Antigas Fábricas de Armas no Brasil (Rev. 2)
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Durante várias de nossas atividades no extinto site Atiradores & Colecionadores, meu prezado amigo e co-fundador do site, Aurelino Fábio Carvalho, foi cobrado algumas vezes pelos leitores para escrever sobre as antigas fábricas de armas no Brasil, já extintas há muitos anos. Como formidável oplólogo e historiador que é, Fábio saiu à caça de informações e nos brindou com um panorama bem interessante sobre a produção de armas no Brasil na segunda metade do século XX. Esse presente artigo, além de uma homenagem merecida que faço ao Fábio, e que se baseia em seu trabalho e em suas pesquisas.
CARAMURU
A marca de comércio CARAMURU foi usada pela F.A.M. (Fábrica de Armas Modernas), empresa que era distinta da original fabricante dos Fogos Caramuru, de quem adquiriram o direito de usar a marca e alguns projetos de armas que já estavam prontos. A firma era de propriedade do empresário e designer Miguel Raspa e do Sr. Antonio Chieffi Filho. Este último era também sócio do Sr. Biagino Chieffi na famosa Indústria de Fogos Caramuru .
A empresa atuou nas décadas de 60 e 70, na cidade de Jacareí, no interior do estado de São Paulo, produzindo neste período alguns bons revólveres com a armação feita em aço, carabinas em calibre .22 e carabinas de ar comprimido. Uma coisa que nos chama a atenção na Caramurú é sua logomarca, que é a famosa cabeça de um índio com cocar e ornamentos. O que estranhamos é que o desenho nos remete mais à face de um índio norte-americano e não de um índio brasileiro, o que seria mais condizente com o nome da marca.

A famosa marca comercial da Caramuru, presente também nos fogos de artifício.
Deixando a controvérsia de lado, o primeiro modelo de revólver foi o R1, dotado de cano com perfil octogonal e com 2,6 polegadas (os canos possuíam 5 raias e eram forjados pela Chapina, outra extinta indústria de armas brasileira), com a liberação do tambor feita por um pino situado diretamente no retém do cano, travando a “caneta” do extrator. A capacidade do tambor era de 7 tiros. As talas da empunhadura eram de madeira, com acabamento zigrinado e envernizadas, possuindo um inserto em forma de escudo de latão com a marca de fábrica.
Modelo R1 em calibre .22LR
O mecanismo podia ser acessado lateralmente, com a retirada da tala de madeira e de uma tampa fixa à armação, e por ali todo o mecanismo podia ser desmontado. O desenho da arma lembra um pouco o modelo Ladysmith da Smith & Wesson, similar ao que a Amadeo Rossi também fabricou, no mesmo calibre. Porém, a usinagem interna e mesmo o acabamento externo deixava muito a desejar, principalmente quando se comparava esse revólver com os modelos similares da Taurus e da Rossi.
Outro modelo mais bem desenvolvido foi o R7, basicamente o R1 redesenhado, com empunhadura mais larga, e liberação do tambor efetuada por um botão deslizante, na lateral esquerda, como nos Smith & Wesson. Houve mudanças no desenho dos canos, que passaram a ser redondos ao invés do perfil octogonal. Os canos deste modelo tinham comprimentos que iam de 1 até 6 polegadas.

Revólver R7 com cano de 2″, também em calibre .22LR, com talas em plástico imitando “madre-pérola”
Além dos dois modelos em calibre .22LR, a Caramurú lançou posteriormente os modelos R6 e R7, em calibre .32S&WL, tentando atingir um mercado mais exigente, principalmente quanto ao calibre, um pouco mais adequado à defesa pessoal. Esses revólveres vinham com canos de 2 ou 3 polegadas de comprimento e com capacidade de 6 tiros.
Um modelo R7 da Caramurú, cal. 22, em excelente estado e todo original, foto gentilmente enviada pelo leitor L.D., do Paraná.
Na categoria de armas longas, a fábrica produziu uma carabina de um tiro em calibre .22LR denominada de K1. Estranhamente lançaram outra versão, chamada de CLK, também em .22LR mas com alma lisa. A K5 já era bem melhor projetada, com ação por ferrolho e carregador para 5 cartuchos, cujos canos eram fabricados na Fábrica de Itajubá.
Carabina cal. 22LR mod. K5, arma muito rara devido à baixa produção (coleção particular)
Soleira da carabina modelo K5
Espingardas de caça também saíram da linha de produção da Caramurú, como o modelo 62, de um tiro com cão externo, em calibres 28,32,36 e 40. A bem da verdade, essas espingardas eram produzidas pela Lerap, outro fabricante do qual falaremos adiante. Finalizando as armas longas, houve também um modelo de ar comprimido, de ação de bomba, em calibre 4,5mm.
Acima, o primeiro revólver R1 produzido pela Caramurú, serial 0001, acervo de coleção particular, arma até hoje sem disparar um tiro sequer.
Algumas armas e projetos que não saíram do papel foram o revólver R3, em calibre .38SPL e uma sub-metralhadora baseada no projeto da israelense UZI, em calibre 9mm Parabellum, uma intenção clara de tentar alcançar o mercado policial e militar brasileiro, mas sem sucesso. A Caramurú parou de produzir armas de fogo em meados da década de 1970, passando a produzir desde então, peças de automóveis.
LERAP
A Fundição e Indústria de Armas Lerap estava localizada na cidade de São Paulo, no bairro do Brás, próximo à antiga Estrada de Ferro Central do Brasil. Foi uma das mais antigas fábricas de armas brasileiras e seu nome, pela mais provável razão, deve ser oriundo dos nomes de seus proprietários, de origem alemã, que a fundaram em 16 de junho de 1939: Lemck e Rapp. Segundo Fábio Carvalho, essa origem do nome é uma das muitas incógnitas da industria nacional, dela não se tendo absolutamente nenhuma informação. A intenção inicial era a produção de torneiras, canos, tubos e artigos domésticos com acabamento estanhado ou esmaltado.

Pistolão, ou garruchão LERAP em calibre 28GA
A Lerap produzia alguns modelos de garruchões e espingardas de caça, de cano simples e cão exposto, em vários calibres mais acessíveis como o 28, 32 e 36. O sistema de trancamento do cano usado nessas armas era muito similar ao chamado Snake Key (chave serpente), utilizado nas espingardas belgas Leclerc. Além das espingardas, a maior produção se concentrava nas garruchas de dois canos, baseadas nos tradicionais desenhos das importadas da Espanha e da Bélgica, em calibres .320 e .380, utilizando cargas de pólvora negra. Suas talas eram de plástico negro com acabamento zigrinado e o acabamento era niquelado.

A garrucha Lerap em calibre .320
A Lerap também chegou a fabricar espingardas sob encomenda para a fábrica de armas Caramurú, como vimos acima. De modo geral, a aparência das armas da Lerap lembrava armas artesanais, feitas à mão, com muitas marcas de usinagem e rebarbas que eram deixadas no produto final, bem como o acabamento niquelado ou oxidado de baixa durabilidade. No final de sua produção ainda tentou fabricar algumas armas mais bem cuidadas que os seus tipos tradicionais, como espingardas de canos sobrepostos com coronhas no estilo inglês, monogatilho, e réplicas das clássicas pistolas de bolso do tipo Remington Derringer. A produção dessas armas foi irrisória, de modo que não se encontram facilmente nas mãos de caçadores ou atiradores. Encerrou suas atividades por volta de 1964.
Garrucha Lerap em calibre .22 – note a posição bem próxima das duas teclas dos gatilhos, o que podia facilmente causar um duplo disparo.
Antigo anúncio das espingardas LERAP, publicado em revistas especializadas (cortesia de F. Carvalho), uma espingarda que “podia concorrer em qualidade com as importadas”…
I.N.A.
A história da Indústria Nacional de Armas começa longe do Brasil, no início da Segunda Guerra Mundial, quando os alemães invadiram a Dinamarca. Exatamente neste período conturbado, o oficial do Exército Brasileiro, Plínio Paes Barreto Cardoso estava neste país em visita oficial. Os dinamarqueses confiaram a ele alguns projetos de armas, inclusive o de uma metralhadora leve, que são trazidos ao Brasil, para longe das mãos dos nazistas. Finda a Guerra e restituídos os projetos, o Dansk Industrie Syndikat cede por gratidão os direitos da fabricação da submetralhadora Madsen, modelo 1946. Assim em 1949, presidida pelo então General R-1 Plínio Paes, é fundada a Indústria Nacional de Armas – INA, no bairro de Utinga, na cidade de Santo André, Estado de São Paulo.
A sub-metralhadora INA, em calibre .45ACP, adotada pelo Exército Brasileiro, com sua coronha articulada na posição aberta (foto: Manual de Operação EB-1956, do autor)
A nacionalização da metralhadora INA e sua adaptação para o cartucho .45ACP iniciou-se na Fábrica de Itajubá, nas mãos de Euclydes Bueno Filho, engenheiro de armamento formado pelo IME em 1947. Posteriormente o engenheiro Euclydes foi transferido para a fábrica da INA, com o cargo de diretor técnico. Ele relata dos inúmeros problemas surgidos com essa adaptação, oriundos do tipo de pólvora, ejeção dos cartuchos e diversos outros.
A primeira arma adaptada e produzida pela INA foi testada pelo Mal. Estilac Leal com a presença do Mal. Henrique Teixeira Lott. O engenheiro Euclydes foi, posteriormente, agraciado com a arma de Nº 5, que segundo consta ainda pertence à sua coleção particular devidamente desativada.
Daí em diante, o carro chefe da INA passou a ser a produção da submetralhadora M1950 (uma modificação da já citada Madsen M1946, sendo as diferenças principais da original dinamarquesa a mudança do calibre de 9 mm Parabellum para o 45 ACP, embora isso não fosse propriamente um problema, pois dizem que a própria Madsen fez protótipos nesse calibre. O calibre .45ACP era o calibre de arma curta padrão, adotado pelo Exército Brasileiro desde a aquisição dos primeiros lotes da pistola Colt 1911, em 1937. Havia pois a evidente necessidade da padronização do calibre para uso na sub-metralhadora. Além disso, a alavanca de manejo foi transferida da parte de cima da armação para a lateral direita, tal como ocorreu com as sub-metralhadoras Thompson norte-americanas.
Posteriormente surge o modelo M953, com pequenos melhoramentos tais como o alojamento do carregador mais longo e reforçado. Estas armas foram padrão de uso no Exército, de 1950 a 1972, e também nas forças policiais brasileiras. A sub-metralhadora INA possuía uma cadência de cerca de 600 tiros por minuto, não tinha dispositivo de tiro seletivo e funcionava com o princípio de ferrolho (culatra) aberto, embora a sua relativamente baixa cadência de tiro permitisse que um atirador, com certo treino, desse rajadas curtas; bastava para isso ter alguma intimidade com o gatilho da arma. A arma era realmente muito bem projetada e simples, contando com menos de 40 peças.
Detalhe de uma sub-metralhadora INA pertencente ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, nas décadas de 50 a 60. Detalhe para o seletor de segurança marcado F e S, posicionado sobre o gatilho.
A arma também não permitia o disparo com uma só mão, o que em certas situações de combate chega a ser uma desvantagem: uma tecla de segurança, posicionada junto ao retém do carregador, tinha que ser pressionada com a outra mão, obrigatoriamente, para que a arma disparasse. Caso essa tecla dianteira não fosse pressionada antes da tecla do gatilho, o ferrolho ainda assim era solto pelo gatilho mas seu curso era interrompido a cerca de poucos centímetros antes de alimentar o cartucho.
O peso da arma era de 3,400 Kg, comprimento total de 74,9 mm e comprimento de cano de 214 mm. O carregador original tinha capacidade de 30 cartuchos, posicionamento bifilar mas com sistema de alimentação única central, o que significa que só um cartucho fica exposto de cada vez na parte superior do carregador. Porém, é uma solução empregada hoje na maioria das pistolas com carregadores bifilares. O carregamento podia ser bem facilitado lançando-se mão de um dispositivo municiador que era fornecido com a arma, e que poderia ser guardado dentro da empunhadura.
Ainda deve-se ressaltar que esta submetralhadora granjeou uma fama digamos, um pouco injusta, entre os seus usuários, de ser pouco confiável em ação, pois em seu uso ocorriam muitos problemas de tiro (negas e falhas na alimentação), chegando ao ponto de que as iniciais do fabricante (I.N.A.) se tornaram uma cruel alcunha: “Isto Não Atira”. Verdade seja dita, a culpa era da munição .45 ACP nacional, de baixa qualidade, munição esta que inclusive acompanhou a arma quando da sua entrega às forças policiais, piorando ainda mais a má imagem da arma.
Vista explodida da arma, onde se nota a extrema simplicidade. A armação é de aço estampado, que se abre em duas metades articulada pelos mesmos parafusos que fixam a coronha, de tubo de aço.
Posteriormente o problema foi exaustivamente investigado, com auxílio do fabricante da munição, a C.B.C. Chegou-se à conclusão, depois de vários testes, que a munição não poderia ser crimpada, o chamado “roll-crimp”, como eram produzidas na época, porque isso permitia que o cartucho adentrasse mais do que devia na câmara e ocasionasse falha na percussão. Como a munição .45 não é cônica, e não possui aro, somente um degrau existente no interior do cano que servirá para estabelecer a posição correta do cartucho, o chamado “head-space”.
A C.B.C. então lançou uma munição modificada, com montagem sem crimpagem, ou “taper-crimp”, onde havia naturalmente um pequeno degrau na junção do projétil com o cartucho. No entanto, há vários depoimentos de que ainda ocorriam uma série de incidentes com essa munição, inclusive com projéteis que estacionavam no interior do cano, causando um problema muito sério no cano da arma.

Diferença na crimpagem de munição .45ACP M1 e da M4, produzidas pela CBC nos idos da década de 50.
Alguns estudiosos também atribuem o problema dos engasgues ao carregador da arma. Apesar de ser do tipo bifilar, havia um estrangulamento na seção final para que só um cartucho ficasse à mostra, preso pelos lábios do carregador de ambos os lados, ao contrário do projeto original da Madsen em que a abertura de saída era mais larga. Talvez por excessiva pressão da mola, e estando o carregador totalmente cheio, o ferrolho tinha certa dificuldade de extrair o cartucho, o que diminuía um pouco a velocidade e podia ocasionar negas, apesar do cartucho estar corretamente inserido na câmara.
Metralhadora INA fornecida para a FAB, com seletor de tiro automático e intermitente (coleção particular)
Detalhe do seletor de tiro da INA fornecida para a Força Aérea Brasileira
A troca do cano nesta arma era uma operação bastante simples, o que era uma de suas grandes vantagens. Aliás, toda a manutenção interna era simplificada, pois a caixa de culatra era feita em duas partes, articulada por uma espécie de dobradiça, onde também se fixava a coronha. O cano possuía uma luva rosqueada na armação e era encaixado por uma chaveta. Bastava desatarrachar a luva, que possuía recartilhados para facilitar a aderência da mão, e a arma se abria em duas metades.
De modo geral, a submetralhadora INA era uma arma muito bem concebida. O projeto original Madsen era, indiscutivelmente, muito bem elaborado. Talvez o maior dano causado à ela tenha sido a necessidade da modificação do calibre original de 9mm Parabellum para o .45ACP, que aliada à uma munição, no início, problemática, causou muitos transtornos e uma imagem negativa.
O controle da arma, no calibre .45, era muito mais difícil de ser mantido do que no projeto original, devido à diferença de peso dos projéteis. Mas, se formos analisar as características gerais, como a facilidade de manutenção e desmontagem, o uso intensivo de estamparia no processo, baixando os custos, e a simplicidade do mecanismo, com poucas peças internas, o projeto pode, sem dúvida, ser avaliado como muito melhor e mais confiável do que muitas armas similares de sua época, como as inglesas Sten e as M3 norte americanas.
Uma estimativa bem comportada dentre historiadores acredita que a produção total das sub-metralhadoras foi de cerca de 30.000 peças, embora existam relatos que falam em 80.000, o que, sem dúvida, é um número super estimado.
Em 1980 houve, por intermédio do AGGC (Arsenal de Guerra General Câmara) de se retornar o calibre das armas para o original, em 9X19mm Parabellum. Para isso, foi utilizado canos da submetralhadora Beretta M12, já fabricados aqui no Brasil pela Taurus. O carregador também era da M12, com capacidade de 32 cartuchos. Além disso, foi alterada a posição da janela de ejeção lateral para o topo da armação, com o desenho de um novo ejetor, além da colocação de um compensador na boca do cano para melhorar o controle da arma no tiro automático, lembrando que a sub INA não dispunha de seletor de tiro.

O protótipo da INA em calibre 9mm Parabellum, fotografia obtida do excelente trabalho do historiador Ronaldo Olive, no excelente site TFB, no endereço http://www.thefirearmblog.com
A Indústria Nacional de Armas se destacou na produção de armas que ficaram bem populares no Brasil, como a conhecida série dos revólveres “Tigre”, baseados no desenho dos Smith & Wesson norte-americanos, mod. 10 (Military And Police), em calibre .32 S&W Long, com várias versões onde se alterava a localização do desenho do logotipo, estampado na lateral da armação, ora variando para o lado esquerdo, ora no direito, ou de frente.
Revólver INA “Tigre” em calibre .32 S&W Long
Primeira versão do INA Tigre cal. 32 SWL, na caixa original
Ironicamente, dentre os usuários do revólver, o tal “Tigre” era chamado de tudo, menos de tigre: ”onça”, ”leopardo”, “pantera”, ou coisa pior: até “gato”. Os revólveres da INA, no que tange à qualidade dos materiais empregados e do acabamento, foram os únicos produzidos no Brasil que podiam se equiparar aos fabricados pela Taurus e pela Amadeo Rossi, ambas no Rio Grande do Sul.
Revólver INA em calibre .38SPL, modelo de exportação para a Interarms, USA
A partir de 1966 surgem, os até hoje raros de se encontrar, exemplares em .38 SPL com 2, 3 ou 6 polegadas de cano, sendo bastante exportados principalmente para o mercado norte-americano. Na época, mesmo com as restrições impostas pelo R-105, o Regulamento que estabelecia diversas regras ao uso de calibres pelos civis, no Brasil, a INA chegou a produzir protótipos de um revólver em calibre .357 Magnum que, infelizmente, não chegou à linha de produção normal.

A INA Chanticler, em cal. 6,35mm Browning (.25 Auto) – desenho de Fábio Carvalho
A INA fabricou também uma pistola semi-automática de ação dupla, a única até então produzida no Brasil, o modelo “Chanticler”, que na verdade era uma versão com algumas modificações da pistola CZ-45, da afamada firma tcheca Česká Zbrojovka, e no mesmo calibre da original, o 6,35mm (uma versão maior desta arma, em 7,65mm, nunca chegou a sair do protótipo). Curiosamente, Chanticleer ou Chanticler é o nome de um galo muito esperto que aparece nas fábulas medievais dos “Contos de Canterbury” e, de fato, a marca de um galo estilizada aparece estampada no plástico da tala de empunhada esquerda desta pistola. Outra curiosidade sobre a Chanticler era que o 1º tiro (e apenas ele) poderia ser feito em ação simples, sendo os subseqüentes obrigatoriamente em ação dupla.
A pistola INA Chanticler – Foto enviada gentilmente pelo leitor M.L.
Derivada dela também havia uma versão melhorada, originalmente destinada para exportação aos EUA. Esta versão, que usava a marca comercial “Tiger”, possuía uma trava de desmontagem no meio da armação, sendo que seu desenho foi, na verdade, uma adequação às novas e rígidas regras norte-americanas do Gun Control Act de 1968. A INA fabricou também alguns (raros) exemplares desta arma que foram destinados às vendas internas. Outra lenda corrente entre os colecionadores seria que a INA teria fabricado protótipos de pistolas tipo Colt 1911 em .45 ACP, embora não se conheçam fotos ou o paradeiro das mesmas.
A CZ-45, fabricada na atual República Checa, cal. 6,35mm, na qual a INA Chanticler foi baseada.
O fim das atividades da INA, em 1972, foi inglório. A fábrica, que no final da produção ocupava um terreno em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, foi sendo lentamente atolada em dívidas; há até uma teoria de que “forças ocultas” governamentais fizeram de tudo para evitar que a INA sobrevivesse. Sem mais poder exportar, acabou falindo.
CHAPINA
No pequeno município de Itaquaquecetuba, nas proximidades de São Paulo, surgiu nos anos 60 a Empresa Irmãos Chapina S./A. Indústria Metalúrgica, cuja produção inicial e de maior importância foram as carabinas de repetição, por ação de ferrolho no então, pelo menos por aqui, não muito popular calibre .32-20 Winchester, cartucho desenvolvido pela Winchester em 1882, para uso nas suas carabinas de ação por alavanca modelo 1873.
Na década de 70, essas carabinas foram muito utilizadas por empresas de transporte de valores, que supriam suas equipes que guarneciam os carros blindados usados no transporte de valores.
O cartucho .32-20 Winchester, do fabricante CBC


Carabina Chapina em calibre .32-20 – cortesia do colecionador R. Valverde
A carabina Chapina, com carregador tipo caixa para 5 cartuchos, logo se tornou uma coqueluche nas empresas de transporte de valores da época. Eram bem feitas e com bom acabamento, apesar de que sua aparência era um pouco estranha, com soluções estéticas de gosto duvidoso. Segundo o historiador Fábio Carvalho, o primeiro lote foi de 1.200 armas com canos micro-raiados, e com coronhas do tipo Monte Carlo com opção de um orifício para posicionar-se o polegar. Um total de 6.000 armas foram produzidas. No entanto, por pura escassez de um produto similar no mercado, as armas tiveram um relativo sucesso.
Acima, carabina Chapina do primeiro modelo (coleção particular), coronha dotada de orifício para o polegar
Comenta-se que a Chapina teria lançado uma versão de sua carabina para utilizar o cartucho .30M1 com magazine para 15 cartuchos, mas não há uma provas materiais da existência dessas armas, pelo menos que chegaram ao conhecimento do autor.
A Chapina produziu também carabinas e pistolas de ar comprimido, os modelos 22, 27, e a Hermes, todas em calibre 4,5 mm, algumas delas para uso de setas e rolhas, muito comuns nos parques de diversões da época, e fabricadas de 1964 até 1975.
Dentre outras atividades da empresa, foi criada uma linha de produção para algemas, metais sanitários e canos de reposição, sendo esses últimos muito elogiados pelo raiamento primoroso. Eles eram destinados, principalmente, a suprir uma demanda de canos novos para as carabinas Winchester, em calibre 44-40W, 38-40W e 32-20W, bastante populares em nosso país. Para as armas curtas produziram canos para pistolas 6,35 e 7,65mm, inclusive para uso nas antigas FN, Walther, Mauser, Beretta e pistolas Colt modelo 1903 e 1905.
A Chapina era responsável, também, pela produção de canos para os revólveres da Caramuru, modelo R1, com cano octogonal de 5 raias. Os irmãos Chapina, com o Pedro encabeçando as atividades, encerraram as atividades no início dos anos 1980, tendo repassado todo o maquinário a um novo grupo que não continuou a fabricação de seus produtos. Consta que possuíam uma oficina para reparos e consertos de armas localizada nas proximidades do Viaduto do Chá, em São Paulo.
CASTELO
A Indústria de Armas Castelo S.A. é provavelmente uma das mais antigas fábricas de armas do Brasil. Foi fundada em 1929 na cidade de São Paulo, no bairro do Belém. Posteriormente, mudou-se para Ferraz de Vasconcelos e posteriormente para a Mooca. Dentre seus outros produtos, havia uma linha dedicada à material hidráulico. A razão social da empresa era Lizarriturri & Cia. , o que não deixa muitas dúvidas quanto à origem de seus proprietários: o País Basco, na Espanha.
É notório que o País Basco, principalmente na região das cidades de Eibar e Guernica, sempre foi muito fértil no que se refere à produção de armas, lembrando que os mais famosos fabricantes espanhóis de armas surgiram naquela região.
Segundo Fábio Carvalho, seus nomes eram José María Lizarriturri e Dora Lúcia Alberdi. O Sr. José Maria chegou ao Brasil em 1928, e com a idéia inicial de montar uma fábrica de serras, que receberia o nome de Arrate, palavra que dá nome a um monte situado na cidade de Eibar. Fábio nos conta que batalhou muito, numa busca incessante, para descobrir seus nomes, pois os dados e informações, bem como a literatura nacional, é totalmente omissa neste caso. Isso nos dá muito orgulho, pois é o resgate de uma parte de nossa história oplológica. A Castelo tinha como logomarca o desenho de uma torre de Castelo, dentro do mapa do Brasil.
Estima-se o início da produção de armas da Castelo em torno de 1940, sendo os produtos fabricados as garruchas de dois canos, em calibres .22LR, .320 e .380, esses dois últimos para uso com pólvora negra, derivados do .320 e .380 Short Revolver. A princípio essas garruchas não eram muito similares aos tradicionais modelos belgas e espanhóis, que eram tão populares aqui até a década de 50, utilizando um botão serrilhado abaixo do cano como a trava de abertura. O acabamento era, invariávelmente o niquelado, como aliás era padrão para esse tipo de arma. Porém, deixava a desejar na qualidade, pois era comum o desprendimento do material mesmo em armas não muito manuseadas.


Garrucha Castelo modelo 1 (coleção particular)
A qualidade do produto era razoável, com acabamento niquelado mas com folgas nas articulações, mesmo nas armas novas. Como se tratava de munição “rim-fire” e os percussores eram montados na armação e não nos martelos, a falha (nega) era muito comum, com índices altíssimos, bem fora de um padrão aceitável, com tendência a ir piorando com o tempo, pois rapidamente as molas dos martelos entravam em processo de fadiga, aliado a um curso do martelo muito curto. Enfim, eram armas não muito confiáveis, definitivamente.

Garrucha Castelo em calibre 320, arma restaurada por colecionador, mostrando a alavanca lateral para efetuar o basculamento dos canos. (Cortesia J. Gonçalves)
Depois das garruchas vieram os revólveres, inicialmente com um modelo do tipo “top brake”, o que era muito estranho por se tratar de uma solução, mesmo naquela época, obsoleta. Lembravam muito, na aparência, alguns dos antigos (porém muito bons) modelos ingleses da Webley & Scott, mas a inspiração era mesmo sobre os “top-break” da Smith & Wesson, muito comuns por aqui nas décadas de 20 a 40. O acabamento, para variar, era niquelado e não muito bem executado; os calibres eram o .22 LR com capacidade de 8 tiros e o .32 S&W, para 5 cartuchos.
Exemplar do modelo “top-break” da Castelo, em calibre .32 S&W (curto), capacidade de 5 cartuchos, acabamento niquelado e talas em ebonite (cortesia de J. Gonçalves)
Na década de 60, a Castelo desenvolve um modelo mais moderno de revólver, com tambor basculando para o lado, solução empregada por quase todos os fabricantes de revólveres, mas com um desenho próprio, que fugia um pouco da linha dos Smith & Wesson Military & Police, que eram adotados pela maioria dos fabricantes. Os calibres deste revólver eram o .22 LR e o 32 S&W Long, com canos variando de 2 a 4 polegadas de comprimento.
A Castelo desenvolveu seus sistemas de abertura, trancamento do tambor e ejeção dos cartuchos por sua própria conta, e eram razoavelmente eficientes. O acabamento e a qualidade desta arma ainda ficava, sem dúvida, aquém dos modelos similares da Caramuru e da INA, mas mesmo assim eram bem aceitáveis e seu índice de confiabilidade era bem melhor do que os modelos anteriores. Todos os revólveres Castelo podiam funcionar tanto em ação dupla como simples, característica comum a quase todos os revólveres. Esse modelo foi o melhor revólver produzido pela empresa, em termos de acabamento e confiabilidade. Seu preço era muito competitivo quando comparado aos similares da Rossi e da Taurus.
Por volta da década de 1960, a Castelo resolveu enveredar por uma tendência comercial em alta no mercado; a produção de armas de ar comprimido. Para isso produziu uma pistola de pressão para o calibre 4,5mm. Como ocorreu com várias outras fábricas de armas no Brasil, a Castelo fechou suas portas durante a época dos governos militares, por volta da década de 70, devido mais a pouca competitividade que tinha, aliada às vendas reduzidas; as concorrentes Rossi e CBC eram muito fortes no mercado. Mesmo assim, ficou somente no papel o projeto de uma pistola semi-automática e de um revólver em calibre 38 SPL.
URKO
A URKO foi fundada no bairro do Tatuapé, em São Paulo, em 1966, e pelo que consta nos registros da Receita Federal, por dois ex-funcionários da Castelo. Muito pouco se conhece dessa fábrica que fez muito sucesso na década de 1960 em diante com suas carabinas de ar comprimido, algumas delas com bombas de ar de comprimento longo o bastante para serem consideradas as mais potentes carabinas de ar, da época, disponíveis no mercado nacional. Os modelos mais conhecidos eram denominados de I, II e III, em calibres 4,5mm e 5,5mm. Também produziram uma pistola de ar coprimido, a Tiger, em calibre 4,5mm.
A pistola Tiger em cal. 4,5mm, um projeto bem similar às pistolas alemãs da Diana, pré II Guerra.
A pistola Tiger era fortemente inspirada nas pistolas de ar comprimido da fabricante alemã Diana, da década de 1930 a 1940, comuns aqui no Brasil, juntamente com as carabinas.
Um dos lançamentos mais icônicos da marca foi a carabina de repetição por ação de ferrolho, utilizando o cartucho .38SPL e um carregador tipo caixa para 7 e outro para 10 cartuchos. Calibre policial muito polular na época, o apelo era atingir essa gama de mercado, o que foi conseguido de certa forma, pois o próprio DOPS adquiriu várias dessas armas para equipar seus agentes.

Acima, a carabina URKO calibre 38SPL

Infelizmente a arma se transformou em um grande foco de problemas para seus usuários; era muito comum o mal funcionamento de forma a colaborar com a sua má fama de confiabilidade. Essa carabina recebeu a denominação comercial de Carabina Eibar, provavelmente em homenagem à cidade que leva esse nome, situada no País Basco, de onde eram oriundos os fundadores da empresa.
Para atingir um mercado mais popular, a empresa resolveu investir em uma carabina de calibre .22, semiautomática, a um preço competitivo, visto que na época o mercado dispunha da carabina CBC Nylon 66, a um preço bem mais alto. A carabina .22 da URKO teve um pouco mais de sorte, e seu funcionamento era considerado aceitável, mas ainda com alguns problemas crônicos de alimentação e ejeção. Mas como era uma arma destinada principalmente ao tiro de diversão, esse detalhe até que passava meio despercebido. Havia também a versão da carabina 22 de repetição, por ação de ferrolho, considerada mais confiável do ponto de vista de confiabilidade.

Acima a carabina Urko semi automática, no calibre 22 LR.

Versão de repetição por ação de ferrolho da cabina Urko em calibre 22LR
A carabina .22LR possuía coronha em madeira e o receptáculo para se encaixar o carregador, que também se alongava para se tornar o guardamato, era feito em plástico. A alavanca de alimentação situava-se do lado esquerdo e havia uma chaveta acionadora da trava de segurança do lado direito. A ejeção dos estojos era feita pelo lado direito. A versão de repetição utilizava o mesmo guardamato e carregadores da versão semiautomática.
Não se tem ao certo a data que a empresa encerrou suas atividades, mas sabe-se que sua razão social foi alterada no início dos anos 2000 para Fiora Esportes, localizada em Itaquera, produzindo uma linha bem completa de carabinas de ar comprimido, de bomba e PCP
AMADEO ROSSI
Apesar de ainda estar no mercado de armas de ar comprimido, como importadora e não mais como fabricante, é interessante citar aqui a Amadeo Rossi, principalmente porque trata-se de uma fabricante de armas fundada em 1889, justamente na transição política mais importante no país; o fim do Império. A aprazível localidade de São Leopoldo foi o berço dessa indústria, fundada pelo imigrante italiano Amadeo Rossi.
No início das atividades foi criada uma fundição, e uma oficina de “latoeiro”, como se chamavam na época, com produção de artigos de montaria, caldeiras e alambiques. Porém, só em 1922 que a família decidiu abrir uma empresa. Para ingressar no ramo de produção de armas levou-se mais algum tempo, por volta de 1938, sendo que Amadeo era descendente de armeiros que atuavam em seu país de origem.
Em 1939 iniciou-se a produção das espingardas de antecarga, carinhosamente apelidadas de pica-páu, do modelo Taquari, com um sistema de percussão utilizando um pequeno ferrolho ao invés do cão externo, mais tradicionalmente usado. Os calibres eram de 9mm e 11mm. Em 1942 lançaram a Lazarina, uma espingarda de um cano, de percussão e antecarga que foi exportada para os Estados Unidos numa versão de decoração, com o ouvido obstruído. A Taquari saiu de linha em 1969.
Acima, diversas fotos enviadas gentilmente por E. Tamberg, da espingarda de ante-carga Taquari
Em 1945 a Rossi produz a sua primeira antecarga de dois canos, também chamada de Taquari, que foi produzida até 1954.
Em 1948 a Rossi produz a primeira espingarda de cartuchos fogo central, retrocarga, de um cano, denominada de Pomba, que se transformou num sucesso de vendas, principalmente para equipar os caçadores de subsistência, moradores de interior, sítios e fazendas. A Pomba foi oferecida dos calibres 16 ao calibre 40.
Logo depois em 1950, iniciou-se a produção de uma garrucha, baseada nos já conhecidos e populares exemplares belgas espanhóis, muito utilizados pelo país afora. Os modelos eram oferecidos em calibre 320, carregado com pólvora negra. Aliás, o cartucho 320 de fogo central para garruchas foi o único cartucho de arma de fogo produzido pela própria Rossi. As garruchas 320 foram produzidas até 1968. As garruchas em calibre .22LR iniciaram a produção em 1952 e foram fabricadas até 1969. As talas costumavam ser de plástico marrom com o logotipo da Rossi, as letras A.R.C entrelaçadas, de Amadeo Rossi e Companhia.

As garruchas 320 eram apresentadas em acabamento niquelado, apesar de que foram produzidas algumas unidades oxidadas. As talas eram em plástico preto. Comprimento total da arma era de 160mm e cano com 72mm. A Rossi utilizava para raiamento dos canos o processo de bilha produzindo o encruamento. As brochas utilizadas nesse processo tinham durabilidade média de 4.000 canos, quando então eram substituídas.
O especialista E. Tamberg nos chama a atenção para um detalhe interessante: a Rossi produzia as suas garruchas com gatilhos posicionados de duas formas diferentes, para destros e para canhotos. Na versão “destra”, o gatilho dianteiro acionava o cão esquerdo, o que facilitava reposicionar o dedo à direita para o segundo tiro. A disposição era invertida na versão “canhota”.
Na ilustração abaixo, nota-se que a foto da arma na tampa da caixa tem a disposição de gatilhos para canhotos, pois o gatilho do lado direito é o que está na posição fontal. Já na arma que se encontra abaixo da caixa, trata-se de modelo para destros.
A garrucha de dois canos Rossi em calibre .22 LR
A garrucha de dois canos Rossi em calibre .22 LR, para exportação através da Interarms.
Em 1952 a Rossi lança do mercado uma pequena pistola de um cano, denominada de Pistolet, em calibre.22 LR, que a manteve em produção até 1969. O acabamento era niquelado, placas de empunhadura de plástico preto, cano com comprimento de 125mm e com 229mm de comprimento total. O raiamento era de 6 raias destrógiras. A última versão produzida possuía um novo desenho de empunhadura, com base plana, mais anatômico e maior que o antecessor.
O Pistolet Rossi em calibre .22LR, de um cano
Pistolete cal. 22Lr na sua última versão
Em 1956 foi lançada a espingarda Pampa, a primeira arma mocha (com percussor embutido) lançada pela fábrica. A Pampa foi produzida dos calibres 16 ao 36. Em 1957 a Rossi resolve ingressar mais seriamente no ramo de armas curtas de defesa, baseando-se um um projeto da Smith & Wesson americana, o revólver Ladysmith em calibre .22LR com capacidade de 7 cartuchos. O sucesso desse revólver foi tremendo. Tinha uma aparência refinada, bem acabado, niquelação esmerada e com talas feitas de plástico de boa qualidade. Aliado a um preço final ao consumidor relativamente baixo, quando comparado à armas similares da concorrente Taurus, a arma vendeu muito bem. Até o público feminino adotou esse revólver, devido à sua aparência delicada e de tamanho reduzido.
Revólver Rossi Princess em calibre .22 LR
O revólver recebeu o nome de Rossi Princess. O tambor e o cano eram forjados em aço, mas a armação era feita em ZAMAK Nº 4, um material relativamente novo na época. O ZAMAK, ou ZAMAC, recebe essa denominação por se tratar de uma liga composta de Zinco, Alumínio, Magnésio e Cobre, e essas peças eram fundidas na empresa Magal, de São Paulo. Infelizmente essa decisão se transformou num dos maiores problemas desse revólver. Após uma extensa utilização, a junção entre o cano e a armação costumava trincar ou fundir com facilidade. Não era, decididamente, uma arma feita para uso contínuo.
Outro problema é que como o cão era muito pequeno, sua massa inercial era baixa e para isso foi necessário o emprego de uma mola de atuação no cão de muita pressão, o que deixava o gatilho do revólver com um peso aproximado de 9Kg na utilização de dupla ação, mais do que muitos revólveres maiores e inclusive, os destinados a uso militar.
Rossi Princess em acabamento oxidado, exportado para os USA através da Firearms International, de Washington.
Em 1965 o Princess sofreu algumas pequenas modificações e passou a ser oferecido com opção de cano mais curto e acabamento oxidado.Somente a partir de 1968 que a Rossi passou a oferecer revólveres a nível de qualidade comparáveis aos bons modelos existentes tanto no Brasil como no exterior. Nessa época foram lançados os modelos C38 Pioneer e C32 Ranger, em calibres .38SPL e .32S&W Long respectivamente.
No final da década de 60 e começo da década de 70, a Rossi fechou um acordo de distribuição com a Interarms, localizada no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Porém, em 1968, devido às restrições impostas pelo Gun Control Act, assinado pelo presidente Lyndon Johnson, restringiu a importação de vários tipos de armas para os Estados Unidos; o Rossi Princess foi incluído nessa restrição e deixou de ser exportado. Vários revólveres com as inscrições da Interarms acabaram sendo vendidos aqui mesmo no Brasil.
Em 1997 a Rossi fundou a Braztech, sua representante própria naquele país. Os revólveres Rossi para a Interarms eram produzidos em acabamento preto oxidado brilhante, com cão e gatilhos em aço polido, e acompanhados de uma bonita e atraente caixa forrada com veludo vermelho. Esses revólveres fizeram muito sucesso nos Estados Unidos e Canadá.
Acima o Rossi Pioneer em calibre .38SPL de 5 tiros, exportado para os USA pela Interarms (foto do autor)
Em 2006 a Taurus adquire a linha de produção dos revólveres Rossi e em setembro de 2008 a Rossi resolve licenciar a Taurus para produzir e comercializar toda a sua linha de produção de armas longas, incluindo aí as carabinas Gallery em calibre .22LR e as carabinas e rifles Puma, oferecidos em calibres .38SPL, .357 Magnum, .44-40 Winchester, .44 Magnum e .454 Casull. A partir de 2009 as armas Rossi produzidas pela Taurus passaram a adotar os mesmos critérios de numeração serial adotados por essa última.
A partir de 2010 a Rossi não produz mais armas de fogo para venda no mercado brasileiro , desde então passou a se dedicar exclusivamente a distribuição e importação de armas de pressão e de airsoft, esporte que segue em alta no Brasil desde sua legalização. As armas da Rossi ainda podem ser encontradas no mercado estrangeiro, feitas pela Amadeo Rossi (exclusivamente para exportação), ou pela Taurus,
A numeração serial dos revólveres da Rossi utilizavam a primeira letra para definir o calibre:
A: 22 LR, C: .32 S&WL, D: .38 Special, E: .357 Magnum e F: .44 Magnum.
Hoje a Rossi distribui no Brasil armas de pressão das marcas Beeman, Hatsan, SAG, Zoraki, Crossman, dentre outras. Além de airsofts das marcas HFC, CQB, Swiss Arms e Crossman.













































Obrigado Sr. Carlos pelas informações, saberia informar o calibre da carabina, se é obsoleto ou não ? Trata-se de uma arma comum ?
Antonio Calor
17/09/2015 at 10:19
Antonio, trata-se de uma carabina de fabricação belga, monotiro, ação “trap-door”, do sistema Flobert, importada pela Casa Laport nos idos de 1920-1930.
Carlos F P Neto
16/09/2015 at 20:47
Boa tarde, Carlos, parabens por todo o trabalho excelente que vem realizando, muito contribuindo para o conhecimento de muitos profissionais de polícia (peritos) que lidam diariamente com armas novas e antigas.
Dentro deste contexto, onde milito, lamentavelmente ja encaminhamos ao SFPC várias armas antigas, produzidas pela industria nacional, desde o desconhecido “fuzil chuchu”, de origem bahiana até carabinas chapina .38, revólver INA .38, várias LERAPs, entre outras tantas raridades, lugers, fn, castelo, e URU (sub-metralhadora 9mm), antigamente servindo a PM do Mato Grosso.
Munições M 4 antigas, dos anos 60, também não são rars de encontrar por aqui.
Fica um abraço e mais uma vez, parabéns.
Welliton Neves
15/09/2015 at 13:16
Um amigo herdou uma espingarda de 1 cano com alma lisa, diâmetro interno do cano de ~ 9 mm, comprimento total de 1.160 mm e peso de 1,5 kg. Com as inscrições “leport sp acier fin”, conhecem algo ?
Antonio Calor
15/09/2015 at 12:16
Belmiro, esse seu pistolão foi produzido pela Amadeo Rossi, do RS. Abraços.
Carlos F P Neto
27/08/2015 at 11:15
Oi ,esses dias vi uma garrucha muito parecida com essa da lerap (descrita como pistolão ou garruchão).Esta arma tem um logotipo de triângulo com uma pomba dentro vcs saberiam me dizer de qual fabricante ela é???um abraço. .
belmiro sestari
26/08/2015 at 13:27
Milton, infelizmente não possuímos os dados de numeração das carabinas Puma.
Carlos F P Neto
17/08/2015 at 17:20
Como é formada a numeração da espingarda Rossi, modelo Puma, calibre 32. Estou analisando uma que não é possível identificar o primeiro dígito (?45093). Acredito ser a letra “A”. Estou certo?
Milton Luiz Pagliarani
17/08/2015 at 15:35
Adriana, a Rossi não costuma fornecer muitos dados mas sabemos que as espingardas Pomba foram feitas nas décadas de 60 e 70. Abraços.
Carlos F P Neto
16/08/2015 at 17:29
Oi, eu gostaria de saber quais os anos de fabricaçao da espingarda 32′ POMBA da ROSSI. Sou leiga no assunto mas acho muito interesante, nao consegui achar esses dados, um tio-avo meu tinha uma dessas, e eu queria saber quantos anos ela pode ter. Grata!
adriana
13/08/2015 at 11:32
Carlos e Júlio Calazans,
Sobre a Urko, ela chegou a produzir um total de pelo menos quatro modelos de carabinas: uma semi-automática em .22 LR, com dois comprimentos de cano diferentes (a versão de cano curto é frequentemente vista em fotos do ex-capitão Carlos Lamarca, quando a usava para instrução de tiro de bancários), e, em .38 SPL, houve duas versões: uma de ferrolho (modelo Eibar) e uma semi-automática.
A Urko .38 SPL semi-automática era considerada de uso restrito, pois a legislação da época assim considerava qualquer arma longa semi-automática de calibre superior ao .22. Ela lembrava, no aspecto, algo como um cruzamento de fuzil Mauser (desenho do gatilho e guarda-mato) com a submetralhadora Reising M50. A massa de mira era coberta por um túnel, seguindo o aplicado nas outras carabinas da marca. Algumas unidades da Polícia Civil de São Paulo, como o extinto DOPS e a antiga RUDI, tiveram a Urko .38 SPL semi-automática como arma de dotação.
Eu só vi dois exemplares: um deles foi adquirido “oco” por seu proprietário, sendo necessário reconstruir todo o mecanismo sem que esse tivesse o esquema de peças (nem a fábrica o tinha mais!) e o segundo, muito deteriorado, tive a infeliz tarefa de remetê-lo à destruição.
Erick Tamberg
10/08/2015 at 14:27
Júlio Calazans,
O fato é que muitos atiradores relatam a suposta “maior potência” do cartucho M4, mas eu nunca soube de alguém que teve a curiosidade de desmontar os cartuchos e pesar as cargas – ou, se alguém o fez, nunca publicou os dados na nossa pequena imprensa especializada. Fiquei surpreso ao buscar satisfazer essa curiosidade e encontrar resultado oposto do esperado.
Como são dados numéricos, qualquer um que tenha acesso às M4, balança de recarga e martelo de inércia pode fazer os mesmos testes. E é importante que, quem puder fazer tais experiência, que as faça o quanto antes e registre os resultados, antes que se fique apenas com registros orais. Óbvio que o ideal seria realizar testes de campo com armas diferentes (em sistema de funcionamento e comprimento de cano), mas não tenho tal disponibilidade.
Não creio que o tempo tenha influenciado nas medições das cargas de pólvora, pois constatei que cartuchos CBC produzidos antes da adoção da INA tinham carga de pólvora maior. Cartuchos fabricados em 1948 apresentaram praticamente a mesma carga recomendada nos manuais de recarga modernos. Se houvesse alguma deterioração da carga, seria em volume mas não em massa. E os cartuchos datados de 1948 seriam mais afetados.
O estojo da M4 era impróprio para cargas acima do padrão, pois naquela época os estojos usavam espoletas Berdan e eram do tipo “baloon head”, com a base bastante fraca – talvez por isso o amigo tenha experimentado rompimento de estojos. Se vermos os estojos atuais de .45 ACP + P (linha Gold), veremos uma grande diferença na espessura da base.
Por alguns testes, soubemos que a CBC já fez algumas “gambiarras” para conseguir aumento de pressão sem aumentar a carga de pólvora. Na linha Silver Point, por exemplo, o nível “+P” no cartucho .380 ACP foi atingido com a simples niquelação do projétil. Foi suficiente deixá-lo minimamente mais espesso para se conseguir um aumento de pressão. A carga de pólvora é idêntica à da munição standard. No .38 SPL +P+ Silver Point, aplicou-se um “crimp” violentíssimo (talvez com algum adesivo) para otimizar a queima em canos curtos. Um atirador que conheço tentou desmontar um cartucho desses no martelo de inércia e conseguiu apenas separar o chumbo da jaqueta.
Seu relato sobre o rompimento de estojo com uma “Grease Gun” está de acordo com a teoria que estudei – prolongamento do pico de pressão por sub-carga. Como, dentre as “subs” .45 ACP, ela tem a cadência mais baixa, significa que a culatra fica fechada por mais tempo, suficiente para prolongar o pico de pressão. Isso faz com que, na saída do projétil, tanto este quanto o ferrolho sofram uma aceleração mais brusca ao final – em vez de ser progressiva, como seria o normal.
Por curiosidade, a Thompson com a qual você atirou era uma M1/M1A1 (que opera por “blowback” simples) ou a 1928 (que tem o sistema Blish de retardo de abertura)?
De qualquer modo, o resultado da minha pesquisa será publicado na revista Tiro Certo, possivelmente na edição de outubro.
Erick Tamberg
31/07/2015 at 14:29
Resposta ao Evaldo Siqueira de Souza
Sobre Puma comemorativa da Revolução Farroupilha, o único dado de que disponho é que foram produzidos 500 (quinhentos) exemplares, e que ela tinha uma numeração de série diferenciada. Se não me falha a memória, ia de AR0001 a AR0500 (o “AR” é de Amadeo Rossi).
Erick Tamberg
29/07/2015 at 18:48
Prezado Carlos,
Sobre a Chapina, tem mais um detalhe curioso: só tive um exemplar da Chapina .32-20 WCF em mãos. Esta arma (não sei se todas) trazia no cano a gravação E.F.C.B. (Estrada de Ferro Central do Brasil). Como a fábrica era no município de Itaquaquecetuba (SP), cortado pela ferrovia Central do Brasil (atual Linha 11 da CPTM), isso seria um indicativo de que a Chapina se servia de oficinas da ferrovia?
A forma como a inscrição estava posicionada (no meio dos dados do fabricante) não dava a entender que a arma era patrimônio da Polícia Ferroviária Federal ou algo parecido, mas sim que a ferrovia teria entrado no processo de fabricação da arma.
Ao colega Wesley, que postou a pergunta sobre o .320, aqui vão os dados balísticos retirados de um catálogo da CBC dos anos 1970, bem como de algumas medições efetuadas: esse cartucho de pólvora negra lançava um projétil de 76 grains a meros 117 metros por segundo (383 fps) de um cano de 4 polegadas e meia, gerando menos energia do que um 6,35mm Browining (apenas 7 kgm, contra 9 kgm do segundo). A recarga dá um trabalho dos diabos, pois os estojos são Berdan e, quando se consegue obtê-los, raros são os que não estão corroídos. Os projéteis mais adequados são os de chumbo para recarga do 7,65mm Browning, pois possuem dimensões e peso mais próximos. Mesmo o projétil do .32 S&W (“Curto”) não é adequado, pois é mais pesado (85 grains) e de diâmetro ligeiramente maior, podendo gerar perigoso excesso de pressão.
Dependendo das tolerâncias da arma (em garruchas, eram muito grandes), a recarga pode ser feita usando projéteis e estojos do 7,65mm Browning (os estojos são semi-rimmed) – sempre usando pólvora negra e projéteis de chumbo. Funciona melhor do que usar estojos do .32 S&W (Curto) ou .32 S&W Longo cortados. Mas é muito trabalho para pouca coisa.
Erick Tamberg
29/07/2015 at 11:06
Carlos,
Pesquisando meus alfarrábios, encontrei uma explicação que parece plausível para a que a M4, mesmo com menor carga, apresente maior estampido, recuo e velocidade nas 1911.
Teoricamente, num cartucho com carga abaixo do especificado, a pólvora pode assumir um comportamento diferente, acelerando o projétil de forma desigual ao longo do cano. Como o volume de gases é menor, o pico de pressão – embora mais baixo – é atingido antes e mantido por mais tempo. Pode ocorrer, então, de o volume de gases, por não crescer o suficiente para dar aceleração progressiva ao projétil, force uma aceleração brusca do mesmo na saída do cano, tal qual a rolha de uma garrafa de espumante.
O detalhe é que esse fenômeno é perfeitamente possível de ocorrer em uma arma com trancamento como a 1911, mas pode nem ser notado em uma arma “blowback” como a INA.
Seria interessante dispor de pistolas com comprimentos de cano diferentes para confirmar essa tese (como uma Governamental, uma Commander e uma Officers), mas não disponho desse material.
Erick Tamberg
29/07/2015 at 10:31
Caro Carlos e Erick Tamberg,
bom certos conhecimentos são perdidos por mais cotidianos que sejam. Um deles é o caso da munição .45 ACP M4. Já tive a oportunidade de atirar com a Thompson, INA e com a M3(GRESE GUN) e justamente com essa foi que vi e constatei que o M4 é mais forte. Os estojos ficaram simplesmente no formata e de estrela, simplesmente estouraram e a mola não foi o suficiente para segurar o tiro. Foi um grande susto. Hoje seria impossível fazer uma análise de uma munição, digo em relação a pólvora, pela sua idade e degradação. O que o sei por informação de meu pai e companheiros seus do Exército que na década de 50 havia um estoque imenso de munição .45 sobras dos estoques da 2ª Guerra fornecidos pelo UNCLE SAM. Agora imagine uma produção feita para a guerra em altos volumes e ja meia velha….Justamente na mesma época apareceu a INA. Sua má fama no meu ver, além de ser feinha, ela originalmete uma Madsen de projeto em 9mm e tinha que usar essa munição velha. Virou uma arma não confiável. A CBC então deu uma melhorada na munição fazendo a M4. Bem não verifiquei se existia essa munição nos manuais americanos e como disse essa informação foi de fonte oral literalmente passada de pai para filho. Grande abraço e parabéns e obrigado pelas informações.
JULIO CALAZANS
28/07/2015 at 11:31
Erick, vou tentar encontrar esses dados, mas por ora estão desaparecidos.
Carlos F P Neto
28/07/2015 at 10:57
Carlos,
O amigo teria anotado o resultado dos testes em cronógrafo? Seria um dado interessante para resolvermos de vez o mistério. Infelizmente, o clube que frequento não dispõe de cronógrafo.
Mais dados curiosos: a última edição do livro “Balística Forense”, do perito criminal gaúcho Domingos Tocchetto, afirma que a munição M4 tinha tolerâncias máximas maiores no tocante ao diâmetro e peso do projétil, porém não as encontrei nas amostras que desmontei – salvo um único projétil que pesava 232 grains (diferença desprezível).
Em seu artigo, você observa que a munição nacional da época era de má qualidade e a verdadeira vilã dos males atribuídos à INA. Outra contradição é que os manuais militares da época especificam, para as demais armas, o uso de munições nacionais e norte-americanas. Para a INA, o manual não especificava o uso de munição norte-americana, mas apenas a M4 nacional. Se o problema das INAs era a má qualidade da munição nacional, não seria lógico a recomendação de uso apenas de munição norte-americana?
Trabalhei por quatro anos com uma INA M953 que recuperei do arsenal da instituição – até que solicitaram sua entrega definitiva para destruição….nesse período, disparei uns quinze carregadores com ela, usando munição “ball” de fabricação recente, sem uma única falha. Só os meus dedos que ficavam com a pele em frangalhos devido à falta da ferramenta de municiamento de carregadores.
Caso o amigo não a tenha, recomendo procurar a obra “Armamento Leve”, em dois volumes, de autoria do capitão Zamor Magalhães de Almeida, editada pela Academia Militar das Agulhas Negras em 1960, a qual condensa as informações dos manuais técnicos de todas as armas leves em uso no EB naquela época – das pistolas Colt à metralhadora .50 e lança-rojão.
Erick Tamberg
27/07/2015 at 12:25
Erick, de certa forma eu contesto sua afirmativa; não só já disparei cartuchos M4 em uma Colt 1911, juntamente com os cartuchos CBC de carga normal atuais, e sente-se tanto no estampido como no recuo da arma a maior energia da M4. Não contente, fizemos medições com cronógrafo e a velocidade também é maior. Agora, não sei como explicar isso, baseado nos seus testes e nas aferições das cargas.
Carlos F P Neto
22/07/2015 at 15:47
Prezado Carlos,
Ainda sobre as M4, tem mais um item que esqueci de mencionar: os Manuais de Campanha do exército de ambas as armas (pistola Colt 1911 A-1 e INA) dão a mesma velocidade de boca para ambas as armas (255 metros por segundo), apesar do maior comprimento de cano da submetralhadora. Para a Thompson, que tinha o cano um pouco mais longo e não havia a restrição para se usar apenas munição “M4”, a velocidade inicial é de 270 metros por segundo.
Erick Tamberg
21/07/2015 at 10:21
Prezado Carlos,
Fiz um estudo sobre a munição M4 das INAs, e cheguei a conclusão contrária do que todos pensam: na verdade, a munição M4 era mais fraca do que as cargas normais. Afirmo isso baseado nos seguintes fatos:
1 – Desmontei munições M4 e outras da CBC fabricadas em 1948. Pesei projéteis e cargas de pólvora. As de 1948 tinham 6,1 grains de carga de pólvora, contra 4,6 grains das M4. Algumas caixas de munição indicam que a pólvora utilizada no .45 M4 era a PV2P. As tabelas de recarga modernas indicam cargas em torno de 6 grains de PV2P para munição militar padrão (próxima, portanto, da carga original como a usada pela CBC antes da adoção das INAs).
2 – Os manuais militares da época, ao contrário do que se afirma, não contra-indicavam o uso da M4 nas pistolas Colt e nem nas Thompsons, porém, havia a recomendação de que a INA fizesse uso exclusivo de munição M4. Seria ilógico que uma arma mais leve como a INA só pudesse utilizar cargas mais potentes, enquanto as pesadas e robustas Thompson pudessem utilizar qualquer uma sem distinção.
3 – A conclusão lógica é que a M4 era uma munição “menos P” desenvolvida para melhorar a controlabilidade das INAs em tiro automático (já que não tinham seletor de tiro intermitente) e diminuir o nível de desgaste do armamento.
4 – Algumas fontes informam que a CBC adotou procedimento similar com a munição .40 S&W, após algumas PT-100 e submetralhadoras FAMAE explodirem ou racharem. Veja que, nesse sentido, a FAMAE é uma reedição da alteração de calibre original feita na INA meio século antes!
Erick Tamberg
17/07/2015 at 16:29
Adriana, a Casa Laporte não tinha fábrica no Brasil. Por curiosidade, em 1818 Alexandre Laport embarca para o Brasil com o objetivo de negociar armas e ferramentas no Rio de Janeiro. Em 1825, ele está instalado na cidade na esquina da Alfandega e Dos Ourives. Enquanto isso, seu filhos, Louis, Henri e Guillaume ficaram sócios na empresa sob o nome de Alexandre Laport & Fils até 1859, então sob o nome de Frères Laport. A viúva de Louis Laport compra a firma e torna-se única proprietária com o nome Veuve Laport & Co.
Com sua morte, seu filho Henri muda o nome para Laport Henri & Co. até 1895. Em 1896, Emile Laport, filho de Henri, muda o nome da empresa para Laport Emile & Co. Em 1913, com mais alguns amigos que entram de sócios, cria-se uma sociedade limitada da qual ele torna-se o presidente. A atividade da empresa centrou-se na fabricação, a importação e a venda de armas. A fábrica que os Laporte possuíam era em Liège, na Bélgica. Abraços.
Havia também hardware, munições, acessórios etc
Em 1918 Laport empresa representa várias empresas belgas no BRASIL.
Outros escritórios estão Laport cabeça fundada em Marrocos, em Casablanca, e Lima, no Peru.
Carlos F P Neto
15/06/2015 at 17:58
Oi gente.
Lembro que está faltando a Fábrica de Carabinas Laport (Emile Laport, Rio de Janeiro, Rua da Alfandega).
Até mais!
Adriana
Adriana Silva Martins
10/06/2015 at 23:37
muito legal estes comentários
silvio adriano da silva paiva
05/06/2015 at 10:38
achei uma modelo “top-break” da Castelo, em calibre .32 S&W (curto), capacidade de 5 cartuchos mas nao sei onde esta gravado a numeraçao. nao numeravam ou registravam? legal muito legal seu site parabens shiomineto@globomail.com
shiomineto@globomail.com
29/05/2015 at 17:45
Julio, estamos planejando uma revisão do artigo das Antigas Fábricas de Armas, onde a URKO será citada. Grande abraço.
Carlos F P Neto
25/04/2015 at 15:31
Carlos, acompanho seu excelente trabalho a algum tempo, e cada vez mais admiro seu conhecimento. Sugestões não faltariam pois os assunto é amplo e muito interessante. Porem dentro desse assunto, antigas fabricas, a URKU que produziu duas carabinas em .22Lr e .38. Olha em 30 anos em atividades de tiro essa .38 só tive uma oportunidade de lidar e atirar com ela. Tens mais informações da mesma?
JULIO CALAZANS
20/04/2015 at 22:47
Luiz, fixo te devendo essa informação; são carregadores muito difíceis de se achar e somente fazendo experiências com de outras armas poderia se chegar a uma solução.
Carlos F P Neto
18/03/2015 at 21:19
prezado Carlos, ganhei um rifle caramuru 22 de ferrolho do meu avô, mas o mesmo esta sem o carregador, sera que dar para adaptar algum, se der qual carregador é o mais parecido
luiz fernando de lima
18/03/2015 at 13:54
Muito esclarecedora a exposição.Para vermos como os antigos tinham idéias e iniciativas.Também esclarecedora a informação sobre a Metralhadora INA e as razões do seu Insucesso. Está de parabéns pelo documentário, agregando informações úteis.
anor maciel
01/03/2015 at 0:23
Pedro, saudações. Infelizmente não negociamos e não intermediamos vendas de armas. Mesmo assim, grato pelo contato.
Carlos F P Neto
22/02/2015 at 10:16
Tenho uma Chapina 32-20, que comprei na década de 70. Está registrada em meu nome. Tenho interesse em vende-la.
Pedro L. Signore
21/02/2015 at 22:22
Belas armas
José sandro leite
10/02/2015 at 23:17
Jean, um prazer tê-lo como leitor.
Carlos F P Neto
24/01/2015 at 19:08
Prezado Carlos! Parabéns pela iniciativa e pela riqueza de detalhes e explicações sobre armas antigas. Como admirador de armas em geral, congratulo-me com o se entusiasmo. Forte abraço.
Jean Louis
23/01/2015 at 15:01
Flavio, infelizmente não se tem muitos dados a respeito das armas produzidas pela Chapina, mas o que sabemos é que a produção de armas de ar comprimido da Chapina ocorreu de 1964 a 1975.
Carlos F P Neto
01/01/2015 at 16:33
Caro amigo eu comprei uma espingarda de pressão chapina de um grande amigo. .ela é de calibre4,5 representa ser bem antiga. .Gostaria que me desse uma informação de quanto tempo mais ou menos ela tem. ..Por favor agradeço muito obrigado
flavio garbo
31/12/2014 at 12:17
Ferdinando, a carabina Chapina era em calibre .32-20 Winchester e não .38 SPL. Abraços.
Carlos F P Neto
03/12/2014 at 18:17
Muito bom encontrar pessoas que valorize nossa historia. Acredito que tenho 1 carabina chapina que parece muito com a da foto sem o orificio do polegar e sem o pente, alem disso o calibre me intriga pois bala de 38 fica fina.
ferdinando ppassos
02/12/2014 at 18:38
Luiz Carlos, não conheço a Castelo calibre 26, não será 22? Colecionadores, infelizmente, não costumam comprar armas não registradas. Sinto não poder ajudar.
Carlos F P Neto
16/10/2014 at 14:33
Carlos, herdei de meu pai uma castelo calibre 26, em perfeitas condições e como não gosto de armas gostaria de saber se posso vende-la a um colecionador.
Luiz Carlos Fernandes
16/10/2014 at 9:09
Sandro, essa peça terá que ser feita mesmo; muita gente a perdeu porque no rifle Nylon 66 ela era só encaixada no ferrolho. Já vi muitas em alumínio; o que posso te fornecer é uma foto e as medidas. Um abraço.
Carlos F P Neto
15/10/2014 at 16:59
Amigos, como faço para conseguir a peça (tipo uma orelhinha) de plastico que serve para armar a flobe cal. 22 CBC semi-automática 15 tiros
Sandro
15/10/2014 at 11:35
Evaldo, você não é o primeiro a perguntar sobre isso. O problema é que a Rossi não me forneceu informações sobre isso desde que foi feita a primeira pergunta, de outro leitor, alguns anos atrás. Infelizmente vou ficar devendo porque, como se percebe, nesse nosso país, realmente, não se preserva a história.
Carlos F P Neto
09/10/2014 at 17:21
Nobre Carlos tentei encontrar porém sem exito sobre a historia das carabinas pumas ano de fabricação 1985 série comemorativa Farroupilha calibre .38 spl… por seu vasto conhecimento poderia explanar um pouco mais sobre estas carabinas ? que alias possuem uma cena gravada a laser da revolução de um lado e do outro um selo comemorativo de 150 anos da revolução…ficarei muito grato sobre as informações…abraço Evaldo
EVALDO SIQUEIRA DE SOUZA
09/10/2014 at 11:43
Carlos, Muito obrigado pela atenção, tenha um bom dia.
Ubiratan Furtado
03/10/2014 at 11:01
Ubiratan, creio que até deveria, como também citar a Vigorelli, que teve seu projeto de submetralhadora avaliado pelo Exército. Porém, o foco do artigo cai mais nos fabricantes que produziram armas comerciais em série, o que não foi o caso de ambas citadas acima. Muito grato pelo seu contato.
Carlos F P Neto
01/10/2014 at 12:23
Bom dia o fabricante da submetralhadora URU (Mekanica), não caberia ser mencionado neste artigo?
Ubiratan Furtado
01/10/2014 at 10:55
Ivan, a INA gravava o número serial de seus revólveres na base da empunhadura. Abraços.
Carlos F P Neto
24/09/2014 at 21:34
boa tarde…..sou perito criminal do Instituto de criminalística de Catanduva/ SP e necessíto saber qual a região de gravação do numeral de série do revólver INA .32. agradeço a atenção antecipadamente….
Ivan Passeto
24/09/2014 at 16:53