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Fuzís Mauser no Brasil e as Espingardas da Fábrica de Itajubá (Rev. 2)

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UM POUCO DA HISTÓRIA

Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil não possuía nenhum arsenal ou fábrica de armas, fosse ela privada ou não, capaz da produção em larga escala de equipamentos militares para suprir a demanda do Governo Brasileiro. O armamento aqui empregado, tanto nas Forças Armadas como nas Polícias Militares estaduais era um misto de contratos e importações oriundo, basicamente, da França e da Alemanha.  Já naquela época o mais bem equipado e armado estado da então República dos Estados Unidos do Brasil era São Paulo, cuja milícia denominada de Força Pública, pelo número de homens e quantidade de equipamentos, podia ser comparada a um pequeno exército.

O Governo Brasileiro já havia efetuado vários contratos de importação de armamentos leves, mas o mais importante deles foi a dotação do fuzil Mauser modelo 1893, no ano de 1894, em calibre 7mm X 57mm, para substituir o seu antecessor, o fuzil da comissão alemã G88, que aliás é objeto de um artigo neste site. Posteriormente, em 1908, outra grande aquisição do governo junto à D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik) veio se juntar à anterior, mas agora com os novos modelos Mauser 1898, que aqui passaram a ser denominados de modelo 1908. Falaremos disso mais adiante, com mais detalhes.

Com a federalização oriunda após a proclamação da República, os estados possuíam autonomia para adquirirem armamento sem necessitar passar por aprovações dos arsenais federais, de forma que isso facilitou muito a aquisição de armas diretamente dos fornecedores na Europa.

Desta maneira, a Força Pública de São Paulo também adquiriu grande quantidade destes fuzis diretamente da D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik, de Berlim , Alemanha. Da França, o Governo do Brasil também importou em razoável quantidade as metralhadoras Hotchkiss, onde se escolheu manter, para essas armas, o calibre padronizado de 7mm X 57mm Mauser, o mesmo dos fuzís importados da Alemanha. Na área das armas curtas, houve aquisições importantes de diversas nações, como o revólver “D’ Ordenance Mdle. 1892″, erroneamente chamado de Lebel, os revólveres do tipo Nagant, oriundos da Bélgica (Pieper) e da Alemanha (Simson & Son) , bem como as pistolas semi-automáticas alemãs Parabellum (Luger), trazidas em um lote de 5.000 peças, em 1906.

Em 16 de julho de 1934 funda-se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, inaugurada em 1935. Paralelamente, em 1939, foi reestruturada a antiga Real Fábrica de Pólvora da Estrela na cidade de Majé, estado do Rio de Janeiro, criada em 1808 na Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo imperador D. João VI. Ela funcionou como uma organização militar vinculada ao Ministério do Exército até 1975.

Em 1960 a F.I. chegou a produzir cerca de 50.000 pistolas M1911A1, sob licença da Colt, a fim de suprir demanda do Exército Brasileiro. Em 1975, durante o regime militar, o governo brasileiro funda a IMBEL, Indústria de Material Bélico do Brasil, que mantém sob sua alçada as unidades de Itajubá, Juiz de Fora e de Magé.

Segundo informações da própria Imbel em seu site, há indicativos que a criação desta empresa pública ocorreu em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo de Ernesto Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial.

Com a  sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente na produção de equipamentos militares.

Em 1893 atravessou período conturbano financeiramente e acabou cedendo sua fábrica de munições, situada em Realengo, para a CBC. Em 1985 fechou um contrato com a Springfield Armory e produziu diversas variantes da pistola, chegando algumas delas a serem adotadas pelo F.B.I. Pelo menos até o ano de 2004, a Imbel detinha 30% das ações da CBC e mantinha uma joint-venture com as empresas South America Ordnance, a Royal Odnance e a Schahin Participações, essa última de controle nacional.

Entrada da Fábrica de Itajubá, MG

Mas, voltando bastante no tempo, vamos nos posicionar quanto à dotação de armas longas efetuadas pelo Governo Brasileiro após a Guerra de Canudos. Como já explorado em outro artigo neste site, ainda em 1873 o governo havia adotado as carabinas belgas Comblain, que teve uma longa participação ativa nas fileiras militares brasileiras. Somente em 1892 é que começaram a ser substituídas pelos fuzís alemães modelo 88, o “Gewehr 88″, em calibre 7,92X57mm, uma vez que no mundo todo a tendência era a de substituição de armas longas utilizando cartuchos de pólvora negra pelos novos cartuchos de pólvora sem fumaça, em calibres mais baixos e mais velozes.

Os fuzis modelo 88 (veja artigo sobre ele, aqui no site) tiveram uma vida de serviço curta no Brasil, devido a uma série de problemas ocorridos com a arma durante a Revolução Federalista e posteriormente, no conflito de Canudos. Em 1894, a Comissão Técnica Consultiva, que estranhamente já havia deixado de lado a ideia de adotar as carabinas “belgas” da Mauser modelo 1889, em favor dos fuzis 88, voltou a pensar nelas como alternativa.

Mas a essa altura, decidiu-se sabiamente por importar algo mais moderno, um modelo similar ao fuzil que já era utilizado na Espanha, e que chegou por aqui como sendo o Mauser modelo 1893, denominado de mod. 1894 em virtude de que a maioria deles vieram com suas câmaras datadas com este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos primeiros lotes, vieram datadas de 1895. 

Ao lado,  o fuzil Mauser mod. 1894, em cal. 7X57

Cerca de 75.000 armas foram entregues ao Governo. Em 1899, um inventário acusou 57.000 delas, só no Rio de Janeiro. Mas, é por volta de 100.000 armas a quantidade estimada da compra desse modelo, que desembarcaram em terras tupiniquins ainda em tempo de participar de diversos conflitos armados tais como a Revolução Federalista, a Revolta da Armada e a Guerra de Canudos, mas ainda convivendo lado a lado com as carabinas belgas Comblain e os fuzís modelo 1888. Como o Exército, na época, contava com um efetivo em tempos de paz de 28.000 homens, e cerca do dobro disso em período de guerra, essa aquisição serviu para substituir todo o estoque de armas antigas existentes, tanto as Comblain como o modelo 1888, e mais ainda, o que restava dos fuzis Kropatcheks e das raras carabinas belgas de 1889 em calibre 7,65mmX53.

As dimensões do fuzil Mod. 1894 eram: Comprimento: 1,231m – Peso: 3,75Kg – Comprimento do cano: 0,741m. O raiamento consistia de 4 raias destrógiras. As carabinas 1894, bem mais raras de se encontrar hoje em dia, mediam 0,949m, cano com 0,457m e peso de 3,103 Kg.

Detalhe da ação Mauser do modelo 1894

Em 1908, o governo resolve substituir o modelo 1894 pelo mais moderno e reforçado modelo da Mauser, o 1898, mas ainda em calibre 7X57mm, embora as armas do modelo 1894 continuaram em uso até meados da década de 50. Muitas delas foram equipar as Polícias Militares de alguns estados, como o do Rio de Janeiro, que mesmo nos anos 90 ainda eram vistas nas mãos de integrantes da PM daquele estado. Este fuzil passou a ser denominado aqui como Mauser modelo 1908. O fuzil M1908 media 1,247m, cano com 0,742m e peso de 3,796 Kg.

O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”. 

O período de maior aquisição de Mausers da D.W.M. feito pelo Governo Brasileiro foi entre 1908 e 1914, quando eclodiu a I Guerra e a D.W.M. não tinha sequer condições de suprir o mercado interno em tempos de guerra. Posteriormente, a aquisição de armas fornecida pela C.Z., da Tchecoslováquia, ocorreu principalmente de 1922 a 1924, com o fuzil conhecido como VZ24. (N.A.: as letras VZ é uma abreviatura da palavra tcheca “vzor”, que significa “modelo”; portanto se trata de uma redundância o costume de alguns autores citarem esse fuzil como “modelo VZ 24″). Um detalhe histórico interessante foi a importação feita pelo governo do Estado de São Paulo, de 15.000 carabinas da C.Z. (Tchecoslováquia), no ano de 1932, para suprir as tropas revolucionárias que se ergueram contra Getúlio Vargas; a chamada Revolução Constitucionalista.

Da Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, a F.N. de Herstal, Bélgica, o Exército importou grande quantidade de carabinas, também entre os anos de 1922 a 1924, para uso de tropas de artilharia e cavalaria. A quantidade correta de armas importadas ainda não é devidamente comprovada. A ação era do Mauser 98, em calibre 7mmX57mm, alavanca de ferrolho curvada para baixo e a coronha seguia o estilo “inglês”, sem punho-pistola. A telha era de madeira do tipo inteiriça, apenas com uma abertura, de onde emergia a alça de mira. A braçadeira dianteira era do tipo estreito, não a tradicional em forma de H mais comumente encontrada nos fuzís. As carabinas mediam 1,063 m de comprimento, cano com 0,558 m e peso total de 3,601 Kg.

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Capturar

As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.  

Em 1930, a reviravolta política causada pela ascensão de Getúlio Vargas e a proclamação do “Estado Novo”, sistema modelado em vários aspectos à ditadura fascista de Mussolini, alavancou sobremaneira a re-equipação das Forças Armadas. Além disso, do nordeste do país vinha crescendo a ameaça constante do cangaço. Por essa razão, e com a produção um pouco limitada da Fábrica de Itajubá, o governo aceitou uma proposta da Mauser Werke, da Alemanha, já sob controle do partido nazista, que cultivava uma simpatia discreta com o Governo Getulista.

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Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular)

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Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado

A Mauser, embora ainda  debaixo do Tratado de Versalhes e produzindo “secretamente” armas para equipar o Exército Alemão, ofereceu ao governo brasileiro o preenchimento desta demanda, com o Modelo 1935, em versões de fuzil ou de carabina. Essas armas, uma produção pré-guerra, apresentavam o que de mais perfeito a Mauser podia exibir no que tocava à acabamento e qualidade.

Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano. 

Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.

Na verdade essas armas eram idênticas ao modelo alemão de 1898, aqui adotado como M1908, com exceção da alça de mira tangencial já utilizada neste último modelo, além da incorporação de um rebaixo efetuado na parte frontal da coronha para melhorar a aderência da mão. Desta forma, essa similaridade não apresentava dificuldades maiores para o treinamento dos soldados, já acostumados à arma. Grande parte dessa importação permaneceu em arsenais brasileiros praticamente sem uso até a sua substituição pelo Mosquetão Itajubá, a partir de 1950, com a adoção do calibre .30-06 Springfield pelas Forças Armadas Brasileiras. Acredita-se que grande parte desses Mauser foram posteriormente retrabalhados e transformados no Mosquetão M1949.

No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia.

Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.

O MAUSER “BRASILEIRO”

Devido à grande demanda de fuzis para suprir as Forças Armadas Brasileiras durante a primeira metade do século XX, a Fábrica de Itajubá iniciou a fabricação “em casa” dos Mauser mod. 1908 como alternativa às importações que eram geralmente feitas junto à D.W.M. na Alemanha (Deutsche  Waffen und Munitionsfabrik) e da C.Z. (Ceska Sbrojovka), na então Tchecoslováquia, com a utilização de madeiras locais ao invés das nogueiras européias.  Foi então que a partir de 1934, e como forma de minimizar a dependência de importação de armas, a Fábrica de Itajubá decidiu produzir fuzís e carabinas no Brasil, originando assim o chamado modelo 1908/34, uma versão “nacionalizada” e encurtada, nos moldes das carabinas.

Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm

Em 1949, após a II Guerra, onde o Brasil participou com a F.E.B. nos campos de batalha da Itália, por influência e acordo militar com o governo norte-americano, o Exército resolveu adotar o calibre .30-06 como regulamentar, embora o 7X57mm continuou ainda, e por muito tempo, presente em algumas unidades do Exército, bem como nos “Tiro de Guerra”. Com essa modificação, a Fábrica de Itajubá começa a produzir uma carabina Mauser, baseada no 08/34 mas em calibre .30-06 Springfield, aqui batizada por Mosquetão Itajubá M1949. Posteriormente, uma segunda série com pequeníssimas mudanças, tais como a boca do cano rosqueada para permitir montagem de lança-granadas e quebra-chamas, foi fabricada em 1954, originando assim 0 Mosquetão Itajubá M954.

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Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield,  baseado na ação Mauser de 1898

Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956

Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças

Em 1964, o Exército Brasileiro resolve adotar o fuzil semi e automático belga, o F.N. denominado F.A.L. (Fuzil Automatique Legère), ou fuzil automático leve, utilizando o cartucho padrão da OTAN, o 7,62mmX51, cartucho baseado no .308 Winchester. Paulatinamente, esse fuzil começou a substituir os mosquetões Itajubá M949 e M954, ainda em calibre .30-06. Em 1967, a fim de reduzir custos e poder padronizar mais rapidamente o calibre utilizado pelo Exército Brasileiro, a Fábrica de Itajubá resolve modificar cerca de 10.000 mosquetões para que pudessem usar o novo cartucho, aproveitando também para aliviar o peso da arma. Assim nascia o M968, apelidado pelo exótico nome de “Mosquefal”.

Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO

Essa transformação era de natureza simples. Como o culote do cartucho 7,62mmX51 tem exatamente o mesmo diâmetro do .30-06, não houve necessidade de se modificar nada no ferrolho, caixa de culatra e mecanismo de disparo. A alça de mira tipo Mauser foi eliminada, sobre o cano, e a telha de madeira, agora, não tinha mais a abertura superior para ela. Foi desenvolvida uma alça de mira traseira, tipo “peep-sight”, algo semelhante à usada no fuzil norte-americano Enfield 1917. Além disso, foi acrescentada uma massa de mira mais alta e um quebra-chamas, com suporte para possibilitar montagem de um lança-granadas, o mesmo utilizado pelo FAL. Essa arma ainda se encontra em uso até hoje em diversas unidades de “Tiro de Guerra”. Desta forma, foi decretada a “morte” definitiva do cartucho .30-06 Springfield nos quartéis brasileiros.

Durante as décadas de 70 a 80 a Fábrica de Itajubá lançou algumas carabinas baseadas nas ações Mauser de fuzís que eram, progressivamente, sendo recolhidos nas unidades do Exército, além do que ocorria com os leilões organizados pelo E.B. a fim de vender essas armas, ora obsoletas, para militares e colecionadores registrados.

Algumas dessas carabinas, feitas em muito pouca quantidade, foram distribuídas para algumas unidades policiais e para serem usadas em veículos militares. Eram carabinas curtas, chamadas de Officer, talvez uma alusão ao fato de serem utilizadas por oficiais. Segundo meu amigo e expert em fuzis, J. Renato M. Figueira, a intenção era de se fazer uma carabina do tamanho da americana .30M1. Tanto as ações de fuzis Mauser 1894 e 1898 foram utilizadas. Várias dessas armas foram, posteriormente, leiloadas pela Imbel. Conta Figueira que várias dessas peças, em leilão, estavam com suas coronhas tomadas por carunchos. O acabamento era o parquerizado, mais barato e simples de se fazer do que oxidação à quente e eram fornecidos com bandoleiras de lona.

AS ESPINGARDAS

Em meados da década de 60, diversos fuzis remanescentes do modelo 1893 em cal. 7X57mm. se encontravam completamente fora de serviço e espalhados por várias unidades do Exército Brasileiro. Surgiu então a idéia de se reaproveitar esse armamento, a grande maioria deles em perfeito estado; ao invés de serem destruídos, e lançando mão de pouquíssimo investimento, a Fábrica de Itajubá resolve transformá-los em uma arma para venda no comércio, destinada à caça; uma espingarda de alma lisa.

A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor

Da grande quantidade de armas recuperadas dos quartéis e depois de passarem por uma triagem, aproveitava-se a coronha com a soleira de metal, a ação completa (caixa de culatra com mecanismo de disparo, ferrolho e armação do carregador) e os acessórios da coronha como anilhos e presilhas de bandoleira. O cano, bem como as miras,  eram removidos e em seu lugar entrava um novo cano de alma lisa, fabricado na própria Itajubá. Foram escolhidos dois calibres para estabelecerem as duas versões da espingarda; o calibre 28 e o 36. Como não havia mais a alça de mira regulável, a nova telha que recobre parte do cano teve que ser feita à parte, por não ser possível a original ser reaproveitada. Note a coronha típica dos Mauser 1893, sem punho-pistola.

De acordo com o leitor Marcos Letro, militar e instrutor de tiro, as primeiras espingardas em calibre 36 foram colocadas à venda em 1962, oferecida para sargentos e oficiais do Exército, na época pelo preço de Cr$ 1.000,00 (Um Mil Cruzeiros ). Os modelos em calibre 28 foram lançadas entre 1965 e 1966, pois ainda havia disponibilidade de muitas peças em estoque. A esta altura, as espingardas já se encontravam à venda nas lojas de caça e pesca do país. O autor adquiriu uma calibre 28 no final de 1965, ao preço de Cr$ 45.500,00. Os pistolões, mais difíceis de serem encontrados hoje em dia, em calibre 36, foram os últimos a serem fabricados, pois não havia mais disponibilidade de coronhas, diz o leitor colaborador.

Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28

A escolha desses dois calibres não foi feita tão somente pelo fato de serem, na época, muito populares para caças pequenas e de aves. O fato é que, no caso do calibre 28, havia uma feliz coincidência de que os cartuchos podiam se encaixar corretamente, de ambos os lados, nas abas do carregador, mas somente em número de dois, um em cima do outro. Havia a possibilidade de se colocar mais um cartucho diretamente na câmara, o que fazia a arma comportar tres cartuchos.

A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.

No caso do calibre 36, a coisa era mais fácil de se adaptar; nem foi necessário o uso de uma lâmina de transporte dos cartuchos de forma plana, como no caso da 28; podia-se usar a mesma lâmina original do fuzil, com a nervura de divisão central, visto que os cartuchos podiam ser carregados de forma bifilar tal como os originais calibre 7X57mm.

Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.

Infelizmente nos faltam dados sobre a produção e vendas dessas duas espingardas, bem como até que ano foram produzidas;  depois de várias tentativas de contato com a Imbel, não obtivemos resposta e colaboração dela neste sentido. Talvez, se um dia recebermos essas informações, elas serão sem dúvida adicionadas aqui. Mas, pode-se afirmar sem medo de errar que essas espingardas foram bem vendidas. O preço era convidadivo, custando um pouco mais que uma espingarda da Amadeo Rossi ou da CBC, modelos de um cano, de cão externo, armas bem mais simples.

Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28

Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28

Os modelos eram fornecidos com canos em “full-choke“, ou seja, com um certo estrangulamento, característica que aliada ao grande comprimento do cano (740 mm), permitia um alcance considerável para o calibre. O autor fez testes do tipo “pattern” na espingarda de calibre 28, em alvo de papel, para se avaliar a densidade de chumbos. A 1o metros de distância, o diâmetro da chumbada de número 7 estava em torno de 40 centímetros, o que mostra uma concentração muito grande.

Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm

Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil para uso com cartuchos de caça, a arma muito dificilmente dava problemas de alimentação e de ejeção. Porém, os cartuchos tinham que ser do tipo com boca rebordada, de papelão ou plástico. Cartuchos de metal, do tipo “Presidente” produzido pela CBC, em virtude de terem a boca em canto vivo, enroscavam na alimentação. Outro fator importante era a qualidade do produto e sua durabilidade, pois com excessão do cano, se tratava de um fuzil fabricado na Alemanha com os melhores materiais de que se dispunha na época. Sem dúvida, uma arma que duraria por várias dezenas de anos, se convenientemente bem tratada.

Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez


Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.

Uma variante bem mais rara, derivada do mesmo projeto, foi uma espécie de pistolão, lançado no calibre 36 nos finais da produção, por ainda possuírem em estoque o mecanismo da ação, mas não mais dispondo mais de coronhas. O pistolão usava uma coronha tipo pistola, com a empunhadura posicionada logo abaixo da culatra e um pequeno fuste colocado na parte anterior, sob o cano, que tinha pouco mais de 30 cm. de comprimento. Era um pouco desconfortável o manuseio da ação por ferrolho, uma vez que a mão esquerda deveria estar empunhando a arma enquanto a direita abria o ferrolho. Esse pistolão foi bem menos disponibilizado no mercado do que as espingardas.

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Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)

Os últimos exemplares produzidos, já com a empresa utilizando seu novo nome, Imbel, usavam ações do Mauser tipo 1898, provavelmente oriundas de fuzis remanescentes do Contrato Brasileiro de 1908. Acredita-se que essas últimas saíram de linha no final dos anos 70. Mesmo nos fuzis Mauser, a ação modelo 1898 tem uma diferença marcante em relação à modelo 1893, dentre outras visando maior segurança: na ação 1898, o simples fato de se erguer a alavanca do ferrolho e baixá-la novamente, já arma o percussor. Na ação 1893, após a alavanca erguida, o ferrolho tem que ser puxado um pouco para trás para se proceder ao engatilhamento.

Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior –  (Foto cortesia de D.A.N.)

Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)

Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos.  (Foto cortezia de D.A.N.)

DETALHES DE FUNCIONAMENTO

De maneira análoga ao manuseio do fuzil Mauser, abre-se a culatra puxando-se o ferrolho totalmente para trás. Insere-se dois cartuchos no carregador (cal. 28), por cima, de forma que o último fique retido pelas abas traseiras. Um terceiro cartucho pode ser inserido diretamente na câmara. Neste caso, antes de fechar o ferrolho, exerce-se uma pequena pressão para baixo no último cartucho para que o ferrolho passe por cima dele e tranque sobre o cartucho existente na câmara.

Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36

Após cada disparo, o ferrolho necessita ser aberto até o final de seu curso, ejetando o cartucho vazio; fecha-se novamente o ferrolho, quando o cartucho seguinte no carregador se solta das abas, para ser alimentado. Em relação aos cartuchos utilizados, dever-se tomar o cuidado de se usar os designados para câmaras de 65mm e não os de 70mm, que poderá ocasionar problemas sérios.

O mecanismo de gatilho, mantido exatamente como o original, não é particularmente muito duro, mas tem a característica típica dos fuzis Mauser, que são os dois estágios bem definidos e com curso bem longo. De qualquer forma, mesmo se tratando se arma derivada de um fuzil militar, o acionamento do gatilho é macio.

A trava de segurança, que é de uma eficácia a toda prova pois impede de forma muito consistente o movimento do percussor, funciona da seguinte maneira:

 

À esquerda, ferrolho destravado e desengatilhado; no centro, arma engatilhada e travada (o ferrolho pode ser manuseado desta forma com total segurança); à direita, trava total acionada, que não permite nem a abertura do ferrolho para manuseio.

Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.

O ferrolho pode ser retirado da arma com muita facilidade. Do lado esquerdo da culatra há um retém, articulado em um pino, com um ressalto serrilhado na parte superior. Abre-se o ferrolho até o final do curso, abre-se esse retém para fora, puxando-o para a esquerda e retira-se o ferrolho. Ao recolocar o ferrolho na arma, não é necessário se mover o retém, mas atenção com o posionamento correto da lâmina do extrator.

O funcionamento da calibre 36 era mais garantido do que na 28. Nesta última, o autor teve a oportunidade de usar várias delas, a extração nem sempre ocorria de forma adequada. Interessante citar que cartuchos carregados eram extraídos com mais eficiência do que os vazios. Muitas vezes, esses eram corretamente extraídos da câmara mas por questão de ajustes, eram “largados” pelo extrator no meio do percurso, antes de atingirem o ejetor, que fica localizado na trava do ferrolho, lado esquerdo da caixa da culatra.

CONCLUSÃO

Trata-se de uma arma curiosa, tanto nos aspectos técnicos como da forma como foi idealizada. No Brasil da década de 60, com pouquíssimos fabricantes concorrentes e nenhuma espingarda com padrões altos de qualidade, diga-se de passagem, a Fábrica de Itajubá teve a chance e a idéia interessante de reaproveitar armas militares, cujo destino certo seria a destruição, e lançar uma espingarda no mercado, com investimento baixíssimo e praticamente nenhum custo de desenvolvimento.

Mesmo se tratando de uma adaptação, a arma tinha suas virtudes como extrema resistência, qualidade dos materiais e robustez a toda prova. Sua semelhança com os fuzis Mauser de repetição podem ter inclusive, ajudado nas vendas pois era uma arma atraente e muito mais vistosa que as simples espingardas de um tiro e de um cano existentes na época.

À esquerda, caçador em ação com a Itajubá 28 na década de 60

A desvantagem ficava por conta do tamanho avantajado, embora os modelos em calibre 36 tiveram uma opção que utilizava canos mais curtos; em relação ao transporte, elas eram realmente um tanto incovenientes e chamavam muito a atenção, pois não tinham o recurso comum nas espingardas tradicionais de se separar o cano do resto da arma, inclusive sem uso de ferramentas.

O acabamento é muito bom, de modo geral, com o madeiramento bem conservado e envernizado brilhante, e peças em aço com oxidação negra brilhante. O ferrolho foi mantido em aço puro, sem acabamento algum. Estéticamente a arma peca um pouco pela parte dianteira onde, com a retirada do prolongamento do fuste do fuzil, a coronha termina de forma um tanto abrupta.

A ITAJUBÁ HOJE

Hoje, a fábrica de Itajubá é parte do complexo fabril da Imbel, fornecedora de armamento bélico para as forças armadas, incluindo aí o fuzil FAL M964, a carabina MD97, as pistolas baseadas no projeto 1911 M973 bem como armas para uso de civís e atiradores na categoria “Tiro Prático” (I.P.S.C.) como o modelo GC45. Além disso ainda produz munição de uso militar e vários tipos de pólvora destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é outra arma destinada ao público atirador esportivo, conforme nos mostra o material promocional abaixo.

Essa arma é a substituta de outra carabina no mesmo calibre, lançada pela Fábrica de Itajubá nas décadas de 70 a 80, com o intuito de competir no mercado com suas rivais da CBC e da Rossi. Era uma carabina com carregador destacável de 5 cartuchos, de repetição por ferrolho, muito bem construída com materiais de primeira linha. Em sua época, provou ser uma das mais agradáveis e precisas carabinas nacionais.

Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza. 

DADOS RESUMIDOS DA ESPINGARDA 28 E 36

Data de fabricação: entre 1965 a 1975 (estimado)

Calibre: 28 e 36

Capacidade: 28 (3 cartuchos) e 36 (5 cartuchos) incluindo um câmara

Acabamento: oxidada

Comprimento total: 125 cm (28) e 107 cm (36)

Comprimento do cano: 74mm (28) e 56mm (36)

Pêso: 2,500 Kg descarregada (28) e 2,325 Kg (36)

Written by Carlos F P Neto

05/04/2011 às 10:45

287 Respostas

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  1. Fernando, como essa arma originalmente era um fuzil Mauser ainda possui o encaixe para os carregadores usados na ocasião. No caso dela, depois da modificação para cartuchos de espingarda, esse encaixe é inútil. Carregadores como esse não são relíquias, são bem comuns e em uso até hoje.

    Carlos F P Neto

    02/05/2015 at 20:34

  2. Gostei das informações dadas aqui, tenho uma ITAJUBÁ cal 36 legalizada e em perfeito funcionamento, adoro armas e esta pertenceu a meu avô, registrei quando na PF na ultima liberação para registro de armas com procedência. Tenho uma relíquia que é um carregador que coloca-se na parte superior só que é para munição 7.62 gostaria de saber mais sobre este carregador rápido.

    FERNANDO ALENCAR

    29/04/2015 at 19:35

  3. Débora, utilize nosso e-mail para contato. Obrigado.

    Carlos F P Neto

    22/04/2015 at 16:56

  4. oi bom dia vcs tem algum telefone pra contato , me manda no meu imail por favor deborasilva1908@hotmail.com

    DEBORA DUARTE

    22/04/2015 at 12:36

  5. Medeiros, de forma alguma a espingarda Itajubá 36 é operante com cartuchos e fuzil. O cano foi substituído e o ferrolho foi modificado para a finalidade de funcionar com cartuchos de espingarda. Grato pelo contato.

    Carlos F P Neto

    09/04/2015 at 17:54

  6. Tenho uma espingarda full choke cal. 36 da Itajuba que pelas a lembranças de meu pai, hoje guardamos para reliquia famíliar. Não tinha conhecimento sobre essa arma. Está bem conservada, com alguns desgastes pela ação do tempo, em perfeito estado de funcionamento. me restou apenas uma dúvida quanto a capacidade operante com cartuchos 7.62, digo. Se esssa arma após as modificações de fabrica, ainda tem resistencia ao cartucho 7,62.Um abraço e meus parabéns.

    José Medeiros

    09/04/2015 at 14:17

  7. Vladenilson, infelizmente isso não depende de nós; não temos qualquer vínculo ou contato com a Imbel. Visitas teriam que ser agendadas diretamente com eles. Um abraço.

    Carlos F P Neto

    02/03/2015 at 11:56

  8. pocha vida sou apaichonado pelas armas da itajuba queria fazer uma vizita na fabrica po me lembro das caçadas que eu fazia com finado pai ele tinha uma itajuba 28 3 tiro era de mais hoje eu tenho 44anos isso fas 30 anos me conceda uma vizita a fabrica um dia ainda vou ter uma arma de ferrolho da itajuba mas quero uma arma legalizada vou conseguir tirar meu sr quero entrar em um clube de tiro mas que atirar com as armas itajuba desde ja agradeço a atençao.

    vladenilson golfe andreazi

    01/03/2015 at 16:53

  9. Juliano, não fazemos avaliações mas não há problema em apostilar essa arma em seu acervo de coleção desde que esteja registrada.

    Carlos F P Neto

    08/12/2014 at 13:34

  10. bom dia
    gostaria de saber se o pistolão itajubá cal .28 é raro. Possuo CR e tenho um amigo que tem um pistolão igual ao da foto nesta materia. a arma esta em bom estado, possui tudo no lugar e funciona muito bem. tem gravado o emblema da imbel, trava funcionando e ferrolho perfeito. possui pequenas marcas de oxidação. duas perguntas, será que consigo registrar como colecionador e qual o valor de uma arma dessa?
    grato

    Juliano

    08/12/2014 at 7:37

  11. Exatamente, Renan, no caso os últimos modelos. Nos primeiros, o punho era de madeira. Um abraço.

    Carlos F P Neto

    04/12/2014 at 19:38

  12. Bom dia,
    O pistolão Itajubá tinha como punho original o mesmo punho do FAL, como mostra a foto?

    Renan

    04/12/2014 at 10:55

  13. Me alegra ver al fin una foto de mi carabina, es como la q se ve el cerrojo. La ultima foto. Muchas gracia

    mario moreira

    03/12/2014 at 20:02

  14. Todos os Mauser do contrato Belga (FN) com o Brasil, que tive em mãos, são do modelo 1892, que se caracteriza pelo ferrolho com 2″ lugs”, e não 3 como no modelo 1898, anos de datação alemã em fábrica. Esse lug adicional visava segurança adicional, já que as novas pólvoras propelentes ficaram mais fortes.

    Luiz Ely Silveira

    28/11/2014 at 16:17

  15. Luciano, saudações. Infelizmente eu preciso ter acesso à uma espingarda em calibre 36 que é de um colega, para medições, pois a dele sei estar totalmente original. A que tenho em mãos é calibre 28 e não são do mesmo comprimento. A marcação com logo da Imbel só apareceu nas últimas unidades montadas. As mais antigas, como essa que tem, só possui referência à Fábrica de Itajubá, antigo nome da Imbel. O oval ELG é uma marca de prova do banco de Liège, na Bélgica, original da fabricação do fuzil que originou essa espingarda. A F.I. utilizou nessas transformações, tanto fuzis alemães (DWM) como belgas (FN), importados pelo governo brasileiro em ocasiões diferentes. Veja o nosso artigo sobre os Fuzis Mauser. Entro em contato posteriormente quanto às dimensões da arma.

    Carlos F P Neto

    19/11/2014 at 15:55

  16. Carlos, boa tarde. Sou perito criminal e estou fazendo uma perícia em uma Itajuba .36 e seu material me ajudou bastante a entender a origem da arma. Gostaria que voce confirmasse pra mim as dimensões originais dessa arma longa de alma lisa : comprimento total 1070mm e cano de 560mm, certo? Não encontrei estas informações no site da Imbel. Voce tem como me indicar uma fonte oficial, pra eu citá-la no laudo? Outra coisa : na arma que estou trabalhando não aparece a logomarca da Imbel. Apenas a citação de que foi feita na fábrica de Itajubá. Além disso, li a inscrição “ELG” dentro de uma elipse, sobre uma coroa. Isso não pode significar uma fabricação original na Belgica?

    Luciano

    19/11/2014 at 13:01

  17. Obrigado, Flávio, por seus elogios.

    Carlos F P Neto

    06/10/2014 at 10:50

  18. Um artigo excelente.Parabens.

    Flavio Fraccaroli

    04/10/2014 at 23:22

  19. Olá Verilton, você precisará mesmo consultar um armeiro; não temos como resolver esse problema. Um abraço.

    Carlos F P Neto

    23/09/2014 at 14:40

  20. Olá…
    Possuo uma full choke cal 36 fábrica de Itajuba Brasil, e ela está com um pequeno defeito de está inchando os cartuchos. E queria saber com quem tem uma maneira prática de solucionar este problema ? E se o cano desmonta para facilitar um torneiro a fazer o trabalho caso precise de utilizar um ?
    Espero poderem me ajudar…

    Verilton caus

    23/09/2014 at 11:02

  21. Fábio, na revista Tiro Certo saiu uma reportagem feita pelo Prof. Benê sobre essa arma, onde ele gentilmente se refere à mim e ao Armas Online, no artigo que trata sobre a Itajubá. Realmente é uma conversão muito bem elaborada. Entretanto, a própria DWM, nas primeiras décadas do sec. XX produzia uma conversão, hoje raríssima, posteriormente também produzida pela Erma, na Alemanha. A diferença primordial é que essa conversão incluía um cano em cal. 22 que era introduzido dentro do cano do fuzil, e acompanhando um kit de ferrolho e carregador. Ou seja, a arma era mantida no calibre original e com o uso do kit, atirava com munição .22LR.

    Carlos F P Neto

    27/07/2014 at 16:07

  22. Grato pela atenção .
    Voce ja deve ter visto tambem alguns mauser 98 que a itajuba converteu para 22LR, foram feitas acho que 80 unidades no Brasil, por volta do ano de 1985 , são peças lindas , tem um video no you tub em que o Bene Barbosa esta usando um, pessoalmente so vi um ate hoje , mas é uma bela arma.
    Abraços.

    Fabio

    26/07/2014 at 13:10

  23. Fabio, saudações. Realmente existem fuzis com ação Mauser 94 com canos em .308W. Porém, se você analisar as características de energia e a pressão interna do 7X57mm em relação ao .308W, notará que as diferenças não são muito grandes. Na Europa existem antigos rifles de caça, de ação Mauser 1894, para cartuchos bem mais potentes que o .308W. Conheço alguns colegas que possuem .308 em ação 94. São muito robustas, mas quando se nota a ausência do ressalto de trancamento traseiro nos vem a impressão de maior fragilidade. Lembrando também que o diâmetro externo da câmara é ligeiramente maior na ação 1898.

    Carlos F P Neto

    25/07/2014 at 19:36

  24. ola, ja vi alguns mauser modelo 1894 em calibre .308win, sera que é seguro este mauser neste calibre?.
    Grato.

    Fabio

    25/07/2014 at 19:10

  25. tenho uma espingarda itajubá cal 36 é o meu chodó,pois vem passando de gerações,desde meu avô,esta resistrada sob o número xxxxx,devidamente registrada na policia federal.

    josé barbosa dantas

    18/07/2014 at 17:30

  26. Paulo, infelizmente a Imbel não possui registros que indiquem a data de produção. Um abraço.

    Carlos F P Neto

    07/07/2014 at 15:48

  27. muito bom, tenho uma 28 3 tiros e ate agora não sabia a procedencia dela, alguem sabe como saber o ano proximado de fabricação?

    Paulo Leal

    06/07/2014 at 23:43

  28. Boa tarde, Carlos !
    ´´Ótimo o artigo ….
    Há tempos tenho uma Itajubá 36, mais não sabia qual sua verdadeira origem, pois achava que era um mosquetão e que apenas servia o cartucho 36, fico grato pelos esclarecimentos, é uma ótima espingarda de fato.
    Márcio

    Márcio

    22/06/2014 at 18:39

  29. Kleiton, o vão a que se refere é o carregador da arma, para a colocação dos cartuchos um a um; essa arma não usa carregador tipo “pente”, ou seja, destacável. Grato pelo contato.

    Carlos F P Neto

    10/06/2014 at 10:57

  30. ola Carlos;obrigado por nos iterar de todas essas informações .tenho uma Itajubá; calibre 36 existe algum pente para ela pois vejo que ela tem um vão em baixo da câmera que deve caber uns 5 cartuchos pode me explicar sobre ela um pouca .agradeço de coração obrigado.

    kleiton andrade

    10/06/2014 at 10:40

  31. Elter, pode nos enviar as fotos por e-mail; publicaremos com prazer.

    Carlos F P Neto

    06/06/2014 at 23:34

  32. Boa noite, parabéns pelo artigo, caso queria complementar tenho fotos de um pistolão dessa remessa rara em calibre 28.

    Elter

    06/06/2014 at 20:38

  33. Prezado Mai, grato pelos elogios e seu depoimento. Grande abraço.

    Carlos F P Neto

    29/05/2014 at 15:01

  34. Parabéns pelo artigo! Com ele conhecemos mais um pouco da história pois tenho uma espingarda full choke cal. 36 da Itajuba n. 20601 que pelas alterações e lembranças de meu pai foi comprada na década de 60 e ele utilizou para caça, hoje guardamos para reliquia de família. Meu pai adora contar as histórias sobre essa arma, está bem conservada e já tive a oportunidade de atirar com ela. Um abç e mais uma vez parabéns.

    Mai Osorio

    29/05/2014 at 1:00

  35. Daniel, por favor verifique a nossa política de avaliações, no menu do nosso site. Obrigado.

    Carlos F P Neto

    22/05/2014 at 15:28

  36. Caro sr tenho uma itajuba calibre 20 e com um detalhe numero 001 e gostaria de saber se ela tem valor maior por ser a primeira?

    Daniel Fredriksson

    21/05/2014 at 23:04

  37. Bom dia, parabéns pela preciosidade em mãos, e apoio o dito pelo Carlos Neto, deixe como está, somente repare o necessário para o funcionamento, pois as cicatrizes do tempo só lhe dão a beleza e demonstram a idade (pena se forem por descuido), gostaria inclusive duma imagem dela, como as apresentadas no texto do site, pois o que é valioso tem que ser mostrado. Felicidades.

    JOÃO LUIS

    04/05/2014 at 11:59


ATENÇÂO: Identificação e/ou avaliações de armas, leia primeiro a Política de Avaliações, no final do menu de Artigos. Peças, reparos ou assistência técnica, consulte o fabricante de sua arma; questões sobre esse assunto não serão respondidas.

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