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Astra, Royal e Azul; as “Rápidas” Espanholas

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Em meados da década de 1920 alguns fabricantes espanhóis de armas de fogo ficaram fascinados com o sucesso que a pistola Mauser C96 estava obtendo em várias partes do mundo e vislumbravam nela um mercado promissor, principalmente para exportação. Devido à Revolução Chinesa, que se arrastava à décadas naquele país, a demanda por armamento ocidental moderno era muito grande. A própria Mauser, no período pós I Guerra e debaixo das condições do Tratado de Versalhes, não tinha condições de atender à essa demanda e não tinha interesse naquele mercado.

A região do país Basco (Euskal Herria, no dialeto basco), situada no extremo norte da Espanha, principalmente em localidades como Eibar e Guernica, era um tradicional e antigo celeiro da armaria espanhola, berço de um grande número de fabricantes, de onde saíram e ainda são produzidas armas famosas e de qualidade.

Assim sendo, aproveitando-se do episódio favorável naquela época, pelo menos tres fabricantes de armas nessa região da Espanha decidiram lançar cópias da pistola Mauser C96 e algumas delas fizeram muito sucesso pois, além de vendidas ao mercado interno, foram exportadas para vários países como China, Chile, Argentina e Oriente Médio.

De forma similar, esse fato já havia ocorrido com vários desses fabricantes, nas décadas de 1910 a 1920, com o desenvolvimento e a produção de cópias de revólveres americanos, principalmente baseadas nos Colt Police Positive, New Police e também nos Smith & Wesson Military e Police. A Espanha exportou grande quantidade desses revólveres para a América do Sul, e claro, o Brasil não escapou ileso dessa invasão.

Eram cópias quase que idênticas na aparência, mas a similaridade acabava por aí. O acabamento geral era nitidamente inferior, a qualidade do aço era muito ruim e grande parte desses revólveres, se sujeitos a uso constante, apresentavam invariavelmente desgaste e quebra de peças. Mas, como custavam muito menos que os “similares” americanos, venderam, e muito. Isso ocasionou uma má fama que se generalizou tanto na Europa como nos Estados Unidos, de que as armas curtas espanholas eram mal feitas e de péssima qualidade. Sem esticar muito o assunto, uma das armas de maior penetração no Brasil foi um revólver cópia do Smith & Wesson, fabricado pela firma Orbea y Hermanos, o famoso O.H., erroneamente chamado aqui de H.O. devido à interpretação equivocada da sobreposição das letras no seu monograma.

Entretanto, alguns fabricantes bascos se especializaram de tal forma que, com o passar dos anos, adquiriram maior experiência e conhecimento técnico, possibilitando melhoria sensível na qualidade dos seus produtos.

A ASTRA SÉRIE 900

Muito similar na aparência, mas com mecanismo interno totalmente diferente, a Astra da série 900 foi fabricada pela empresa basca Unceta & Compania, fundada em 1908 por Pedro Unceta e Juan Esperanza, na cidade de Eibar. Em 1913, a empresa se mudou para a localidade de Guernica e passaram a adotar o nome comercial de Astra. Em 1926, Juan Esperanza abandona a sociedade e a razão social da firma passa a ser somente Unceta y Cia. Mesmo durante a Guerra Civil Espanhola (1936 a 1939), da qual a empresa sobreviveu sem a perda de ser acervo e de seus arquivos, ela continuou com suas atividades normais até 1997, quando fechou as portas juntamente com sua maior concorrente, a Star, de Bonifacio Echeverria. Após acordos comerciais, as duas empresas se fundiram e se tornaram a Astar, existente até os dias de hoje. Das cópias espanholas de Mauser, as Astra 900 foram, inquestionavelmente, as que mais sucesso fizeram na Espanha e também nos diversos países para onde foram exportadas em grande quantidade.

A Astra 900 é uma pistola semi-automática, com carregador fixo para 10 cartuchos em calibre 7,63mm Mauser, claramente baseada no modelo comercial da Mauser, de 1930, a chamada M30. Seu mecanismo, ao contrário da alemã, pode ser exposto e parcialmente desmontado através da retirada de uma tampa corrediça do lado esquerdo da armação. Foram produzidas 21.000 armas deste modelo, a maioria exportada para o mercado chinês. O modelo 900 constituiu a base para o desenvolvimento da série, a saber: modelos 900, 901, 902, 903, 903E e 903F. Os modelos também são conhecidos somente pelas suas letras, sendo a letra A para 900, letra B para 902 e assim sucessivamente.

Astra modelo 900, somente com opção de tiro semi-automático e carregador para 10 cartuchos, em calibre 7,63mm Mauser

Logo após o lançamento desse modelo em 1927, a Unceta y Cia resolve fabricar mais duas variações, os modelos 901 e 902. Essas são simples versões da 900 mas com um seletor de tiro para efetuar fogo semi-automático ou automático, tendo a 901 capacidade de 10 cartuchos e a 902, capacidade de 20 cartuchos. Porém, o carregador de ambas permanece fixo na armação e só podem ser municiados através de uma lâmina (clipe) encaixada na parte superior do ferrolho, similar à utilizada pela Mauser C96, de 10 cartuchos.

É interessante citar que, como já dito acima, o desenvolvimento do modelo de tiro seletivo da Astra antecedeu o da pistola Mauser M712 Schnellfeuer, o que dá aos espanhóis o privilégio de terem sido os primeiros a projetar uma arma similar à C96 com essa característica. Entretanto, como o mecanismo é totalmente diferente, não existe relação mecânica alguma das pistolas Astra com as Mauser. Uma característica interessante e até superior tecnicamente às Mausers era o fato de que os canos eram rosqueados à sua extensão, o que significava que podiam ser substituídos em caso de desgaste de raiamento.

Pistola Astra modelo 900 com sua coronha-coldre de madeira

Normalmente acompanhava todas as pistolas uma coronha de madeira, que também servia de alojamento para a arma, praticamente idêntica à utilizada pelas Mauser C96. Com a coronha adaptada, utilizando-se de uma ranhura existente na parte posterior da empunhadura, a arma tornava-se uma pequena carabina e com o uso de tiro contínuo, possibilitava uma estabilidade maior aos seus atiradores.

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Astra 900 com suas lâminas carregadoras de 10 cartuchos

Especificando melhor as variações da série 900, a Astra modelo 900 possui capacidade de 10 cartuchos, carregador fixo, cano com 140mm de comprimento, 290mm de comprimento total, 153mm de altura, peso sem cartuchos de 1,260 Kg, A coronha de madeira pesa 440 gramas.

A pistola Astra modelo 900, primeira versão lançada pela fabricante, em calibre 7,63mm Mauser, carregador fixo para 10 cartuchos.

O modelo 901, de 1928, era o mesmo modelo 900 mas com a opção do tiro seletivo, efetuado através de uma alavanca seletora posicionada do lado direito da armação. A Astra 901 possui capacidade de 10 cartuchos, carregador fixo, cano com 140mm de comprimento, 290mm de comprimento total, 153mm de altura, peso sem cartuchos de 1,260 Kg, A coronha de madeira pesa 440 gramas. Sua vida não foi muito longa, produzindo-se somente 1,655 armas. Seu ciclo de fogo automático chegava ao absurdo de 900 disparos por minuto, o que numa arma com capacidade de 10 cartuchos, esvaziava seu carregador em menos de um segundo!

Logo em seguida, a Astra resolve produzir o modelo 902, que era uma 901 mais avançada, agora dotada de um carregador para 20 cartuchos e com ciclo de tiro mais lento, apesar de que a opção de carregador fixo permanecia, o que dificultava a recarga com rapidez.

A Astra 902 possui capacidade de 20 cartuchos, carregador fixo na armação, cano com 180mm de comprimento, 330mm de comprimento total, 153mm de altura, peso sem cartuchos de 1,530 Kg. A coronha de madeira pesa 600 gramas. O modelo 902 é a pistola desta série com o cano mais longo e é a maior e mais pesada das Astras 900. O carregador maior era, na verdade, uma extensão do original, podendo-se notar quando se examina a arma de perto, a junção entre eles, na linha da base do guarda-mato. Nas Mauser com carregadores de 20 tiros, os mesmos eram feitos de uma só peça.

O seletor de tiro fica situado do lado direito da pistola com as marcações “1-20 “, para tiro semi-automático e totalmente automático. A cadência de disparos neste sistema era de cerca de 500 por minuto, o que em termos práticos significava 8 tiros por segundo, esgotando o carregador de 20 cartuchos em apenas 2,5 segundos, em tiro contínuo. As Astras 901 e 902, juntas, perfazem cerca de 9.000 armas produzidas, muitas delas também endereçadas para a China.

O modelo 902, dotada de opção de tiro semi-automático ou automático, através de alavanca seletora do lado direito da armação. 

Em meados de 1932 é lançado o modelo 903 (D), posteriormente com suas variantes 903E e 903F, todas com a opção de carregadores removíveis em calibres 7,63mm Mauser e agora também no cartucho 9mm Largo (somente no modelo 903F), calibre esse idêntico ao 9mm Bergmann Bayard, usado na pistola belga Bergmann-Bayard 1908 e 1910.

A Astra 903 possui capacidade de 10 ou de 20 cartuchos, com carregadores destacáveis para as duas capacidades, cano com 160mm de comprimento, 308mm de comprimento total, 160mm de altura, peso sem cartuchos de 1,275 Kg, A coronha de madeira pesa 627 gramas. Um pequeno botão retém do carregador era localizado bem à frente do guarda-mato, pressionado pelo lado direito da arma a fim de liberar o carregador.

Astra modelo 903, em calibre 7,63mm Mauser, c0m seu carregador removível de 20 cartuchos (Foto de coleção particular). Este modelo possui a chave seletora para tiro semi-automático e totalmente automático.

Acima a Astra do modelo 903, visto do seu lado direito, com a alavanca seletora de tiro. (Foto de coleção particular)

Detalhe da tampa corrediça lateral removida – ao contrário da Mauser C96, a Astra possuía sua armação usinada internamente, onde abrigava um mecanismo totalmente diferente. (Foto de coleção particular)

O modelo 903E era praticamente idêntico ao 903 (D) mas sem a opção do tiro seletivo. O modelo 903F, entretanto, além do recurso de possuir a opção do fogo seletivo, como das demais Astras 903, possui um engenhoso dispositivo montado dentro da empunhadura, uma espécie de mecanismo retardador (mecanismo moderador), onde se pode ajustar a cadência de tiro desejada que, como se sabe, era muito alta, tal qual ocorria com o modelo Schnellfeuer, da Mauser. Os protótipos deste modelo para testes, fabricadas somente 9 unidades, denominavam-se modelo 904.

Detalhe da alavanca seletora de tiro da Astra 903, com as posições 1 e 20. Nota-se as marcas do Banco de Provas de Eibar. Veja o dispositivo “hold-open” montado na extensão do cano, abaixo do pino da alça de mira. (Foto de coleção particular)

Com esse mecanismo, a cadência da arma podia cair para 260 tiros/minuto, muito mais útil e mais fácil da arma ser controlada, ao invés dos 500-600 disparos/min. atingidos pelos modelos anteriores. No modelo 903 a empresa desenvolveu um sistema “hold-open”, destinado a manter o ferrolho aberto após o último disparo e assim o mantendo mesmo depois do carregador ser retirado, o que é realmente uma solução útil e necessária.

Pequenas alterações foram feitas no posicionamento da alavanca seletora, agora contando com as marcações T e A, significando “Tiro a Tiro” e “Automático”. Deste modelo F se fabricaram 1.126 pistolas, endereçadas exclusivamente à Guardia Civil Española. 

A Astra 903 F possui capacidade de 10 ou de 20 cartuchos, com carregadores destacáveis para as duas capacidades, cano com 160mm de comprimento, 315mm de comprimento total, 150mm de altura, peso sem cartuchos de 1,352 Kg, A coronha de madeira pesa 550 gramas. Estranhamente o sistema de “hold-open” foi eliminado neste modelo, o que ocasionava o fechamento do ferrolho após a retirada do carregador.

Ao lado, detalhe do dispositivo de regulagem de cadência de tiro empregado na Astra 903F

A exemplo do que ocorreu nas Mausers C96, todas as pistolas Astra da série 900 eram fornecidas com uma usinagem na parte posterior da empunhadura para a devida adaptação de uma coronha de madeira, sempre fornecida junto com a arma.

Modelo 903F, fornecido para a Guarda Civil Espanhola – note a nova posição da alavanca seletora de tiro e novo desenho do retém do carregador.

Apesar das coronhas também serem cópias quase idênticas, as coronhas originais da  Mauser não se encaixam precisamente nas pistolas Astra, devido à uma pequena diferença nas dimensões das peças. A pistola Astra  também não consegue ser guardada na coronha das C96 pois há uma pequena diferença de largura entre as duas armas. A empresa não fazia muita questão e nem despendia esforços para aliviar o peso de suas armas, ao contrário da Mauser, e isso explica o porque das Astras serem bem mais pesadas.

Para a venda comercial, o catálogo da Unceta y Cia anunciava a arma com mais opções de calibres a escolha do cliente, tais como o 9mm Parabellum, .38 Super Auto e o 9mm Bergmann Bayard. A numeração de série das 900 iniciou-se em 1 e terminou em 36.336, por volta de 1940. De 1949 a 1951 a Unceta ainda produziu 548 pistolas do modelo 903E, armas fabricadas com peças misturadas do modelo F, o que indicava claramente a utilização de peças remanescentes nos estoques, após a interrupção da produção em série. Essa última produção da pistola levava os números de série de 33.789 a 34.336.

A seguir uma tabela resumida dos modelos da série 900:

Modelo Tipo Carregador Cano Datas de produção Quantidadeproduzida % do total
produzido
Detalhes
900 semi-auto 10 tiros – fixo 140mm 1927-1941 cerca  de 20000 61% Cerca de 1000 vendidas à Alemanha em 1943
901 fogo seletivo 10 tiros – fixo 140mm 1928 1655 5% Rapidamente substituída pela Modelo 902
902 fogo seletivo 20 tiros – fixo 180mm 1928-1933 7075 21% Versão padrão da 902
semi-auto Sem seletor de tiro, quantidade desconhecida
903 fogo seletivo destacável 160mm 1932-1940 3082 9% Cerca de 2000 vendidas à Alemanha em 1940 e 1943
904 fogo seletivo destacável 160mm 1934 9 .02% Incorporado o redutor de cadência de tiro
F fogo seletivo destacável 160mm 1934-1935 1126 3.3% Todas em 9mm Largo com redutor de tiro
E fogo seletivo destacável 160mm 1949-1951 515 1.5% Carregador intercambiável com o modelo F mas não com a 903 e 904.
semi-auto 1949 33 0.1%

DESMONTAGEM PARCIAL:

A remoção da tampa corrediça lateral, necessária para o início da operação de desmontagem, é feita posicionando-se a alavanca da trava de segurança a meio curso, alinhada com uma marcação existente na própria tampa, em forma de um risco. Com a alavanca nessa posição, o pino metálico de formato quadrado, que trespassa a armação de um lado a outro, pode ser empurrado pelo lado direito e retirado pelo lado esquerdo.

A partir daí, utilizando o pequeno rebaixo em forma de cunha existente na tampa, desliza-se a mesma para trás. A alavanca da trava de segurança pode ser removida agora mas pode ser deixada para depois de se retirar o cano e sua extensão. Retira-se o carregador. Arma-se o cão e force o cano para trás enquanto empurra, do lado direito da arma para a esquerda, o pino trava do cano e extensão. Do lado esquerdo e sob a tampa, esse pino é o que se encontra pouco acima do gatilho, com formato de uma ferradura. Com esse pino removido, volte o cano para a frente e retira-se todo o conjunto para cima. Cuidado com a mola de retorno desse conjunto, posicionada à frente da armação.

Astra 903 parcialmente desmontada: de cima para baixo vemos o conjunto cano e extensão, com a trava de culatra montada; pino de retenção da tampa corrediça, pino de retenção do conjunto cano-extensão, mola de retorno, armação completa, trava de segurança e tampa corrediça.

Nas Astras 900, ao contrário das Mauser, há uma infinidade de pinos mas que, na desmontagem, não requerem saca-pinos nem necessitam serem batidos. Uma vez a tampa corrediça aberta, todos os pinos podem ser empurrados da direita para a esquerda, usando-se os dedos, sem esforço. Com a remoção desses pinos retira-se, se desejar, todo o mecanismo do gatilho.

ROYAL

A Royal é outra cópia espanhola das Mausers C96; porém, ao contrário da Astra, não foi usada nesta arma a opção da tampa corrediça para acesso ao mecanismo interno. Ao invés disso, o mecanismo é todo inserido na arma por trás das armação, como é feito na C96, embora ainda existam diferenças entre essas armas neste quesito. Como qualidade, a Astra ainda apresenta um melhor acabamento e esmero na construção. A marca ROYAL foi patenteada por Marcelo Zulaica ainda em 1909. Após alguns anos de fracassos empresariais e como sócio de alguns outros fabricantes, a Beistegui y Hermanos entra em acordo com Marcelo e adquire a marca ROYAL em 1926.

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A primeira versão da Royal

Beistegui y Hermanos havia sido fundada em 1910, pelos irmãos Domingo, Juan e Cosme Beistegui Albistegui. Em 1930 lançam a primeira versão da pistola Royal,somente para tiro semi-automático. A segunda versão foi lançada com a opção de tiro seletivo e posteriormente uma terceira versão, com carregador para 20 cartuchos.

Acima, a segunda versão da pistola Royal com tiro seletivo e carregador fixo

Acima, uma pistola Royal com carregador fixo de 20 cartuchos

Pistola Royal com cano provido de aletas de refrigeração e seletores do modo de tiro e de velocidade de disparo, esse último montado sobre a parte superior da tala da empunhadura

Em 1931 é lançada no mercado a versão denominada de MM31 “Modelo Militar 31” em quatro versões com carregadores de 10, 20 e 30 cartuchos. A Royal também possuía uma interessante variação de sua pistola dotada de um cano refrigerado com aletas, em quase toda a superfície, aqui presente na foto acima com sua coronha de madeira. Além da alavanca seletiva de tiro automático ou não (próxima ao gatilho), este modelo possuía outro seletor (na empunhadura) destinada a regular a cadência do disparo em três velocidades disponíveis.

Uma quarta versão, lançada após a Mauser Werke produzir a sua Schnellfeuer M712, permitia que os carregadores dela pudessem ser utilizados.

A Beistegui era também uma tradicional fabricantes de outros tipos de armas e detentores da marca comercial Star. A maioria das pistolas Royal foram produzidas com a opção de fogo seletivo, com produção em cerca de 18.500 armas em 1928 e de 4.500 armas em 1929.

AZUL E  SUPER AZUL

Eulogio Arostegui, também de Eibar, começou produzindo peças para as pistolas Royal da Beistegui, como uma sub-contratada. Posteriormente ele mesmo começou a produzir a pistola completa, porém denominada de Azul, bem como a sua irmã, a Super-Azul, utilizando também a mesma marcação MM31. Por isso, devido à marcação MM31, equivocadamente alguns autores atribuem as pistolas Azul e Super Azul ao fabricante Beistegui y Hermanos.

Acima, a pistola Super-Azul modelo MM31 com sua coronha instalada

Entretanto, também optaram por um cano rosqueado e não fixo, como na Mauser. O carregador é fixo para 10 cartuchos e apesar de não ser bem acabada e esmerada como as irmãs alemãs, a impressão que passa é de uma arma robusta e confiável, o que na verdade ela era.

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A versão com fogo seletivo da pistola Azul é a chamada Super-Azul, exatamente idêntica mas com a presença da alavanca seletora da modalidade de disparo. É de consenso geral entre colecionadores de que a Super-Azul era a mais confiável e a mais bem feita dentre as cópias espanholas da Mauser, com a utilização de materiais de qualidade superior às da Astra e da Royal.

Foram dois os modelos lançados por este fabricante: o modelo MM31, produzido de 1930 a 1934 e o modelo MM34 no ano de 1934.  As MM31 foram feitas em número de 10.000 armas, com capacidades de 10, 20 ou 30 cartuchos com carregadores fixos. O seletor de tiro ficava do lado esquerdo da arma, em posição e estilo bem similares aos da Mauser 712. A MM34 é a mais rara delas, fabricada que foi em pouquíssima quantidade.

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A Super-Azul desmontada. onde se percebe a incrível semelhança com a Mauser C96, da qual era a cópia mais fiel dentre as pistolas espanholas.

Na foto acima pode-se ver os detalhes da Super-Azul modelo MM31, onde se percebe claramente o acabamento não muito cuidadoso da arma, de um modo geral, bem como a semelhança deste modelo com a  M712, da Mauser.

Invariavelmente, todas essas cópias das pistolas Mauser tiveram uma vida razoavelmente curta e, tal como ocorreu com a própria inspiradora alemã, não foram produzidas em larga escala e nem adotadas oficialmente por nenhum grande exército. O conceito de pistola-metralhadora nunca foi visto com bons olhos por nenhuma força armada, principalmente de países desenvolvidos, que nunca as levaram a sério, encarando-as mais como curiosidade e uma extravagância mecânica.

Como pistolas, não possuem a portabilidade adequada, devido ao peso e dimensões excessivas. Como sub-metralhadoras, deixam a desejar quanto à dificuldade de manejo, baixa capacidade de fogo e mecanismo por demais caro de se produzir em larga escala, além de serem muito complicados.

Mas, assim mesmo, essas armas tiveram seus momentos de glória, participando de diversos conflitos importantes na Europa e no Oriente, e merecem hoje um lugar bem destacado em museus e diversas coleções particulares, chamando a atenção de quem as manuseia e as examina atentamente.

O MERCADO CHINÊS

Devido ao período controverso que imperou nas primeiras décadas do século XX, na China, após a Revolução Chinesa de 1911, a demanda de armas modernas naquele país cresceu assustadoramente. Tanto a Mauser como as empresas espanholas souberam aproveitar esse mercado, e estima-se que quase meio milhão de Mauser C96 e suas cópias espanholas tenham atingido aquele país nas décadas de 20 e 30. Não demorou muito para que o próprio país começasse a produzir suas próprias cópias dessas armas. A primeira delas que se tem notícia data de 1921. Como parte das peças eram feitas em arsenais, com qualidade boa, e muitas outras em pequenas oficinas quase que artesanais, a qualidade geral da arma era sofrível.

Uma das mais raras e estranhas cópias de C96 que se conhece é uma produzida em Shanshei, em calibre .45 ACP, realmente uma pistola de aparência impressionante, como podemos ver na foto acima. Foram fabricadas entre 1929 e 1932 em número de 8.000 armas.

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Written by Carlos F P Neto

15/07/2011 às 15:49

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