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Rifles e Carabinas Winchester “Lever-Action”

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Existem algumas armas que, principalmente por influência de velhos filmes, habitam o imaginário popular, como ocorre com as pistolas alemãs Luger, os revólveres de ação simples da Colt e as carabinas e rifles da Winchester, no sistema de ação por alavanca, essas últimas vistas e admiradas por todos os que frequentavam as antigas matinês, a fim de assistir um bom e agitado filme de “faroeste”. Eram cenas que marcavam os adolescentes nas décadas de 50 a 60, que ficavam boquiabertos com os atos heróicos e épicos de mocinhos contra bandidos, ou de combate entre soldados da cavalaria americana contra os índios, esses últimos armados com suas Winchester e disparando de cima de seus cavalos, ou entrincheirados nas rochas da montanhas.

A presença dessas armas nos filmes “western” era quase tão importante quanto à dos artistas: vários filmes foram feitos para enaltecer aquelas armas que tanto contribuíram para a conquista do oeste americano, tais como “Winchester 73”, de 1950, com James Stuart e Shelley Winters e mais recentemente “Stagecoach”, que aqui ganhou o nome de “A Última Diligência”, com Ann Margret e Red Buttons, entre tantos outros mais. “Stagecoach”, filme de 1966, era na verdade um remake de uma antiga versão de 1939 do mesmo nome, com John Wayne e Andy Devine. A Winchester Arms Co. agiu como uma co-patrocinadora do filme, aproveitando a oportunidade de comemorar os 100 anos de seu famoso e primeiro rifle de ação por alavanca, o modelo 1866, apelidado de “Yellow Boy”. Infelizmente o filme não obteve bons resultados de bilheteria e não fez muito sucesso, ao contrário do que ocorreu com as armas da Winchester, naquela época de desbravamento do oeste americano.

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A figura acima, reprodução de uma pintura do famoso artista norte-americano Norman Rockwell, foi capa do Catálogo da Winchester de 1966, e a pintura foi inspirada em uma das cenas do filme (clique para aumentar). 

Durante muitos anos, na história das armas nos Estados Unidos, a idéia de projetar e produzir uma arma que pudesse disparar vários tiros sem precisar ser remuniciada à todo instante era constante no ambiente dos fabricantes de armamentos. A utilização de um cartucho que já contivesse a carga de pólvora e o projétil era algo primordial para que essa arma funcionasse.

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Detalhe de um rifle Jennings, dotado de um sistema de alimentação automática de espoletas

Cartuchos de papel contendo pólvora e projétil foram utilizados em carabinas e rifles durante a Guerra Civil de 1860, mas ainda necessitavam de uma ignição feita por uma espoleta externa. Com o desenvolvimento do uso de latão em cartuchos, isso estava começando a ser possível. O rifle Jennings, por exemplo, utilizava um sistema de alimentação automática das espoletas, em 1849.

O RIFLE E A PISTOLA VOLCANIC

Desde 1852, dois empreendedores, Horace Smith e Daniel Wesson haviam se associado e fundado uma empresa, com a intenção de projetarem e produzirem uma linha de revólveres. Em 1854, um homem de negócios chamado Courtland Palmer se associou à esses dois empreendedores, fundando a Palmer, Smith & Wesson Co. Outro colaborador da empresa era o inventor Benjamim Tyler Henry, que juntamente com Daniel Smith desenvolveu e patenteou um cartucho metálico, juntamente com um sistema de repetição, baseado no conceito de abertura por articulação de joelho (toggle-joint). Em 1855, a Smith & Wesson adquiriu os direitos de fabricar revólveres patenteados por Rollin White, e em julho, juntamente com Palmer, fundam a Volcanic Repeating Arms Company.

imagesOliver Fisher Winchester, nascido em Boston em 30 de novembro de 1810, aos 15 anos já era um empreendedor e dedicou-se à supervisionar construções residenciais, passando depois ao ramo de vestuário, onde ganhou muito dinheiro e boa reputação. Em 1855, ele já possuía bons recursos financeiros para partir para novos empreendimentos, e resolveu adquirir a Volcanic, juntamente com suas patentes e maquinários, mudando posteriormente toda a estrutura para New Haven, em Connecticut.

Com a  mudança Daniel Wesson se manteve na empresa como superintendente. Benjamin T. Henry foi trabalhar na Robbins and Lawrence Armory & Machine Shop, de Vermont; já Horace Smith enveredou para o ramo de desenvolvimento e produção de revólveres, em um negócio próprio, convidando posteriormente Wesson para juntar-se á ele em seu novo empreendimento, a famosa Smith & Wesson. Com a saída de Daniel Wesson da Volcanic, Benjamin Tyler Henry volta à Volcanic Arms como superindentente.

Neste exato momento da história, duas empresas emergiam no ramo de armas, e que viriam a se tornar gigantes em um futuro próximo: a Smith & Wesson, dedicada quase exclusivamente à produção de revólveres e a Winchester Arms Co., com seus famosos rifles e carabinas.

De volta ao assunto que realmente nos interessa neste artigo, a Volcanic era detentora da patente de um cartucho, idealizado anteriormente por Walter Hunt, denominado de “rocket-ball“. Para a época, era algo revolucionário. Tratava-se de um projétil de chumbo com grande parte interna oca contendo propelente, e depois fechado em sua parte traseira com um selante, contendo ali a espoleta detonante. Desta forma, quando o percussor da arma atingia a espoleta, e a carga de propelente era detonada, o projétil era arremessado para fora da arma, juntamente com o selo e a espoleta. Desta forma, não havia cartucho a ser ejetado. Resumidamente, tudo funcionava como um pequeno foguete, daí o nome de rocket-ball. Com uma energia de aproximadamente 76 joules, o projétil era mais fraco do que um .25 ACP da atualidade.

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A pistola Volcanic, em calibre 38 (.38 centésimos de polegada), algo equivalente à 9mm

Entretanto, ele era crucial para o funcionamento da pistola Volcanic, lançada pela empresa em 1856, seguida posteriormente de um modelo de rifle. Apesar de que várias armas produzidas foram fornecidas à Marinha, tanto a pistola como as armas longas não obtiveram sucesso junto ao mercado civil. Haviam vários problemas inerentes ao cartucho, como o fato de não suportarem bem a umidade e excesso de falhas no disparo, o que era um grande problema pois o cartucho tinha que ser retirado manualmente por traz, devido à ausência de um ejetor. Lembramos aqui que esse tipo de munição não tinha aro em sua parte posterior e não podia ser extraída mecanicamente.

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Pistola de repetição, de ação por alavanca Volcanic, mecanismo que inspirou a geração de rifles e carabinas Winchester 

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À esquerda, o mecanismo de ação de joelho e à direita, propaganda de um revendedor da pistola, em New York, mostrando o mecanismo no interior da arma

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Acima, uma carabina Volcanic, modelo que era oferecido à Marinha americana

O RIFLE HENRY

Entretanto, resolvendo-se o problema do cartucho, havia uma grande esperança e expectativa no sistema mecânico ora empregado nessas armas. Por volta de 1858, Oliver Winchester muda o nome da sua empresa para New Haven Arms Co., e dentro dos planos de mudança, o desenvolvimento de um novo tipo de cartucho era o mais importante deles, responsável pelo sucesso ou pelo fracasso da companhia. Estava nas mãos de Benjamin Tyler Henry a missão de resolver esse problema.

Por obra do acaso, na negociação feita por Winchester com relação aos sócios Smith e Wesson, ele ainda detinha a patente de alguns projetos de cartuchos desenvolvidos anteriormente, e que agora eram extremamente úteis para a adaptação que Henry necessitava executar em seu novo projeto. Uma dessas patentes, de 1857, era de um cartucho desenvolvido por Horace Smith e Daniel Wesson, de calibre .22 com aro, e com o elemento fulminante alojado dentro desse aro, o conhecido “rim-fire“. Sendo assim, Henry aperfeiçoa um novo cartucho baseado no conceito do .22, também dotado de aro e com sistema de percussão interna, usando projétil em calibre .44, pesando 216 grains (14 gramas) e com uma carga de 25 a 28 grains de pólvora negra. A partir de 1860, iniciou-se a produção de um novo rifle, que chegou a atingir a quantidade de 300 fabricados por mes, nos dois anos seguintes.

Rifle Henry em calibre .44 Rimfire

Por volta do final da Guerra Civil, a New Haven Arms havia produzido cerca de 14 mil unidades do novo rifle. Apesar de nunca ter sido oficialmente adotado pelo governo norte-americano, que por essa época ainda utilizava o fuzil Springfield de carregamento pela boca e de um só tiro, durante a guerra quem tinha o privilégio de possuir um rifle Henry chegava a acreditar que aquela arma poderia ser a diferença entre morrer ou voltar vivo para casa. Com uma cadência de tiro de aproximadamente 28 disparos por minuto, desde que usado corretamente e bem tratado, a arma era, realmente, muito mais eficiente do que os fuzis adotados na época e até mesmo, superiores às carabinas Spencer, também de repetição, utilizadas pelas unidades de cavalaria do Exército da União. Entretanto, a potência da arma, que resultava em um alcance útil menor, era aquém das Spencer e dos Springfield, que utilizavam projéteis maiores, mais pesados, e com maior carga de propelente.

CapturarRifle Henry em calibre .44 Rimfire

Os soldados confederados raramente conseguiam colocar suas mãos numa arma dessas, e seu contato com elas nas batalhas, porém nas mãos do inimigo, era apavorante. Com seus 16 cartuchos de capacidade, nove a mais do que a Spencer, adquiriu uma fama de arma mortífera. Os soldados a chamavam de “aquela maldita arma, que eles municiam no domingo e atiram a semana inteira!“. As poucas tropas confederadas que capturavam os rifles Henry de nortistas mortos em batalha, tinham muito pouca possibilidade de utilizarem-nos eficientemente, devido à dificuldade de conseguirem munição, que não havia sido distribuída uniformemente. Mesmo assim, sabe-se de que algumas unidades sulistas usaram o Henry, incluindo tropas de cavalaria na Luisiana, Texas e Virgínia, bem como pela guarda pessoal  do presidente confederado Jefferson Davis.

Mesmo sem produção em larga escala, os rifles Henry demonstraram sua vantagem de tiro rápido por diversas vezes, como a participação deles, em mãos federalistas, na batalha de Franklin contra os confederados, bem como 11 anos depois, em 1876, com as tribos Sioux e Cheyennes, armadas com rifles Henry, que destruíram o 7º Regimento de Cavalaria na batalha de Little Big Horn. Nessa famosa batalha pereceu um dos mais jovens generais da Cavalaria dos Estados Unidos, George Armstrong Custer, veterano da Guerra Civil Americana. Muitos críticos militares da época atribuíram a derrota ao fato dos índios estarem armados com os Henry e a Cavalaria com carabinas Spencers e Springfields de um só tiro.

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Cartuchos .44 Henry “Rim-Fire”

O carregamento do Henry se dava pela parte de baixo da sua caixa de culatra, e os cartuchos eram colocados dentro de um tubo oco, montado abaixo do cano. Para preencher esse tubo carregador com os 16 cartuchos, uma janela era aberta com o uso de uma lingueta, puxada em direção à frente da arma, comprimindo-se uma mola. Através dessa janela os cartuchos eram colocados um a um e enfileirados dentro desse tubo,

Acionando-se a alavanca, o mecanismo de ação de joelho movimentava o ferrolho para traz, que também levava o cão da arma para a posição de engatilhado. Ao mesmo tempo, a alavanca acionava um mecanismo levantador que erguia um cartucho de cada vez, do cano de baixo (carregador) para o cano de cima, posicionando-o defronte à câmara. Ao fechar a alavanca, o ferrolho introduzia o cartucho na câmara e o mecanismo da ação de joelho se travava, para não permitir a sua abertura durante o disparo.

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Extrato da patente de 1860, mostrando o mecanismo do rifle Henry, produzido pela New Haven Arms Co. No desenho de baixo percebe-se a arma em posição de tiro, já com um cartucho na câmara e engatilhada. No cano de baixo nota-se a mola espiral e um cartucho já colocado no levantador, pronto para subir assim que a alavanca for acionada. 

Após o disparo, manejava-se novamente a alavanca, que ao abrir ejetava o cartucho vazio e novamente o ciclo de municiamento ocorria, com a alimentação de um novo cartucho. O rifle não era uma arma muito segura, quando transportada com um cartucho vivo no cano. O cão, baixado, fazia pressão sobre o percussor e este se mantinha encostado no aro do cartucho. Não havia um segundo dente para servir de trava e nenhum tipo de dispositivo de segurança. Qualquer impacto no cão ou mesmo a queda da arma ao chão poderia dispará-la.

WINCHESTER 1866

Em 1866, depois de alguns anos de desenvolvimento, Oliver Winchester resolve substituir o rifle Henry por uma nova arma, derivada dele, a chamada modelo 1866. A partir daí, troca-se também o nome da empresa para Winchester Repeating Arms Company. O modelo 1866 utilizava o mesmo cartucho do Henry, o .44 Rim Fire. Entretanto, duas grandes mudanças foram implementadas: a adoção de um fuste de madeira, protegendo o carregador e também evitando o calor do cano sobre as mãos do atirador, e a mudança da janela de municiamento da parte de baixo para a lateral direita da armação, um projeto de Nelson King, que havia substituído Benjamin Tyler Henry na superintendência da Winchester.

Essa janela possuía uma espécie de portinhola agregada à uma mola de lâmina e que se fechava automaticamente assim que um cartucho era introduzido totalmente para dentro do carregador. Eliminava-se assim a lingueta destinada a abrir uma janela e comprimir a mola. Neste novo processo, os cartuchos iam se empurrando um aos outros, a medida que eram introduzidos pela portinhola. Outro elemento interessante foi a adoção de uma trava para a alavanca, uma espécie de torneirinha que ao ser girada em 45º, engatava em um ressalto criado na alavanca e impedia que a mesma se abrisse acidentalmente.

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Uma carabina Winchester modelo 1866 em calibre .44 Rimfire (Henry)

O lançamento do modelo 1866 começou a mudar radicalmente os rumos da Winchester. A arma fazia muito mais sucesso do que o antecessor Henry, passou a ser a “saddle gun” preferida de vaqueiros, rancheiros e  desbravadores do “velho oeste”, que começaram a utilizá-la maciçamente, como companheira dos seus revólveres. Nesta ocasião, havia a oferta de duas variações baseadas em tamanho de cano e capacidade de cartuchos: as carabinas e os rifles. Talvez por esta época tenha recebido carinhosamente o apelido de “Yellow Boy”, uma alusão à caixa de culatra que era produzida em metal amarelo.

As carabinas possuíam canos de 20″ de comprimento e os rifles, canos redondos ou octogonais de 24″ ou 26″. A soleira das carabinas possuía um desenho mais arredondado na parte superior, ao contrário dos rifles que possuíam a curvatura mais acentuada. Finalmente havia a diferença na fixação dos fustes: nas carabinas usava-se uma braçadeira com parafuso trespassante, que contornava todo o conjunto cano e fuste; nos rifles era usado uma meia braçadeira de latão, em formato de “U”, que em alguns modelos servia de suporte para as argolas das bandoleiras. As carabinas possuíam argolas do lado esquerdo, denominadas de “saddle ring“, que serviam para amarrar a arma no coldre de sela e evitar que ela saltasse para fora durante a cavalgada.

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O “saddle-ring” montado ao lado esquerdo da armação, para fixação da arma à sela do cavalo.

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O rifle Winchester modelo 1866

O sucesso da arma começou a ir além das fronteiras norte-americanas, apesar do fato de que a Winchester não conseguia convencer o próprio governo dos Estados Unidos a adotar a arma militarmente. Vários testes foram levados à cabo durante vários anos, e nunca houve um consenso de aprovação da arma pelos técnicos militares, que a criticavam quanto à sua confiabilidade quando submetida à situações críticas de sujeira, umidade e poeira. O cartucho também era alvo de críticas, pois comparado às cargas empregadas nos fuzis Springfield mod. 1860, ficavam bem aquém da potência daquelas armas.

Porém, diversos governos estrangeiros se interessaram pela arma. A Suíça, bem como França, Inglaterra e Prússia executaram vários testes com os rifles 1866. A Suíça só não os adotou devido à pressões políticas internas que davam primazia à adoção de armamento desenvolvido localmente, o que acabou acontecendo com os fuzis Vetterli, que utilizavam o mesmo sistema de carregador tubular das Winchester, embora a ação era por ferrolho. A Turquia também fez uma grande importação dessas armas, utilizadas com sucesso contra a Rússia, em 1877. O próprio Oliver Winchester viajou à Constantinopla para fechar o contrato com os turcos.

A América do Sul foi um continente bem receptivo às Winchester 1866, como Perú, Bolívia e Chile. Acredita-se que mais de 4.000 armas foram importadas pelo Perú e Chile por volta de 1877, apesar de que nesta época já havia sido lançado o modelo 1873, bem mais avançado que o 1866. O Brasil, segundo o historiador Adler Homero da Fonseca, adquiriu-as como uma solução de emergência – um “provisório que virou definitivo”. O Brasil já tinha usado a carabina Spencer com grande sucesso na Guerra do Paraguai, mas a companhia fabricante tinha falido (foi adquirida pela Winchester) e novas armas não estavam disponíveis no mercado norte-americano. Desta forma, quando o Exército necessitou aumentar os seus estoques de armas de cavalaria, foi feita uma compra de carabinas Winchester modelo 1866.

Apesar de ser uma arma de grande sucesso comercial, militarmente a carabina era muito delicada para o serviço, além de ser de manutenção complicada, fatores que se acentuavam quando consideramos a “mentalidade de cavalaria” do período, que não dava ênfase ao combate de fogo. Finalmente, o cartucho padrão do Exército, de ouropel, era problemático – a arma não tinha uma tolerância tal que aceitasse bem os cartuchos feitos no Brasil, gerando muitas negas.

Na foto ao lado vemos um cavalariano no Paraná, durante a Revolução Federalista de 1894.

Enfim, o resultado foi que a arma apresentava sérios problemas de manutenção e de tiro, problemas esses que fizeram com que a ela, ao longo de toda a sua história de uso no Exército Brasileiro fosse contestada, com muitos oficiais preferindo o retorno das carabinas Spencer, o que não era mais possível. Mesmo assim, em 1882 o Exército adquiriu mais 8.000 carabinas a  um custo de 50 mil réis cada uma. A última aquisição foi em 1892, quando o modelo 1866 já nem estava mais em linha de produção e a Winchester acabou utilizando peças de outras armas para entregar mais 1.300 armas ao governo. Segundo dados de Adler Fonseca, o resumo da utilização das Winchester em solo brasileiro é o seguinte:

1) Modelo 1872 – arma sem modificações, comprada nos EUA, com câmara rebaixada. No exército, essas armas aparecem em alguns documentos como  sendo a “Winchester nº 1”;

2) Modelo 1874 – arma sem modificações, sem câmara rebaixada. No exército, aparecem em alguns documentos como “Winchester nº 2”;

3) Modelo 1872/76 – modelo 1872 convertido no Brasil para disparar cartuchos de percussão central;

4) Modelo 1874/76 – modelo 1874 convertido no Brasil para disparar cartuchos de percussão central;

  • 5Modelo 1892 – arma comprada nos EUA já com a configuração para disparar cartuchos de percussão central, usando algumas peças do modelo norte-americano de 1873.

Lembramos que, apesar da nomenclatura local referente aos modelos era conforme lista acima, todas as carabinas eram do modelo 1866. Como curiosidade: tal qual todas as armas que saíam de serviço no Exército, as carabinas 1866 ao longo dos anos, devem ter sido distribuídas para forças policiais. Há menções nos relatórios do Governador da Bahia, quanto a necessidade de compra de Winchesters, o que certamente poderia ser atendido pelo Exército a custos muito baixos, com as armas descarregadas. Neste caso de uso por polícias, Adler Fonseca narra em seu estudo que seu pai relatou à ele que, quando trabalhou na Estrada de Ferro Central do Brasil, no final da década de 1940, ainda viu em uso pela polícia ferroviária de lá (federal) diversas carabinas do modelo 1866 de percussão central, mostrando a longevidade do sistema no Brasil.

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O problema com essas armas, ocorrido no Brasil, e que talvez fosse o mesmo caso relatado pelos testes executados por exércitos de vários países, inclusive nos Estados Unidos, é que a arma não possuía boas qualidades “estanques” em relação à sujeira, lama e poeira. Um de seus pontos fracos é a abertura de ejeção dos cartuchos, na parte superior da armação, bem notada nesta foto acima. O mecanismo levantador de cartuchos também deixava aberta uma grande janela na parte inferior da arma, por onde a entrada de lama ou areia poderia evitar que esse mecanismo funcionasse a contento.

Mesmo com o ferrolho fechado, essa abertura era uma porta aberta para todo tipo de sujeira vinda do mundo exterior, principalmente quando se imagina seu uso em campos de batalha,  fosse em trincheiras repletas de lama ou até mesmo nas areias do deserto. Para a visão técnica militar da época, o mecanismo das Winchester era algo bem frágil e de difícil manutenção, quando comparado à simplicidade e robustez dos fuzís militares da época. Em suma, para o “cowboy” americano ou até mesmo para os índios, que a “adotaram” e a adoravam, detalhes como esses não tinham lá muita importância. A vantagem da rapidez de tiro e a quantidade de munição utilizada, sem necessitar recarregar constantemente, compensavam os corriqueiros ‘engasgues” que poderiam ocorrer, rapidamente solucionados com algumas batidas na arma ou com sopradas vigorosas no mecanismo aberto.

O modelo 1866 teve uma produção total de 170.100 armas, com a última série fabricada em 1898. O período de produção mais intenso foi nos anos de 1870 a 1873, ano em que foi lançado o novo modelo 1873, que obviamente, abalou consideravelmente as vendas da 1866. Nos últimos anos de produção, a média anual era de menos de 1000 armas. Estatísticamente, 3 entre 4 armas eram carabinas e uma em cada 210 armas eram engravadas ou trabalhadas artisticamente.

WINCHESTER 1873

Talvez o modelo mais cultuado das Winchester de ação por alavanca seja o 1873, provavelmente pela saga desta arma na conquista do oeste, pelo fato de ter sido parceira constante do revólver Colt de ação simples, com quem até compartilhou o mesmo cartucho, ou talvez pela presença maciça nos filmes de faroeste, que povoaram a imaginação de quase todos os sessentões de hoje em dia. Não é para menos que ganhou, e merecidamente, o codinome de “The Gun that Won the West“, a arma que conquistou o oeste.

Winchester_Model_1873Rifle Winchester Mod. 1873 em calibre .44-40 ou .44WCF, o primeiro cartucho e fogo central do fabricante

De certa forma o modelo 1873 revolucionou o conceito até agora utilizado no Henry e na 1866. Pela primeira vez a Winchester apresenta uma arma utilizando um cartucho de fogo-central, que pela sua construção permite maior potência, pelo fato de suas paredes serem mais resistentes e espessas do que as de fogo circular. Para esse cartucho, desenvolvido especialmente para essa arma, Winchester optou por um perfil levemente cônico, ou seja, o diâmetro do cartucho na extremidade do projétil é menor do que na parte inferior, no aro. Com isso, a alimentação para dentro da câmara é facilitada, bem como a extração é mais eficiente.

44-40 Winchester9O diâmetro do projétil mede, na realidade, .427″ e não .440″ (10,6mm e 11,2mm) e seu peso, na média, fica entre 200 a 225 grains. A carga de pólvora negra foi fixada em 40 grains, bem mais que 25 a 28 grains utilizados na 1866. A potência da arma teve um ganho muito significativo, o que lhe conferiu mais credibilidade até mesmo para abater caças de porte médio. A configuração de projétil tipo “flat-nose” previa, de certa forma, o problema que projéteis pontiagudos poderiam causar, percutindo por acidente os demais, devido ao carregamento de um cartucho atrás dos outros.

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Acima, cartuchos .44-40 W (.44 WCF “Winchester Center Fire”) de diversos fabricantes

Posteriormente, o modelo 73 foi produzido em mais duas opções de calibres: o .38-40 (.38 WCF) e o .32-20 (.32 WCF). O cartucho .38-40 possuía os mesmos 40 grains de carga de pólvora negra presente no .44, porém com um projétil ligeiramente menor. Esse cartucho possuía um gargalo bem mais acentuado que seu irmão maior, pois as dimensões da base e do comprimento eram as mesmas. Devido a problemas com alimentação, a Winchester nunca produziu carabinas em calibre .45 Colt, também conhecido como Long Colt, que a partir de 1873 passou a ser utilizado nos revólveres Colt de ação simples, como os modelos Frontier, Peacemaker ou no Army, adotado pelo Exército dos Estados Unidos naquela data.

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Revólver Colt Single Action Frontier, em calibre .44-40 Winchester

Ao contrário, o que acabou ocorrendo foi que a Colt, em 1878, resolve lançar seu já famoso e bem sucedido revólver agora em calibre .44-40, o mesmo da carabina 1873. A partir saí, tinha-se agora a enorme conveniência de poder transportar o que seria o “par perfeito” de armas e utilizando nelas o mesmo cartucho, sem perigo de confundir na hora de municiar a arma. O que acabou acontecendo é que as vendas do revólver Colt, denominado de Frontier, em cal. .44-40 alavancaram tremendamente.

0514_w21Carabina modelo 1873, na configuração padrão com cano arredondado de 20″

O modelo 1873 era oferecido pela Winchester em tres versões básicas: a carabina, com cano de 20″, o rifle com cano de 24″ e o mosquete, que era a opção com mais pretensões militares, apesar de que esta versão não chegou a nem 5% da produção total da arma. A carabina era, de longe, a  mais popular versão devido à melhor portabilidade, menor peso e preço ligeiramente inferior ao rifle.

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O mosquete Winchester em calibre .44-40 W, primeiro modelo, a versão mais longa, mais pesada e de maior capacidade de munição; arma mais dedicada ao uso militar

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Rifle Winchester 1873 em calibre .44-40

Mosquete Winchester Mod. 1873 em calibre .44-40WCF, segunda versão. 

Mecanicamente, o modelo 1873 mantinha o mesmo sistema de ferrolho por ação de joelho, utilizado desde o rifle Henry. A caixa de culatra passou a ser forjada e para facilitar a manutenção e limpeza, haviam duas tampas laterais, removíveis, que davam acesso fácil ao interior da caixa. Dessa forma, melhorava-se as condições de se manter a arma limpa e lubrificada, com maior facilidade. Deve-se lembrar ainda de que, com a 1873, aumentaram as esperanças de Oliver Winchester ter o seu rifle aprovado e adotado pelo Exército Americano. Porém, apesar de ter sido submetida à vários testes executados pelo pessoal técnico do Exército, ainda não foi desta vez que o governo trocaria seus confiáveis e potentes Springfield “Trap Door” mod. 1873, recém adotados, pelas carabinas e rifles, mesmo com a vantagem de serem armas de repetição contra armas de um só tiro.

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O fuzil Springfield modelo 1873, na foto acima com sua baioneta, agora uma arma de retrocarga, utilizava o enorme e potente cartucho .45-70-405, um projétil de calibre .45″ com tremendos 405 grains de peso, impulsionados por 70 grains de pólvora negra. Com seu impressionante cano de 32″, era uma arma muito precisa e de poder de parada fenomenal dentro de um alcance de 200 a 300 metros. Sua cadência de tiro era de 10 disparos por minuto, com soldado bem treinado. Devido à sua simplicidade e robustez, nos testes executados pelo Exército envolvendo centenas de disparos consecutivos, propositalmente sujo com areia e lama, essa arma era imbatível.

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Nas fotos acima, à esquerda, as duas tampas laterais foram removidas e pode-se desmontar e lubrificar o mecanismo do ferrolho e sua “ação de joelho”. À direita, desenho esquemático mostrando too o sistema de disparo e de alimentação dos cartuchos – as fotos mostram carabinas do 1º modelo. 

Outro importante ponto de melhoria foi a incorporação de uma tampa corrediça superior, na janela de ejeção dos cartuchos, que não havia nos modelos Henry e 1866, que poderiam dificultar um pouco a entrada de sujeira no mecanismo. Porém, o projeto tinha um lapso; a tampa se abria conjuntamente ao manejo da alavanca, mas seu fechamento era manual. Na prática, podia ser facilmente esquecida aberta, o que tornaria o seu efeito de proteção inútil.

A Winchester oferecia diversos tipos de miras, mas normalmente o padrão era a alça de mira curta, dobrável, para as carabinas e uma longa, fixa, com regulagem de altura por uma corrediça dentada. Miras do tipo dióptro, chamadas de “peep-sights“, eram fornecidas sob encomenda e normalmente equipavam armas especiais.

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Acima, alguns tipos mais comuns de alças de mira: dióptro (com regulagem de altura e lateral), e alças dobráveis com regulagem deslizante, as mais utilizadas nas carabinas.

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Acima, alça de mira utilizada nos rifles e a tampa de proteção, corrediça, da janela de ejeção

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Detalhe da parte inferior da armação, onde se vê o levantador de cartuchos, feito em latão, característica bem típica da 1873, bem como da 1866 e Henry. Por causa dessa peça, a carabina 1873 ganhou, aqui no Brasil, o famoso e conhecido apelido de “Papo Amarelo”.

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A caixa de culatra do modelo 1873 (2º modelo) é, talvez, a mais elegante e proporcional de todas as carabinas Winchester de alavanca

No quesito de segurança, algo que era muito falho no modelo 1866 e Henry, implementou-se um sistema de proteção contra disparos acidentais. Ao se iniciar o movimento de abertura da culatra, levando-se a alavanca de manejo para baixo, um dispositivo fazia com que o percussor, na parte interna do ferrolho, fosse ligeiramente recuado para trás, afastando-se portanto da espoleta do cartucho. Com isso, mesmo que acidentalmente o gatilho fosse premido durante o manejo, não haveria possibilidade da ponta do percussor atingir a espoleta. Isso poderia ocorrer, por exemplo, em duas situações: ao se descarregar a arma, manuseando-se a alavanca continuamente, ou em condições de tiro muito rápidas, onde uma deflagração poderia ocorrer pouco antes do completo fechamento da culatra, resultando em um perigoso recuo de todo o ferrolho para trás, podendo quebrar e até atingir o atirador.

As Winchester 1873, em suas tres variantes a saber, carabina, rifle e mosquete tiveram 3 modelos evolutivos com pequenas alterações:

1st model: a alavanca de manejo possuía a lingueta que servia de travamento de seu movimento, mas não possuía o ressalto anterior, que acionava a trava do gatilho; a tampa superior de proteção corria dentro de trilhos usinados na armação. Todas as armas 1st Model eram em calibre .44-40.

2nd model: foi incorporada a trava do gatilho, um pequeno pino protuberante que era pressionado por um novo ressalto dianteiro da alavanca; a tampa superior passou a ser sobreposta à armação, e não mais corria embutida em trilhos.

3rd model: o terceiro modelo teve o pino de articulação do cão embutido na armação; o parafuso de fixação da lingueta de abertura da janela de carregamento passou a ser fixo de dentro para fora. Os trilhos da tampa protetora superior passaram a ser integrados à armação.

Foi somente a partir do modelo 1873 que a Winchester implementou duas graduações especiais, no ano de 1875, denominadas de “One of One Thousand“, ou seja, uma em cada mil, e “One of One Hundred“, uma a cada cem. A cada cem ou mil armas, fossem rifles ou carabinas, era produzida uma arma especial que era finamente acabada e ajustada. O cano passava por um severo teste de precisão durante o processo de manufatura. Normalmente essas armas tinham gatilho com ajuste de tensão e miras especiais, bem como coronhas finamente trabalhadas. Foram produzidos cerca de 136 armas do grade “One of One Thousand” e que, hoje, no mercado de coleção, são extremamente valorizadas e raras.

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Composição fotográfica mostrando os modelos 1866, um rifle 1873 e uma carabina 1873. O revólver é um Remington de percussão modelo 1858

Curiosamente, o modelo 73 teve menos aceitação no mercado de exportação do que a 1866, provavelmente pelo fato de que a 1866 havia sido enviada em grandes quantidades à vários países, e assim não havia interesse tão imediato nessa nova arma. A Winchester tinha representantes na Europa, e Oliver Winchester esteve em visita à vários potenciais clientes; um dos países onde seu contato foi mais promissor foi a Espanha. A partir de 1870, a Espanha executou diversos testes em modelos levados por Oliver Winchester à Europa, e depois da devida aprovação encomendaram 230 carabinas feitas por encomenda, com canos de 22″, miras no sistema métrico e coronha até a boca do cano. Essas armas foram fornecidas à Cavalarianos e ao Corpo da Guarda Pessoal.

Em 1890, sob licença da Winchester, que forneceu os desenhos, 2500 carabinas foram feitas no Real Arsenal de Oviedo, que nesta época aguardavam maquinários e projetos da Mauser para fabricarem ali o fuzil modelo 1893. Essas cópias autorizadas eram denominadas de “Tercerola Winchester – Oviedo, 1892“. Após 1893, começaram a surgir cópias, estas não autorizadas, das carabinas Winchester fabricadas no país Basco, em Eibar. Entretanto, a grande maioria dessas cópias bascas eram pessimamente acabadas e com uso de material de baixa qualidade.

O modelo 1873 foi fabricado até o ano de 1923, durante 50 anos portanto, com um total de 720.609 armas, inclusive uma versão em calibre .22 Rimfire. A produção só começou a atingir a casa de 10.000 armas por ano a partir de 1880 e chegou a 40.000 armas/ano entre 1889 e 1890. A versão rifle tinha capacidade de 15 cartuchos, pesava em média 4,5Kg e seu comprimento total era de 125 cm. 

Em novembro de 2013, a Winchester anuncia o relançamento de uma lenda, 140 anos depois. O modelo 1873 está de volta ao mercado norte-americano, novíssima em folha, em calibre .357 Magnum e .38SPL, produzida pela Miroku, no Japão. Depois de 1919, essa é a primeira vez que a marca Winchester volta a ser ostentada sobre o cano e sobre a parte traseira da armação. O preço ao consumidor é em torno de US$ 1500,00.

WINCHESTER 1876

Oliver Winchester sempre sonhou em ter seu rifle de ação por alavanca disparando o cartucho .45-70 Government, o cartucho oficial do governo americano, utilizado no fuzil Springfield. Desta forma, a intenção era submeter sua arma, novamente, aos testes do Exército, agora sem problemas das críticas quanto à anemia do cartucho .44-40 em relação ao .45-70.

Entretanto, nada era tão fácil; o comprimento do cartucho .45-70 era demasiadamente longo para ser usado no tipo de ação dos rifles, e sua forma cilíndrica traria problemas com a alimentação. Mesmo após o lançamento da 1873, o cartucho .44-40 ainda era um pouco criticado pelos caçadores profissionais, que julgavam-no insuficiente para abater animais realmente grandes como búfalos, alces e ursos. Em 1876 o Governo Americano festejaria os 100 anos da Independência e Winchester aproveitou a oportunidade de lançar uma nova arma, em calibre bem mais potente, baseada na mesma ação comprovadamente confiável do modelo 1873. O novo rifle, modelo 1876, teria então o codinome de Centennial.

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Carabina modelo 1876, uma das versões produzidas desse modelo, com coronha cobrindo toda a extensão do carregador.

Originalmente o cartucho desenvolvido para ele foi o .45-75, projétil de .45″ de diâmetro e com 75 grains de pólvora negra. O novo cartucho era do tipo “bottle-neck“, o tradicional desenho de “garrafinha”. Com esse cartucho, bem maior em diâmetro da base que o .45-70, suportava maior carga de propelente. Desta forma, a balística do .45-75 superava o .45-70 Government. Mais tarde, a Winchester oferece esse mesmo rifle nos calibres .40-60 e .45-60, além do fabuloso para a época, .50-95 Express.

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Acima, da esquerda para a direita, 3 cartuchos .45-70 Governmnt, o .45-60 Winchester e o .45-75 Winchester. 

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Nesta foto temos o .40-60, .45-60, .45-75 e o .50-95 Express

Pode-se dizer que, mecanicamente, o modelo 1876 é idêntico ao modelo 1873, exceto pelo tamanho. Toda a caixa de culatra foi reforçada, além de ganhar alguns centímetros no comprimento, para poder trabalhar com cartuchos bem mais longos que o .44-40. Os componentes internos da ação de joelho, agora obrigados a suportar uma pressão muito maior, foram objeto de grande atenção no redimensionamento, a fim de garantir a integridade da arma e claro, do atirador.

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Um rifle modelo 1876 em calibre .45-75 WCF

No primeiros modelos não se utilizou a tampa superior corrediça, tal como a do modelo 1873. Com o uso dos novos e potentes cartuchos, o pessoal da Winchester receava de que numa possbilidade de haver um rompimento traseiro no cartucho, o escape de gases contido dentro da armação faria as tampas laterais serem lançadas para fora, ferindo o atirador e inutilizando a arma. Posteriormente, instalou-se a tampa pois, pelo histórico da utilização da arma, nunca havia ocorrido esse problema. 

Durante o período de fabricação desse modelo, 54 armas foram produzidas dentro do “grade” de “One of One Thousand” e somente sete dentro do “grade” “One of One Hundred“, ou seja, uma em cada 100. Tanto uma quanto outra, hoje, são armas rarísssimas e valiosas. O famoso estadista norte-americano e o 26º presidente dos Estados Unidos, Theodore “Teddy” Roosevelt possuía um modelo 1876 da série “One of One Thousand” e a utilizou constantemente em suas caçadas e aventuras.

A Royal Canadian Mounted Police, a famosa Polícia Montada do Canadá adotou oficialmente as carabinas modelo 1876 para uso de seus integrantes, em calibre .45-75 WCF, adquirindo cerca de 750 delas no ano de 1883. Curiosamente, outra famosa personalidade da história americana, o chefe Apache Geronimo, quando se rendeu em 4 de Setembro de 1886 às tropas do General Nelson A. Miles, em Skeleton Canyon, Arizona, portava um modelo 1876.

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Bela composição fotográfica exibindo armas e diversos acessórios usados pela Polícia Montada do Canadá, entre eles, a carabina Winchester 1876, uma carabina Snider-Enfield e um revólver Enfield Mk II.

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Detalhe da caixa de culatra de uma Winchester 1876 do último modelo, já com a tampa corrediça

O modelo 1876 teve sua produção encerrada em 1898, sendo o modelo de Winchester de ação por alavanca com menor tempo em produção. A quantidade total produzida foi de 63.871 armas, sendo que o período onde mais se fabricou a arma foi durante 1882 e 1884. Estatisticamente, 1 em cada 500 armas eram engravadas artisticamente, ou com coronhas entalhadas; 1 em cada 14 rifles produzidos tinha gatilho ajustável, o que indica a grande procura dessa arma para caça a longa distância, onde a maciez do gatilho é apreciada; 7 em cada 8 armas produzidas era um rifle padrão.

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Rifle Winchester 1876

Uma das armas mais famosas dentre o modelo 1876 foi a encomendada pelos irmãos Browning, pedido feito pessoalmente à Oliver Winchester, que com aqueles famosos armeiros mantinha uma relação bem estreita de amizade e negócios, como veremos  a seguir. A arma produzida foi uma dentre as poucas séries “One of One Thousand” produzidas, e sua fabricação foi supervisionada pessoalmente por Winchester. O mais intrigante desse fato é que essa arma foi encomendada pelos Browning, mesmo depois de John Moses Browning ter desenvolvido para a própria Winchester um modelo novo de rifle, que substituiria o 1876; o modelo 1886.

WINCHESTER 1886

Desde 1880 que Oliver Winchester mantinha um estreito e digamos, conveniente, relacionamento com o famoso e criativo inventor e projetista de armas John Moses Browning. De um projeto dele, um rifle de um tiro, a Winchester adquiriu a patente em 1885 e lançou essa arma como sendo o Model Single Shot, com diversas variações. Browning, cuja biografia parcial pode ser lida em nosso artigo sobre as pistolas que levam seu nome, foi talvez o mais prolífero e bem sucedido projetista de armas do mundo.

Foi T. G. Bennet, diretor da Winchester Arms Co. que negociou a aquisição da patente desse “Single Shot” com Browning e seus irmãos, na época sócios no negócio.  No “pacote”, que Bennet trouxe para New Haven, veio um protótipo feito em madeira, de um rifle de ação por alavanca para suportar cartuchos de alta potência. Assim sendo, aproveitando-se dessa oportunidade, a Winchester resolve produzir um novo rifle, baseado em parte na ação de Browning. Um engenheiro da empresa, William Mason, se encarregou do projeto e executou algumas melhorias e modificações, resultando em um novo rifle de alta potência. uma espécie de “Express” norte-americano, capaz de suportar cartuchos poderosos, isso ainda na época da pólvora negra.

A ação projetada por Browning era, como de praxe, simples e eficiente. Ao invés do complicado e razoavelmente frágil mecanismo da ação de joelho, com várias peças articuladas, a ação de Browning, lembrando um pouco a dos antigos rifles Sharps, consistia em uma alavanca idêntica ao modelo 1876 mas que possuía fixas, uma de cada lado, duas peças destinadas a efetuar o trancamento do ferrolho. Esse dois blocos de aço maciço atravessavam a parte traseira do ferrolho, agora também uma peça muito reforçada, e se projetavam para fora na parte superior.

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A ação do novo rifle 1886: a alavanca de manejo A articula através do pino G com as duas travas do ferrolho laterais C. Baixando-se a alavanca A as duas travas C também se abaixam, liberando o ferrolho E para se abrir para trás, empurrando o cão D. Ao mesmo tempo, a alavanca A impulsiona o levantador de cartuchos B, deixando-a numa posição inclinada, com um cartucho F sobre ele. Assim que se fecha a alavanca, o cartucho é impulsionado pelo ferrolho E para entrar na câmara. Fechando-se o ferrolho, o levantador B volta à sua posição horizontal e um novo cartucho, impulsionado  pela mola espiral do carregador, se posiciona sobre ele. 

As duas peças de trancamento articulam com um grosso parafuso montado em um orifício ovalado, na alavanca (veja figura acima). Quando se inciava o movimento da alavanca, todo esse conjunto desce um pouco e em seguida, a alavanca gira sobre esse parafuso, abrindo o ferrolho e levando-o para trás, sendo que com esse movimento o ferrolho arma o cão. A mesma alavanca impulsiona um levantador de cartuchos, porém bem diferente dos usados até agora. Essa peça é totalmente embutida na arma e se articula em um pino, ao invés de se levantar e baixar verticalmente, como um elevador.

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Acima, um rifle modelo 1886 em calibre .45-70, com a caixa de culatra com acabamento  “case-hardened”, muito utilizado pela Winchester desde o modelo 1873

Essa nova ação, além de muito mais reforçada do que a anterior, permitia o uso de cartuchos mais longos. Uma infinidade de calibres foram implementados nessa arma, além dos já utilizados no 1876. Agora, finalmente, a Winchester tinha um rifle em cal. .45-70 Government, o calibre adotado pelo Exército. Além dele, havia o .45-90, .40-82, o enorme .50-110 Express “Buffalo” e em 1903, o rifle é lançado com o cartucho .33 WCF, o primeiro cartucho de alta velocidade e usando pólvora sem fumaça.

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A caixa de culatra da 1886 onde se pode ver a parte superior, protuberante, das duas peças laterais ao ferrolho que executam o eficiente trancamento.

Essa nova ação, como dissemos, era muito mais resistente, confiável, e menos sujeita à ação de agentes externos como poeira e lama do que a do modelo 1876. Mesmo assim, era muito mais simples, apesar de que a sua desmontagem não era tão fácil, devido ao fato de que não havia mais as duas tampas laterais que podiam ser retiradas. Porém, todas as peças podiam ser desmontadas, algumas saindo pela parte inferior e outras pela parte superior ou traseira. Para o municiamento, optou-se por uma grande portinhola lateral, desenhada para suportar cartuchos longos, articulada em um pino e fixa à uma mola de lâmina, externamente montada à caixa com um parafuso.

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A Winchester modelo 1886 em acabamento “case-hardened”, e alguns cartuchos .45-70 Government

Essa nova ação eliminou duas antigas necessidades, presentes nos modelos 1876 e 1873: a trava do gatilho e o retém giratório para prender a alavanca na posição fechada. No caso da trava, não mais havia a necessidade dela. Assim que a alavanca começava a ser movimentada, a parte superior que se engata no ferrolho também fazia o percussor recuar de sua posição avançada. Dessa forma, somente com a culatra totalmente trancada e segura, o percussor era liberado e o cão poderia baixar e percutir a espoleta. Não havia como disparar a arma estando parcialmente aberta. O retém da alavanca, uma pequena peça giratória como uma tornerinha, que nos modelos anteriores era necessária para evitar que a alavanca se abrisse sozinha, foi substituído por uma lingueta e uma mola, posicionadas nas proximidades das duas travas de culatra e que mantinham, com um engate bem firme, a alavanca em seu lugar.

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Alca de mira de uma carabina modelo 1886 em calibre .45-70

Em 1894 a Winchester entra definitivamente na era da pólvora sem fumaça, com seu modelo 1894 que descreveremos a seguir. O modelo 1886 não ficou de fora dessa novidade, e a Winchester resolve lançar um cartucho para ela, em 1902, de alta velocidade e com o novo propelente: o .33 WCF. Não fez muito sucesso; tinha limitações de precisão e a Winchester acabou abandonando-o alguns anos mais tarde.

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Cartuchos .33 WCF

A produção total da 1886 foi de 159.337 armas, encerrando-se em 1922. O período mais produtivo da arma foi entre 1888 e 1894, onde a queda pela procura desse modelo se deu em função da novidade do modelo 1894, a primeira Winchester de ação de alavanca a usar um cartucho de pólvora sem fumaça. Estatisticamente, 1 entre cada 5 carabinas tinham o cano redondo; 1 em cada 400 eram engravadas; 1 em cada 400 tinham coronha com punho-pistola e soleiras especiais; 1 em cada 31 possuía gatilho ajustável e 1 em cada 200 eram carabinas. Em 1935 a Winchester introduz uma ligeiramente modificada versão do modelo 1886, que recebe a denominação de Modelo 71, para um novo e bem potente cartucho, o .348 Winchester.

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Winchester Mod. 1886 em calibre .45-90 que pertenceu ao ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt (Cortesia NRA)

WINCHESTER 1892

Em 1892, com o sucesso obtido com o modelo 1886, a Winchester, detentora da patente de Browning de 1884, resolve lançar a substituta do modelo 1873 baseada no mesmo projeto da 1886, porém em escala reduzida. Nascia assim o modelo 1892, um dos mais vendidos da Winchester, com pouco mais de 1.000.000 de armas produzidas até a década de 30. Era destinada a utilizar os mesmos cartuchos do modelo 1873, ou sejam o .44-40, .38-40 e .32-20, mesmo porque sua ação encurtada não comportava cartuchos longos. Pouco mais tarde, em 1895, um novo cartucho foi desenvolvido para ela; o calibre .25-20. Lembramos que nesta época, o propelente utilizado ainda era a pólvora negra, e os dois últimos dígitos da designação do cartucho era o peso da pólvora, em grains.

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Acima, o modelo 1892 em duas versões mais comuns; a carabina e o rifle

O mecanismo Interno era uma 1886 em miniatura, ainda mais simplificado e com menos componentes. Mantinha-se assim o sistema de trancamento da 1886, o que fazia da 1892 uma arma muito mais confiável e segura do que a 1873, permitindo que no futuro pudesse aceitar cartuchos bem mais potentes e utilizando pólvora sem fumaça. O carregamento era similar à 1886, mas a janela era bem menor e feita em uma só peça, que agia como mola, fixada internamente por um parafuso. Browning levou pouco mais que 15 dias para completar um protótipo, após o pedido da Winchester de projetar a nova arma.

Tal qual a irmã mais velha, a 1892 ganhou notoriedade nos filmes de Hollywood, pegando gancho na onda do “faroeste italiano” que começou a invadir as telas do cinema, após Hollywood decidir que filmes de “cowboy” já não eram tão rentáveis. mesmo assim os estúdios de Hollywood adquiriam centenas delas e até hoje acredita-se haver um estoque considerável desse modelo, chamadas para entrar em ação quando algum novo filme de época é lançado. A oferta desse modelo é muito maior, por exemplo, do que as 1866 e 1873, permitindo que participem bem mais dos filmes do que as mais antigas. Há casos de alguns filmes, menos comprometidos com a originalidade de época, onde se utilizam carabinas mod. 1892 em um tempo onde ainda não existiam.

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Esquema interno do modelo 1892, uma versão reduzida da 1886 e com mecanismo mais simplificado, principalmente no sistema de levantador de cartuchos

O mesmo sistema eficiente de trava de percussor foi mantido nela, oriundo da 1886, onde um pequeno movimento de abertura da alavanca impede que o percussor se mova, mesmo que o gatilho seja disparado e o cão caia sobre ele. Como em todos os outros modelos de ação por alavanca, a 1892 não possuía nenhum sistema de travamento manual.

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Uma 1892 em calibre .32-20 WCF, onde se pode ver as duas reforçadíssimas travas de ferrolho traseiras 

A ação empregada por Browning na 1892 é, para o tipo de cartuchos para que foi desenvolvida, muito mais robusta do que realmente necessário. Hoje em dia, diversas cópias dessa arma produzidas pelo mundo empregam cartuchos modernos carregados com pólvora sem fumaça e que desenvolvem grandes pressões internas, como o .357 Magnum, .44 Magnum e .454 Casull. Como todo projeto bem sucedido, cópias autorizadas ou não, geralmente em países estrangeiros, são fatos corriqueiros. No capítulo referente à 1873  vimos que a Espanha produziu cópias do modelo 1873, algumas sob licença e outras clandestinas. Isso acabou acontecendo de novo, com a 1892.

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Rifle mod. 1892 em calibre .44-40 com cano octogonal

Primeiramente foram produzidas pela Garate y Anitua, em 1915, e eram denominadas de “Tercerola Winchester“. Durante a I Guerra, a fábrica interrompeu a produção das carabinas para se dedicar ao fabrico de revólveres, cópias do Smith & Wesson, para serem distribuídos aos aliados. Em 1923, a empresa retoma a produção da carabina, agora  com o nome de El Tigre. O calibre era somente o .44-40W, chamado na Espanha de .44 Largo, canos redondos, com capacidade de 12 tiros e uma soleira traseira dotada de uma tampa, onde se podiam guardar utensílios de limpeza. Uma mira estilo militar do tipo Mauser, com graduação até 1.000 metros (!), foi instalada. Apesar de ter sido utilizada emergencialmente na Guerra Civil Espanhola, a arma nunca foi adotada militarmente.

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Carabina El Tigre, baseada no Mod. 1892, produzida na Espanha – note as argolas para fixação de bandoleira. 

Utilizada por civís e pela Guardia Civil após a Guerra Civil a até 1937, pouco mais de um milhão dessas carabinas foram fabricadas, o que equipara a sua quantidade com as produzidas pela própria Winchester; algo realmente impressionante para uma cópia. Grande parte da produção foi vendida para alguns países da Europa e principalmente da América do Sul, para serem utilizadas pelas polícias e guardas de presídios, o que gerou uma notícia não verdadeira de que essas armas também foram produzidas no México  e alguns países da América do Sul. Em 1942 a Garate Y Anitua abandonou o negócio de armas e passou a se dedicar no fabrico de ciclomotores.

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Carabina El Tigre em calibre .44-40W, provavelmente uma das últimas produzidas (coleção particular)

No Brasil encontra-se a Winchester modelo 1892 com muito mais frequencia e facilidade que os outros modelos, tais como o 1873. Apesar de que vez ou outra surgem algumas 1866, os modelos 1876 e 1886 são bem mais raros, talvez pelo fato de não terem sido importados regularmente, uma vez que seus calibres não eram apropriados para o tipo de caça aqui existente.

A importação da 1892, nas décadas de 20 a 40, foi enorme, e a arma transformou-se em uma necessidade para fazendeiros e seringueiros, e um sonho de consumo para caçadores. Durante muitos anos, naquelas décadas, as Winchester 1892 foram as principais responsáveis pela maioria dos animais abatidos em caça, principalmente de grande porte (no cenário brasileiro, evidentemente) , como onças pintadas, jaguatiricas, pacas e capivaras. O grande e famoso caçador e pescador Francisco de Barros Júnior, o popular Chiquinho, autor da série de livros “Caçando e Pescando por Todo o Brasil”, de 6 volumes, a enaltece dezenas de vezes, nos relatos em que ele mesmo a usava em suas aventuras por todo o país. Chiquinho Barros Júnior desbravou o país de norte a sul, nas décadas de 30 a 40  e além de pescar e caçar, era representante do fabricante de armas Remington, fornecendo armas e munições. A Winchester 1892 era uma de suas constantes companheiras, além de uma carabina Remington cal. 22LR e de uma pistola Colt “Woodsman”. O calibre .44-40 é, de longe, o mais encontrado nas 1892 presentes no Brasil, seguido do .38-40. Os modelos em 32-20 e principalmente em .25-20 são mais escassas.

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Acima, as cinco principais variações nos “Trade-Mark” utilizados pela Winchester ao longo dos 40 anos de produção. A primeira foto acima mostra a versão que passou a ser utilizada a partir de 1918, onde o algarismo 19 foi suprimido. A última foto, a marcação com caracteres itálicos, surgiu nas carabinas de final de produção, a partir dos seriais 950.000 aproximadamente e não constava mais o número do modelo.

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Detalhe da alça de mira de um rifle mod. 1892, em calibre .44-40, cano octogonal

A 1892 foi produzida até 1932, com o total de 1.001.324 armas. O período mais produtivo foi entre 1892 e 1897 e depois de 1905 a 1920. Estatisticamente, 4 entre 5 armas eram no calibre .44-40; 2 entre 3 armas eram rifles; 1 em cada 900 armas eram engravadas, 1 em cada 175 armas possuíam gatilho ajustável. Em 1924 a Winchester lança uma derivação muito semelhante da 1892, denominada de Modelo 53, com diversas opções de calibres velozes, dentre eles o .218 Bee.

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Acima, a carabina Puma, produzida pela Taurus, em calibres .38SPL, .44-40W, .357 Magnum e .44 Magnum – embaixo, a versão rifle, com cano octogonal em aço inox.

Cópias modernas são bastante comuns na Europa e também no Brasil. Navy Arms nos USA e Chiappa, Uberti e Armi San Marco são tradicionais fabricantes italianas dos modelos da Winchester. No Brasil, a Amadeo Rossi adquiriu licença e ferramental para produzir o modelo 1892 localmente, a partir da década de 70. O primeiro modelo foi para exportação, em 1976, em calibre .356 Magnum. Um ano depois a Rossi lança a Puma em calibre .38SPL e .44-40 Winchester. Com a denominação de Puma, a Rossi produziu carabinas e rifles em várias configurações, como cano octogonal ou redondo e produzidas em aço inox ou em acabamento oxidado. Com a passagem do negócio de armas da Rossi para Taurus, por volta de 2008, a Taurus assume toda a operação e continua produzindo a linha de carabinas e rifles. Para o mercado civil, os calibres oferecidos são o .38 SPL e o .44-40W. Para o mercado restrito, de atiradores, colecionadores e policias, ainda há as opções em .357 Magnum e .44 Magnum.

A desmontagem do modelo 1892 é bem simples, para que se efetue uma limpeza mais aprimorada de vez em quando. Retira-se o grande parafuso de fixação da coronha e assim, separa-se a coronha da armação. Retira-se agora o parafuso que serve de articulação do cão, que trespassa a caixa de culatra. Dessa forma, o cão é retirado por cima. Retira-se agora o parafuso que se localiza mais alto do lado esquerdo da caixa, e pelo orifício correspondente do lado direito se introduz um saca pinos. O pino que fixa a alavanca de manejo ao ferrolho é retirado. Abre-se a culatra, retira-se o parafuso-trava existente numa das trancas laterais e retira-se o pino de articulação. Todo o conjunto pode ser retirado por baixo, exceto o ferrolho que pode ser retirado pela parte traseira da arma.

WINCHESTER 1894

O modelo 1894 nasceu para revolucionar. Embora originalmente lançado com dois cartuchos de pólvora negra, o .32-40 e o .38-55, foi com o .30 WCF, muito mais conhecido pelo famosa nomenclatura .30-30 “thirty-thirty”, foi a primeira arma longa da Winchester a entrar na era da pólvora sem fumaça e calibres de alta velocidade, utilizando projéteis de menor diâmetro mas de maior comprimento. O desenho também é de John Browning, com algumas semelhanças com as ações anteriores, a 1886 e 1892.

Entretanto, essa ação por alavanca diferia dos demais em vários aspectos, principalmente porque privilegiava a utilização de cartuchos longos aliada à movimentação macia e de ângulo mais curto. Com isso, mesmo na operação de alimentação e extração de cartuchos longos, a movimentação da alavanca era curta e rápida.

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Rifle Winchester Mod. 1894 em calibre .30 WCF (.30-30W)

Em pouco tempo de vida, o rifle Winchester 1894 tornou-se um popularíssimo rifle de caça nos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento de vendas de sua arquirrival Marlin, que oferecia produtos da mesma extirpe em termos de qualidade e confiabilidade, o Mod. 94 vendeu muito. O perfil da arma não a fazia muito diferente de suas antecessoras mais recentes, como o mod. 1892 e 1886. A janela de alimentação, mais alongada, permanecia no mesmo lugar, do lado direito da arma, e a ejeção dos cartuchos continuava sendo feita por cima.

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Acima, comparação do modelo 1894 (alto) com a modelo 1892 (embaixo), ambas na configuração de carabinas

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Esquema da ação da 1894 na posição aberta

Neste novo mecanismo, afim de diminuir o curso da alavanca, Browning optou por um fundo da armação articulado. Ao se abrir a alavanca, e como ela se articula com esse fundo através de um pino, faz o mesmo baixar juntamente com ela, para fora da arma. O levantador de cartuchos é agora acoplado à alavanca, outra modificação para melhorar a maciez do conjunto. As duas travas de culatra laterais, usadas na 86 e na 92 foram eliminadas. No lugar delas, Browning optou por um só bloco, articulado por um pino à base, e na posição central, bloqueando a abertura do ferrolho pela sua parte traseira, mas necessitando de uma passagem para o cão. Técnicamente, a solução anterior de dois blocos de travamento, um de cada lado, é muito mais eficiente em termos de segurança. Porém, isso não significa que a 1894 sofreria de qualquer problema neste quesito.

Ação 1894 fechada e aberta

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A bela concepção de John Browning, nesta ação para a Winchester 1894

Como mecanismo, a ação é mais complicada e tem mais peças móveis que as antecessoras mais recentes. A desmontagem do conjunto também oferece mais dificuldade, apesar de que a desmontagem parcial não é problemática, e não se precisa ir muito além dela para se proceder à uma limpeza de boa qualidade. O mecanismo é tão versátil que na década de 40, após a interrupção de fabricação da modelo 1892, a Winchester produz a 1894 também nos cartuchos de revólver, como o .44 Magnum, .45 Colt, .357 Magnum e até nos antigos .38-40 e .44-40, para atender a demanda de saudosistas e apreciadores da modalidade Cowboy Action Shooting, praticantes de tiro ao estilo “western”.

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Vista superior do modelo 1894 onde pode-se perceber o bloco único de trancamento do ferrolho, posicionado na parte posterior do mesmo e com passagem para o cão

Em 1927, a produção atingiu a marca de 1.000.000 de armas, e o rifle de número um milhão foi presenteado ao então presidente Calvin Coolidge. Em 1948, a arma de número 1.500.000 foi presenteada ao presidente Truman e em 1953, a de número 2.000.000 foi entregue ao presidente Eisenhower. Durante a I Guerra o Governo Americano adquiriu 1.800 armas em calibre .30-30, com mais de 50.000 cartuchos. Essas armas eram destinadas ao United States Army Signal Corps, que estavam estacionados no nordeste do Pacífico. Após a guerra, foram vendidos nos USA como sobras de guerra.

O modelo 1894 teve inúmeras variantes, além das mais comuns carabinas e rifles. Configurações diversas incluíam coronha com punho-pistola, coronhas com soleiras planas ao estilo espingardas, fuste e coronhas zigrinadas, carregadores mais curtos e embutidos no fuste, dezenas de tipos de alças e massas de mira, incluindo “peep-sights”, e por aí vai. Em 1932 a Winchester lança o modelo 55 e depois o 64, ambas derivadas da 1894, com produção até meados de 1957. Em 1964 foi assinado um acordo comercial com a Sears Roebuck & Co., que durou até 1980, denominada de “Ted Williams Model 100”, e vendida somente na rede de lojas. Ted Williams é considerado um dos maiores astros americanos do baseball, falecido em 2002,  e que também foi veterano da II Guerra e Guerra da Coréia.

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Comparativo entre tres modelos de rifles da Winchester; de cima para baixo, modelo 1886, o modelo 1894 e o modelo 1876

A Winchester 1894 detém o recorde de ter sido o mais vendido rifle de alta potência na história dos Estados Unidos. Oficialmente a produção cessou em 2006, mas ainda em 2010 a Winchester ainda produziu um modelo comemorativo dos 200 anos do aniversário de Oliver Winchester. Modelos comemorativos sempre fizeram parte da história da 1894, como também ocorreu em 1966, época do filme do qual comentamos no início do artigo. Nesta ocasião, a Winchester produz em escala limitada rifles e carabinas 1894 com a caixa de culatra com banho de metal amarelo, para homenagear os 100 anos do modelo 1866.

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Acima, uma carabina modelo 1894 de produção recente, com soleira plana, estilo “shotgun butt plate”

Um dos pontos-fracos que se pode encontrar no modelo 94, que aliás é originário desde o projeto do Henry, é a extração dos cartuchos feita por cima da armação, com os cartuchos geralmente passando por cima do ombro do atirador. Na época dos rifles e carabinas 66 até o 73, a utilização de miras telescópicas era algo praticamente inexistente. Porém, a partir das primeiras décadas do século XX a utilização de lunetas, principalmente em atividade de caça, aumentou consideravelmente.

Como um autêntico “deer-rifle” que é, o modelo 1894 não permite a instalação de lunetas, da forma como é mais tradicional; encaixado sobre trilhos e sobre a armação da arma. Como as lunetas de modo geral, e há exceções, exigem uma distância pupilar geralmente na ordem de 1 a 3 centímetros, a extração dos cartuchos por cima da arma inviabiliza a sua montagem; apesar de que há suportes especiais fixados lateralmente na armação, alguns deles escamoteáveis, são muito anti-práticos para usar, pois exigem que a luneta seja basculada para um lado sempre que se for manejar a arma.

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Um rifle mod. 1894 com cano redondo, em calibre .30-30WCF

Apesar disso, sua principal concorrente, que é a Marlin, notadamente o modelo 336, nunca suplantou a Winchester em vendas, apesar de também ter sido um sucesso. A Marlin sempre salientou em sua publicidade a vantagem e maior conforto da extração lateral de cartuchos, apesar de que, quando foi projetada originalmente, a extração era feita também por cima da arma.

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Carabina Marlin modelo 336, a concorrente mais acirrada da Winchester ’94

Com o grande crescimento na procura de lunetas a partir das décadas de 60 a 70, devido também à redução drástica nos preços, para remediar um pouco a situação, a Winchester redesenha, em 1982, o mecanismo de ejeção; com essa mudança, os engenheiros conseguem fazer com que a trajetória do cartucho ejetado permita que se utilize suportes comuns para montagem de lunetas. As vendas do modelo 1894 chegam, hoje, ao patamar de 7.000.000 de unidades, marca nunca atingida até agora por nenhuma arma longa, esportiva e de alta potência produzida nos USA.

WINCHESTER 1895

A Winchester modelo 1895 é a mais “militar” de toda a linha de carabinas e rifles de ação por alavanca, e é também a mais diferente em conceito. O que mais chama a atenção é o fato de se abandonar o conceito de carregador tubular e utilizar um carregador tipo caixa, similar ao que já estava se usando na época em fuzis militares. Foi o último projeto de John Browning para a Winchester, na área de armas de ação por alavanca. A partir dessa época, Browning se mudou para a Bélgica, para trabalhar na Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, onde projetou as famosas pistolas que levam seu nome.

A 1895 foi desenhada para poder usar praticamente qualquer cartucho militar já em uso, e sua ação era suficientemente reforçada para suportar a alta pressão que esses cartuchos desenvolvem. Assim sendo, calibres como 7,62X54mm (Rússia), .303 British (Reino Unido), .30-30 WCF, .30-06 Springfield (USA), .30-40 Krag e vários cartuchos de caça como .35 Winchester até o .405 Winchester foram utilizados.

A utilização do carregador tipo caixa era mais segura do que a solução tubular, pois a grande maioria dos novos cartuchos militares possuíam projéteis pontiagudos, e o risco de detonação espontânea de um cartucho alinhado um atrás do outro, era grande.

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Mosquete Winchester mod. 1895 em calibre 7,62mmX54mmR, versão civil

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Soldados russos em treinamento, utilizando as Winchester 1895

Comparada com os fuzis militares de ação de ferrolho existentes em sua época, o modelo 1895 da Winchester proporcionava uma cadência de tiro mais elevada, devido à maior velocidade de manuseio da alavanca durante os disparos, em relação ao ferrolho tradicional. Entretanto, para tiro na posição deitada, muito comum nas batalhas daquela época, a ação de ferrolho se mostrava mais confortável. A tolerância à elementos externos ao mecanismo, como lama e poeira, problemas que compartilhava com todas as suas similares, ainda era uma desvantagem em relação aos fuzis da época.

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Desenho esquemático da Winchester 1895 em .30-40 Krag, com sua ação aberta

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Ação da 1895 com alavanca aberta – a base do gatilho era articulada e descia junto com a alavanca; o bloco de travamento era traseiro, similar à do modelo 1894

No mercado militar, a Winchester comercializou cerca de 300.000 rifles, fornecidas por contrato ao governo russo, entre 1915 e 1917. Dessa quantia total, só cerca de 290.000 armas chegaram à Rússia pouco antes da Revolução de 1917; o restante foi recusado por problemas na inspeção russa e vendido pela Winchester no mercado interno. De toda a produção do modelo 1895, praticamente 70% foram enviadas à Rússia. Também para o governo americano, a Winchester vendeu uma quantidade não muito grande de armas, cerca de 10.000, a fim de suprir as linhas de combate na guerra Hispano-Americana, entre 1897 e 1898.

Essas armas eram utilizadas com os cartuchos .30-40 Krag, na época o calibre oficialmente adotado. No caso das armas do contrato russo, a Winchester forneceu os rifles no mesmo calibre dos fuzis Mosin-Nagant, em 7,62X54mmR e até os mesmos clipes de municiamento usados no Mosin podiam ser utilizados na 1895. Essas armas possuíam também engate frontal para a montagem de baioneta bem como anéis de fixação para bandoleiras.

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Winchester mod. 1895 do contrato russo em calibre 7,62X54mmR

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Modelo 1895 fornecida para o contrato russo – nos detalhes, marcas de prova dos inspetores russos e as duas peças laterais para servirem de guia e apoio dos clipes de carregamento – cortesia American Rifleman Magazine

Além disso, chama a atenção duas peças adaptadas, uma de cada lado da caixa de culatra, para servirem de apoio e de guia para a colocação dos clipes de munição. Além desses dois países, mas de forma não diretamente comercializada pela Winchester, os modelos 1895 estiveram presentes na Guerra Civil Espanhola, na guerra das Filipinas, 9.900 delas foram enviadas à Cuba em 1906 e também serviram no exército de Pancho Villa durante a Revolução Mexicana.

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Modelo 1895 fornecido pelo Contrato Russo em calibre 7,62mmX54R , com sua baioneta original

O mecanismo do modelo 1895 é bem diferente da 1894, apesar de que Browning utilizou de várias soluções ali empregadas para essa nova arma. Um dos pontos interessantes é o sistema de gatilho, que se articulava com a alavanca e se desmembrava do mecanismo de disparo quando a arma era aberta. Indiretamente isso agia como elemento de segurança pois a tecla do gatilho era completamente inerte nessas condições.

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Detalhe dos dois encaixes laterais para a montagem do carregador de lâmina do modelo russo da 1895

O carregador em forma de caixa comportava cinco cartuchos. A arma era carregada por cima, cartucho por cartucho. Somente na versão russa utilizava-se clipes que se encaixavam em duas peças laterais, fixadas com essa finalidade, mas ainda podiam ser carregadas uma a uma, apesar de ser mais trabalhoso. Os modelos para uso civil foram produzidos com várias configurações de coronha, comprimento de cano, miras comuns e do tipo “peep-sight”, bem como alguns exemplares ricamente adornados. O comprimento dos canos situava-se basicamente entre 24 e 28 polegadas. O acabamento padrão era o oxidado.

A alavanca de manejo foi reprojetada, agora feita em duas peças. A parte inferior do aro onde se colocam os dedos é móvel. Ao se iniciar o movimento de abertura, essa seção inferior se desloca um pouco, antes da abertura da alavanca propriamente dita, e faz com que o conjunto todo se desprenda de um retém de segurança existente logo atrás o gatilho. Outra solução engenhosa e que faz juz à fantástica mente inventiva de John Browning.

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A interessante alça de mira regulável, fabricada pela Lyman, com sua alavanca retém, projetada para não obstruir a abertura de ejeção. 

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Belíssima composição fotográfica de uma carabina mod. 1895 dotada de miras traseiras tangenciais reguláveis, em calibre .30-06 Springfield. fazendo par aqui com um revólver Ruger de ação simples.

A produção do modelo 1895 encerrou-se oficialmente em 1932 com 425.825 armas produzidas. Os anos de maior produção foram 1915 e 1916, onde se situavam as armas fornecidas pelo contrato russo. A Browning Arms relançou o modelo 1895 em 1985 em calibre .30-06 Springfield. Mais tarde, em 2001, a Winchester reintroduziu o rifle em comemoração ao centésimo aniversário de Theodore Roosevel, um entusiasta das armas da Winchester.

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Carabina Winchester mod. 1895 em cal. 30-06 Springfield

A Winchester situa-se hoje em Morgan, no estado de Utah. Originalmente um empreendimento familiar, não há mais nenhum descendente de Oliver Winchester em seu quadro de funcionários ou sócios. Durante o século XX a empresa se tornou uma sociedade aberta e fez parte de alguns grupos como a Olin International, a “holding” do grupo até hoje. É um importante fabricante de munição, exportando esses produtos para o mundo todo.

Atualmente, dentro dos Estados Unidos, a produção de rifles de ação por alavanca se foi, da mesma forma que se foram os “cowboys”. Em 1931, a Winchester foi adquirida pelo grupo Olin International, que anexou a Western Cartridge Co., formando a Winchester-Western Division of Olin Industries. Em 1980 a Olin vende a fábrica de New Haven para os funcionários, que com a razão social de U.S> Repeating Arms, continuam a produção sob licença. Em 1992 a U.S. Repeating passa às mãos da francesa GIAT e em 1997 o governo belga da região de Walloon adquire da GIAT a U.S. Repeating Arms e também a Browning Arms Co. e a Fabrique Nationale D’Armes de Guerre.

A U.S. Repeating Arms, que produzia os rifles Winchester, fechou as portas de sua fábrica em New Haven, em 2006, depois de 140 anos produzindo suas armas. Sua maior concorrente, um ano antes, depois de ter sido adquirida pela Remington e pelo conglomerado Freedom Group, a fábrica da Marlin em North Haven baixa as portas.

WINCHESTER HOJE

Atualmente os modelos das carabinas e rifles Winchester são produzidos no Japão, pela Miroku. Atualmente ainda se mantém em linha de fabricação, embora limitada, os modelos 1873, 1886, 1892 e o 1894. Todas essas remanescentes das históricas armas que produziu são quase que idênticas às de época; a Miroku apenas introduziu modificações de pequena monta, visando maior segurança, e outras alterações visando diminuir custo de produção e adequação às novas leis americanas.

Além da Miroku, que é a única autorizada a usar a marca Winchester, há grande oferta de modelos da 1873, 1892, 1894, bem como de alguns modelos da Marlin em fabricação, mantendo o gosto e a tradição das armas de ação por alavanca. Uma das mais importantes é a Henry Repeating Arms Co., hoje nas mãos de Anthony Imperato, descendente de imigrantes italianos com tradição em cutelaria e artigos de couro desde 1911. Em 1996 seu pai, Lou Imperato adquiriu os direitos da marca Henry e criou sua empresa produzindo réplicas da 1866 em calibre .22LR. Hoje possui sua fábrica em Rice Lake, Wisconsin, e produz réplicas de vários modelos da Winchester e também da Marlin, em uma variedade grande de calibres.

EPÍLOGO

Oliver Winchester foi presidente e tesoureiro da empresa, e seu filho William seu secretário, de 1869 a 1871. Em 1871 William se tornou vice-presidente e Thomas Gray Bennett, genro de Oliver, secretário. Em 1880 Oliver se aposenta e se retira da empresa, falecendo em 10 de dezembro de 1880 em sua casa, em New Haven. Há várias razões para o sucesso que sua empreitada obteve: organização, planejamento, conhecimento e acompanhamento das fases de produção. Oliver passava a maior parte de seu dia visitando os diversos setores produtivos da empresa, aprendendo e dando sugestões. Não era um inventor, nem engenheiro, mas era dotado de uma força de vontade que não media esforços para melhorar seus produtos e seus lucros; sem titubear, viajava até a Turquia, como realmente fez, isso nos idos de 1870. Sobretudo, ele acreditava em seu produto com fé e perseverança.

Falando certa ocasião sobre suas armas, disse:

Elas se tornaram uma necessidade, em nossas planícies e montanhas do oeste. O pioneiro, o aventureiro, o caçador e o chefe de família acreditavam nela, e sua posse era uma paixão até mesmo para os índios!”

“Elas não são causadoras de atos violentos e de morte; para cada um fora da lei, ou um agente da lei, que porta uma Winchester, há dezenas de homens de bem, fazendeiros, pais de família e trabalhadores que as usam para sua segurança e proteção

 

 


Written by Carlos F P Neto

08/10/2013 às 17:15

114 Respostas

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  1. Rafael, por favor leia antes a nossa política de avaliações e identificações. Obrigado.

    Carlos F P Neto

    25/09/2017 at 13:03

  2. Ola tenho uma carabina 44 mas não sei o modelo maraca ou ano de fabricação, gostaria de lhe enviar uma foto para saber se você a conhece

    Rafael meggiato da silva

    18/09/2017 at 0:54

  3. Somente a 32-20W, amigo. Grato pelo contato.

    Carlos F P Neto

    14/07/2017 at 11:01

  4. A Winchester modelo 1892, calibre 32-20, qual munição é compatível?

    Luciano Ribeiro

    14/07/2017 at 9:34

  5. Danilo, a munição correta é a .44-40WCF, ainda em produção aqui no Brasil.

    Carlos F P Neto

    08/05/2017 at 16:55

  6. A Winchester modelo 1892, calibre 44, qual munição é compatível?

    Danilo

    04/05/2017 at 22:12

  7. Vinicius, são 50 cartuchos/ano.

    Carlos F P Neto

    27/04/2017 at 14:21

  8. Estou em trâmite para aquisição através do SINARM PF de um rifle 38, gostaria de saber a quantidade de munições que posso adquirir.

    Vinícios Gama Andrade

    26/04/2017 at 22:02

  9. Renato, cerca de 200 metros.

    Carlos F P Neto

    01/04/2017 at 22:04

  10. Qual o alcance util da Carabina de 1892, winchester?

    Renato

    31/03/2017 at 21:38

  11. Opus Bonum!

    Soares Sousa

    08/09/2016 at 1:44

  12. Marcus, importação legal de munição é muito, mas muito complicado quando feita por pessoa física. Não vale a pena.

    Carlos F P Neto

    11/07/2016 at 13:11

  13. Obrigado pelas informações CHARLES SOSA e Carlos F P Neto, coincidentemente estive no paraguai mas não consegui encontrar a munição 38.40, no entanto consegui encontrá-la em um site dos Estados Unidos, alguém sobre me informar dos tramites para importação de munição?

    Marcus Vinityus Ferreira Martins

    11/07/2016 at 10:17

  14. Obrigado, Charles, grande abraço.

    Carlos F P Neto

    06/07/2016 at 16:16


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