quente, podendo o mesmo entrar em auto-detonação.

No esquema acima, que poderá ser ampliado, pode-se descrever os passos que se seguem na ocasião do disparo: (1) pressiona-se a tecla do gatilho, que aciona a armadilha (2) que, por sua vez (3), libera o dente de retenção do ferrolho (que se encontra aberto a cada série de disparos) permitindo que o mesmo se mova para a frente por ação da mola de recuperação. No caminho, a cabeça do ferrolho apanha o primeiro cartucho que se encontra no topo do carregador e o insere na câmara. Ao se fechar, a trava do ferrolho (4) se ergue, encaixando-se na parte superior da armação, travando-0 completamente e impedindo que se abra no momento do disparo. Assim que ocorre esse travamento, a parte posterior do percussor (5) se posiciona no caminho do martelo, que em seguida o percute, atingindo (6) assim, a espoleta do cartucho.

No esquema acima, logo após o disparo do cartucho, o projétil sai em direção à boca do cano passando sobre o orifício de coleta dos gases, em detalhe na figura. Esse orifício situa-se a cerca de 14cm. da boca do cano. Há uma válvula de regulagem da passagem dos gases, com tres opções de tamanho, que pode ser ajustada de acordo com o uso e medida que a sujeira acumulasse. Assim que o projétil ultrapassa o orifício, os gases passam pela válvula, penetram no cilindro e impulsionam o pistão para trás. O pistão empurra um êmbolo, que comprime a mola recuperadora (bem abaixo da câmara) e também destrava o ferrolho, fazendo-o soltar-se do seu encaixe da parte superior da armação.

Assim que ocorre esse destrancamento, o ferrolho fica liberado para ser empurrado para trás pelo restante da ação dos gases ainda presentes no pistão e no cano. Recuando até o final de seu curso, caso o atirador ainda mantiver o gatilho pressionado, o ferrolho não encontra a armadilha do gatilho em posição para segurá-lo aberto, o que o faz retornar livremente para a frente, para efetuar um novo ciclo da arma.

Na gravura acima, um BAR modelo M1918A2 totalmente desmontado, com a descrição de algumas de suas mais importantes peças: (1) Coronha e chapa de apoio de ombro. (2) Alavanca de armar o ferrolho. (3) Conjunto armação e cano. (4) Ferrolho. (5) Mola de recuperação. (6) Pistão de gás e embolo. (7) Chapa de retenção de calor. (8) Tubo do pistão de gás e fuste (guarda-mão) dianteiro. (9) Diversos componentes de disparo. (10) Carregador. (11) Cartuchos. (12) Percussor.

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Written by Carlos F P Neto

09/08/2011 at 17:22

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