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O Museu da PM de São Paulo

Encravado na zona central da capital Paulista, em meio a várias instituições militares tais como o quartel do 2º BP Choque, a famosa sede do Batalhão Tobias de Aguiar (ROTA) e do Regimento de Cavalaria 9 de Julho, encontra-se o Museu da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Nestas velhas paredes que levam a assinatura do célebre arquiteto Ramos de Azevedo, construídas pelo governo provincial de São Paulo para ser o Quartel dos Permanentes entre 1887 e 1892, mas que no começo do século XX já abrigaram o hospital militar da Força Pública, são guardadas a memória e a glória de instituições já desaparecidas, fundidas na nossa moderna Polícia Militar. São elas a Força Pública Paulista, Guarda Civil Paulista, Polícia Marítima e Aérea, Polícia Feminina, Guarda Noturna de São Paulo e Polícia Especial.

Ali também é onde se ministram cursos, promovem-se visitas e se elaboram convênios com corporações policiais de outros Estados e Países. Só uma visita ao prédio bem preservado já vale a pena. Guardando muito de suas linhas originais (bem simétricas, marca visual do arquiteto Ramos de Azevedo), dispõe de um desenho estilizado que imita uma fortificação medieval de paredes largas, com pé-direito de mais de 4,50m, grandes janelas com vitrais franceses, portas de pinho-de-riga, ladrilhos hidráulicos portugueses, e uma imponente escadaria em mármore de carrara.

 O museu foi criado em 1958 e foi vinculado à então secretaria de Educação e Cultura, objetivando registrar a história e preservar a memória da então Força Pública e das Forças Armadas na História de São Paulo. Em 1976 foi transferido para a alçada da Secretaria de Segurança Pública, subordinando-se à Polícia Militar. Destacado no aspecto técnico museológico, o Museu da PM foi levado a uma posição de destaque entre entidades similares. Em 25 de julho de 1994 a lei 8.832 muda o nome de Museu Militar de São Paulo para Museu da Polícia Militar, sendo seu atual diretor desde 29/12/2004 o Tenente-Coronel Res. QAO PM Álvaro Guimarães dos Santos, sendo o Chefe Assistente o Capitão QAO PM João Luiz Ferraz.

O Diretor do MPM, Coronel Álvaro Guimarães dos Santos

A instituição conta com uma equipe de dedicados 30 funcionários civis e militares, divididos em administração, monitoria, reserva técnica, biblioteca, serviços gerais, além de também aceitar trabalho voluntário em várias áreas, sendo Silvana Mara de Godoy a encarregada da Chefia da Seção Técnica; a Chefe da Conservação fica a cargo da SD PM Célia Regina Silva; a Chefia da área de Documentação fica a cargo da SD PM Janete Alves Aniceto e a Chefia da Biblioteca é de responsabilidade de Sônia Maria Lima.

Constitue o acervo do museu pouco mais de 7.000 peças, entre artigos de vestuário e uniformes de diversas épocas, acessórios de uniformes, dragonas, calçados, distintivos, bandeiras e estandartes, armaria (armas de fogo e armas brancas) medalhística (condecorações), mobiliário, materiais de campanha da Revolução constitucionalista de 1932, viaturas (mecanizadas, como automóveis e motocicletas) e de tração animal, destacando-se as utilizadas em abastecimento de água e transporte de material.

Também fazem parte do acervo a famosa “Maria Preta” (a cozinha de campanha), coberturas (bonés, capacetes, gorros, etc), explosivos, peças de artilharia, objetos pessoais e acessórios de uso militar, possuindo mesmo algumas curiosidades, uma biblioteca com fotografias antigas, e documentos históricos diversos.

Todas as peças passam por cuidadoso trabalho de identificação, catalogação, restauração e conservação, sendo responsável por isso a equipe da museologia e da reserva técnica. Importante ressaltar que o museu também participa de encontros e seminários em outras unidades da Federação, mantendo intercambio com outras unidades policiais. O aprimoramento de sua equipe é uma das premissas do seu diretor, o dinâmico Cel. Álvaro.

Importante citar que as coleções e documentos estão abertos a pesquisadores, bastando para isso que o interessado entre em contato com a administração.

O setor que mais de perto nos interessa e do qual já fui consultor, a Armaria, conta com uma coleção de cerca de 300 variadas peças regulamentares da Força Pública, Guarda Civil e PM/SP e outras de uso civil em geral. O destaque fica por conta de um mosquete sistema “miguelete” de origem indiana, do final do século XVII, sendo que a maioria das demais peças cobre o período que vai da segunda metade do séc. XIX até 1980.

Estão ainda incluídos na coleção dentre muitos outros modelos: o fuzil e carabina Mod. 1888 (assunto de um de nossos artigos), alguns revólveres tipo Lefaucheux, fuzis e clavinas Mauser do padrão 1894, fuzil espanhol Oviedo 1893, carabina Comblain, carabinas Winchester, um interessante (e raro no Brasil) fuzil Lebel 1886/92 de carregador tubular e os revólveres franceses Lebel (Modele D’Ordenance M1892) cal. 8mm, sendo a única polícia nacional que usou tais armas, certamente adquiridas pela influência da tão famosa Missão Francesa de Instrução Militar. Essa missão permaneceu em São Paulo sob o comando do Coronel Paul Balagny, de 21 de março de 1906 a 04 de agosto de 1914, e depois retornaram ao fim da Primeira Guerra em 1918, permanecendo aqui até 1924.

Importante também é o acervo de armas militares representativas das décadas de 1900 a 1950, como os fuzis e mosquetões Mauser do padrão 1908, 1922, 1935, o fuzil espanhol Oviedo 1916, metralhadoras pesadas Hotchkiss 1914, fuzis metralhadores Hotchkiss 1922 e BAR, metralhadora leve ZB-26, sub-metralhadoras Bergman MP-28, Beretta 1938, MAS-38, INA 1950, pistolas automáticas Mauser 712 “Schnellfeuer”, revólveres Colt e Smith e Wesson (inclusive dois raros modelos o nº 1 e o nº 2), revólveres belgas Gerard cal. 380 (usados pelo exército em Canudos), revólveres espanhóis de marcas diversas, incluindo-se aí muitos exemplares de Orbea Hermanos 1914 em calibre .455 Webley, adquiridos como sobras de guerra na mão dos ingleses depois da Primeira Guerra e usados pela Força Pública na revolução de 1932.

Como raridades entre as pistolas semi-automáticas poderíamos citar um exemplar da pistola Húngara Frommer modelo 1912 cal. 32 ACP, uma Polonesa Radom VIS 35 em cal. 9 mm Luger, bem como as curiosas Walther mod. PP cal. .380 ACP que foram utilizadas pela cavalaria paulista na década de 30, com um detalhe que as diferencia das demais: o retém do carregador ao invés de ser tipo botão segue o antigo padrão tradicional europeu, ou seja, uma tecla colocada na base do carregador faz a retenção do mesmo, sendo de difícil acionamento. A intenção era a de evitar que o carregador fosse extraído acidentalmente e caísse da pistola quando usada por soldados montados a cavalo.

As demais pistolas semi-automáticas são armas um pouco mais comuns em nossa terra: Parabellum, FN’s (1900, 1906, Baby, 1910 e 1922), Beretta’s (1935 e 905), e Mausers (C-96, 1910, HSC). Outras nem tanto comuns como as Jieffeco, CZ 50, dentre dezenas de armas. As armas brancas compreendem espadas militares do Império, espadins cerimoniais, facas, baionetas, e lanças. A maioria destas peças se encontra em fase final de identificação, restauração, e confecção de ficha catalográfica na reserva técnica, para depois serem devidamente expostas e apreciadas pelo público.

O autor, Fábio Carvalho, em trabalho de pesquisa no MPM-SP.

Os visitantes já apreciam, logo na entrada do museu, um antigo canhão de antecarga, e enquanto apreciam as demais dependências, que são abertas de terça-feira a domingo das 9h às 17h, podem se encantar ao ouvir as deliciosas histórias contadas por uma competente equipe de monitores, que faz com que as peças mostradas criem vida e se encham de cores históricas.

A administração funciona de segunda a sexta-feira 8 às 17h, e biblioteca de segunda a sexta-feira 9h às 17h. Se tudo isso o convenceu a conhecer um pouco da gloriosa história da PM Paulista, numa visita agradável e instrutiva, o endereço é Rua Dr. Jorge Miranda 308, Luz, São Paulo/SP, tel (011) 3227-3793/3311-9955. A localização e o acesso são fáceis (ao lado da igreja de Santo Expedito, nos fundos do quartel da ROTA), bastando descer na estação Tiradentes do metrô, e a entrada é franca.

Dedico esta matéria ao Comandante e toda a equipe do MPM-SP, que tão calorosamente me receberam no quadro de voluntários.

Agradecimentos especiais a Silvana Mara Godoy pela cessão das informações administrativas e históricas.

Colaboração de Aurelino Fábio de Carvalho

Written by Carlos F P Neto

25/06/2017 às 11:27

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