Armas On-Line

Seu Portal sobre Armas, Tiro e Colecionismo na WEB

Fuzil da Comissão Alemã de 1888 “Gewehr ’88” (Rev. 1b)

with 17 comments

Poucos meses depois da proclamação, em Versailles, da fundação do novo Império Germânico em 1871, Peter Paul Mauser apresentou ao Exército Imperial seu novo fuzil Mauser de ação por ferrolho, ainda novidade na época. O sucesso e as qualidades apresentadas da arma foram imediatamente reconhecidas e o Exército adotou o fuzil como arma regulamentar de infantaria. O calibre do Mauser mod. 1871 era o 11mm x 60, carregado com pólvora negra, e seus cartuchos eram alimentados um a um. Com excessão do Estado Bávaro, o novo Exército Imperial Germânico substituiu seus antigos fuzis Dreyse, os conhecidos “needle-gun”, pelos novos Mauser.

Em 1884, Peter Mauser introduz uma significativa evolução da sua arma, na verdade uma modificação no modelo 1871, mas comportando agora um magazine tubular, posicionado debaixo do cano, com capacidade para 8 cartuchos, tornando-o assim um dos primeiros fuzís militares de repetição, da história. Doravante, apesar de que o carregamento era um pouco lento e  não era possível recarregar a arma enquanto ainda houvessem cartuchos, o soldado alemão dispunha de um fuzil de tiro rápido e de boa potência. Não houve significativas modificações no sistema de ferrolho e de disparo.

Porém, oriunda de sua arqui-rival França, um novo conceito em cartuchos militares para armas longas estava surgindo, com o advento da pólvora sem fumaça. Esse novo propelente foi desenvolvido pelo químico francês Paul Vielle, que o denominou de “Poudre B”. Além da presença mínima de fumaça, esse tipo de pólvora deixava bem menos resíduos no interior do cano e era muito pouco corrosiva.

A evolução dos fuzís militares alemães pós criação do Império Germânico em 1871 – o Mauser 1871, seguido do Mauser 1871/84 e o Gewehr 1888.

Consequentemente, a adoção de um novo cartucho para fuzis desenvolvido pela França em 1886, o 8mm Lebel, utilizando pela primeira vez carga de pólvora sem fumaça aliada a um projétil pontiagudo, causou nos militares alemães um certo ímpeto de “contra-ataque”. Afinal, há 15 anos, somente, havia terminado a Guerra Franco-Prussiana. Era agora mais que urgente a necessidade de se desenvolver um novo cartucho para uso da Infantaria Imperial Alemã.

Um grupo de técnicos, militares e engenheiros, membros de uma Comissão Especial do Exército, a “Gewehrprufungskomission“, prontamente respondeu aos anseios dos militares criando um novo cartucho denominado oficialmente de Patrone 7,9X57J, lançado conjuntamente com uma nova arma, o Fuzil (Gewehr) modelo 1888. Essa arma também recebe o nome de “Reichsgewehr”, Fuzil do Império. Historicamente, o nome mais difundido na literatura inglesa é o de “German Comission Rifle mod. 1888”. Saiba mais sobre o cartucho aqui em “O Calibre 8mm Mauser“.

a17img1

O Gewehr ’88, ou “Fuzil da Comissão Alemã” modelo 1888 em calibre 7,9X57 (coleção particular)

Da mesma forma que o novo cartucho foi alvo de muita confusão, a nova arma também arcou com alguns problemas de identificação. Apesar de freqüentemente e equivocadamente ser chamado de Fuzil Mauser mod. 1888, bem como de Fuzil Mannlicher, ele foi, na verdade, desenvolvido por técnicos da Comissão Especial do Exército Alemão, baseado em projetos já existentes e em uso no Império, como os fuzis Mauser 71/84 e os Mannlicher austríacos. Dos primeiros, foram inspirados os projetos para os ferrolhos (trabalhados pelo engenheiro Schlegelmich, do Arsenal de Spandau) e dos últimos, o desenho e sistema do magazine. Lembramos que os Mauser 71/84 ainda se utilizavam de magazines tubulares, situados sob o cano, muito similares aos dos rifles e carabinas de ação por alavanca, da Winchester.

Outro exemplar de modelo 1888 de fabricação Ludwig Loewe, Berlim, 1890

Porém, o engenheiro austríaco Ferdinand Ritter von Mannlicher possuía um projeto de fuzil de ferrolho desde 1884, levado à cabo em 1885, e que utilizava um magazine vertical saliente à parte inferior da coronha, cujos cartuchos, previamente inseridos em um clipe metálico, eram alojados em seu interior. O clipe era descartado automaticamente através de um pórtico abaixo do magazine após a utilização do último dos cinco cartuchos. A rapidez de se remuniciar uma arma provida de um clipe desse tipo era muito maior do que com uso de magazines tubulares, onde os cartuchos tinham que ser inseridos um a um.

a17img2

Diagrama mostrando o mecanismo interno da caixa de culatra do Fuzil mod. 88, com o ferrolho na posição aberta, clipe inserido no magazine e pronto para a primeira inserção de um cartucho na câmara. Note o retém (vermelho) que mantinha o clipe preso no magazine e a alavanca (amarela) que impulsinava os cartuchos para cima.

a17img3

Agora, com o ferrolho fechado logo após o primeiro disparo e com o clipe ainda com 4 cartuchos remanescentes. Após a carga do último cartucho, o clipe se desprende, caindo ao chão através da abertura inferior.

No caso do 88, desenvolveu-se um clipe metálico similar ao Mannlicher, para comportar cinco cartuchos. Esse clipe permanecia na arma até o último disparo quando então se soltava por ação da gravidade, através de uma abertura inferior. Na verdade, era o clipe era como um componente adicional ao magazine e sem ele, os cartuchos não podiam permanecer em posição. Não durou muito tempo para perceberem que esse detalhe seria uma grande desvantagem dessa arma, pois a mesma não poderia ser municiada sem os clipes, como acontece com os modelos Mauser que a sucederam, a não ser que fosse utilizado apenas um cartucho por vez.

a17img4

Mesmo assim, os técnicos da Comissão melhoraram um pouco o sistema original de Mannlicher, pois os clipes podiam ser inseridos de qualquer lado, o que não ocorria naquela arma, o que causava alguns transtornos aos atiradores. Os cartuchos eram sobrepostos uns aos outros, diferentemente da solução utilizada pela Mauser em seus modelos a partir de 1893, que era a de intercalá-los, tres cartuchos de um lado e dois de outro, o que evitava que o magazine se sobressaísse na parte inferior da coronha.

Detalhe da abertura inferior do magazine por onde passava o clipe metálico vazio após o último cartucho inserido na câmara.

Uma vantagem que o sistema do 1888 tinha sobre os futuros Mausers era que o clipe podia ser retirado da arma, com todos os cartuchos ou parte deles, através de um retém localizado dentro do guarda-mato, e assim descarregar a arma rapidamente. Nos modelos da Mauser isso não era possível; para a retirada dos cartuchos já inseridos no carregador, é necessário que se faça utilizando o ferrolho, abrindo-o e fechando-o consecutivamente até a ejeção do último cartucho.

Além disso, a Comissão Alemã, contando com a ajuda do engenheiro Louis Schlegelmich, do Arsenal de Spandau, melhorou também o sistema de travamento e de reforço do ferrolho, que era baseado no fuzil Mauser 71/84, adaptando-o para suportar a pressão mais elevada do novo cartucho 7,92mm em relação ao antigo 11X60mm, cartucho esse ainda carregado com pólvora negra.

a17img5

O clipe metálico com 5 cartuchos calibre 7,9X57mm J, utilizado no Fuzil mod. 88

Uma outra solução muito interessante empregada pela Comissão, foi em relação à montagem do cano. Ao invés de se utilizar os componentes da coronha de madeira para a sua proteção e fixação, decidiram pelo uso de um tubo de metal inteiramente oco, idéia do engenheiro Armand Mieg, com um diâmetro maior que o cano, e que o envolvia totalmente, vestindo-o desde o receptor da arma até a boca.

Teoricamente, essa capa de proteção permitia uma melhor precisão de tiro, uma vez que prevenia mudanças no centro de impacto causadas pelas sutis alterações de dimensão das peças de madeira, resultantes de umidade e diferenças extremas de temperatura. Na prática, porém, isso ocasionou mais problemas que benefícios: o tubo sofria impactos que o amassavam freqüentemente; a água podia penetrar facilmente pela folga existente entre o tubo e o cano, na parte frontal, causando corrosão interna em ambas as peças, que não possuíam tratamento; o tubo era somente oxidado externamente. Além disso, era uma peça cara e difícil de ser substituída.

a17img6

Detalhe da culatra com ferrolho, e do carregador estilo Mannlicher. A pequena tecla vista no interior do guarda-mato servia para se soltar o clipe pela parte superior, desde que ainda houvesse um cartucho no mesmo. (foto do autor)

a17img7

a17img8

Destaque da parte frontal da arma, onde se percebe a camisa (luva) que recobre o cano e sua vareta de manutenção. O engate para a baioneta era lateral, como mostra a foto. À direita detalhe da culatra e ferrolho, onde se nota a alavanca de trava de segurança, sistema usado pelos fuzis Mausers desde o modelo 1871. (Foto do autor)

A coronha era feita em uma só peça, atingindo quase que totalmente o comprimento do cano. A soleira era de aço estampado, acabamento oxidado e não havia nenhum tipo de compartimento em seu interior, para o armazenamento de acessórios. O acabamento da caixa da culatra era em aço polido, bem como o ferrolho. A luva que cobria o cano e o magazine com guarda-mato incorporado eram oxidados pelo processo à frio. Foram fabricadas versões longas dessa arma (fuzis) e curtas (carabinas). No caso dessas, a coronha se alongava até a boca do cano e o ferrolho utilizava uma alavanca de manejo em forma de colher achatada ao invés da protuberante alavanca reta.

a17img9

A carabina modelo 88 (note a alavanca de ferrolho em forma de colher e alça de mira pequena), em companhia de um capacete prussiano e de uma pistola Mauser C96 (foto do autor, de coleção particular)

No dia 12 de novembro de 1888, o Kaiser Guilherme II assinou a ordem para que essa arma fosse adotada imediatamente pelo Exército Imperial. Até meados de 1890, a arma já estava praticamente em uso pelas tropas de 1ª linha da Baviera, Prussia, Saxônia e Wurttemberg. Durante o seu período de uso na Alemanha, modificações foram feitas na arma para minimizar alguns de seus problemas.

  1. Modificação para ejetar o clipe automaticamente, após o último disparo, por ação de uma mola, porém, pela parte superior da arma, idéia aliás muito similar à utilizada nos fuzis Garand .30 M1, norte-americanos. A abertura inferior foi fechada, com essa modificação.
  2. Modificação para utilizar o clipe do fuzil Mauser 98, através de uma adaptação montada na parte superior da caixa de culatra e criando-se um sistema de retenção por mola para prender os cartuchos já municiados dentro do magazine (veja fotos abaixo).
  3. A mais executada dessas alterações foi a usinagem feita na rampa de acesso à câmara e no interior da mesma, para a utilização das munições “spitzer” (pontiagudas), com o novo diâmetro do projétil de .323”, contra o anterior de .318” de polegada. Leia o nosso artigo sobre o calibre 8mm Mauser para saber mais sobre essa mudança.

Um Gewehr ’88 de fabricação de arsenal estatal de Danzig, em 1891, com as modificações para utilizar os “clipes” de fuzil Mauser – note as peças montadas nas laterais da armação para prover os encaixes necessários – além disso, uma usinagem na parte dianteira foi feita, pois usando-se esses clipes os cartuchos ficavam posicionados pouco mais à frente.

Detalhe da tampa inferior, encaixada sob pressão, utilizada para obstruir a abertura inferior do carregador. À direita o fuzil modelo ’88 sendo municiado utilizando-se um clipe similar ao usados nos fuzís Mauser.

a17img10

A versão fuzil e a versão carabina do Gewehr modelo 88, ambos utilizando o mesmo tipo de carregador com 5 cartuchos.

Acima, uma unidade bavariana pertencente ao Exército Imperial Alemão, em meados de 1915,  posando em um jardim, com seus capacetes do tipo “pickelhaube”. O segundo e o quinto soldado estão armados com o Gewehr 88 com as modificações 88/14 (note a abertura de saída do clipe fechada por uma tampa). Os demais homens portam o fuzil Mauser 71/84.

Essas modificações foram, então, denominadas respectivamente de 88/05, 88/14 e 88S. A fabricação dessas armas se deu principalmente na Alemanha, através de vários fabricantes e arsenais, tais como demonstra a tabela abaixo:

Fabricante Quantidade
Arsenais Estatais de Danzig,  Erfurt e Spandau 750.000
Amberg (Bavária) 425.000
Ludwig Loewe de Berlim 425.000
Steyr Oesterreische Waffenfabrik  (Áustria) 300.000
Haenel (algumas carabinas em calibre 7mm X 57 Mauser) 100.000
Total estimado produzido até 1897 1.675.000

A China, após a Revolução dos Boxers, chegou a adquirir muitos fuzis e posteriormente fabricou uma cópia do mesmo, denominada de Hanyang 88. A Iugoslávia, Etiópia, Turquia, Finlândia e o Brasil adotaram essa arma em quantidades razoáveis e outros ainda a utilizaram, em menor quantidade, apreendidas de prisioneiros de guerra, como ocorreu no caso da Checoslováquia.

a17img11

Comparação das ações de ferrolho do Fuzil mod. 1888 e do fuzil Mauser 1898. Note neste último a posição do fechamento da alavanca de ferrolho e a ausência do magazine externo.

a17img12

a17img13

Detalhe da câmara, gravada com a marca do fabricante Ludwig Loewe, em 1890. Note a montagem da camisa, que era oxidada, rosqueada à culatra, sem banho de oxidação. À direita, lado esquerdo da caixa da culatra, com a marcação G (Gewehr) Mod. 88. A culatra não sofria acabamento contra corrosão, tal como oxidação à boneca ou banho químico. Porém, em vários exemplares já avaliados por esse autor, não se notava marcas de corrosão nessas peças. (foto do autor)

Os últimos exemplares fabricados e usados pelas tropas já começavam a apresentar problemas de acabamento e de defeitos de fabricação, ocasionando sérias falhas de funcionamento e inclusive ferindo alguns soldados. Um dos fabricantes do fuzil, a empresa Ludwig Loewe, de Berlim, devido à sua origem judaica, começou a ser alvo de facções anti-semitas que, com o apoio da imprensa, começaram a explorar o assunto, alegando se tratar de uma conspiração liderada por Loewe e dos outros fabricantes, também judeus, incluindo aí o produtor da nova pólvora sem fumaça. Com isso, a arma acabou ganhando um infame apelido, Judenflinte, que significa “fuzil judeu”. Nota-se aqui que manifestações anti- semitas já existiam na Alemanha Imperial, bem antes do Nazismo.

Acima, a carabina modelo 1888 de fabricação do arsenal de Spandau

Conforme demonstrado no quadro acima, que lista os fabricantes e suas respectivas quantidades, a empresa Haenel supostamente a pedido de um ou de alguns países da América do Sul solicitaram alguns exemplares em calibre 7mm X 57 Mauser, com a finalidade de testes e avaliações técnicas. O autor acredita que o Brasil não era um desses países mas sim, mais provavelmente, Chile e Paraguai. Há notícias de carabinas modelo 88 ainda hoje sendo encontradas neste último país.

a17img14

Antes do fuzil modelo 88, o Governo Brasileiro utilizava a carabina Comblain e nenhuma outra arma em calibre 7mm X 57, cuja dotação oficial só veio a ocorrer na chegada dos primeiros fuzís Mausers mod. 1894.

Ao lado, a alça de mira do fuzil 1888

Apesar de que oficialmente o G’88 foi substituído pelo Mauser 1898, como fuzil regulamentar pelo Exército Alemão naquele ano, a realidade quanto ao suprimento das tropas era bem diferente.

A Alemanha entrou na I Guerra usando ambas as armas, e no decorrer do período 1914-1918 os G’88 foram desaparecendo gradativamente, pelo menos na linha de frente, relegado que foi à tropas de 2ª linha, geralmente sitiadas na retaguarda. Com as modificações introduzidas na arma, conforme vimos acima, o 88 teve uma sobre-vida razoável, pois poderia utilizar a mesma munição do Mauser 98 (projétil spitzer de .323″ de diâmetro) bem como ser carregado com os mesmos clipes superiores utilizados naquela arma. Isso minimizou sobremaneira os problemas logísticos que uma munição diferente poderia causar, sem se levar em conta acidentes que poderiam ocorrer com a arma utilizando os cartuchos mais novos.

Uma unidade de infantaria alemã “landsturm”, em 1915, posando com seus Gewehr 1888, todos ainda na configuração original.

O Fuzil modelo 1888 no Brasil

Segundo um autor da época, Borges Fortes, o Governo Brasileiro decidiu substituir as carabinas Comblain pelos fuzis 1888, aqui equivocadamente chamados de Mannlicher, nos idos de 1892. Segundo o historiador Adler Homero Fonseca de Castro, em seu magnífico estudo sobre Armas no Brasil, no capítulo referente à esse fuzil, neste link, apesar do que Borges Fortes escreve, isso não está correto, pois as armas já haviam sido distribuídas à tropa em 1892, antes do início da Revolução Federalista, o que indica que foi a escolha final da Comissão Técnica Militar Consultiva.

Conta-nos também o historiador que, após a sua adoção e utilização em combate, os problemas começaram a surgir, provenientes de excesso de poeira, escape de gases e muitos outros eventos, alguns insolucionáveis.

Curiosamente, a carabina de fabricação Mauser modelo 1889, que havia sido adotada pela Bélgica, claramente superior à carabina modelo 1888, ficou em segundo lugar nos testes, talvez devido ao fato de ainda não estar disponível no mercado, ou por não estarem ainda em uso oficial em nenhum país.

Apesar disso, frente às carabinas Comblain, a arma era muito superior em termos de balística, precisão, cadência de tiro e potência.

Ao lado, soldado do Exército na Guerra de Canudos, posando com seu G’88. Pode-se notar a abertura de saída dos clipes na parte inferior do carregador.

No conflito da Guerra de Canudos essa arma teve uma participação bem destacada, apesar de que alguns problemas de projeto ainda insistiam em permanecer ocorrendo, mas ainda assim participou ativamente das lutas ao lado das carabinas Comblains remanescentes. Seu tempo de permanência nas nossas fileiras foi curto; adotado em 1892, ele já começou dois anos depois a ser substituído pelos fuzis Mauser modelo 1894 em calibre 7X57mm.

Porém, na verdade, foi essa arma que abriu as portas de nossas Forças Armadas para um tipo conceito de armamento e de munição, que depois, com a adoção dos fuzis Mauser modelo 1908, iria definir e padronizar o uso de armas longas por muitos anos, no país. Com os G’88 foi a primeira vez que se adotava no Brasil um cartucho militar de calibre reduzido (7,92mm contra os 11mm), e o uso de pólvora sem fumaça.

O Exército Brasileiro começou a abandonar o uso de fuzis de repetição Mauser, ou os derivados dele, como o nacionalizado “mosquetão” Itajubá mod. 1949, a partir de 1964, com a substituição gradativa dessas armas pelo fuzil belga semi-automático FN FAL.

Características da arma:

Comprimento total 124,5 cm.
Comprimento do cano 75 cm.
Raiamento 4, à esquerda
Peso 3,905 Kg. descarregado
Calibre 7,9×57 mm.
Cadência de Fogo Útil 20 tiros por minuto
Carregador Integrado à arma, 5 cartuchos, com clipe tipo Mannlicher
Ação Mauser 71/84 modificada
Alça de mira Com graduação até 2.000 metros

Written by Carlos F P Neto

05/08/2009 às 17:50

17 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Juliano, o calibre é o mesmo, o 7,92mmX57J, embora a fabricação seja da Waffenfabrik Steyr. Grato pelo contato.

    Carlos F P Neto

    27/05/2017 at 21:57

  2. Tenho um com a descrição na maquina CE Wg Steyr 1891 q calibre seria corresponde a qual

    Juliano campos

    27/05/2017 at 18:03

  3. Robson, por favor leia antes a nossa Política de Avaliações e Identificações. Obrigado.

    Carlos F P Neto

    10/01/2017 at 14:42

  4. Boa noite amigos eu tenho um desses fuzis em casa que pertencia ao pai do meu bisavô alguém sabe me dizer quanto vale hoje pois acredito ser uma raridade mas não tenho menor idéia de valor desde já agradeço a atenção de todos.
    Robson S

    Robson Silva

    10/01/2017 at 1:53

  5. Rodrigo, saudações. Não existe, especificamente com as pontas de .318″. Encontra-se no exterior munição 8X57 Mauser nova, mas com pontas de .323″.

    Carlos F P Neto

    07/11/2016 at 10:17

  6. Muito bom será q existe munição para o g 88 para vender no brasil obrigada

    Rodrigo

    06/11/2016 at 22:34

  7. Darci, conversando posteriormente como amigos, descobri que alguns deles possuem peça semelhante, em 7mm Mauser, com carimbos de Polícia Militar de alguns estados, o que confirma a idéia de que o E.B. deve ter mandado recondicionar e trocar os canos, repassado essas armas às PM de alguns estados. Definitivamente não há documentação alguma de que o E.B. as tenha utilizado como uma espécie de arsenal de reserva, uma vez que o calibre era o mesmo dos fuzis (naquela época).

    Carlos F P Neto

    01/06/2013 at 18:28

  8. Re, Boa noite Carlos. Gostei de seu artigo respondendo a minha pergunta. Esta Comblain de meu
    amigo, infelizmente foi toda alterada para ser arma de caça. Ela era muito semelhante em tudo ao modelo
    Comblain antigo ,porem em calibre 7mm. Ela continua com cano no comprimento normal (comprido)
    porem a caixa da culatra é de tamanho menor que do que o modelo antigo. A culatra é toda proporcionalmente
    reduzida. Tenho conjunto (cano curto e culatra incompleta) deste mesmo tipo. Este modelo acredito que seja
    da cavalaria. Na parte traseira destas culatras, a parte interna foi usinada em formato circular, sendo toda
    maciça. Este cano curto tem no final uma espécie de mira para fixação da baioneta. O calibre é o antigo.
    Vou mandar fotos.
    Obrigado.

    D.B.

    31/05/2013 at 23:05

  9. D.B., saudações. Você teria condições de enviar-nos algumas fotos? As Comblain em calibre 7mm Mauser, foram fornecidas pelo próprio fabricante belga e não eram convertidas aqui no Brasil. Segundo o historiador Adler Homero da Fonseca, essas conversões foram feitas em antigas carabinas do Exército, para que elas pudessem disparar munição de pólvora sem fumaça, no calibre 7×57 mm (o mesmo da Mauser modelo 1894). Sabe-se que pelo menos a polícia do Rio de Janeiro a recebeu, após 1898 (data limite inferior para a conversão, mas não sabemos se foi feita naquele ano ou depois). Certamente não foram de uso das Forças Armadas, apesar de se saber que as armas originais, usadas para a conversão, pertenceram originalmente ao Exército, havendo exemplares dos modelos dos modelos de 1878, 1885, 1889 e 1891 convertidas para o cartucho 7×57 mm. A conversão feita é bem simples, apesar de exigir maquinário complicado – o antigo cano era serrado próximo à culatra, perfurado e embuchado com um novo cano, no calibre reduzido. Além disso, se colocava uma nova câmara na arma. Afora isso, a arma era basicamente a mesma dos modelos do Exército. Alguns especialistas acreditam também que algumas carabinas Comblain já foram encomendadas já feitas neste calibre e não seriam armas antigas, convertidas.

    Carlos F P Neto

    31/05/2013 at 8:42

  10. Um amigo meu tem uma carabina Comblain em calibre 7mm. Foram muito usadas aqui no Rio Grande
    durante a revolução de 1923. De onde vieram e qual o ano de fabricação?

    D.B.

    30/05/2013 at 22:11

  11. Cláudio, pode nos enviar a foto, será um prazer: armasonline@gmail.com.

    Carlos F P Neto

    18/01/2013 at 17:01

  12. Parabéns pelo artigo, e pelo site todo. Incrível.
    Apesar de gostar de armas de fogo, não conheço muito bem as armas da época da 1ª guerra, mas tenho curiosidade em saber que arma meu bisavô portava numa foto de 1915. Foi tirada em Koln, no dia em que ele saiu para combater em Ypres, na Bélgica pelo exército alemão. Se puder fazer esse favor Carlos,, lhe envio a foto para identificação. Abraço

    Claudio

    18/01/2013 at 10:21

  13. Prezado colega José Renato, do alto de seu conhecimento, um elogio é sempre bem vindo.

    Carlos F P Neto

    15/10/2012 at 12:35

  14. Parabéns novamente, Carlos. O artigo, que já era bom, ficou ainda melhor.

    José Renato

    14/10/2012 at 18:55

  15. Obrigado Carlos, ajudou bastante, estou levando sua resposta ao meu amigo!!

    Abraço.

    Ivan Hartke

    03/07/2012 at 16:37

  16. Ivan, realmente houve algumas carabinas G88 em calibre 7mm x57, todas fabricadas pela Haenel. Ao que se sabe, nem fuzis nem carabinas ’88 fabricadas pela Loewe ou Steyr utilizaram esse calibre. Entretanto, quando em algumas fontes citam-se países da América do Sul como sendo locais de teste e avaliação, creio que o Brasil não se enquadra aí; provavelmente Chile e Paraguai sejam os mais prováveis. Isso porque em 1892, quando o governo adotou o G88, o calibre 7mm X57 Mauser ainda não era oficial e nunca havia sido usado antes por aqui.

    Carlos F P Neto

    02/07/2012 at 8:47

  17. Boa noite Carlos

    Recentemente vi na coleção de um amigo uma carabina “Kar 88” com a alavanca do ferrolho em formato de colher achatada como a da foto e lembrei do seu artigo.
    Porém nesta arma não há marcas do fabricante (não foi reoxidada) e ela é em calibre 7x57mm, não no tradicional 7,9x57mm. Em pesquisas encontrei que foram fabricadas pela Haenel algumas armas em 7x57mm para que o Brasil as avaliasse. Abaixo segue o link:
    http://www.texastradingpost.com/m88/7mmcarbine.html
    Gostaria de mais informações sobre esta arma (se as informações que temos procedem), se o fabricante é realmente este e se mais alguém tem conhecimento delas em 7x57mm.
    Além disso, saber o ano de fabricação da arma ou o período em que este lote veio para o Brasil.
    Tenho um decalque das marcas de prova da arma, mas não consegui mais informações.

    Desde já agradeço a atenção.

    Abraço

    Ivan Hartke

    30/06/2012 at 20:51


ATENÇÂO: Identificação e/ou avaliações de armas, leia primeiro a Política de Avaliações, no final do menu de Artigos. Peças, reparos ou assistência técnica, consulte o fabricante de sua arma; questões sobre esse assunto não serão respondidas.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: