Fuzís Mauser no Brasil e as Espingardas da Fábrica de Itajubá (Rev. 2)
UM POUCO DA HISTÓRIA
Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil não possuía nenhum arsenal ou fábrica de armas, fosse ela privada ou não, capaz da produção em larga escala de equipamentos militares para suprir a demanda do Governo Brasileiro. O armamento aqui empregado, tanto nas Forças Armadas como nas Polícias Militares estaduais era um misto de contratos e importações oriundo, basicamente, da França e da Alemanha. Já naquela época o mais bem equipado e armado Estado da então República dos Estados Unidos do Brasil era São Paulo, cuja milícia denominada de Força Pública, pelo número de homens e quantidade de equipamentos, podia ser comparada a um pequeno exército.
O Governo Brasileiro já havia efetuado vários contratos de importação de armamentos leves, mas o mais importante deles foi a dotação do fuzil Mauser modelo 1893 chamado na Europa de modelo espanhol, no ano de 1895, em calibre 7mm X 57mm, para substituir o seu antecessor, o fuzil da comissão alemã Gewehr 88, que aliás é objeto de um artigo neste site. Posteriormente, a partir de 1910, outra grande aquisição do governo junto à D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik), de 400.000 armas, veio se juntar à anterior, mas agora com os novos modelos Mauser 1898, que aqui passaram a ser denominados de modelo 1908. Falaremos disso mais adiante, com mais detalhes.
Com a federalização oriunda após a proclamação da República, os estados possuíam autonomia para adquirirem armamento sem necessitar passar por aprovações dos arsenais federais, de forma que isso facilitou muito a aquisição de armas diretamente dos fornecedores na Europa.
Desta maneira, a Força Pública de São Paulo também adquiriu grande quantidade destes fuzis diretamente da D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik, de Berlim , Alemanha. Da França, o Governo do Brasil também importou em razoável quantidade as metralhadoras Hotchkiss, onde se escolheu manter, para essas armas, o calibre padronizado de 7mm X 57mm Mauser, o mesmo dos fuzís importados da Alemanha. Na área das armas curtas, houve aquisições importantes de diversas nações, como o revólver “D’ Ordenance Mdle. 1892”, erroneamente chamado de Lebel, os revólveres do tipo Nagant, oriundos da Bélgica (Pieper) e da Alemanha (Simson & Sohn) , bem como as pistolas semi-automáticas alemãs Parabellum (Luger), trazidas em um lote de 5.000 peças, em 1906.
Em 16 de julho de 1934 funda-se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, inaugurada em 1935. Paralelamente, em 1939, foi reestruturada a antiga Real Fábrica de Pólvora da Estrela na cidade de Majé, estado do Rio de Janeiro, criada em 1808 na Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo imperador D. João VI. Ela funcionou como uma organização militar vinculada ao Ministério do Exército até 1975.
Em 1960 a F.I. chegou a produzir cerca de 50.000 pistolas M1911A1, sob licença da Colt, a fim de suprir demanda do Exército Brasileiro. Em 1975, durante o regime militar, o governo brasileiro funda a IMBEL, Indústria de Material Bélico do Brasil, que mantém sob sua alçada as unidades de Itajubá, Juiz de Fora e de Magé.
Segundo informações da própria Imbel em seu site, há indicativos que a criação desta empresa pública ocorreu em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo de Ernesto Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial.

Com a sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente na produção de equipamentos militares.
Em 1983 atravessou período conturbado financeiramente e acabou cedendo sua fábrica de munições, situada em Realengo, para a CBC. Em 1985 fechou um contrato com a Springfield Armory e produziu diversas variantes da pistola, chegando algumas delas a serem adotadas pelo F.B.I. Pelo menos até o ano de 2004, a Imbel detinha 30% das ações da CBC e mantinha uma joint-venture com as empresas South America Ordnance, a Royal Odnance e a Schahin Participações, essa última de controle nacional.
Entrada da Fábrica de Itajubá, MG
Mas, voltando bastante no tempo, vamos nos posicionar quanto à dotação de armas longas efetuadas pelo Governo Brasileiro após a Guerra de Canudos. Como já explorado em outro artigo neste site, ainda em 1873 o governo havia adotado as carabinas belgas Comblain, que teve uma longa participação ativa nas fileiras militares brasileiras. Somente em 1892 é que começaram a ser substituídas pelos fuzís alemães modelo 88, o “Gewehr 88”, em calibre 7,92X57mm, uma vez que no mundo todo a tendência era a de substituição de armas longas utilizando cartuchos de pólvora negra pelos novos cartuchos de pólvora sem fumaça, em calibres de menor diâmetro e mais velozes.
Os fuzis modelo 88 (veja artigo sobre eles, aqui no site) tiveram uma vida de serviço curta no Brasil, devido a uma série de problemas ocorridos com a arma durante a Revolução Federalista e posteriormente, no conflito de Canudos. Em 1894, a Comissão Técnica Consultiva, que estranhamente já havia deixado de lado a ideia de adotar as carabinas “belgas” da Mauser modelo 1889, em favor dos fuzis 88, voltou a pensar nelas como alternativa.
Mas a essa altura, decidiu-se sabiamente por importar algo mais moderno, um modelo similar ao fuzil que já era utilizado na Espanha, e que chegou por aqui como sendo o Mauser modelo 1893, denominado aqui de mod. 1894 em virtude de que a maioria deles vieram com suas câmaras datadas com este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos primeiros lotes, vieram datadas de 1895. No entanto, documentos oficiais determinam que a denominação correta dessas armas é fuzil Mauser modelo 1895.

Ao lado, o fuzil Mauser mod. 1895, em cal. 7X57
Cerca de 75.000 armas foram entregues ao Governo. Em 1899, um inventário acusou 57.000 delas, só no Rio de Janeiro. Mas, estima-se por volta de 100.000 armas a quantidade da compra desse modelo, que desembarcou em terras tupiniquins ainda em tempo de participar de diversos conflitos armados tais como a Revolução Federalista, a Revolta da Armada e a Guerra de Canudos, mas ainda convivendo lado a lado com as carabinas belgas Comblain e os fuzís modelo 1888. Como o Exército, na época, contava com um efetivo em tempos de paz de 28.000 homens, e cerca do dobro disso em período de guerra, essa aquisição serviu para substituir todo o estoque de armas antigas existentes, tanto as Comblain como o modelo 1888, e mais ainda, o que restava dos fuzis Kropatcheks e das raras carabinas belgas de 1889 em calibre 7,65mmX53.
As dimensões do fuzil Mod. 1895 eram: Comprimento: 1,231m – Peso: 3,75Kg – Comprimento do cano: 0,741m. O raiamento consistia de 4 raias destrógiras. As carabinas 1895, bem mais raras de se encontrar hoje em dia, mediam 0,949m, cano com 0,457m e peso de 3,103 Kg. A produção variava entre as alemãs DWM (Deutsche Waffen und Munitionsfabriken) e a Ludwig Loewe, bem como a belga FN (Fabrique Nationale D’Armes de Guerre).

Detalhe da ação Mauser do modelo 1894
Em 1908, o governo resolve substituir o modelo 1895 pelo mais moderno e reforçado modelo da Mauser, o 1898, mas ainda em calibre 7X57mm, embora as armas do modelo 1895 continuaram em uso até meados da década de 50. Muitas delas foram equipar as Polícias Militares de alguns estados, como o do Rio de Janeiro, que mesmo nos anos 90 ainda eram vistas nas mãos de integrantes da PM daquele estado. O novo fuzil Mauser 1898 passou a ser denominado aqui como Mauser modelo 1908. No Exército ganhou o nome técnico de Fuzil Ordinário 08 (zero-oito)
O fuzil M1908 media 1,247m, cano com 0,742m e peso de 3,796 Kg. A ação do 1898 trouxe interessantes melhoramentos em relação ao de 1893. O curso do percussor foi ligeiramente encurtado, e um sistema diferente de engatilhamento foi implementado, permitindo que a arma fosse engatilhada somente com o levantamento da alavanca de manejo. Além disso, a espessura do cano na região da câmara foi aumentada; no ferrolho, mais um ressalto de trancamento foi adicionado na parte traseira e foi adicionada um trilho-guia superior, que possibilitava menos balanço lateral do corpo do ferrolho quando de seu manejo. Toda a ação foi ligeiramente aumentada no comprimento para possibilitar uso de cartuchos mais longos. Orifícios laterais no corpo do ferrolho possibilitavam o extravazamento de gases da combustão no caso de perfuração da espoleta, endereçando esses gases poara o carregador. Um retém também foi adicionado no alojamento traseiro do ferrolho para evitar que ele fosse girado acidentalmente quando removido da arma.
A coronha era dotada de um perfil com punho-pistola, telha de madeira cobrindo toda a primeira metade do cano, deixando emergir a alça de mira, graduada até 2.000 metros. O engate para baioneta foi modificado de forma que as baionetas do modelo 1895 não são compatíveis. O acabamento da caixa da culatra era deixado “no aço”, sem oxidação, tal como o ferrolho.
O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”.
O período de maior aquisição de Mausers da D.W.M. feito pelo Governo Brasileiro foi entre 1908 e 1914, no volume de 400.000 peças, quando eclodiu a I Guerra e a D.W.M. não tinha sequer condições de suprir o mercado interno em tempos de guerra. Posteriormente, a aquisição de armas fornecida pela C.Z., da Tchecoslováquia, ocorreu principalmente de 1922 a 1924, com o fuzil conhecido como VZ24. (N.A.: as letras VZ são uma abreviatura da palavra tcheca “vzor”, que significa “modelo”; portanto se trata de uma redundância o costume de alguns autores citarem esse fuzil como “modelo VZ 24”). Um detalhe histórico interessante foi a importação feita pelo governo do Estado de São Paulo, de 15.000 carabinas da C.Z. (Tchecoslováquia), no ano de 1932, para suprir as tropas revolucionárias que se ergueram contra Getúlio Vargas; a chamada Revolução Constitucionalista.

Detalhe da culatra do Mauser M1908 do Contrato Brasileiro – coleção particular

Detalhe da alça de mira graduada até 2.000m – Mauser 1908 – coleção particular
Da Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, a F.N. de Herstal, Bélgica, o Exército importou grande quantidade de carabinas, também entre os anos de 1922 a 1924, para uso de tropas de artilharia e cavalaria. A quantidade correta de armas importadas ainda não é devidamente comprovada. A ação era do Mauser 98, em calibre 7mmX57mm, alavanca de ferrolho curvada para baixo e a coronha seguia o estilo “inglês”, sem punho-pistola. A telha era de madeira do tipo inteiriça, apenas com uma abertura, de onde emergia a alça de mira. A braçadeira dianteira era do tipo estreito, não a tradicional em forma de H mais comumente encontrada nos fuzís. As carabinas mediam 1,063 m de comprimento, cano com 0,558 m e peso total de 3,601 Kg.
As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação tipo 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.
Em 1930, a reviravolta política causada pela ascensão de Getúlio Vargas e a proclamação do “Estado Novo”, sistema modelado em vários aspectos à ditadura fascista de Mussolini, alavancou sobremaneira a reequipação das Forças Armadas. Além disso, no nordeste do país vinha crescendo a ameaça constante do cangaço. Por essa razão, e com a produção um pouco limitada da Fábrica de Itajubá, o governo aceitou uma proposta da Mauser Werke, da Alemanha, já sob controle do partido nazista, que cultivava uma simpatia discreta com o Governo Getulista.

Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo – o número serial foi removido da foto por privacidade – (acervo particular)
Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado
A Mauser, embora ainda debaixo das normas do Tratado de Versalhes e produzindo “secretamente” armas para equipar o Exército Alemão, ofereceu ao governo brasileiro o preenchimento desta demanda, com o Modelo 1935, em versões de fuzil ou de carabina. Essas armas, uma produção pré-guerra, apresentavam o que de mais perfeito a Mauser podia exibir no que tocava à acabamento e qualidade.
Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano.
Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.
Na verdade essas armas eram idênticas ao modelo alemão de 1898, aqui adotado como M1908, com exceção da alça de mira tangencial já utilizada neste último modelo, além da incorporação de um rebaixo efetuado na parte frontal da coronha para melhorar a aderência da mão. Desta forma, essa similaridade não apresentava dificuldades maiores para o treinamento dos soldados, já acostumados à arma. Grande parte dessa importação permaneceu em arsenais brasileiros praticamente sem uso até a sua substituição pelo Mosquetão Itajubá, a partir de 1950, com a adoção do calibre .30-06 Springfield pelas Forças Armadas Brasileiras. Acredita-se que grande parte desses Mauser foram posteriormente retrabalhados e transformados no Mosquetão M1949.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia. Coleção particular.
Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.
O MAUSER “BRASILEIRO”
Devido à grande demanda de fuzis para suprir as Forças Armadas Brasileiras durante a primeira metade do século XX, a Fábrica de Itajubá iniciou a fabricação “em casa” dos Mauser mod. 1908 como alternativa às importações que eram geralmente feitas junto à D.W.M. na Alemanha (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik) e da C.Z. (Ceska Sbrojovka), na então Tchecoslováquia, com a utilização de madeiras locais ao invés das nogueiras européias. Foi então que a partir de 1934, e como forma de minimizar a dependência de importação de armas, a Fábrica de Itajubá decidiu produzir fuzís e carabinas no Brasil, originando assim o chamado modelo 1908/34, uma versão “nacionalizada” e encurtada, nos moldes das carabinas.

Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm
Em 1949, após a II Guerra, onde o Brasil participou com a F.E.B. nos campos de batalha da Itália, por influência e acordo militar com o governo norte-americano, o Exército resolveu adotar o calibre .30-06 como regulamentar, embora o 7X57mm continuou ainda, e por muito tempo, presente em algumas unidades do Exército, bem como nos “Tiro de Guerra”. Com essa modificação, a Fábrica de Itajubá começa a produzir uma carabina Mauser, baseada no 08/34 mas em calibre .30-06 Springfield, aqui batizada por Mosquetão (Carabina) Itajubá M1949. Posteriormente, uma segunda série com pequeníssimas mudanças, tais como a boca do cano rosqueada para permitir montagem de lança-granadas e quebra-chamas, foi fabricada em 1954, originando assim o Mosquetão Itajubá M954.
Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield, baseado na ação Mauser de 1898
Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças
Ainda em 1949 os engenheiros da fábrica participaram de um projeto de produzir uma cópia do fuzil semi-automático alemão Gewehr 43, um projeto da Carl Walther e que foi usado nos anos finais da II Guerra. Como as patentes alemãs expiraram ao final da guerra, esse fuzil poderia ser copiado sem problema de pagamento de royalties. No entanto, foi apenas produzido em pouca quantidade e não foi adotado por nenhuma força militar no Brasil.
Cópia do Gewehr 43 alemão produzido em 1949 pela Fábrica de Itajubá (coleção particular)
Em 1964, o Exército Brasileiro resolve adotar o fuzil semi e automático belga, o F.N. denominado F.A.L. (Fuzil Automatique Legère), ou fuzil automático leve, utilizando o cartucho padrão da OTAN, o 7,62mmX51, cartucho baseado no .308 Winchester. Paulatinamente, esse fuzil começou a substituir os mosquetões Itajubá M949 e M954, ainda em calibre .30-06. Em 1967, a fim de reduzir custos e poder padronizar mais rapidamente o calibre utilizado pelo Exército Brasileiro, a Fábrica de Itajubá resolve modificar cerca de 10.000 mosquetões para que pudessem usar o novo cartucho, aproveitando também para aliviar o peso da arma. Assim nascia o M968, apelidado pelo exótico nome de “Mosquefal”.
Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO
Essa transformação era de natureza simples. Como o culote do cartucho 7,62mmX51 tem exatamente o mesmo diâmetro do .30-06, não houve necessidade de se modificar nada no ferrolho, caixa de culatra e mecanismo de disparo. A alça de mira tipo Mauser foi eliminada, sobre o cano, e a telha de madeira, agora, não tinha mais a abertura superior para ela. Foi desenvolvida uma alça de mira traseira, tipo “peep-sight”, algo semelhante à usada no fuzil norte-americano Enfield 1917. Além disso, foi acrescentada uma massa de mira mais alta e um quebra-chamas, com suporte para possibilitar montagem de um lança-granadas, o mesmo utilizado pelo FAL. Essa arma ainda se encontra em uso até hoje em diversas unidades de “Tiro de Guerra”. Desta forma, foi decretada a “morte” definitiva do cartucho .30-06 Springfield nos quartéis brasileiros.
Durante as décadas de 70 a 80 a Fábrica de Itajubá lançou algumas carabinas baseadas nas ações Mauser de fuzís que eram, progressivamente, sendo recolhidos nas unidades do Exército, além do que ocorria com os leilões organizados pelo E.B. a fim de vender essas armas, ora obsoletas, para militares e colecionadores registrados.
Algumas dessas carabinas, feitas em muito pouca quantidade, foram distribuídas para algumas unidades policiais e para serem usadas em veículos militares. Eram carabinas curtas, chamadas de Officer, talvez uma alusão ao fato de serem utilizadas por oficiais. Segundo meu amigo e expert em fuzis, J. Renato M. Figueira, a intenção era de se fazer uma carabina do tamanho da americana .30M1. Tanto as ações de fuzis Mauser 1894 e 1898 foram utilizadas. Várias dessas armas foram, posteriormente, leiloadas pela Imbel. Conta Figueira que várias dessas peças, em leilão, estavam com suas coronhas tomadas por carunchos. O acabamento era o parquerizado, mais barato e simples de se fazer do que oxidação à quente e eram fornecidos com bandoleiras de lona.
AS ESPINGARDAS
Em meados da década de 60, diversos fuzis remanescentes do modelo 1894 em cal. 7X57mm. se encontravam completamente fora de serviço e espalhados por várias unidades do Exército Brasileiro. Surgiu então a idéia de se reaproveitar esse armamento, a grande maioria deles em perfeito estado; ao invés de serem destruídos, e lançando mão de pouquíssimo investimento, a Fábrica de Itajubá resolve transformá-los em uma arma para venda no comércio, destinada à caça; uma espingarda de alma lisa.
A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor
Da grande quantidade de armas recuperadas dos quartéis e depois de passarem por uma triagem, aproveitava-se a coronha com a soleira de metal, a ação completa (caixa de culatra com mecanismo de disparo, ferrolho e armação do carregador) e os acessórios da coronha como anilhos e presilhas de bandoleira. As coronhas foram aliviadas e “afinadas” em algumas de suas partes, o que tornou a arma mais leve. O cano, bem como as miras, eram removidos e em seu lugar entrava um novo cano de alma lisa, fabricado na própria Itajubá. Foram escolhidos dois calibres para estabelecerem as duas versões da espingarda; o calibre 28 e o 36. Como não havia mais a alça de mira regulável, a nova telha que recobre parte do cano teve que ser refeita, por não ser possível a original ser reaproveitada. Note a coronha típica dos Mauser 1894, sem punho-pistola.
De acordo com o leitor Marcos Letro, militar e instrutor de tiro, as primeiras espingardas em calibre 36 foram colocadas à venda em 1962, oferecida para sargentos e oficiais do Exército, na época pelo preço de Cr$ 1.000,00 (Mil Cruzeiros ). Os modelos em calibre 28 foram lançadas entre 1964 e 1965, pois ainda havia disponibilidade de muitas peças em estoque. A esta altura, as espingardas já se encontravam à venda nas lojas de caça e pesca do país. O autor adquiriu uma calibre 28 no final de 1965, ao preço de Cr$ 45.500,00. Os pistolões, mais difíceis de serem encontrados hoje em dia, em calibre 36, foram os últimos a serem fabricados, pois não havia mais disponibilidade de coronhas, diz o leitor colaborador.

Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28
A escolha desses dois calibres não foi feita tão somente pelo fato de serem, na época, muito populares para caças pequenas e de aves. O fato é que, no caso do calibre 28, havia uma feliz coincidência de que os cartuchos podiam se encaixar corretamente, de ambos os lados, nas abas do carregador, mas somente em número de dois, um em cima do outro. Havia a possibilidade de se colocar mais um cartucho diretamente na câmara, o que fazia a arma comportar tres cartuchos.
A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.
No caso do calibre 36, a coisa era mais fácil de se adaptar; nem foi necessário o uso de uma lâmina de transporte do carregador dos cartuchos de forma plana, como no caso da 28; podia-se usar a mesma lâmina original do fuzil, com a nervura de divisão central, visto que os cartuchos podiam ser carregados de forma bifilar tal como os originais em calibre 7X57mm.

Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.
Infelizmente nos faltam dados sobre a produção e vendas dessas duas espingardas, bem como até que ano foram produzidas, mas acredita-se que até meados da década de 70; depois de várias tentativas de contato com a Imbel, não obtivemos resposta e colaboração dela neste sentido. Talvez, se um dia recebermos essas informações, elas serão sem dúvida adicionadas aqui. Mas, pode-se afirmar sem medo de errar que essas espingardas foram bem vendidas. O preço era convidadivo, custando um pouco mais que uma espingarda da Amadeo Rossi ou da CBC, modelos de um cano, de cão externo, armas bem mais simples.
Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28

Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28
Os modelos eram fornecidos com canos em “full-choke“, ou seja, com um certo estrangulamento, característica que aliada ao grande comprimento do cano (740 mm), permitia um alcance considerável para o calibre. O autor fez testes do tipo “pattern” na espingarda de calibre 28, em alvo de papel, para se avaliar a densidade de chumbos. A 10 metros de distância, o diâmetro da chumbada de número 7 estava em torno de 40 centímetros, o que mostra uma concentração muito grande.

Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm
Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil para uso com cartuchos de caça, a arma muito dificilmente dava problemas de alimentação e de ejeção. Porém, os cartuchos tinham que ser do tipo com boca rebordada, de papelão ou plástico. Cartuchos de metal, do tipo “Presidente” produzido pela CBC, em virtude de terem a boca em canto vivo, enroscavam na alimentação. Outro fator importante era a qualidade do produto e sua durabilidade, pois com excessão do cano, se tratava de um fuzil fabricado na Alemanha com os melhores materiais de que se dispunha na época. Sem dúvida, uma arma que duraria por várias dezenas de anos, se convenientemente bem tratada.

Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez

Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.
Uma variante bem mais rara, derivada do mesmo projeto, foi uma espécie de pistolão, lançado no calibre 36 nos finais da produção, por ainda possuírem em estoque o mecanismo da ação, mas não mais dispondo mais de coronhas. O pistolão usava uma coronha tipo pistola, com a empunhadura posicionada logo abaixo da culatra e um pequeno fuste colocado na parte anterior, sob o cano, que tinha pouco mais de 30 cm. de comprimento. Era um pouco desconfortável o manuseio da ação por ferrolho, uma vez que a mão esquerda deveria estar empunhando a arma enquanto a direita abria o ferrolho. Esse pistolão foi bem menos disponibilizado no mercado do que as espingardas.
Pistolão Imbel em cal. 28 – cortesia de um leitor, utilizando a ação Mauser do tipo 1898
Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)
Os últimos exemplares produzidos, já com a empresa utilizando seu novo nome, Imbel, usavam ações do Mauser tipo 1898 oriundas de fuzis remanescentes do Contrato Brasileiro de 1908. Acredita-se que essas últimas saíram de linha no começo dos anos 90. Mesmo nos fuzis Mauser, a ação modelo 1898 tem uma diferença marcante em relação à modelo 1893, dentre outras visando maior segurança: na ação 1898, o simples fato de se erguer a alavanca do ferrolho e baixá-la novamente, já arma o percussor. Na ação 1893, após a alavanca erguida, o ferrolho tem que ser puxado um pouco para trás para se proceder ao engatilhamento.

Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior – (Foto cortesia de D.A.N.)

Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)

Outra variação da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre

Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos. (Foto cortezia de D.A.N.)
Acima, colaboração do leitor Emanoel Oliveira, catálogo da Imbel com dois modelos da espingarda cal. 28GA e um modelo pistolão.
DETALHES DE FUNCIONAMENTO
De maneira análoga ao manuseio do fuzil Mauser, abre-se a culatra puxando-se o ferrolho totalmente para trás. Insere-se dois cartuchos no carregador (cal. 28), por cima, de forma que o último fique retido pelas abas traseiras. Um terceiro cartucho pode ser inserido diretamente na câmara. Neste caso, antes de fechar o ferrolho, exerce-se uma pequena pressão para baixo no cartucho para que o ferrolho passe por cima dele e tranque sobre os cartuchos existentes na câmara.

Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36
Após cada disparo, o ferrolho necessita ser aberto até o final de seu curso, ejetando o cartucho vazio; fecha-se novamente o ferrolho, quando o cartucho seguinte no carregador se solta das abas, para ser alimentado. Em relação aos cartuchos utilizados, dever-se tomar o cuidado de se usar os designados para câmaras de 65mm e não os de 70mm, que poderá ocasionar problemas sérios.
O mecanismo de gatilho, mantido exatamente como o original, não é particularmente muito duro, mas tem a característica típica dos fuzis Mauser, que são os dois estágios bem definidos e com curso bem longo. De qualquer forma, mesmo se tratando se arma derivada de um fuzil militar, o acionamento do gatilho é macio.
A trava de segurança, que é de uma eficácia a toda prova pois impede de forma muito consistente o movimento do percussor, funciona da seguinte maneira:
À esquerda, ferrolho destravado e desengatilhado; no centro, arma engatilhada e travada (o ferrolho pode ser manuseado desta forma com total segurança); à direita, trava total acionada, que não permite nem a abertura do ferrolho para manuseio.
Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.
O ferrolho pode ser retirado da arma com muita facilidade. Do lado esquerdo da culatra há um retém, articulado em um pino, com um ressalto serrilhado na parte superior. Abre-se o ferrolho até o final do curso, abre-se esse retém para fora, puxando-o para a esquerda e retira-se o ferrolho. Ao recolocar o ferrolho na arma, não é necessário se mover o retém, mas atenção com o posionamento correto da lâmina do extrator.
O funcionamento da calibre 36 era mais garantido do que na 28. Nesta última, o autor teve a oportunidade de usar várias delas, a extração nem sempre ocorria de forma adequada. Interessante citar que cartuchos carregados eram extraídos com mais eficiência do que os vazios. Muitas vezes, esses eram corretamente extraídos da câmara mas por questão de ajustes, eram “largados” pelo extrator no meio do percurso, antes de atingirem o ejetor, que fica localizado na trava do ferrolho, lado esquerdo da caixa da culatra.
CONCLUSÃO
Trata-se de uma arma curiosa, tanto nos aspectos técnicos como da forma como foi idealizada. No Brasil da década de 60, com pouquíssimos fabricantes concorrentes e nenhuma espingarda com padrões altos de qualidade, diga-se de passagem, a Fábrica de Itajubá teve a chance e a idéia interessante de reaproveitar armas militares, cujo destino certo seria a destruição, e lançar uma espingarda no mercado, com investimento baixíssimo e praticamente nenhum custo de desenvolvimento.

Mesmo se tratando de uma adaptação, a arma tinha suas virtudes como extrema resistência, qualidade dos materiais e robustez a toda prova. Sua semelhança com os fuzis Mauser de repetição podem ter inclusive, ajudado nas vendas pois era uma arma atraente e muito mais vistosa que as simples espingardas de um tiro e de um cano existentes na época.
À esquerda, o autor em ação, caçando codornas com a Itajubá 28, na década de 60
A desvantagem ficava por conta do tamanho avantajado, embora os modelos em calibre 36 tiveram uma opção que utilizava canos mais curtos; em relação ao transporte, elas eram realmente um tanto incovenientes e chamavam muito a atenção, pois não tinham o recurso comum nas espingardas tradicionais de se separar o cano do resto da arma, inclusive sem uso de ferramentas.
O acabamento é muito bom, de modo geral, com o madeiramento bem conservado e envernizado brilhante, e peças em aço com oxidação negra brilhante. O ferrolho foi mantido em aço puro, sem acabamento algum. Estéticamente a arma peca um pouco pela parte dianteira onde, com a retirada do prolongamento do fuste do fuzil, a coronha termina de forma um tanto abrupta.
A ITAJUBÁ HOJE
Hoje, a fábrica de Itajubá é parte do complexo fabril da Imbel, fornecedora de armamento bélico para as forças armadas, incluindo aí o fuzil FAL M964, a carabina MD97, as pistolas baseadas no projeto 1911 M973 bem como armas para uso de civís e atiradores na categoria “Tiro Prático” (I.P.S.C.) como o modelo GC45. Além disso ainda produz munição de uso militar e vários tipos de pólvora destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é outra arma destinada ao público atirador esportivo, conforme nos mostra o material promocional abaixo.
Essa arma é a substituta de outra carabina no mesmo calibre, lançada pela Fábrica de Itajubá nas décadas de 70 a 80, com o intuito de competir no mercado com suas rivais da CBC e da Rossi. Era uma carabina com carregador destacável de 5 cartuchos, de repetição por ferrolho, muito bem construída com materiais de primeira linha. Em sua época, provou ser uma das mais agradáveis e precisas carabinas nacionais.
Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza.
DADOS RESUMIDOS DA ESPINGARDA 28 E 36
Data de fabricação: entre 1965 a 1975 (estimado)
Calibre: 28 e 36
Capacidade: 28 (3 cartuchos) e 36 (5 cartuchos) incluindo um câmara
Acabamento: oxidada
Comprimento total: 125 cm (28) e 107 cm (36)
Comprimento do cano: 74mm (28) e 56mm (36)
Pêso: 2,500 Kg descarregada (28) e 2,325 Kg (36)
































Eu sou Jaziel Cardoso, moro na Bahia.
Eu tenho uma cal. 36 itajuba, em perfeito estado de conservação. não consigo colocar os 4 cartuchos nela, somente 2 e 1 na camara. Teve alguma mudança nos cartuchos, os cartuchos eram mais finos que os atuais?? Ou seria algum problema na arma?
Parabens pelo artigo, sempre estou lendo seu trabalho, é muito bom e enriquecedor!
Grato pela atenção.
Jaziel Cardoso Pereira
10/01/2013 at 11:19
Meu caro Renato, o prazer é todo meu; você é um de nossos baluartes nesse assunto. Grande abraço.
Carlos F P Neto
10/01/2013 at 8:02
Olá, Carlos.
Obrigado por me citar no artigo.
Fico lisongeado.
Um abraço.
José Renato
09/01/2013 at 19:51
Charles, o cano dos Mauser tem que ser retirado numa ferramenta própria, aquecendo-o vc corre o risco de destemperar a ação. E depois disso é bem fácil a ação estourar quando do tiro. Não faça isso! Com a ferramenta certa o armeiro retira o cano e refaz a câmara sem dificuldades.
Dalmo
29/12/2012 at 23:40
Obrigado Carlos, Vou procurar algum desses produtos importados, mas todo caso usarei o “bom-bril”.
Realmente, não vou perder tempo na remoção da ferrugem, pois a peça é de estimação.
Gustavo
26/12/2012 at 17:50
Gustavo, a remoção de ferrugem tem que ser feita com muito cuidado para não atacar a oxidação original; as palhas de aço do tipo “bom-bril” raramente agridem o acabamento e juntamente com óleo, facilitam a remoção. Há produtos importados que se encontram à venda em lojas especializadas para remoção de ferrugem, mas não são baratos. O que não se pode fazer é esperar a ferrugem começar a atacar a oxidação e depois, o próprio aço.
Carlos F P Neto
26/12/2012 at 7:16
Olá, Gostaria de saber o que devo fazer em caso de começo de ferrugem na espingarda calibre 36? Já li o artigo de conservação sobre os óleos… Mas creio que eles apenas conservam, e não tiram a ferrugem.
Passar palha de aço ajudaria?
Obrigado desde já
Gustavo
25/12/2012 at 23:52
caros amigos tenho o previlegio de possuir uma carabina MD1 22lr Imbel , pois trata-se da melhor arma para o calibre que ja possuí até hoje, e olha que ja testei praticamente todas as marcas e modelos existentes,e ela é de longe a melhor. gortaria de saber se a imbel tem planos futuros para continuar a fabricaçao de uma preciosidade como essa.
Hildon ds
15/12/2012 at 17:15
Obrigado pela resposta rápida. Vou conferir
Gustavo Jahnel Rodrigues de Oliveira
07/12/2012 at 12:51
Gustavo, leia nosso artigo sobre Restauração e Conservação de Armas de Fogo, obrigado.
Carlos F P Neto
07/12/2012 at 12:50
Olá amigo, gostaria de saber como, lubrificar e conservar devidamente uma espingarda calibre 36? Que produto se usa? de que forma faz? E se a espingarda apresenta os primeiros sinais de ferrugem? 1 ano e alguns meses sem cuidado por exemplo.
Obrigado pela atenção,
Grande abraço, adorei as informações e sou muito interessado no assunto.
Gustavo Jahnel Rodrigues de Oliveira
07/12/2012 at 12:41
Flávio, trata-se do logotipo utilizado anteriormente pela Fábrica de Itajubá, alterado nos modelos posteriores já com a marca da Imbel.
Carlos F P Neto
30/11/2012 at 11:15
Aquele simbolo (triangulo dourado) que tem na .22 itajubá, qual a definição?
Flávio
30/11/2012 at 9:16
Eber, a Amadeo Rossi fabricou muitas dessas espingardas de dois canos paralelos, de cão, a partir da década de 1940 a 1950, tentando arrebatar parte do mercado das concorrentes belgas. Foram feitas em todos os calibres, desde o 12 ao 36. Acredito que saíram de linha por volta de 1970, dando lugar às espingardas “mochas”.
Carlos F P Neto
23/11/2012 at 12:35
Amigo,estou procurando informações sobre uma arma,espingarda 36 de dois canos paralelos de cão,de marca Rossi,não vi nenhuma igual e nem consegui informações pela internet. raridade de familia e registrada em meu nome,se puder me informar desde já agradeço.
Eber Franck
23/11/2012 at 10:53
Roni, parabéns e obrigado pelo contato. Conserve-a bem, ok?
Carlos F P Neto
20/11/2012 at 20:07
amigo acabei de comprar uma itajuba cal.22,ela e bem velhinha mas esta super conservada,e estou muinto contente,pois eu tenho uma raridade nas mãos,ela e de uma preçisão enorme.
roni marcos da silva
20/11/2012 at 15:25
Dalmo, você precisa me especificar melhor que modelos são esses 95 e 96. Onde você está verificando isso?
Carlos F P Neto
16/11/2012 at 7:39
Carlos, e esses modelos 95 e 96, tem diferença para o modelo 94? Pergunto porque preciso comprar algumas peças para essa arma.
Ainda, olhando em sites americanos, vejo a confirmação do que vc acaba de dizer, pois lá é comum montarem Ações 94 em calibre 308, 30-06 e outros.
Dalmo
16/11/2012 at 0:19
Dalmo, ações Mauser, aqui no Brasil, só houveram duas: a 1893 (denominada aqui de ação 94) e a 1898, denominada aqui de ação 98 ou 1908. A maior diferença é na segurança, são tres ressaltos na 1898 (dois na frente e um atrás) ao invés de dois, na frente, da 93. Fora isso, a 98 engatilha só com o movimento de erguer e baixar a alavanca; a 93 necessita que o ferrolho seja movido um pouco para traz. O curso do percussor é maior na 93 do que na 98. Agora o principal: Os Mausers chamados de Large Ring (98) possuem o diâmetro de montagem do cano de 1.10″ e rosca com passo de 12 voltas/polegada. Os Mausers Small Ring (1893) possuem diâmetro da rosca de .980″, também com 12 voltas por polegada. Isso torna os canos dos Mausers 93 e 98 não intercambiáveis. A ação 93 (94), apesar de ser um pouco mais frágil que a 98, suporta tranquilamente cartuchos de potência média, como 7mm Mauser, 8mm Mauser, .30-06, .308, etc. A ação 1898 é muito mais segura, a ponto de suportar cartuchos muito mais potentes para o qual foi projetada, como .300 Winchester Magnum, .458 Winchester Magnum e .375 H&H, entre outros.
Carlos F P Neto
15/11/2012 at 15:22
Oi Carlos, tudo bem? Acabei de adquirir uma ação Imbel registrada no calibre 44. Essa ação é uma Mauser 1894, que foi transformada pela Imbel em calibre 36, e posteriormente, registrada como 44. Bem, estou fazendo a transferência dela para o meu CR, e enquanto a papelada não sai, estou escolhendo as peças que vou colocar nela. Minha dúvida é a seguinte: quais as diferenças ente a ação 93, a 94, a 95 e a 96?
Dalmo
15/11/2012 at 11:03
Daniel, sim, a Imbel não o fabrica mais.
Carlos F P Neto
09/11/2012 at 18:22
Amigo,nao sei se estou perguntando no lugar certo,porem,por gentileza poderia me esclarecer:o rifle 22lr itajuba saiu de linha?
Daniel f do nascimento
09/11/2012 at 17:35
Diego, sobre a Lerap leia o nosso artigo sobre as antigas fábricas de armas no Brasil. Grato pelo contato.
Carlos F P Neto
09/11/2012 at 10:55
Olá amigos, minha pergunta foge um pouco dos modelos citados masa gostaria de saber se algum de vocês conhecem a marca Lerap pois tenho uma deixada de herança pelo meu avô, somente com as inscrições Lerap cal 32 e o número 28 em diversas partes. Pergunto pois tento conseguir fotos dela para restauração pois a coronha não né a original. Desde já obrigado.
Diego mendes
08/11/2012 at 19:35
Eu estava numa conversa com meu pai essa semana e até mandei pra ele o link desse forum aqui , ele foi armeiro e atirador no exercito , entrou dois meses antes do golpe militar em 1964 e segundo ele o fuzil era mesmo esse do topico fuzil cz adaptado aqui no Brasil em 1934 e que ele era sem duvida o melhor fuzil de precisao da época , ele conta com saldade dos bichoes e posteriormente ele veio a comprar um rifle 22lr itajubá que hoje está com meu irmao como eu disse acima , arma excelente , derrubava gavião a 90 , 100 metros sem luneta . quem tiver conserve porque nao volta !!
Só lembrando , “arma não se vende , se compra “
Gustavo Campos
26/10/2012 at 13:39
Bom dia amigo, me chamo Bruno de paragominas no interior do Pará, sou caçador e adoro armas. Ontem 25/10/2012 ganhei de presente um rifle .22 itajubá em excelente estado de conservação, efetuei alguns disparos com ele, que por sinal esta muito bom de fogo. Abraço a todos os atiradores, caçadores e colecionadores.
Inté, Bruno Ibiapina
Bruno Ibiapina
26/10/2012 at 11:36
Caro amigo , tenho que concordar com voce , essa itajubá cal 22 é muito boa , meu pai tinha uma dessas que hoje está com meu irmao , devidamente registrada , tive e oportunidade de dar varios tiros com ela na adolecencia e era uma beleza mesmo , muito macia , silenciosa e muito precisa meu sonho ainda é compra-la do meu irmao e restaurá-la .
Gustavo Campos
23/10/2012 at 8:04
Felipe,
Meu pai tem uma calibre 36 também no Ceará, comprada no final dos anos 60. Continua linda mas precisa de restauração no ferrolho. Estamos mantendo a mesma apenas como recordação mas fiquei feliz por descobrir um pouco sobre a origem da mesma nesta publicação do Carlos Neto.
Pedro A Figueiredo
20/10/2012 at 20:14
Paulo, realmente concordo com você. Depois de todas as exigências e certidões que os CACs são obrigados a apresentar, o que os torna legalmente aptos à atividade de tiro e colecionismo, creio que não deveria haver qualquer impecilho em se legalizar uma arma ilegal, pelo contrário; deveria ser um ato plenamente possível, pois seria mais uma peça tirada da clandestinidade e agora, sob a guarda do EB. Mas enfim, sabemos como essas coisas funcionam por aqui.
Carlos F P Neto
19/10/2012 at 8:45
Uma pena, realmente lamentavel saber que mesmo quando se tenta estar correto não é possivel.
Bem, muito obrigado pelo esclarecimento. Já tinha perguntado em varios foruns mas nunca obtive resposta, valeu mesmo.
paulo sato
18/10/2012 at 19:11
Sérgio, dependendo do estado geral, que penso não estar bom, não vale a pena restaurar. Peças são difíceis de encontrar. Se quiser mandar fotos para melhor avaliação, envie para armasonline@gmail.com.
Carlos F P Neto
18/10/2012 at 14:27
Paulo, mesmo com CR de coleção ou tiro você não consegue, hoje, legalizar essa arma. Não há mais nenhuma espécie de anistia para armas, qualquer que seja, para que possam ser legalizadas.
Carlos F P Neto
18/10/2012 at 13:44
Pessoal gostaria de saber se é possivel legalizar esse tipo de fuzil pois tb tenho um Mauser 1908 7mm. Ele eh bem antigo e ta um pouco judiado(muito pouco) porem falta algumas peças do ferrolho e não tenho nenhuma documentação que comprove a origem pois trata se de um presente de um general do ex. Em fim é possivel legalizar, ainda que como colecionador? alguem sabe que poderia ter tais peças ou e possivel fazer?
paulo sato
18/10/2012 at 1:57
Roberto, trata-se do mesmo tipo de transformação que foi feita pela Fábrica de Itajubá sobre ação de fuzil Mauser. Precisar a data de fabricação é missão impossível.
Carlos F P Neto
17/10/2012 at 19:05
ola! minha espingarda é calibre 32 3 tiros com ferrolho! nela estão visíveis as letras. MUNITIONS FABRIKEM, BERLIN. elá é antiga porem conservada, éla é bem parecida com essas fabricadas pela fabrica itajuba.a 36 e a 28. porem não sei qual sua marca ou ano vc poderia me ajudar?
ROBERTO
17/10/2012 at 13:50
Amigos Elson Muniz e Carlos F.P. Neto. Agradeço muito pelos subsídios informativos. Sou apaixonado pelos Fz Mauser, bem como suas variantes de Itajubá. Elson. A arma a que me referí confere com a sua descrição, porém é mesmo Parkerizada, e o cano é bem menor que o do mosquetão. Tem 15 “. O guarda fecho de couro é o mesmo dos fuzis. Tem precisão incrível, pelo tamanho do cano.
Forte abraço a todos. – IVAN
Carlos Ivan Cury
17/10/2012 at 9:36
Elson, agradeço a ajuda que deu ao nosso amigo Carlos. Obrigado.
Carlos F P Neto
16/10/2012 at 12:30
Reginaldo, infelizmente não sei como ajudá-lo com isso; creio que precisa de um bom armeiro.
Carlos F P Neto
16/10/2012 at 12:29
José, agradeço suas interessantes e convenientes informações. Grande abraço.
Carlos F P Neto
16/10/2012 at 12:27
Prezado senhor, seu artigo é muito bom, porém deixou de mencionar as espingardas basculantes que a imbel fabricou em calibre 36,32 e 28. As vezes elas vinham com os tres canos que eram perfeitamente substituíveis. O cano 36 era pequeno no tamanho do mosquetão e os canos de calibre 32 e 28 mediam 74 cm. Elas eram vendidas também individualmente em cada calibre. Foram fabricadas na década de 60 e não sei quando foram descontinuadas. De vez em quando ainda aparece alguma aqui pelo sul de Minas. obrigado.Cláuzio
José Cláuzio Machado
16/10/2012 at 10:55
Olá Carlos , veja se pode ajudar-me, tenho uma cartucheira tambem calibre 28 shueler, mas está quebrado a unha do estrator de cartucho, sabe onde posso conseguir?
Reginaldo Abrão
16/10/2012 at 10:53
Olá Carlos Ivan Cury.
Estas armas eram vendidas somente aos Oficiais das FF.AA. Era chamado, entres os Oficiais, pelo menos nos da FAB, de Mosquetão Sport. Eram vendidas e o desconto ocorria diretamente na folha de pagamento. O comprimento do cano é o mesmo do mosquetão. Comprei um dos ultimos disponiveis na FAB em 1969. Não é parquerizado e sim oxidado. Vinha com uma capa de couro que cobria o ferrolho e o cano ficava de fora. Muito bem acabado e otimo de tiro. A telha era muito mais curta e não tinha o adaptador da baioneta.
Elson Muniz – Curitiba.
Elson de Oliveira Muniz Filho
15/10/2012 at 14:43
AMIGO COMPREI UM SITIO NA SERRA DO MENDANHA EM CAMPO GRANDE RIO DE JANEIRO E AO CAVAR PARA FAZER UM LAGO ACHEI UM CORPO DE UM FUZIL SEM FEROLHO SEM NADA APENAS O CORPO COM CATILHO E MIRA CENTRAL E FINAL DO CANO FIZ MUITAS BUSCAS E CHEQUEI A CONCLUSÃO QUE SE TRATA DE UM MAUSER K98 OU MUITO PARECIDO ELE SÓ TEM UNS NUMEROS NO CANO PROXIMO AONDE SE LOCALIZARIA O FERROLHO E É UM FUZIL LONGO COM DOS ESTREITAMENTOS GOSTARIA DE SABER CARO AMIGO ONDE EU CONSEGUIRIA AS PEÇAS PARA RESTAURAR OU SE HA ALGUM VALOR NESTA PEÇA DESDE JÁ OBRIGADO
Sérgio Magalhães
15/10/2012 at 13:27
Ivan, aguardo as fotos; por enquanto desconheço o Officer.
Carlos F P Neto
04/10/2012 at 21:08
Obrigado. Vou providenciar fotos. E o Officer existe ? Dizem que foram adaptados quanto ao tamanho do cano para uso de corpo médico, intendência etc. È fato ? Eles tinham encaixe para baioneta?
Carlos Ivan Cury
04/10/2012 at 16:17
Roberto, essas espingardas foram feitas para cartuchos 36 e não para uso de cartuchos 44-40 ou quaisquer outros para armas raiadas. O que pode ser usado são cartuchos 36 ou .410 carregados com balotes.
Carlos F P Neto
04/10/2012 at 13:24
ola ! tenho uma itájuba cal.36 full choc esta em muito perfeito estado de conservaçõ gostaria de saber se e bem aseitavel muniçaõ cal.44 longa
Roberto
04/10/2012 at 12:25
Wilson, obrigado pelos elogios.
Carlos F P Neto
03/10/2012 at 16:31
Carlos boa noite.
Excelente artigo.
Muito bom mesmo.
Parabéns.
Possuo uma CBC 7022 adaptada para tiro de longas distâncias que utilizo para treinos.
Mas precisão mesmo, só das Imbel (ação muscular ferrolho).
Estou à procura de uma Itajubá .22.
Abraços
Wilson Moura – Caratinga/MG
Jacque.batista@hotmail.com
wilson moura
02/10/2012 at 20:39