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Miras Telescópicas – Conceitos Básicos

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Miras telescópicas, popularmente chamadas de lunetas, são dispositivos óticos destinados a facilitar e melhorar a precisão dos impactos de projéteis disparados por armas de fogo, ou até mesmo de armas de ar comprimido, principalmente em tiros de longa distância. Elas são muito similares a telescópios refrativos comuns, porém equipados com alguns dispositivos destinados especificamente ao uso como aparelho de pontaria.

Essas miras são quase sempre objetos de muita curiosidade por parte do público leigo, não muito familiarizado com armas, o que muitas vezes acaba gerando lendas e alguns exageros sobre o limites que, na realidade, esses aparelhos conseguem atingir. Fomentadas por  alguns filmes, por exemplo, muitas pessoas julgam o tiro efetuado com armas dotadas de luneta, como algo infalível e de muito fácil utilização.

O emprego das lunetas, principalmente em armas longas, existe de longa data, pois se tem conhecimento da existência delas desde o século 17, instrumentos rústicos, a bem da verdade. Mas só a partir de 1835 a 1840 é que se tem notícia de que os inventores norte-americanos Morgan James e William Malcolm haviam desenvolvido suas lunetas com relativo sucesso e com bom desempenho. Aliás, atribui-se a Malcolm, por volta de 1855, a criação da primeira mira telescópica com retículo regulável internamente. As miras desenvolvidas por Malcolm tornaram-se padrão em uso militar nos USA por volta da Guerra Civil (1860-1865), onde eram utilizadas pelos “snipers” (atiradores de elite) da época.

Afirma-se que o Major General John F. Reynolds, do Exército da União, foi morto por um atirador de tocaia do Exército Confederado,   posicionado sobre uma árvore e armado com um fuzil equipado com uma dessas lunetas. Foi um tiro certeiro na nuca, quando  o General se encontrava montado em seu cavalo, durante a batalha de Gettysburg, em julho de 1863.

As vantagens de uma mira ótica, como as lunetas, em relação às miras convencionais é muito grande, em virtude de diversas particularidades, sendo a mais importante delas o fator de aumento, ou seja, a vantagem de “trazer para perto” do atirador, o seu alvo.  Particularmente aos usuários de óculos, que são portadores de deficiências muito comuns como miopia, presbiopia e hipermetropia, as lunetas apresentam a grande vantagem de permitirem a não mais necessidade de lançar mão de óculos especiais para tiro,  possibilitando a maravilhosa sensação de obterem na sua visada, tanto a mira (retículo) como o alvo, estarem ambos em perfeito foco, o que é impossível para eles com as miras comuns. Os portadores de deficiências visuais sabem, muito bem, da dificuldade de conseguirem foco perfeito ao mesmo tempo, tanto na alça de mira como na massa, bem como no próprio alvo.

Como se classificam:

Miras telescópicas são normalmente classificadas e designadas baseadas no índice de aumento e no diâmetro de sua objetiva. Por exemplo, uma luneta designada como 10X50 significa uma lente com 10X de aumento (magnitude) e objetiva de 50mm de diâmetro. Neste caso trata-se de uma luneta de magnitude fixa. Nos modelos de magnitude variável, as chamadas lentes “zoom”, a nomenclatura é expressa assim: 6-24X40 (magnitude de 6 a 24X, com objetiva de 40mm de diâmetro).

A magnitude é o índice de aumento que uma lente proporciona. Se uma determinada lente é de magnitude 6, significa que um objeto observado através dela se apresentará ao olho humano como se estivesse 6 vezes mais perto, ou tendo seu tamanho aumentado em 6X. Imagine-se um alvo circular, posicionado a 50 metros de distância do atirador,  com 20cm de diâmetro. Observado a olho nu, será um objeto muito difícil de ser visualizado. Utilizando-se uma mira telescópica de 10X de magnitude, o mesmo alvo observado através dela se apresentará ao atirador como se ele estivesse posicionado a cerca de 5 metros de distância, onde esse mesmo alvo de 20 cm de diâmetro seria facilmente observado a olho nu.

Entretanto, as coisas não são tão simples assim. Dependendo do instrumento utilizado, a luminosidade pode ser um pouco comprometida e um correto e eficiente apoio para a arma é crucial. Com cerca de 8X de aumento, uma carabina sem apoio dificilmente consegue dar ao atirador uma visada fixa e estável, sem se tremer. Portanto, via de regra, quanto mais aumento tivermos, teremos mais chance de tremer e menos luz disponível. Um bipé montado na arma ou mesmo só o apoio dos cotovelos numa posição de tiro deitada, são imprescindíveis para um disparo com precisão a longas distâncias, com ou sem o uso de miras telescópicas.

Uma magnitude muito alta também restringe o campo de visão a uma determinada distância, o que em alguns casos prejudica a “visão de conjunto”. Um alvo a 50 metros de distância, por exemplo, dependendo do seu tamanho e da magnitude que a lente possui, poderá facilmente preencher todo o campo de visão da lente, não permitindo ao atirador um pouco da visão periférica. Por isso as lentes variáveis, com zoom, são mais versáteis principalmente na atividade de caça.

Luneta Schmidt-Bender de fabricação alemã, modelo PM II de 5-25X56, ocular regulável e ajuste de foco (paralaxe); ótica de primeira linha mas com um preço compatível e salgado, algo em torno de US$ 3.000,00. 

A luminosidade está diretamente relacionada ao diâmetro da objetiva. Portanto, quanto maior o valor do diâmetro mais luz teremos na saída da ocular, embora a magnitude também interfira como fator importante. Exemplificando, duas lentes da mesma magnitude mas com objetivas diferentes, como uma 4X50 e uma 4X32, a primeira será bem mais luminosa que a segunda. Porém, se temos uma lente 8X32 e uma outra 12X40, como saberemos qual é a mais luminosa? O índice que nos dá essa luminosidade, independente do aumento da lente, se chama “pupila de saída”, ou “exit pupil” . Quanto maior o diâmetro de pupila de saída, mais clara e luminosa será a lente. Chega-se neste valor dividindo-se o diâmetro da objetiva pela sua magnitude. Nos dois exemplos acima, temos:

32/8 = pupila de saída de 4mm

40/12 = pupila de saída de 3,3mm

Portanto, a primeira lente, apesar de ter magnitude inferior (8X) é mais luminosa do que a segunda. Percebemos então que em uma lente variável (zoom), a pupila de saída varia de acordo com a magnitude: temos a lente 3-9X40: sua pupila de saída será de 13,3mm (na posição 3X) até 4,4mm (na posição 9X).

O melhor índice de conforto da pupila de saída é algo em torno de 7mm, que é o diâmetro de uma íris dilatada do olho humano, diâmetro esse que diminui com a idade. Com a pupila de saída muito baixa, por exemplo, o olho humano pode ter alguma dificuldade em visualizar todo o campo ótico da luneta, criando o efeito chamado de vinhetagem, que são áreas de sombra laterais que aparecem quando o cone de luz que sai da luneta não coincide exatamente com a irís do olho.

Construção:

Vista interna de uma mira telescópica moderna, de magnitude fixa, onde se observa a montagem com dois tubos, interno e externo, para possibilitar os ajustes.

No desenho acima podemos ver como é a construção de uma mira telescópica atual, de magnitude fixa. A objetiva é o lado que fica voltado ao alvo e a ocular, voltado ao olho do atirador. Um retículo é montado na extremidade de um segundo tubo (interno) existente no interior do tubo externo. Falaremos de retículos mais adiante, mas eles são basicamente compostos de dois fios posicionados em formato de uma cruz, para servirem de referência à pontaria. Dentro do tubo interno também estão as lentes destinadas a inverter a imagem e as lentes oculares, por onde sai a luz que entrou pela objetiva.

Quando se giram os botões de ajuste de altura ou de lateralidade, os eixos dos mesmos apoiam-se no tubo interno, que numa extremidade permite seu movimento, dessa forma alinhando internamente o retículo, sem se mover a luneta propriamente dita. Entretanto, existem alguns suportes (mounts) que possem regulagem adicional, no caso de que os ajustes internos não sejam suficientes para alinhar a luneta corretamente.

Ajuste de elevação típico, sem sua tampa de proteção: cada estágio de ajuste (um clique) equivale, nesta lente, a 1/4 M.O.A., ou seja 0.25 de um minuto de ângulo, o que significa desvio de 6,35 mm a 100 metros. (M.O.A. significa “minute of angle”). Nesta luneta, o botão de ajuste, depois da luneta ter sido calibrada numa determinada arma, pode ser “zerado” na sua posição, soltando-se os parafusos “allen” visíveis na foto. . 

Lembramos aqui que todo telescópio refrator simples, inverte ou gira a posição da imagem observada em 180º. Nos telescópios astronômicos, onde a posição correta dos astros é irrelevante, não se utilizam lentes destinadas a inverter a imagem pois as mesmas diminuem a luminosidade e causam mais interferências óticas. Porém, em lunetas terrestres, lembrando que as miras telescópicas se encaixam nessa especificação, é evidente que desejamos obter uma imagem na sua posição correta e não de cabeça para baixo.

Montados, um deles em cima e o outro num dos lados do tubo externo, situam-se os botões de ajuste: o botão de cima ajusta a mira quanto à elevação e o botão lateral ajusta a mira lateralmente. Ambos possuem uma capa de proteção rosqueada e dispõem de uma escala graduada; seu movimento é clicado em ambas as direções, para evitar que girem livremente. Cada posição ou clique ajusta a posição do tubo interno e consequentemente do retículo que é montado nele, para permitir a regulagem da mira em relação ao cano da arma e em relação à distância do alvo. De maneira geral e dependendo da luneta, um clique de ajuste, seja para cima ou para baixo, seja para a direita ou para a esquerda, altera o ponto de impacto do projétil em cerca de 3 mm a 10 mm, a 100 metros de distância.

Detalhe de uma luneta norte-americana Bushnell, montada em uma carabina CBC Impala. Note o uso de dois calços, montados sobre o trilho da arma, que possibilitam o uso da luneta sem a remoção da alça de mira. 

Finalmente, outra característica importante de uma mira telescópica é a distância ocular ou “alívio do olho”, ou em inglês “eye-relief“. Esse fator determina a distância em que a ocular da luneta ficará posicionada em relação ao olho. A grande maioria das lunetas para armas longas possuem um “eye-relief” em torno de 70 mm a 115 mm, o que proporciona uma posição segura no caso de armas de calibre potente e com grande recuo, cuja ocular muito próxima poderá ferir o olho do atirador.

Excepcionalmente alguns fabricantes desenvolvem lentes com “eye-relief” maior, em torno de 250 mm a 300 mm, para uso específico em armas cuja posição de montagem da lente poderá interferir com o manejo ou carregamento da mesma. Os atiradores de tocaia alemães na II Guerra, por exemplo, usavam lentes como essas, o modelo ZF41 da Zeiss, nas carabinas Mauser modelo 98K, isso porque o carregamento dos cartuchos dessas armas é feito por cima, através do uso de clipes metálicos com 5 cartuchos, impossíveis de serem utilizados com uma luneta instalada sobre a abertura de entrada dos cartuchos.

Outra utilização de lunetas com grande “eye relief” são nas armas curtas, nas miras utilizadas em revólveres ou pistolas, por exemplo, onde a distância da luneta ao olho é muito mais longa, de mais de 60 cm. Lunetas para armas curtas geralmente não possuem magnitude nenhuma, ou quando muito podem chegar a aumentos de 1,5X ou 2X.

Retículos:

Os retículos são dispositivos internos das lunetas destinados a fornecer ao atirador todos os recursos para a precisão do tiro. Os mais comuns são os do tipo “cross-hair“, duas finas linhas cruzadas feitas em aço. Há retículos para várias atividades tais como para uso militar, para cálculo de distância, para a caça esportiva, para o tiro esportivo, com correções de queda do projétil, etc.

Na figura ao lado, vemos exemplos dos retículos mais comumente utilizados, alguns  deles com funções específicas.

O retículo tipo “mil-dot“, por exemplo, muito em moda hoje em dia, ajuda no cálculo da distância atirador-alvo, de forma muito rápida e simples, sem o custo adicional de dispositivos “range-finder” mecânicos.

Este retículo possui no seu “cross-hair” uma série de 10 pontos em ambos os sentidos, espaçados de forma regular. O fabricante fornece no manual qual a relação que cada espaçamento tem em determinada distância. O atirador mira em um objeto cuja altura ou largura seja sua conhecida e verifica quantos pontos ou meios-pontos a figura preenche. A quantidade de pontos ou de frações deles, multiplicado por um fator, indica a distância do objeto.

Há retículos denominados de BDC, abreviatura que significa Bullet Drop Compensator, que permite ao atirador estabelecer o ajuste da luneta à diversas distâncias diferentes, levando-se em conta a queda natural da trajetória do projétil. É claro que para cada cartucho deve-se ter ajustes diferentes; há lunetas que são fornecidas com meia-dúzia de knobs de ajuste que podem ser trocados a qualquer momento, cada um apropriado para os calibres mais populares.

O modelo SVD visto ao lado é de uso militar, onde uma escala é exibida baseada em um alvo de uma pessoa de 1,70m de altura; com a ajuda das escalas ali fornecidas, o atirador com o alvo humano em mira saberá determinar a distância que o alvo se encontra.

Os retículos com círculos em diversos tamanhos são os mais indicados para uso em espingardas. Muito em uso hoje em dia são os modelos dotados de retículos iluminados, seja com o uso de pequenas baterias de fácil substituição ou com uso de isótopos radioativos como o tritium, que não necessitam de fonte de alimentação, embora possuam uma duração estimada entre 8 a 12 anos, quando perdem suas características luminosas. Para utilização noturna os retículos iluminados são de grande valia.

Algumas lunetas, principalmente as com aumento variável e de magnitudes superiores a 10X são fornecidas com um ajuste adicional, normalmente um anel posicionado junto à objetiva, similar aos anéis de foco existentes em lentes fotográficas. Na verdade trata-se  de um ajuste de foco, com as marcas de distâncias desde 30 metros a infinito. Devido à própria construção interna, muitas vezes a imagem não se apresenta perfeitamente nítida sobre o plano do retículo, efeito que se denomina paralaxe. Através do ajuste deste anel, consegue-se ajustar o foco perfeito da imagem sobre o retículo.

   
Acima, ajuste de paralaxe posicionada em 50 metros – à esquerda, anel de zoom (ajuste de magnitude) em uma luneta de 6 a 24 X

Exemplo: temos uma típica objetiva com distância focal de 100mm, sistema com 10X de magnitude e lentes focadas, de fábrica, à distância de 1000 metros. Se formos utilizar essa luneta em um objeto distante à 100 metros, a imagem resultante se formará em foco perfeito à:  (1000m / 100m) / 100mm = 0.1mm., ou seja, 0.1 mm atrás do retículo; parece pouco mas isso, multiplicado por 10X (aumento da lente) ocasionará um erro de 10 mm de variação no alvo.

Montagem na arma:

A montagem das miras telescópicas nas armas é feito geralmente por dispositivos denominados de “mounts“, ou suportes, que quase sempre em número de dois, abraçam o tubo central da luneta e fixam-se nas ranhuras existentes na arma. Essas ranhuras, também chamadas de trilhos, são usinadas geralmente na culatra das armas longas, com larguras padronizadas. Sem essas ranhuras, é mais difícil e trabalhoso de se montar lunetas pois esses “mounts” necessitam ser de tipo diferente do padrão, como é o caso dos modelos que se fixam em trilhos adaptados à arma.

                          

Nas fotos acima, vemos típicos suportes para lunetas com tubo de 1/2 polegada de diâmetro e engates para trilhos de 11mm de largura.

Esses suportes, que normalmente podem ser seccionados em duas metades e presos por um parafuso em cada extremidade, medem normalmente 3/4″ (19mm), passando por 22 mm, uma polegada (25,4mm), 26, 30 e 34mm. adaptando-se assim a uma variedade muito grande de lunetas.

A fixação dos suportes é algo que tem que ser feito cuidadosamente para não danificar a luneta nem as ranhuras. Geralmente eles são primeiramente  fixados ao corpo da luneta e só depois montados à arma. Nesta etapa, deve-se ter muito cuidado com o alinhamento  vertical do retículo em relação à arma, para evitar que o mesmo fique inclinado, para um lado ou outro. Também é importante verificar o posicionamento dos suportes em relação ao trilho da arma e verificar, quando se posicionar a lente sobre a arma, se a distância da ocular em relação ao olho do atirador, o chamado “eye-relief“,  está de acordo com a especificação.

Dentro do possível a luneta deverá estar montada na posição mais baixa, o mais próxima do cano, mas isso nem sempre ocorre devido à possíveis interferências da luneta com alguma peça da arma, principalmente com as alças de mira, que normalmente são removidas.

Uma vez determinada a posição correta da luneta sobre o trilho, monta-se a mesma e aperta-se bem seus parafusos para que se obtenha uma montagem firme, sem folgas e livre de trepidação.

Existem suportes específicos para alguns modelos de armas que não possuem trilhos, suportes que são afixados por parafusos diretamente à armação ou na culatra de rifles e carabinas.

Na figura acima, um interessante sistema “snap-in” de encaixe nos trilhos, sem uso de parafusos, onde é possível a instalação e a remoção da luneta sem uso de ferramentas. 

Há casos em que, dependendo das características de uma arma, seja um pouco mais complicado de se utilizar uma mira telescópica, como por exemplo nos típicos rifles Winchester de alavanca, onde a extração dos cartuchos se faz por cima da culatra, o que ocasionaria se chocarem contra a lente, e também pelo fato de não haver trilhos para montagem. Outro caso comum são fuzís baseados na ação Mauser, onde a luneta sobre a culatra dificulta o carregamento dos cartuchos, com o uso de clipes. Neste último caso, pode-se optar por lunetas de “eye-relief” mais longos, de cerca de 20 mm a 30 mm, podendo-se assim montar a luneta sobre o cano, para a frente da abertura do ferrolho. Outro problema comum em armas de ferrolho é a possibilidade da alavanca de manejo bater no corpo da luneta, ao ser aberta. Muitas vezes será necessária uma modificação nessas alavancas.

Na figura ao lado, uma solução interessante do fabricante norte-americano Weaver Scopes: um suporte rebatível, onde o conjunto pode ser tombado para o lado esquerdo da arma, quando necessário, possibilitando assim o acesso mais rápido e fácil à operação de carregamento.

Entretanto, soluções como essa podem causar, às vezes, efeitos indesejáveis pois qualquer articulação ou peças móveis no conjunto da luneta e seu suporte podem causar variação nos ajustes, afetando a precisão do tiro. Não é o caso deste fabricante, mas claro que esse conjunto articulado deverá sempre ser construído com materiais de primeira linha, evitando-se assim folgas e desgastes no decorrer do uso.

Para cada caso, existe disponível ao atirador uma infinidade de peças fornecidas por diversos fabricantes como trilhos, extensores, prolongadores e calços, permitindo que virtualmente possa se montar uma mira telescópica em qualquer arma.

Escolha da luneta:

Importante ponto na hora da escolha da luneta é a compatibilidade dela com a arma onde vai ser utilizada e a aplicação que se pretende, como caça ou tiro esportivo. Há lunetas específicas para carabinas de ar comprimido, de calibres não muito potentes, até os rifles de alta potência e grande recuo. Uma luneta mal concebida e mal empregada pode sofrer danos internos em seus elementos devido ao excesso de vibração de uma carabina de ar do tipo bomba ou de um rifle com grande recuo.

O calibre e consequentemente o alcance do projétil merece ser levado em conta, uma vez que seria um desperdício de dinheiro, por exemplo, adquirir e montar uma luneta de grande magnitude em uma carabina ou rifle de pequena potência e alcance. Para uso em tiro esportivo as miras telescópicas de magnitude fixa são as mais indicadas, pois normalmente os alvos situam-se à uma distância quase sempre padrão e essas lentes são mais luminosas. Para a atividade de caça, as lunetas “zoom” são mais versáteis, uma vez que o tiro em campo aberto e em alvos móveis a distâncias variadas exigem maior ou menor aumento bem como melhor campo de visão.

Regulagem do ponto de impacto:

Essa é a operação mais importante a ser executada: o casamento da arma e da luneta. Algumas coisas são necessárias para se executar um ajuste perfeito. Em um estande de tiro, de preferência com 50 metros de pista, arrume um bom apoio para a carabina, como um saco de areia ou use alguns suportes especiais existentes para tiro apoiado. Coloque um alvo de papelão, em cujo verso foi pintado, com caneta de ponta grossa, uma linha horizontal e outra vertical, que se cruzam no centro do alvo, dividindo-o assim em quatro partes e com uma aparência similar ao retículo “cross-hair”.

Monte esse alvo em um suporte e posicione-o à 25 metros, a uma altura equivalente à sua linha de visada, ou seja, na altura em que a arma ficará apoiada. Utilize um apoio para armas longas, ou use um saco de areia para isso. A arma deve ficar o mais fixa e imóvel possível na ocasião do disparo. Efetue um disparo com o retículo da luneta posicionado exatamente sobre a cruz do alvo. Não use grande magnitude; use algo em torno de 4 a 6 X.

Verifique primeiro o desvio lateral e meça de quantos centímetros é o desvio, para a esquerda ou direita. Clique o ajuste lateral para o lado indicado, esquerdo ou direito, estimado conforme o M.O.A. especificado pelo fabricante. Lembre-se que à 25 metros a quantidade de cliques é 4 vezes menor, pois geralmente o M.O.A. é especificado para 91 metros (100 jardas). Como a diferença de 9 metros existente entre 100 jardas e 100 metros é irrelevante para o ajuste, vamos trabalhar somente com metros daqui para a frente.

Efetue agora outros disparos até que consiga agrupar uns dois ou tres sobre, ou bem próximo, à linha vertical do alvo. Passamos agora à regulagem vertical. Meça a distância dos impactos na linha vertical em relação ao centro do alvo e clique o ajuste de elevação de acordo com os dados de M.O.A. do fabricante. Faça com que os grupamentos cheguem todos sobre, ou bem próximo, ao centro da cruz do alvo. A luneta está regulada para 25 metros.

Obreie os furos ou faça um novo alvo e posicione-o agora à 50 metros. Efetue uns dois disparos e verifique que o desvio lateral não deve ter sofrido alteração, uma vez que não haja a presença de ventos laterais. O que deve ter ocorrido foi a queda da trajetória típica dos projéteis, de poucos centímetros, dependendo do calibre. Meça esse desvio e clique, calculando novamente pelo índice de M.O.A. agora dividindo o resultado de cliques por dois, pois estamos agora a 50 metros. Efetue mais alguns disparos e ajustes adicionais até confirmar o agrupamento no centro do alvo. Neste caso, regulou-se a luneta para 50 metros. O procedimento é o mesmo, posteriormente, para 100 metros.

Se os botões de ajuste do modelo de luneta em uso permite que seja ajustado para zero, efetua essa operação, zerando ambos os ajustes para as posições de 50 ou 100 metros. Desta forma, qualquer utilização fora dessa distância poderá ser mais facilmente revisada, baseada na quantidade de cliques necessária. Por exemplo, se a queda do projétil de um determinado cartucho é de 5 cm a partir de 50 metros até 100 metros, pelo índice M.O.A. calcule quantos cliques serão necessários para corrigir esses 5 cm. Se forem 10 cliques, somente gire o ajuste em 10 cliques, partindo do zero, para usar a arma a 100 metros. Retorne o ajuste ao zero para utilizar novamente a arma para a distância de 50 metros.

Entendendo o M.O.A.:

M.O.A. significa “minuto de ângulo”. Em balística, M.O.A. é a medida, em frações de graus, do desvio da trajetória de um projétil devido a vários fatores como gravidade, velocidade e resistência do ar. A exata medida de um M.O.A. a 100 jardas de distância é de 1.047″.

Como uma jarda equivale a 91 metros e uma polegada a 25,4 mm, temos que um M.O.A. equivale a 26,5 mm a 91 metros. De forma arredondada, e como um minuto de ângulo é uma medida linear, um M.O.A. equivale à uma polegada a 100 jardas, 1/2 polegada a 50 jardas ou 2 polegadas a 200 jardas. A grosso modo e usando nossas medidas mais comuns no Brasil, temos que 1 MOA equivale a 25 mm a 100 metros, a 13 mm a 50 metros ou a 50 mm a 200 metros.

Se uma luneta possui ajustes de 1/4 MOA como a ilustrada ao lado, as medidas de MOA devem ser divididas por 4. Então temos para essa luneta que um clique equivale a  6 mm a 100 metros, ou 3 mm a 50 metros.

No ajuste dessa mira da foto, por exemplo, se os impactos dos projéteis num alvo à 50 metros causam um desvio para baixo de 6 cm (60 mm),  serão necessários 20 cliques no sentido correto (UP), para corrigir.

Os fabricantes de lunetas telescópicas fornecem suas lentes com ajustes de 1/2 MOA ou de 1/4 MOA para cada clique de posição de ajuste. Quanto menor for o M.O.A. mais preciso será o ajuste da mira. Como o M.O.A. é uma medida linear, isso significa que o dobro da distância é também o dobro do desvio.

Acessórios:

Os acessórios mais comuns às lunetas são:

1. Os parasóis, destinados a cobrir parcialmente a objetiva, como uma aba de um boné, eliminando-se efeitos de luz indesejáveis, como quando os raios solares atingem diretamente a objetiva, criando os chamados “glares“, manchas de luz de diversas formas que interferem na visibilidade.

2. Tampas  para objetivas e oculares, algumas delas com articulações que permitem ser abertas ou fechadas, sem precisar removê-las da lente. (Foto abaixo).

3. Filtros óticos para diversas finalidades, como os de cor cinza, de densidade variável, os polarizadores ou os coloridos, para melhorarem o contraste e definição.

4. Anéis de borracha sanfonada para as oculares, de forma a fechar quase completamente a entrada de luz entre o olho do atirador e a lente; são de certa forma problemáticos quando da utilização de armas com muito recuo.

Considerações finais:

O mercado hoje é muito favorável na área das miras telescópicas, pois com a entrada agressiva dos produtos chineses, o preço é muito acessível, porém, a qualidade nem tanto. A exemplo do que ocorreu na indústria de equipamentos fotográficos, os tradicionais e melhores fabricantes, tais como os alemães, japoneses e americanos, partiram para a opção de instalarem suas fábricas nos países asiáticos, como Coréia do Sul, Tailândia e China, onde a possibilidade de produção desses instrumentos, com custo final mais baixo, é melhor. Nestes casos ainda vale a premissa de que as marcas de prestígio como Leopold, Weaver e Bushnell (norte-americanas), Nikon (japonesas) e Leitz (alemãs), e que hoje também são produzidas no oriente, mesmo assim ainda possuem qualidade muito acima da média.

Produtos europeus como os da linha Carl Zeiss, Ernst Leitz, Schmidt-Bender e outras, ainda mantém valores elevados de preços, mas com a certeza da aquisição dos melhores produtos deste tipo que o mercado pode oferecer.

Entretanto, há uma infinidade de marcas disponíveis hoje, tanto nas lojas como na Internet, como as Bushmaster, Bosile, Titan, Nikko, Tasco, Gamo e  Shilba, entre outras, com preço bastante convidativo mas que merecem muita atenção e cuidado na hora da escolha. Falta de luminosidade, aberrações óticas e foco impreciso são fatores que não são tão raros nessas lentes, algumas delas com preços inferiores a R$ 150,00.

Muito cuidado também na escolha a ser feita em relação à arma: há muitas lunetas baratas no mercado que, pelo preço baixo, estimulam os atiradores de carabinas de ar comprimido por ação de mola, a adquiri-las. É necessária uma pesquisa bem feita e indagações aos vendedores sobre a construção dessas lunetas, pois mesmo nesse tipo de arma, o contra-recuo que ocorre no momento da distenção da mola e no seu impacto no final do pistão, causam vibrações tão grandes que acabam, literalmente, destruindo e desalinhando os elementos internos das lunetas.

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Written by Carlos F P Neto

08/12/2011 at 16:26

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