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Pistola Colt 1911 – História e Desenvolvimento (Rev. 1)

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Se nós buscarmos, na história das armas de fogo, algum fato que se assemelhe ao fenômeno que hoje se denomina “Projeto 1911”, sem dúvida não encontraremos nada similar. Essa denominação é frequentemente  empregada para se designar qualquer pistola semi-automática, produzida atualmente, cujo desenho e mecanismo foi baseado na Colt modelo 1911. A bem da verdade, não há também nenhum outro caso de um projeto tão bem sucedido na história das armas curtas em geral.

Trata-se de uma arma honorável, veterana por quatro gerações. A Colt Modelo 1911, também conhecida como Colt-Browning, sobreviveu às duas grandes guerras mundiais, à Guerra da Coréia e do Vietnã, bem como à maior parte de outros conflitos travados pelo mundo. Através de seus inestimáveis serviços, essa pistola foi testada e re-testada inúmeras vezes nos diversos campos de batalha. Além do fato nada desprezível de ter ficado mais de 70 anos em serviço no maior e mais bem equipado exército do planeta, foi adotada por cerca de 28 países, inclusive o Brasil, como arma regulamentar e também utilizada por dezenas de forças policiais nos USA e no resto do mundo. Sem dúvida, trata-se da mais copiada ou “clonada” pistola semi-automática que se tem notícia.

A sua história nos leva, invariavelmente, à figura de quem talvez seja o mais bem sucedido projetista de armas curtas que o mundo conheceu: John Moses Browning.

Jonathan Browning, pai de John Moses Browning nasceu nos Estados Unidos, no estado do Tenesse em 1805 e sempre foi um membro ativo da comunidade Mormon por onde residia. Mudou-se ainda jovem para Nauvoo, Illinois, onde montou sua primeira oficina de consertos de armas. Paralelamente, chegou a desenvolver e fabricar algumas armas, inclusive um rifle de repetição com tambor rotativo.

Em 1851, mudou-se para o estado de Utah e fixou-se ali, no vilarejo de Ogden, como armeiro.  Em 21 de janeiro de 1855 nasce seu filho John, que ainda bem jovem e influenciado pela profissão do pai, começou a trabalhar com ele na oficina. Em 1879 falece Jonathan e seu filho John assume, com o irmão, os negócios da fábrica. Logo depois, ainda em 1879, ele desenvolve sua primeira arma, um rifle de um só tiro no sistema “falling-block”. A arma obteve um razoável sucesso entre os caçadores da região, que acabou obrigando Browning e seu irmão a começar uma produção em série, com cerca de 600 armas fabricadas.

Esse relativo sucesso abriu os olhos de um grande fabricante de armas no país, a Winchester Repeating Arms Co., de Connecticut, que enviou um representante à Ogden para avaliar melhor o projeto. Gostaram tanto da arma que logo em seguida, John Browning foi convidado a trabalhar com eles. A partir de 1883 o jovem projetista foi responsável por projetos de tanto sucesso, que mudaram o rumo da Winchester.

O modelo “single-shot” de Browning, que tornou-se um modelo de linha da Winchester, lançado depois em versão “schützen” para competições de tiro de precisão. (Cortezia do The Browning Museum)

Cópia do contrato original entre a Winchester e os irmão Browning, em 1883 (cortezia do The Winchester Museum)

Um modelo em madeira que se encontrava na oficina e que foi levado para a Winchester, viria a se tornar logo depois no famoso modelo “lever-action” de 1886, substituto do modelo 1876, versão mais reforçada desenvolvida para uso de cartuchos mais potentes. Posteriormente a Winchester lança o modelo 1892, baseado no mesmo mecanismo do 1886 mas em versão mais leve, cuja produção passou de 1.000.000 de unidades, Em 1894, sai o rifle e a carabina em calibre .30WCF (.30-30W), o primeiro modelo da fábrica a usar um cartucho com pólvora sem fumaça, que vendeu mais de 7.000.000 de unidades, sendo que até hoje ainda é fabricado.

A história de John Browning se confunde, em alguns pontos, com a de Hugo Borchardt, projetista alemão que em 1860 emigrou para os USA, trabalhando primeiramente na fábrica de máquinas de costura Singer e posteriormente na Colt, na Winchester e finalmente na Sharps Rifle Co. Com a dissolução desta última empresa, Hugo voltou à Alemanha em 1881 e projetou, em 1893, a pistola que leva seu nome, projeto que resultou posteriormente numa das mais famosas armas já fabricadas; a pistola Parabellum (Luger). Por sua vez, Browning teve alguns desentendimentos com o pessoal da Winchester o que o levou a se mudar para a Europa, em julho de 1897, onde se aliou à Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, em Herstal, Bélgica, a conhecida FN. Veja nosso artigo sobre as Pistolas Browning.

Em 1896, a Colt Firearms, tradicionalíssima fabricante norte americana de revólveres fundada por Samuel Colt em 1836, adquiriu de Browning quatro projetos de pistolas semi-automáticas, que viriam a se tornar uma longa linhagem de armas de sucesso sem precedentes. A Colt era a fornecedora do até então adotado revólver Colt New Army em calibre .38 Long Colt, arma que estava começando a sofrer muitas críticas, principalmente pelo calibre fraco. A idéia de se adotar uma pistola semi-automática em substituição aos revólveres já era bem aceita nos meios do Departamento de Ordenança do governo americano, comandado pelo General William Crozier, uma vez que isso já era uma tendência praticada por diversos países da Europa.

MODELO 1900

Dos projetos adquiridos de Browning surge, em 1900, o primeiro modelo de pistola semi-automática produzida nos Estados Unidos: o modelo 1900, em calibre .38ACP, um novo cartucho desenvolvido especificamente para a arma. Foi também o primeiro cartucho norte-americano para armas curtas a desenvolver velocidade mais alta; só como comparação, o projétil do .38 Long Colt atingia 760 pés/seg. contra 1.260 pés/seg. do novo cartucho (cerca de 231 m/seg e 384m/seg, respectivamente).

A pistola Colt mod 1900 em calibre .38ACP, modelo com talas lisas de nogueira.

Este modelo tinha capacidade para 7 cartuchos, operada por curto recuo de cano, culatra trancada (locked-breech), com cano de 6 polegadas de comprimento. Foi a primeira arma que, com sucesso, utilizou o sistema de trancamento que utilizava ressaltos na parte superior do cano, que se encaixavam em rebaixos usinados na parte inferior do ferrolho. O cano, em seu curto recuo, basculava sobre duas articulações, pequenas bielas, uma em cada extremidade do cano.

Talvez uma das únicas características negativas da arma era a forma como o ferrolho era fixado à armação. Para que o ferrolho não deslizasse totalmente para fora da arma durante seu movimento para trás, havia somente um pequeno retém deslizante, que atravessava o ferrolho de lado a lado, solução muito similar à usada na pistola Steyr de 1911, arma que também é alvo de um nosso artigo. Essa solução, entretanto, perdurou ainda por vários modelos até ser abandonada em 1909. Essa aparente fragilidade não parece ter causado maiores problemas de segurança, até onde se sabe. Mesmo assim, todo cuidado é pouco ao utilizar essas armas hoje em dia, devendo ser cuidadosamente inspecionadas. O grande perigo, porém, reside na utilização acidental de munição calibre .38 Super Auto, cartucho exatamente idêntico em dimensões ao .38 ACP, porém com muito mais potência. O modelo 1900 não dispunha de uma tecla para trava de segurança. Ao invés disso, um engenhoso sistema de alça de mira móvel atuava como bloqueio para o movimento do cão.

Na figura ao lado, nota-se a alça de mira que, quando baixada, atuava como um retém para o cão.

O Exército Americano adquiriu 200 armas ainda no ano de 1900, para testes. Essas pistolas foram marcadas com as letras US ao lado do guarda-mato. Algumas poucas unidades foram compradas pela Marinha, e essas dispunham da marcação USN.

A marcação de fábrica mais comum nestas armas era a seguinte: “BROWNING’S PATENT PAT’D APRIL 20, 1897” do lado esquerdo do ferrolho e “AUTOMATIC COLT CALIBRE 38 RIMLESS SMOKELESS” do lado direito. A produção total desse modelo atingiu cerca de 3000 unidades, o que as torna um ítem raro de coleção.

Um dos últimos exemplares do modelo 1900, o qual já incorporava algumas características do modelo 1902: o cão arredondado e as talas de baquelite.

SPORTING MODEL 1902

Esse modelo foi uma versão modificada da 1900 onde foi removida a alça de mira que atuava como trava de segurança, em favor de um percussor flutuante. Neste sistema, o percussor, também chamado de inercial, só tem condições de atingir a espoleta do cartucho quando é atingido pelo cão em seu curso total, devido ao seu comprimento reduzido. A área engravada no ferrolho, que servia como anti-derrapante para o polegar, foi aumentada e seu desenho modificado.

A partir daqui, é importante salientarmos a enome influência que um evento governamental muito importante teve sobre a Colt e a evolução de sua nova pistola, bem como sobre toda a indústria de armamento leve dos Estados Unidos.

A partir de 1901, o Ministério da Defesa do Governo Norte-Americano, através de seu Departamento de Ordenança, iniciou uma espécie de “competição” que abria uma oportunidade para diversos fabricantes do mundo todo participarem com seus projetos, e visava testar e depois definir qual seria a futura arma curta adotada pelas Forças Armadas. Detalharemos mais abaixo como foi a condução e o resultado destes testes.

MODELO MILITAR 1902

Era importantíssimo para os negócios da Colt continuar fornecendo armas ao seu maior cliente: o Governo Americano. Com o anúncio da realização dos testes citados acima e de olho no potencial militar, a Colt anunciou em 1902 o Modelo Militar, que contava com algumas modificações: aumento da capacidade de cartuchos no carregador, de 7 para 8 cartuchos; incorporação de uma argola para a passagem do cordão de segurança; uma empunhadura pouco mais longa e quadrada e o mais importante, um “hold-open“, dispositivo destinado a manter o ferrolho aberto após o último disparo. Isto tem duas finalidades: servir como alerta ao atirador de que a munição acabou e permitir, após a inserção de novo carregador, que o ferrolho se feche, acionando-se uma tecla. Este modelo foi produzido até 1928, com cerca de 18,000 armas fabricadas. Em 1908, a Colt alterou a posição das ranhuras anti-derrapantes da posição frontal para a posterior, tal como já estava sendo usado a partir da Colt 1903.

O modelo Militar de 1902 com as modificações adequadas à finalidade militar: anel para cordão de segurança, tecla para liberar o ferrolho após o último disparo e “spur-hammer” (spur=espora).

Acima, vista explodida do modelo 1902 e 1903 “Pocket”, parte do manual fornecido na época

Acima, desmontagem parcial da Colt Military modelo 1902 em calibre .38 ACP com as seguintes peças: (1) ferrolho, (2) cano com duas bielas, (3) trava de desmontagem, (4) mola recuperadora, (5) guia da mola recuperadora, (6) armação completa e (7) carregador. 

POCKET MODEL 1903

Paralelamente ao mercado militar, a venda de armas comerciais também era um excelente negócio. Daí, surge a idéia de lançar uma pistola adequada à esse perfil de consumidores: o modelo Pocket de 1903. A maior inovação deste modelo é que ele possuía um cano com comprimento de 4 1/2″ ao invés das 6″ encontrada no modelo 1902.  Com o tamanho e peso reduzidos, este modelo era bem mais adequado ao porte pelos civís, que achavam os modelso anteriores muito grandes para uso dissimulado. Estruturalmente, não havia nenhuma mudança para modelos anteriores, principalmente no que tange ao mecanismo interno; não possuía o “hold-open” mas foi mantida a solução do percussor flutuante, ao invés de se usar uma trava de segurança externa. O cartucho empregado continuava sendo o .38 ACP.

O modelo Pocket de 1903, com dimensões reduzidas em relação ao modelo 1902. Essa versão da foto está com o cão tipo “spur-hammer”, mas foi fabricada também com cão arredondado, similar ao do modelo 1900.  (foto do autor)

Uma Colt 1903, oferecida com cabo de marfim e o medalhão com logotipo Colt

MILITARY MODEL 1905

Em 1907 o Governo dos Estados Unidos deu início aos chamados U.S. Government Trials,  o processo para testes e dotação de uma nova arma de porte individual, para substituição dos revólveres Colt em calibre .38.

Nosso artigo “A Colt 1911 – Os U.S. Trials de 1907“, aqui neste site,  reporta de maneira bem detalhada todo esse procedimento. Lendo-o você tomará conhecimento de quais as armas que participaram da contenda e qual foi todo o desenrolar dos testes.

Os exemplares que destinados ao teste de 1906 eram, na verdade, quase idênticos ao modelo 1902, mas adaptados para o uso com o novo cartucho desenvolvido pela própria Colt, e que fôra o aceito pelo governo. O comprimento do cano foi reduzido para 5″, pois havia um consenso geral entre o pessoal de testes que o cano de 6″ provocava demasiado peso na frente, deixando a arma desbalanceada e com tendência a disparar tiros instintivamente para baixo.

A inscrição padrão para essa arma era “AUTOMATIC COLT CALIBRE .45 RIMLESS SMOKELESS”. Nota-se o interesse da Colt em salientar que o cartucho era sem aro “rimless” e utilizando pólvora sem fumaça.

O modelo 1905, já em calibre .45 ACP, destinada para os testes do campo de provas em 1906 e 1907. Apesar de que sua aparência já se aproximava do projeto final de 1911, manteve-se ainda o retém do ferrolho na parte dianteira e a ausência de travas de segurança externas. Note o longo extrator externo, substituído posteriormente, na 1911,  por um modelo embutido no ferrolho.

Durante os anos seguintes, a Colt redesenhou e aperfeiçoou essa arma, baseando-se nas exigências dos técnicos e dos problemas que ocorriam. Esses modelos foram posteriormente chamados de 1907, 1909 e 1910, basicamente a mesma pistola de 1905 com leves alterações.

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Pistola Colt modelo 1907, em calibre .45 ACP. Praticamente já estavam definidas aqui todas as características principais que iriam gerar o modelo 1911.

MILITARY MODEL 1911

Tendo em mente que a Colt pretendia vencer de qualquer maneira a competição dos U.S. Trials, todos os esforços de John Browning e a equipe de engenheiros foram dedicados quase exclusivamente à essa missão. Sendo assim, nos anos de 1907 até 1910 a fábrica apresentou ao pessoal do Comission Board dezenas de modelos, cada um com mais alguma inovação ou com correções de defeitos detectados nos campos de prova.

Pistola modelo 1909 enviada para os testes: ainda com o ferrolho com retém, cano com dois balancins mas com já com a trava de empunhadura, exigência do pessoal da Comissão.

Esquema de uma 1908/1909 – empunhadura arredondada, ferrolho redesenhado sem retém, cano com somente um balancin, trava de empunhadura e retém do carregador na posição superior, atrás do guarda mato.

Modelo 1910, praticamente uma pistola 1911 definitiva.

Para os derradeiros testes, a Colt apresenta a sua versão quase definitiva, chamada por alguns autores como modelo 1910 mas que na verdade, já era o que viria a ser a definitiva 1911. Essas mudanças  foram as seguintes:

1- Ferrolho redesenhado, agora com a  parte frontal inteiriça, abrigando o retém da mola recuperadora e eliminado a chaveta deslizante que servia de retém do ferrolho.

2- Mudança na inclinação da empunhadura, possibilitando uma “caída” mais natural na mão do atirador, bem como alargamento da sua base, melhorando a ergonomia geral.

3- Adição de duas travas externas de segurança; além de se manter o percussor inercial. A primeira delas, uma trava de duas posições, que podia ser movida pelo dedo polegar da mão direita, e que era montada do lado esquerdo da armação. Com o cão armado, a trava acionada impedia a sua queda. A trava não podia ser acionada com o cão desarmado. A segunda trava era, na verdade, uma peça montada na parte posterior da empunhadura, que era naturalmente pressionada para dentro da arma quando a mesma era empunhada pela mão do atirador. Sem esse pressionamento não era possível desarmar ou disparar a pistola. Essa trava de empunhadura foi uma insistência do Exército pois Browning, até então, não apreciava muito essa solução.

4 – Dispositivo de retenção do ferrolho “hold-open” redesenhado, possibilitando ser desarmado usando o dedo polegar, posicionado bem acima do gatilho.

5 – O retém do carregador, antes uma tecla na base da empunhadura que forçava o uso das duas mãos para se retirar um carregador, agora dispunha de um botão convenientemente colocado logo atrás do gatilho, podendo ser pressionado pelo polegar da mão direita.

6 – Gatilho alongado, para aumentar a distância entre a tecla e a parte posterior da empunhadura.

7 – Eliminação de um dos dois balancins do cano, utilizando-se agora só um, traseiro, cuja articulação aproveita o mesmo pino usado para a articulação da tecla do “hold-open”, que atravessa o corpo da arma de um lado a outro.

Acima, o modelo 1909 e abaixo o 1911, na forma como foram apresentados e testados no campo de provas de Springfield, e onde se pode avaliar com mais detalhes as diferenças implementadas. Com excessão de algumas peças internas quase iguais, pode-se dizer que se trata de uma nova arma. (Foto do autor)

O cartucho que era originalmente usado até agora também sofreu modificações; o peso do projétil passou de 200 para 230 grains com diferença também no tipo e peso da pólvora. Com esses detalhes, a potência do cartucho foi aumentada consideravelmente, o que também deve ter influído na decisão, acertada, de se redesenhar o ferrolho.

Os testes se prolongaram até o mes de março de 1911, quando finalmente a Comissão decidiu que somente duas armas permaneceriam em testes: a Colt e a Savage. Esta última sofreu nos derradeiros testes com a quebra de algumas peças enquanto a Colt suportou cerca de 6.000 tiros sem ocorrer nenhum problema.

A pistola norte-americana Savage, modelo 1907, em cal. 45, modelo idêntico ao que foi submetido aos testes em Springfield e única arma a permanecer em testes juntamente com a Colt.

Finalmente, todo o esforço dedicado por Browning e a Colt foi coroado: após as análises obtidas nos resultados dos testes, o Departamento de Ordenança publica o veredicto final: a pistola apresentada pela Colt venceu a última concorrente em todas as provas efetuadas. Logo em seguida, o Depto. de Ordenança emitiu a declaração oficial da dotação da arma pelo Governo, sob a nomenclatura oficial de U.S. Service Pistol model 1911.

Modelo militar da 1911, exatamente idêntica à adotada logo após o U.S.Trial de Springfield – (Foto do autor)

A MODELO 1911 EM SERVIÇO

A estréia em combate e em grande estilo da nova arma estava bem mais próxima do que se imaginava. Com a eclosão da I Grande Guerra, embora os USA ficassem ainda alguns anos fora do combate, a Inglaterra sofria terrivelmente com escasses de armamento. Na alçada de armas curtas, os revólveres Webley já estavam dando o que tinham de dar e o Exército Britânico encomendou da Colt 10.000 pistolas 1911 recalibradas para uso do cartucho .455 Webley Auto, utilizado na pistola do mesmo nome. Do lado direito do ferrolho levam a inscrição “Calibre .455” e a numeração serial se incia em W 100.001. Tanto o Exército como a Marinha Real, bem como os canadenses, fizeram uso dessa pistola. Após a guerra, várias dessas pistolas foram transferidas para a Royal Air Force e pouco antes da II Guerra, declaradas fora de serviço, foram vendidas a comerciantes norte-americanos. O cartucho .45ACP pode ser usado nessas armas mas com ressalvas, pois nem sempre a fazem funcionar de forma perfeita.

Em 1912 a Noruega resolve adotar como arma regulamentar a pistola Colt 1911 e devido ao fato de que fabricantes americanos não tinham, na ocasião, condições de suprir o pedido noruegues, o país resolve fabricar a pistola “em casa”, sob licença obtida da Colt Firearms, a partir de 1919. Cerca de 33.000 armas foram produzidas, com as inscrições “11,25 mm. Automatisk Pistol Model 1914”.

Os Estados Unidos entraram na I Grande Guerra em 1917 e logo após, o Comando percebeu da necessidade de que mais homens realmente precisavam do apoio de uma arma curta individual. No esforço de guerra, a Colt não conseguia dar conta de toda a demanda. Assim a Remington recebeu um pedido de 150.000 pistolas, o que se tornou logo insuficiente, causando a distribuição, em 1918, dos desenhos da arma para fabricantes que nunca haviam feito armas antes, como a National Cash Register, Burroughs, Caron Brothers e outras. Porém, logo o conflito terminou e esses fabricantes nem sequer produziram qualquer peça. As únicas que realmente tomaram parte do conflito foram feitas pela própria Colt, pela Remington e pelo arsenal de Springfield.

Abaixo a relação dos fabricantes norte-americanos que assinaram contratos de produção das pistolas 1911, com as respectivas quantidades contratadas, mas que na verdade não chegaram a fabricar nenhuma peça:  Winchester Repeating Arms (100.000), A. J. Savage Munitions (100.000), Burroughs Adding Machines ( 250.000), Lanston Monotype (100.000), National Cash Register (500.000) e Savage Arms (300.000). No Canadá tivemos a Caron Brothers com 300.000 armas e a Dominion Rifle Plant (Ross) com 50.000 pistolas. Durante a I Guerra, as Forças Armadas Americanas receberam um total de 446.000 pistolas, das quais 425.000 foram de fabricação Colt. Ao término do conflito, 169.164 armas foram desaparecidas ou perdidas.

A PRIMEIRA MODIFICAÇÃO – MODELO 1911A1

De 1911 até 1921 a Colt não implementou nenhuma modificação na pistola. Então, em 1921 a Colt resolveu fazer algumas modificações, todas elas de certa forma intercambiáveis com os modelos anteriores. Essa nova versão da arma se denominou de 1911A1.

Primeiramente, desenhou-se uma nova peça, posicionada na parte traseira da empunhadura, logo abaixo da trava de segurança, com um novo formato mais arqueado e depois zigrinado. Essa peça, além de servir como alojamento da mola do cão, com o novo formato fornecia uma melhor empunhadura à arma.

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Um dos primeiros protótipos da Colt modelo 1911A1, com as modificações efetuadas em 1924, incluindo gatilho mais curto, usinagem do guarda-mato e curvatura proeminente da empunhadura. Trata-se de um modelo fabricado para testes, onde se nota o acabamento geral bem mais rústico. (Foto do autor, coleção particular)

Outra pistola Colt 1911 A1 de produção de 1924, primeira série com as alterações implementadas (coleção particular)

O gatilho e o guarda-mato foram alterados; a tecla do gatilho foi encurtada mas o curso permaneceu o mesmo. Especula-se que isso foi devido à aumentar a área livre do guarda-mato e permitir o melhor manuseio quando o atirador estivesse usando luvas. A bem da verdade, hoje em dia, a primeira coisa que vários atiradores modificam nas suas 1911A1 é o gatilho, retornando-o ao seu tipo antigo.

Modelo comercial da 1911A1, produzida em meados de 1934 – Foto do Autor

O cão também teve seu desenho modificado e a parte saliente da trava de empunhadura foi aumentada. Isso resolveu dois problemas de uma vez: facilitava o desarme do cão com uma só mão, porque a cabeça do cão podia pressionar essa nova extensão da trava, acionando-a automaticamente. Outro detalhe eram as conhecidas “mordidas” que se costumava obter na mão, na área situada entre o polegar e o indicador, que era mastigada entre o cão e a extensão da trava. Esse problema, na verdade, não foi totalmente resolvido. Até hoje alguns atiradores com mãos grandes sofrem deste “acidente”.

II GUERRA MUNDIAL

Pouco antes da eclosão da II Guerra, em 1937, o Governo Brasileiro iniciou um acordo com o governo norte-americano e a Colt Firearms para fornecimento das pistolas Colt 1911A1 ao Exército, plano esse de substituição gradual dos revólveres Smith &Wesson 1917, oriundos de outro contrato de grande porte, e das pistolas Parabellum (Luger) do contrato de 1908. Na verdade a pistola nunca chegou a substituir os revólveres em sua totalidade, principalmente porque, a partir de  1939, não haveria mais condições da Colt continuar mantendo contratos com outros países em virtude do conflito que eclodiu, envolvendo a Inglaterra, país aliado com o qual a Colt já mantinha um contrato de fornecimento em caráter prioritário.


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Pistola Colt Government Modelo 1911A1, um dos exemplares oriundos da grande importação de 1937, devidamente “brasonada”, nas mãos de coleção particular. 

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Modelo 1911A1 do Contrato Brasileiro, em condição impecável, da coleção de Greg Friedmann (USA)

De 1937 a 1941 o Governo Brasileiro adquiriu 14.500 pistolas, para suprir o Exército. A numeração serial dessas armas compreendiam de C188000 a C209000. As talas eram de nogueira americana zigrinadas em toda a sua superfície, e não possuíam o medalhão da Colt. Do lado direito do ferrolho encontra-se o Brasão de Armas da República e as incrições Exército Brasileiro, seguida da numeração do Exército (de 1 a 14.500), e em baixo, o ano de 1937, embora existam versões com outras datas, como 1940.

Apesar de que as 1911, a partir de 1937, já estavam utilizando um dispositivo de segurança adicional, a chamada Schwartz Safety, os exemplares que vieram para o Brasil não possuíam esse dispositivo. Trata-se de uma segurança adicional, onde a trava de empunhadura traseira bloqueava o percussor, quando não estava pressionada. As posteriores Colt Series 80 possuem um dispositivo semelhante, mas não se trata exatamente desse mesmo mecanismo.

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Inscrições do lado esquerdo da Colt 1911 do Contrato Brasileiro, as mesmas dos modelos comerciais disponíveis nos USA na época.

Por força de contrato com o governo americano, as pistolas fizeram parte do arsenal a ser utilizado pela FEB; o restante do armamento (fuzis, metralhadoras, etc.) seria cedido à FEB já na Itália. Somente os oficiais foram autorizados a levar as 1911 como arma de porte. Como a Parabellum ainda era uma pistola de dotação do Exército, pesquisadores afirmam que elas também podem ter sido levadas por oficiais, mas isso é uma suposição, visto que o cartucho 7,65mm Parabellum não era compatível com o armamento norte-americano. Os revólveres S&W Mod. 1917 também foram levados e utilizados como “side-arm” por oficiais. Pilotos da FAB utilizavam os S&W Military & Police em calibre .38SPL como arma de defesa. Não se sabe se todas as 25.000 pistolas do contrato foram para a Itália, mas acredita-se que grande parte dela seguiu para lá, mantendo aqui várias delas de uso do contingente que não embarcou. Grande abraço.

No início da II Grande Guerra, o arsenal norte-americano contava com cerca de 375.000 pistolas 1911 mas mesmo assim, com a entrada do país na guerra, em 1942, a Remington Rand (1.000.000 de armas) , a Union Switch (55.000), a Ithaca Gun Co. (370.000) e a Singer Sewing Machine Co. (com só 500 peças) foram recrutadas para fornecer as pistolas. Porém, depois da adoção das carabinas semi-automáticas em calibre .30M1, a necessidade de suprir mais pistolas diminuiu bastante. A priori, as pistolas eram destinadas somente ao uso de praças com posto mínimo de Sargento e praticamente a todos os oficiais em zona de combate ou não.

No caso específico da produção feita pela Singer em 1941, cuja numeração se iniciava em S800001 até S800500, a pequena quantidade de 500 pistolas fez com que essa arma adquirisse uma condição de extremamente rara nos dias de hoje, com valores bem altos quando comercializadas entre colecionadores. Esse autor, que trabalhou na empresa, teve a oportunidade, durante a década de 70, de conhecer e conversar com um dos engenheiros americanos da Singer Sewing Machine Company, em Elizabeth, New Jersey. Esse engenheiro havia trabalhado no projeto da arma em 1941, e forneceu ao autor relatos e fatos interessantes dessa época.

Acima, um dos raríssimos 500 exemplares da pistola Colt 1911A1 produzida pela Singer, em 1941, pertencente à um colecionador norte-americano. A inscrição se resumia à S. MFG. CO., ELIZABETH, N.J., U.S.A., localizada do lado esquerdo do ferrolho. A numeração situava-se do lado direito da armação; essa arma foi produzida em dezembro de 1941.

Segundo relato, toda a produção de 500 armas da Singer foram endereçadas ao U.S. Army Air Corps, o que indica que, provavelmente, grande parte dessas armas esteja repousando no fundo do oceano. Como sempre ocorre com armas muito raras, há relatos de pistolas Singer falsas, encontradas nos USA. O esmero e acabamento de alto padrão é uma constante nos exemplares conhecidos, e não é um exagero afirmar que essas armas produzidas pela Singer eram as mais bem acabadas e esmeradas Colts 1911 fabricadas em tempo de guerra.

A companhia Singer sempre teve, historicamente e como meta, uma excelência nos processos de fabricação, na qualidade da matéria prima e no profissionalismo técnico, produzindo famosas máquinas de costura que, como se dizia na época, eram feitas para durar cem anos, passando de mães para filhas. Há relatos de que a pequena quantidade de pistolas produzidas tenha sua consequencia na necessidade do governo americano ter confiado à empresa missões na elaboração de produtos mais sofisticados e complexos, deixando a produção das pistolas para outras empreiteiras.

A Singer, tradicional fabricante de máquinas de costura teve, durante os anos da guerra, tal como a grande maioria das empresas do ramo metalúrgico, de interromper suas atividades e sua produção normal para atender a demanda de artigos militares, fossem eles armas, munições, acessórios, uniformes, etc.

Continuando com nossa história, nos tres primeiros anos da II Guerra, a Colt Firearms se dedicou a cumprir e participar do programa nacional de fornecimento de armas ao Reino Unido, o chamado “Lend Lease”, onde cerca de 39.500 pistolas modelo 1911 foram fornecidas.

O desempenho da pistola nos campos de batalha foi, quase sempre, irrepreensível. Os soldados a adoravam e de modo geral, a arma quase não precisava de muita atenção no que se refere à manutenção e limpeza. O fato de utilizar a mesma munição das sub-metralhadoras Thompson, e mesmo das sucessoras M3, havia grande oferta de munição ao alcance das mãos. O seu grande poder de parada era um ponto favorável, apesar de que pistolas são armas essencialmente defensivas; seu uso, portanto, era limitado à uma situação de emergência.

AS CÓPIAS

Após o término do conflito, o sucesso da pistola se espalhou pelo resto do mundo, sendo adotada e inclusive copiada por forças armadas de diversos países. Mesmo antes da II Guerra, apenas para citar alguns exemplos, temos o caso da Argentina, que chegou a fabricar a arma em 1927 pela Fabrica Militar de Armas Portatiles Domingo Matheu.

Em adição ao modelo militar, a empresa Hispano Argentino Fabrica de Automoviles S/A (HAFDASA) fabricou, porém sem autorização formal, a Ballester-Molina. Não era uma cópia exata da Colt, pois possuía tanto algumas modificações internas como na aparência externa. Na Espanha, tivemos a Gabilondo y Cia. (Llama) e a Star (Bonifacio Echeveria) que em 1920 e 1921 lançaram suas cópias. Pelo resto do mundo, Vietnam e Coréia do Norte foram alguns dos países que também tiveram suas cópias.

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As espanholas Llama e  sua “irmã” Star, ambas baseadas no projeto da Colt 1911 com pequenas alterações na aparência externa e no mecanismo. Notem a ausência da trava se segurança na empunhadura.

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A pistola argentina HAFDASA, a Ballester-Molina, também com modificações externas e internas, com o gatilho pivotado e ausência da trava da segurança da empunhadura. Apesar disso, era construída utilizando-se excelentes materiais.

MUDANÇAS À VISTA

A partir de 1945 praticamente não houve mais aquisições de pistolas Colt pelo Governo Americano. Depois de alguns anos, a Força Aérea resolveu abrir mão de suas velhas 1911 a favor de revólveres S&W em calibre .38. Enfim, em 1976, tanto Exército como a Aeronáutica estavam com um problema: substituir suas armas curtas por algo totalmente novo. A Força Aérea começou a executar testes visando a dotação de uma pistola semi-automática em calibre 9mmX19, o 9mm Parabellum, em uso pela maioria dos países membros da OTAN. Por volta de 1980, o Departamento de Defesa dos USA resolveu unir os esforços do Exército, Marinha e Aeronáutica para que, juntos, numa comissão, chegassem a uma solução comum. Essa comissão, após vários impasses, elegeu o cartucho 9mmX19NATO como o padrão a ser adotado por todas a Forças Armadas. O GSA, General Services Administration, contestou se era realmente necessária a substituição de todas as pistolas .45 por armas novas, em calibre 9X19. Alegou que poderiam converter, a um custo extremamente mais baixo, o armamento contido nos arsenais.

O autor na década de 70 com a Colt 1911 logo após um disparo- nota-se o tradicional “pulo” da arma e o cartucho ejetado

Afinal, a própria Colt possuía um modelo idêntico à 1911A1 em calibre 9mm. Estimou-se o custo desta transformação em US$ 160,00 por arma. O problema é que o levantamento feito nos estoques indicou grande quantidade de armas que necessitariam muito mais que uma simples troca de canos e carregadores e de uma pequena modificação no ferrolho. Além do que, a necessidade do Exército em desejar uma pistola de ação dupla, mais leve, e com capacidade de pelo menos 13 cartuchos, não seria atendida. Em 1981, foi divulgado um MC “Military Characteristics” para todos os fabricantes mundiais que se interessassem em fornecer armas para testes. Essas características eram um rol de exigências a serem apresentadas pelos proponentes. O projeto se chamava pistola XM9. Os ítens mais importantes eram a capacidade do magazine entre 13 a 15 cartuchos, pressão do gatilho não inferior à 3,5Kg, ejeção de cartucho preferencialmente por cima e não para os lados, peso reduzido, e ação dupla com cão externo, mais uma trava de segurança.

A própria Colt, a alemã Walther, a Smith & Wesson, a austríaca Steyr, a Heckler & Kock, a Browning com o mod. BDA9, a suíça SIG e a italiana Beretta, apresentaram seus produtos. Após a contenda de exaustivos testes, a SIG e a Beretta mod. 92SB foram as eleitas, passando finalmente à esta última, em 14 de janeiro de 1985, o privilégio da dotação, em virtude principalmente de grande diferença de custo. O contrato foi assinado em menos de 30 dias. A Beretta teria que importar as armas nos lotes iniciais, no segundo ano montar as pistolas nos USA com peças importadas e em 3 anos já estar fabricando as pistolas em Maryland.

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A pistola Beretta modelo 92SB, a arma adotada pelo Governo dos USA em 1985. O modelo atualmente em uso, denominada de U.S. Pistol M9, já possui sensíveis diferenças de desenho em relação ao projeto original.

Há aqueles que puderam ver como o projeto 1911 atingiu, com o passar dos anos, um grau elevado de confiabilidade e qualidade perante às suas concorrentes; aqueles que sentiram seu balanço e peso, confortavelmente instalados em seus estandes de tiro ou mesmo aqueles em situação de combate, que nela depositaram suas vidas e onde a segurança e potência eram fundamentais. Em qualquer um dos casos, seguramente, ninguém precisaria dizer “Adeus, velha amiga!”

Ela ainda está muito viva entre nós, gloriosa e vitoriosa, em várias de suas formas. Aliás, o projeto básico da 1911 foi tão bem sucedido, tanto em uso militar como civil, que pode-se afirmar, sem medo de errar que, provavelmente não exista nenhuma outra pistola semi-automática com tantas imitações, desde as mais rústicas cópias chinesas até os espetaculares e perfeitos modelos especiais para a modalidade de tiro prático, apesar de que muitos deles incorporam alterações e melhorias sobre seu projeto original.

O PROJETO 1911 PÓS GUERRA E NA ATUALIDADE

Com a diminuição gradativa e drástica na produção da Colt 1911 para o Governo Norte-Americano, com início na década de 60, a fábrica passou a se dedicar quase que inteiramente aos modelos comerciais e esportivos. Assim sendo, em 1970, a Colt lança a chamada Series 70, que foi a primeira grande modificação efetuada no projeto da 1911 desde 1921, quando foi lançada a 1911A1. Dentre outras coisas, nota-se a nova bucha de fixação do cano, que agora se assemelhava a um colar com quatro “fingers” com ação de mola chamada de Collet Bushing. Com isso, a Colt melhorava a precisão da arma, mantendo a boca do cano mais firme e com menos jogo que com o uso de uma bucha simples. Os canos passaram a ser oxidados por fora nas armas que eram oxidadas ou canos em aço inox nas armas que tinham esse tipo de acabamento. As miras traseiras foram melhoradas quanto ao desenho. Eliminou-se também o anel de fixação do fiel sob o cabo e o acionador da trava de segurança foi ligeiramente aumentado.

Dez anos depois, a Series 80, lançada em 1983, incorporou às Séries 70 um novo projeto de percussor, redesenhado de forma a evitar disparos acidentais com o uso de um sistema de travamento automático; o movimento do percussor só era liberado quando a tecla do gatilho começava a ser pressionada. O gatilho foi redesenhado e aumentado, ficando parecido com o da 1911 original. As alça e massa de mira agora eram do tipo “three-dots”; acabamento “brush-finish” no ferrolho e armação, entre outras mudanças.

As 1911 da série Gold-Cup National Match são pistolas customizadas de fábrica, para competição, com alça de mira regulável micrometricamente e gatilhos alongados e “ventilados”, com pressão de disparo aliviada para pouco abaixo dos 2Kg. O cão foi redesenhado e trava de segurança traseira tinha agora a aba mais alongada, evitando assim as costumeiras “mordidas” que ocorriam nas mãos de atiradores, entre os dedos polegar e indicador. As 1911 XSE trazem muita semelhança com as Gold Cups mas possuem os serrilhados do ferrolho na parte frontal e posterior, talas em roseira zigrinadas, trava de segurança ambidestra, gatilho regulável, cão do tipo “combate”, entre outras coisas.

O chamado Projeto 1911, nos dias de hoje, representa muito bem como um desenho aprimorado e com soluções simples e práticas como foi o de John Browning na sua pistola de 1911, podem perdurar por várias décadas praticamente imutáveis. Hoje em dia, nos USA, encontra-se praticamente o que se desejar comprar em peças e acessórios, canos, molas especiais, gatilhos, mecanismos internos, carregadores, etc.  Dezenas de fabricantes produzem essa arma nos dias de hoje. Só no Brasil, tanto a Imbel como a Taurus possuem as suas variações, sem contar inúmeras outras empresas sediadas na Europa, Ásia e nos USA.

Em diversos graus de modificações e alterações, o mercado mundial está muito bem servido de pistolas baseadas no desenho original de Browning, abrangendo diversas finalidades: uso militar, uso civil, uso policial e uso esportivo. As provas de I.P.S.C. (International Practical Shooting Confederation) gera um mercado altamente competitivo, com armas customizadas para todas as modalidades do esporte.

A Smith & Wesson 1911, produzida atualmente para modalidades de Tiro Prático é uma prova contumás do sucesso do projeto, visto que a S&W sempre foi a maior rival da Colt no mercado mundial de armas.

O mercado civil e de atiradores esportivos é um ávido consumidor das armas derivadas da Colt 1911. O uso policial dessas armas é amplamente disseminado em diversos países, e várias forças armadas ainda utilizam a pistola como arma de porte individual. Mesmo aqui, no Brasil, onde a 1911 em calibre .45 foi adotada em 1937 e perdurou em serviço até meados da década de 80, ainda hoje permanece na ativa, na sua versão em calibre 9mm Parabellum produzida pela Imbel, a oficialmente designada Pistola M973.

Mesmo nos USA ela ainda se encontra em uso, não só em 9mm como em calibre .45ACP, em inúmeras unidades militares e para-militares.

Uma belíssima Colt Gold Cup National Match Series 80, pistola para competição dotada de alça de mira regulável, em calibre .38 Super Auto.

Também o mercado civil, tanto nas áreas de defesa como de tiro esportivo também foi um ávido consumidor da pistola, como ainda é até hoje. Temos projetos baseados nesta arma inclusive aqui no Brasil, como a linha GC da Imbel em .45ACP, a M973 em 9mmX19, as MD2 em calibre 40S&W e outros modelos mais.

Página de catálogo promocional da Taurus USA oferecendo sua série de modelos PT 1911

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DA COLT 1911 A1

  • Cartucho: .45 ACP
  • Versões Comerciais e Militares também em calibre .38 Super, 9mm Parabellum, .40 S&W, 10mm Auto, .400 Corbon, .22 LR, .50 GI, .455 Webley, 9×23 mm Winchester e outros. Os calibres que mais foram usados além do .45ACP são o 9mm Parabellum (9x19mm), .38 Super e 10mm Auto, na ordem.
  • Cano: 5 polegadas (127 mm) no modelo Government, 4.25″ (108 mm) no modelo Commander.
  • Rotação das estrias (raias): 16″ (406 mm) por volta
  • Operação: Curto recuo do cano, culatra trancada (locked-breech), ação simples semi-automática.
  • Peso (descarregada): 1.100 kg no modelo Government.
  • Altura: 133 mm
  • Comprimento: 210 mm
  • Capacidade: 7+1 cartuchos (7 no carregador +1 na câmara); nos modelos para uso dos calibres .38 Super e 9mm a capacidade é de 9+1. Armas que derivam do projeto 1911 usam carregadores bifilares, como as fabricadas pela Para Ordnance, Strayer Voigt Inc e pela STI International Inc.
  • Travas de segurança: Trava de empunhadura, cão com meia posição de engatilhamento e trava manual (localizada no lado esquerdo da armação) são padrão nas pistolas M1911A1. Diversas empresas tem desenvolvido um pequeno bloco corrediço que age como trava do percussor. As pistolas Colt da Série 80 usam a própria tecla do gatilho para acionamento desta trava, e várias outras , como a Smith & Wesson, usam a trava de empunhadura como meio de acionar a trava.

DESMONTAGEM PARCIAL (FIELD STRIPPING)

A pistola Colt 1911 prima pela facilidade de desmontagem rápida e sem uso de ferramentas, ou quando muito, utilizando-se suas próprias peças como tal. A desmontagem parcial, o suficiente para que se faça uma boa manutenção, limpeza e lubrificação, é muito simples:

Antes de tudo, retire o carregador pressionando-se o botão retém do mesmo (foto 1); a seguir, puxe o ferrolho totalmente para trás e certifique-se de que a arma se encontra totalmente descarregada. A seguir, com o ferrolho fechado (foto 2), pressione o botão serrilhado, que é o retém da bucha do cano, e gire a bucha no sentido horário; mantenha pressão sobre o botão durante esse procedimento para impedir que a mola recuperadora e sua manga salte para fora.

Retire agora a manga da mola e a mola recuperadora (foto 1). Gire a bucha do cano para o outro lado, puxando-a ao mesmo tempo para fora, para que ela seja retirada do ferrolho (foto 2). Agora, com o ferrolho sem a força de sua mola recuperadora e com movimentação livre, arme o cão e puxe o ferrolho para trás, alinhando um dos dois entalhes existentes do lado esquerdo (o menor deles), com o ressalto existente na trava do ferrolho (foto 3).

Do lado direito da arma, pressione para dentro a cabeça protuberante do pino de articulação da trava do ferrolho (foto 1), ao mesmo tempo que se retira a peça de seu encaixe pelo lado esquerdo (foto 2). Veja que há um pequeno pino de retenção para essa peça. Remova-a totalmente da armação e leve o ferrolho totalmente para a frente, retirando-o da armação (foto 3).

Com o ferrolho fora da armação, retire o pino-guia da bola recuperadora, que se encontra solto sobre o cano (foto 1), levante levemente o cano na sua parte posterior para soltá-lo dos encaixes com o ferrolho e retire-o totalmente pela frente da arma (foto 2).

A remontagem é feita exatamente na ordem inversa: com a parte interna do ferrolho virada para cima, primeiramente coloca-se o cano de volta até encaixá-lo nas ranhuras do ferrolho; coloca-se agora o pino guia da mola recuperadora, tomando cuidado para alinhá-lo de forma correta sobre o cano, através de seu encaixe tipo meia-lua, encostando-o à pequena biela articulada.

Com o ferrolho nesta posição, insira-o na armação e empurre-o para trás. Pelo orifício do pino do retém do ferrolho, tente alinhar o furo da pequena biela articulada existente sob o cano e insira o retém pelo lado esquerdo da armação. Alinhe o encaixe menor do ferrolho com o dente do retém, vença a ação do pino de tensão e encaixe a peça totalmente. O ferrolho agora pode ser fechado e deve parar na posição correta.

Insira a bucha do cano encaixando-a em seu alojamento e deixe-a totalmente virada para o sentido horário. Coloque a mola recuperadora e sua manga, pressionando-a no final até que a bucha do cano consiga ser girada para sua posição, passando por cima do serrilhado da manga.

Uma desmontagem total da arma, como é mostrada na foto abaixo, já requer um pouco mais de habilidade, mas dificilmente será necessária, a não ser que se deseja a substituição de alguma peça danificada ou gasta. De qualquer forma, a não ser o uso de uma chave de fenda comum para a retirada dos quatro parafusos que fixam as talas, todo o restante pode ser desmontado usando-se o próprio percussor como sacador dos poucos pinos existentes.

A pistola Colt 1911A1 totalmente desmontada – Foto do autor

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Vista Explodida de uma pistola Colt Government Series 70 em calibre .45ACP

Colt 1911 e 1911A1 Serial Numbers

Written by Carlos F P Neto

02/03/2011 às 12:05

43 Respostas

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  1. Prezado Levy, responderei por e-mail essa sua dúvida. Abraços.

    Carlos F P Neto

    28/07/2015 at 10:58

  2. O que se sabe sobre pistolas COLT M911A1 com inscrição MARINHA DO BRASIL e datadas de 1941?

    Levy Pereira

    23/07/2015 at 12:52

  3. Entendo, acho que vou entrar com contato com a SFPC para sanar de vez a dúvida. Carlos, muito obrigado pela ajuda!

    Enzo Oliveira

    15/05/2015 at 15:32

  4. Enzo, a interpretação nossa é que está errada. Relendo o artigo, entende-se mesmo que na categoria B inclui-se qualquer arma curta, ou seja, restrita ou permitida. Porém, como na Portaria anterior não era assim, nos dá a impressão de que estão até afrouxando as restrições nessa nova Portaria. Como sempre desconfio desses “afrouxamentos”, receio haver aí um erro de redação que poderá dar problemas na hora de apostilar as armas. Convém uma consulta ao SFPC. Veja o que diz a Portaria 24:
    I – Categoria A – armas de calibre permitido e viaturas militares não blindadas e seu armamento;
    II – Categoria B – armas longas, de tiro simples ou repetição, de calibre restrito;
    III – Categoria C – todas as armas curtas, exceto as automáticas, e viaturas militares blindadas sem armarilento.
    Ou seja, ampliaram o escopo da Categoria B com as armas curtas da Categoria C.
    Enfim, pode até ser correto.

    Carlos F P Neto

    14/05/2015 at 18:55

  5. Caro senhor Carlos, gostaria de saber se a portaria 01 de janeiro de 2015 já seria válida para os novos CRs, pois segundo ela, na página 9/42 e 10/42, artigo 56., na categoria B estariam incluídas já “armas longas de tiro simples ou repetição, de calibre restrito, e armas curtas de qualquer calibre, exceto as automáticas;”. Será que foi algum erro deles?

    Obrigado

    Enzo Oliveira

    14/05/2015 at 15:10

  6. Prezado Enzo, saudações. Existem categorias estabelecidas para os colecionadores, em relação ao tempo de obtenção do CR. Uma pistola .45 por exemplo se encaixa na categoria C (curtas de calibres restritos) e seu CR deverá ser de Nível II, com mais de 3 anos de obtenção. Como quase todas as armas que pretende colecionar serão de categoria C, infelizmente terá que esperar 3 anos para registrá-las. Leia nosso artigo sobre obtenção de CR.

    Carlos F P Neto

    14/05/2015 at 14:35

  7. Boa tarde Carlos. Eu estou interessado em iniciar uma coleção de armas de fogo da segunda guerra mundial e para isso vou dar entrada no meu CR de colecionador. Meu primeiro objetivo é comprar uma pst. M911 A1 assim que meu cr for deferido. Entretanto, ouvi falar que na segunda região militar seria necessário esperar dois anos antes de comprar armas de calibre .45 ACP ou .357 magnum! Esta informação procede? Desde já agradeço a atenção e as informações disponibilizadas no seu site.

    Enzo Oliveira

    14/05/2015 at 14:07

  8. Obrigado, Odelio, um prezer tê-lo como leitor.

    Carlos F P Neto

    02/01/2015 at 21:59

  9. Gostei muito das informaçoes a resp. Da 1911, sou da força aerea e gosto muito de armas ,um abraço.

    odelio de almeida

    02/01/2015 at 21:45

  10. Muito obrigado!

    Enzo Oliveira

    02/01/2015 at 18:56

  11. Enzo, pelo menos em relação às negociações efetuadas entre colecionadores registrados (armas legalizadas) , as pistolas Colt 1911A1 (não as suas cópias, mas sim, as produzidas pela própria Colt), em estado considerado muito bom a excelente, totalmente originais (acabamento, talas, etc) costumam ser vendidas por algo em torno de 5 a 6 mil reais. Via importação você só consegue arma nova, e aí as variantes são muitas; teria que pesquisar. Abraços.

    Carlos F P Neto

    02/01/2015 at 11:23

  12. Boa tarde Carlos. Primeiro gostaria de parabeniza-lo pelas matérias publicadas, ajudando os interessados por armas a aprofundar os seus conhecimentos, num pais onde a literatura sobre armas em português é bem escassa. Sou fan da Colt 1911 e gostaria de saber se vc, como colecionador, saberia me informar o preço de desta arma aqui no Brasil, ou pela venda de um colecionador, ou por meio da importação.

    Desde já agradeço a atenção
    Enzo

    Enzo Oliveira

    30/12/2014 at 16:32

  13. muito util

    oigres arievilo

    05/12/2014 at 22:18

  14. OK, ficarei no aguardo. Forte abraço.
    Attilio Fraga – Rio de Janeiro – RJ.

    Attilio Fraga

    03/12/2014 at 15:29

  15. Attilio, saudações. Infelizmente a Imbel não tem o costume de colaborar muito com dúvidas referentes à sua história. Não é a primeira vez que recorro à eles, sem sucesso. Estou tentando através de outro contato ver se consigo algum dado. Fique no aguardo e te respondo por e-mail. Um abraço.

    Carlos F P Neto

    02/12/2014 at 14:43

  16. Carlos, bom dia.
    Como sempre, acompanho o blog e, sempre tenho agradáveis surpresas nas leituras. Hoje estou, digamos, relendo, o artigo sobre a 1911.
    Mais uma vez, uma obra prima da literatura bélica. Parabéns.
    Se me permitir, gostaria de sanar uma dúvida, que não consegui esclarecer no site do fabricante.
    A nossa IMBEL desenvolveu e fabrica suas pistolas, baseadas no projeto Colt – 1911, visível e declaradamente.
    Como ex-militar, tive a oportunidade de manusear alguns exemplares, tanto no calibre .45 – ACP, quanto no 9 mm – Parabellum.
    Não consegui encontrar, ao menos no acervo público da empresa, a data, ou período, em que a o projeto foi adotado e, se houve uma “licença formal” da Colt para tal.
    O amigo teria estas informações?
    Grande e fraterno abraço.
    Attilio Fraga – Rio de Janeiro – RJ.

    Attilio Fraga

    28/11/2014 at 3:47

  17. Ubiratan, muito grato pelos seus elogios. Por enquanto estamos sozinhos, mas contando sempre com ajuda e colaboração de amigos atiradores e colecionadores, quando necessário. Um abraço.

    Carlos F P Neto

    06/10/2014 at 18:58

  18. Boa tarde, Carlos excelente matéria. É uma pena ter conhecido seu trabalho somente agora, se tivesse conhecido antes não teria feito a besteira de modificar a telha de uma cartucheira calibre 20, dois canos Piper Bayard, fazer o que? Pergunto, você tem uma equipe que trabalha junto com você para dividir os parabéns, ou o mérito cabe somente a você?

    Ubiratan Furtado

    06/10/2014 at 16:08

  19. Exatamente, Gustavo: é isso mesmo.

    Carlos F P Neto

    13/07/2014 at 20:52

  20. Não entendi,! estou dizendo que se tivéssemos pessoas como Browning, Colt e mais, nascidos no Brasil, o nosso governo não seria tão “sem interesse” sobre tudo que esta relacionado com armas pois sendo do Brasil, eles seriam famosos como os jogadores de futebol, só que das armas,e dariam valor nas coisas, como tradição de caça, tiro esportivo, defesa pessoal, e muito mais, acho que você quiz dizer sobre os Brasileiros que não se importam com isso, que o brasileiro esqueceu suas tradições , não é isso que você quiz dizer??
    Obrigado Carlos pela atenção!!

    Gustavo

    13/07/2014 at 20:43

  21. Gustavo, não compartilho com sua opinião. O Brasil, e isso piorou muito mais de uns tempos para cá, se tornou um país sem memória e sem cultura, que não valoriza nada de seu passado.

    Carlos F P Neto

    13/07/2014 at 17:39

  22. Browning Foi um Gênio!!!, Pena que não nasceu no Brasil, quem sabe assim as coisas seriam diferente por aqui, e seria um ícone brasileiro como Santos Dumont acho que se isso tivesse acontecido talvez nossos políticos não seriam tão absurdamente ignorantes sobre tudo o que envolve tradição ligado às armas e direito a defesa das pessoas!

    Gustavo

    12/07/2014 at 22:47

  23. Marcus, grato pelo contato. As pistolas do contrato brasileiro de 1937, que se prolongou por mais de 3 anos, faziam parte de um acordo militar do governo, com os EUA. Por força de contrato, as pistolas fizeram parte do arsenal a ser utilizado pela FEB; o restante do armamento seria cedido à FEB já na Itália. Somente os oficiais foram autorizados a levar as 1911 como arma de porte. Como a Parabellum ainda era a pistola de dotação do Exército, pesquisadores afirmam que elas também podem ter sido levadas por oficiais, mas isso é uma suposição, visto que o cartucho 7,65mm Parabellum não era compatível com o armamento norte-americano. Os revólveres S&W Mod. 1917 também foram levados e utilizados como “side-arm” por oficiais. Pilotos da FAB utilizavam os S&W Military & Police em calibre .38SPL como arma de defesa. Não se sabe se todas as 25.000 pistolas do contrato foram para a Itália, mas acredita-se que grande parte dela seguiu para lá, mantendo aqui várias delas de uso do contingente que não embarcou. Grande abraço.

    Carlos F P Neto

    10/07/2014 at 14:48

  24. Boa noite. Primeiramente, parabéns pela excelente matéria, muito completa e detalhada.
    Possuo uma Colt .45 brasonada de 1937 e gostaria muito de saber sobre a história dessa arma aqui no Brasil, principalmente se ela foi usada na 2° Guerra Mundial. Existe algum local onde possa obter essa informação?

    Marcus Germano

    09/07/2014 at 19:59

  25. Maurilio, sobre submetralhadoras, já temos alguma coisa no site; as Thompson e as MP alemãs, mas virá sim, em breve, um artigo específico sobre as metralhadoras leves e pesadas. Grande abraço.

    Carlos F P Neto

    29/12/2013 at 19:42

  26. Caro Philipe, é recebendo depoimentos e elogios como os seus que pretendo continuar com esse trabalho; é muito gratificante esse retorno dado pelos leitores. Grande abraço.

    Carlos F P Neto

    04/11/2013 at 14:49

  27. Belíssimo artigo, Carlos! O que se observa aqui é o assunto armas de fogo é tradado com excelência e profissionalismo. Deixo aqui meus parabéns e votos de continuidade no trabalho. Abraço

    Philipe

    04/11/2013 at 14:47

  28. OI PESSOAL, SOU UM APAIXONADO POR ARMAS DE FOGO, COMECEI A TER CONTATO COM UMA DE VERDADE NO EXÉRCITO. LÁ EU FUI ARMEIRO, PARA MINHA SORTE, TIREI PROVEITO DE TUDO QUE PODE APRENDER. HOJE SOU VIGILANTE EM DUAS EMPRESAS, TRABALHO ARMADO, ARMA DE FOGO SAO LINDAS, MAIS TEMOS QUE SABER RESPEITA-LAS. ABRAÇOS A TODOS AMANTE DE ARMAS DE FOGO.

    JARA

    13/08/2013 at 15:28

  29. Bom dia Carlos, não medi o peso do gatilho, como uso para o ipsc não optei em mandar aliviar o mesmo, mas vou procurar medir o peso das duas armas vez que a do amigo é bem sensível, creio que não deve dar 100 gramas. Vou seguir sua sugestão, obrigado. abraços.

    Gil Cesar Dompieri

    08/03/2013 at 8:07

  30. Gil, muito interessante sua observação. Entretanto, não creio que possa haver torção da mola, uma vez que não há espaço suficiente para isso. Se observar bem, na pistola padrão com cano de 5″, a manga frontal possui um comprimento que atinge cerca de 1/3 do comprimento do vão da mola, ou seja, o espaço entre a boca do cano e onde apoia a guia, na armação. A guia, por sua vez, possui quase o mesmo tamanho da manga. O espaço que sobra com a mola exposta, com a arma em repouso, é de pouco mais de 1,5 cm, insuficiente para qualquer movimento de torção. Creio que algum outro fator deve estar colaborando para melhorar a precisão, e realmente deve ser investigado. Já mediu o peso do gatilho de ambas?

    Carlos F P Neto

    07/03/2013 at 16:51

  31. Carlos boa tarde, estou novamente querendo tirar dúvida com vc no seguinte: uso a minha colt 45 para tiro de ipsc que é um tiro de distancia curta, apenas 2 ou 4 tiros mais longo ( 15 mts), e tenho observado que um amigo com o mesmo tipo de arma 45 porém equipada com guia de mola longa tem obtido tiros mais precisos, no inicio achei que seria a recarga que teria problema, mas usando minha munição na arma dele obtive tiros mais precisos, será que quando do recuo do ferrolho por ser a guia de minha arma a original ( pequena) pode a mola arcar e com isso empurrar o cano pra cima e assim prejudicar a precisão? queria ter testado a guia de mola da arma dele com a minha, porém o modelo da minha é commander com 4,1/4 de cano e a dele de 5¨”, portanto ficaria maior a guia o que poderia dar alguma diferença, vc acha que o fato da guia ser menor pode influenciar na precisão? Abraços

    Gil Cesar Dompieri

    07/03/2013 at 14:46

  32. Caros amantes de armas, hoje vejo as pistolas .38, e fico maguinetizado por tal arma,e lendo esse artigo aqui encontrei as . 38 que no passado era já uma grande atração, adorei ……. sinto ser tão dificil adiquirir exemplares de tão grandiosa historia……..

    madeira

    12/01/2013 at 19:41

  33. Gil, o importante é que deu certo; análises bem feitas como você fez levam ao sucesso da intervenção. Parabéns pela iniciativa.

    Carlos F P Neto

    13/11/2012 at 14:54

  34. Boa tarde Carlos, a respeito da 45 Colt que não ejetava manualmente a munição, o problema não era o ejetor um pouco menor, mas sim o extrator, a “unha” do mesmo estava muito gasta e quando da extração manuel a munição encavalava entre o ejetor e o ferrolho, com uma lima fina aumentei a garra e o problema desapareceu, funciona perfeito mesmo com o ejetor menor. Abraços. Gil

    Gil Cesar Dompieri

    13/11/2012 at 14:00

  35. Gil, alguma razão houve para que alguém modificasse a peça; o ejetor da 1911 é fácil de ser retirado, pois é montado na armação por pinos. Guarde este que usa e faça um outro para testar. Creio que isso vai resolver o problema.

    Carlos F P Neto

    24/10/2012 at 16:33

  36. Boa tarde Carlos, realmente usando um paquimetro e retirando o ferrolho medi o ejetor e o tamanho constatado foi de 4 mm, estranho que nunca foi alterado o ejetor, comprei a arma praticamente sem uso, o senhor que a possuia não deu mais que 50 tiros, isso há mais de 25 anos, desde então usei no tiro pratico, porém sempre com esse problema de não ejetar quando manobrada manualmente, vou procurar o armeiro aqui ~proximo em Rio Preto e pedir pra fazer uma peça nova deixando os 7 mm e ver se da certo.
    Por enquanto grato, se der resultado positivo ou não entro em contato com vc.
    Gil

    Gil Cesar Dompieri

    24/10/2012 at 14:57

  37. Gil, embora eu não saiba se houve modificação neste caso, mas as 1911A1 Government pré série 70, o ejetor se projeta para fora em 7mm, quando o ferrolho se encontra totalmente recuado. Eu não arriscaria alterar a peça, pois lendo seu relato, me dá mais a impressão de que seria um caso dele estar mais curto que ocasionaria o defeito. Casos como esse tem que ser cuidadosamente estudados.

    Carlos F P Neto

    23/10/2012 at 16:46

  38. Bom dia Carlos, solicito se possív el alguma dica sobre o que pode estar acontecendo com minha arma Colt Combat Commander 45, arma esta devidamente apostilado junto ao EB, pelo seguinte: manobrando a mesma com munição original ou mesmo recarregada dentro das dimensões corretas, a “bala” não é ejetada ficando presa entre o ferrolho e o extrator, atirando normalmente com a mesma não existe problema algum; amigos do clube disseram que pode ser o ejetor com comprimento fora do padrão, não acredito nisso, com munição recarregada tipo semi canto vivo, e deixando um pouco menor que o tamanho original tambem não dá certo, estou querendo diminuir um pouco o tamanho do ejetor, usando uma lima e testando, porém tenho receiro de estragar a peça.
    É possivel que a mesma tenha saido de fabrica com esse problema?, esclareço que possuo a mesma ha mais de 25 anos, poré, pouco usada, é da serie 70.
    Agradeço.
    Gil Cesar.

    Gil Cesar Dompierii

    23/10/2012 at 10:12

  39. Helton, agradeço seus elogios. Um artigo sobre as Glock e as Beretta fazem parte de meus planos, seguramente. Grande abraço.

    Carlos F P Neto

    12/04/2012 at 12:19

  40. Muito bom esse artigo, essa aula de história, sobre a origem e o desenvolvimento das Colts 1911. Gostaria de saber se você já escreveu algum artigo sobre as Glocks e as Berettas 92?

    Helton Brites

    11/04/2012 at 19:17

  41. Sr. Jose, enviamos resposta por e-mail.

    Carlos F P Neto

    16/03/2012 at 17:19

  42. POR FAVOR ENVIAME EL DESPIECE TOTAL DE UN REVOLVER COLT CALIBRE 38 MODELO NEW SERVICE ANO APROXIMADO 1950-55 igual de como muestras la pistola automztica

    jose

    16/03/2012 at 2:19

  43. Parabéns, bom amigo.

    Ajudou-me muito.

    José Carlos

    José Carlos Menezes de Andrade e Silva

    19/02/2012 at 10:05


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