Fuzís Mauser no Brasil e as Espingardas da Fábrica de Itajubá (Rev. 2)
UM POUCO DA HISTÓRIA
Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil não possuía nenhum arsenal ou fábrica de armas, fosse ela privada ou não, capaz da produção em larga escala de equipamentos militares para suprir a demanda do Governo Brasileiro. O armamento aqui empregado, tanto nas Forças Armadas como nas Polícias Militares estaduais era um misto de contratos e importações oriundo, basicamente, da França e da Alemanha. Já naquela época o mais bem equipado e armado Estado da então República dos Estados Unidos do Brasil era São Paulo, cuja milícia denominada de Força Pública, pelo número de homens e quantidade de equipamentos, podia ser comparada a um pequeno exército.
O Governo Brasileiro já havia efetuado vários contratos de importação de armamentos leves, mas o mais importante deles foi a dotação do fuzil Mauser modelo 1893 chamado na Europa de modelo espanhol, no ano de 1895, em calibre 7mm X 57mm, para substituir o seu antecessor, o fuzil da comissão alemã Gewehr 88, que aliás é objeto de um artigo neste site. Posteriormente, a partir de 1910, outra grande aquisição do governo junto à D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik), de 400.000 armas, veio se juntar à anterior, mas agora com os novos modelos Mauser 1898, que aqui passaram a ser denominados de modelo 1908. Falaremos disso mais adiante, com mais detalhes.
Com a federalização oriunda após a proclamação da República, os estados possuíam autonomia para adquirirem armamento sem necessitar passar por aprovações dos arsenais federais, de forma que isso facilitou muito a aquisição de armas diretamente dos fornecedores na Europa.
Desta maneira, a Força Pública de São Paulo também adquiriu grande quantidade destes fuzis diretamente da D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik, de Berlim , Alemanha. Da França, o Governo do Brasil também importou em razoável quantidade as metralhadoras Hotchkiss, onde se escolheu manter, para essas armas, o calibre padronizado de 7mm X 57mm Mauser, o mesmo dos fuzís importados da Alemanha. Na área das armas curtas, houve aquisições importantes de diversas nações, como o revólver “D’ Ordenance Mdle. 1892”, erroneamente chamado de Lebel, os revólveres do tipo Nagant, oriundos da Bélgica (Pieper) e da Alemanha (Simson & Sohn) , bem como as pistolas semi-automáticas alemãs Parabellum (Luger), trazidas em um lote de 5.000 peças, em 1906.
Em 16 de julho de 1934 funda-se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, inaugurada em 1935. Paralelamente, em 1939, foi reestruturada a antiga Real Fábrica de Pólvora da Estrela na cidade de Majé, estado do Rio de Janeiro, criada em 1808 na Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo imperador D. João VI. Ela funcionou como uma organização militar vinculada ao Ministério do Exército até 1975.
Em 1960 a F.I. chegou a produzir cerca de 50.000 pistolas M1911A1, sob licença da Colt, a fim de suprir demanda do Exército Brasileiro. Em 1975, durante o regime militar, o governo brasileiro funda a IMBEL, Indústria de Material Bélico do Brasil, que mantém sob sua alçada as unidades de Itajubá, Juiz de Fora e de Magé.
Segundo informações da própria Imbel em seu site, há indicativos que a criação desta empresa pública ocorreu em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo de Ernesto Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial.

Com a sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente na produção de equipamentos militares.
Em 1983 atravessou período conturbado financeiramente e acabou cedendo sua fábrica de munições, situada em Realengo, para a CBC. Em 1985 fechou um contrato com a Springfield Armory e produziu diversas variantes da pistola, chegando algumas delas a serem adotadas pelo F.B.I. Pelo menos até o ano de 2004, a Imbel detinha 30% das ações da CBC e mantinha uma joint-venture com as empresas South America Ordnance, a Royal Odnance e a Schahin Participações, essa última de controle nacional.
Entrada da Fábrica de Itajubá, MG
Mas, voltando bastante no tempo, vamos nos posicionar quanto à dotação de armas longas efetuadas pelo Governo Brasileiro após a Guerra de Canudos. Como já explorado em outro artigo neste site, ainda em 1873 o governo havia adotado as carabinas belgas Comblain, que teve uma longa participação ativa nas fileiras militares brasileiras. Somente em 1892 é que começaram a ser substituídas pelos fuzís alemães modelo 88, o “Gewehr 88”, em calibre 7,92X57mm, uma vez que no mundo todo a tendência era a de substituição de armas longas utilizando cartuchos de pólvora negra pelos novos cartuchos de pólvora sem fumaça, em calibres de menor diâmetro e mais velozes.
Os fuzis modelo 88 (veja artigo sobre eles, aqui no site) tiveram uma vida de serviço curta no Brasil, devido a uma série de problemas ocorridos com a arma durante a Revolução Federalista e posteriormente, no conflito de Canudos. Em 1894, a Comissão Técnica Consultiva, que estranhamente já havia deixado de lado a ideia de adotar as carabinas “belgas” da Mauser modelo 1889, em favor dos fuzis 88, voltou a pensar nelas como alternativa.
Mas a essa altura, decidiu-se sabiamente por importar algo mais moderno, um modelo similar ao fuzil que já era utilizado na Espanha, e que chegou por aqui como sendo o Mauser modelo 1893, denominado aqui de mod. 1894 em virtude de que a maioria deles vieram com suas câmaras datadas com este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos primeiros lotes, vieram datadas de 1895. No entanto, documentos oficiais determinam que a denominação correta dessas armas é fuzil Mauser modelo 1895.

Ao lado, o fuzil Mauser mod. 1895, em cal. 7X57
Cerca de 75.000 armas foram entregues ao Governo. Em 1899, um inventário acusou 57.000 delas, só no Rio de Janeiro. Mas, estima-se por volta de 100.000 armas a quantidade da compra desse modelo, que desembarcou em terras tupiniquins ainda em tempo de participar de diversos conflitos armados tais como a Revolução Federalista, a Revolta da Armada e a Guerra de Canudos, mas ainda convivendo lado a lado com as carabinas belgas Comblain e os fuzís modelo 1888. Como o Exército, na época, contava com um efetivo em tempos de paz de 28.000 homens, e cerca do dobro disso em período de guerra, essa aquisição serviu para substituir todo o estoque de armas antigas existentes, tanto as Comblain como o modelo 1888, e mais ainda, o que restava dos fuzis Kropatcheks e das raras carabinas belgas de 1889 em calibre 7,65mmX53.
As dimensões do fuzil Mod. 1895 eram: Comprimento: 1,231m – Peso: 3,75Kg – Comprimento do cano: 0,741m. O raiamento consistia de 4 raias destrógiras. As carabinas 1895, bem mais raras de se encontrar hoje em dia, mediam 0,949m, cano com 0,457m e peso de 3,103 Kg. A produção variava entre as alemãs DWM (Deutsche Waffen und Munitionsfabriken) e a Ludwig Loewe, bem como a belga FN (Fabrique Nationale D’Armes de Guerre).

Detalhe da ação Mauser do modelo 1894
Em 1908, o governo resolve substituir o modelo 1895 pelo mais moderno e reforçado modelo da Mauser, o 1898, mas ainda em calibre 7X57mm, embora as armas do modelo 1895 continuaram em uso até meados da década de 50. Muitas delas foram equipar as Polícias Militares de alguns estados, como o do Rio de Janeiro, que mesmo nos anos 90 ainda eram vistas nas mãos de integrantes da PM daquele estado. O novo fuzil Mauser 1898 passou a ser denominado aqui como Mauser modelo 1908. No Exército ganhou o nome técnico de Fuzil Ordinário 08 (zero-oito)
O fuzil M1908 media 1,247m, cano com 0,742m e peso de 3,796 Kg. A ação do 1898 trouxe interessantes melhoramentos em relação ao de 1893. O curso do percussor foi ligeiramente encurtado, e um sistema diferente de engatilhamento foi implementado, permitindo que a arma fosse engatilhada somente com o levantamento da alavanca de manejo. Além disso, a espessura do cano na região da câmara foi aumentada; no ferrolho, mais um ressalto de trancamento foi adicionado na parte traseira e foi adicionada um trilho-guia superior, que possibilitava menos balanço lateral do corpo do ferrolho quando de seu manejo. Toda a ação foi ligeiramente aumentada no comprimento para possibilitar uso de cartuchos mais longos. Orifícios laterais no corpo do ferrolho possibilitavam o extravazamento de gases da combustão no caso de perfuração da espoleta, endereçando esses gases poara o carregador. Um retém também foi adicionado no alojamento traseiro do ferrolho para evitar que ele fosse girado acidentalmente quando removido da arma.
A coronha era dotada de um perfil com punho-pistola, telha de madeira cobrindo toda a primeira metade do cano, deixando emergir a alça de mira, graduada até 2.000 metros. O engate para baioneta foi modificado de forma que as baionetas do modelo 1895 não são compatíveis. O acabamento da caixa da culatra era deixado “no aço”, sem oxidação, tal como o ferrolho.
O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”.
O período de maior aquisição de Mausers da D.W.M. feito pelo Governo Brasileiro foi entre 1908 e 1914, no volume de 400.000 peças, quando eclodiu a I Guerra e a D.W.M. não tinha sequer condições de suprir o mercado interno em tempos de guerra. Posteriormente, a aquisição de armas fornecida pela C.Z., da Tchecoslováquia, ocorreu principalmente de 1922 a 1924, com o fuzil conhecido como VZ24. (N.A.: as letras VZ são uma abreviatura da palavra tcheca “vzor”, que significa “modelo”; portanto se trata de uma redundância o costume de alguns autores citarem esse fuzil como “modelo VZ 24”). Um detalhe histórico interessante foi a importação feita pelo governo do Estado de São Paulo, de 15.000 carabinas da C.Z. (Tchecoslováquia), no ano de 1932, para suprir as tropas revolucionárias que se ergueram contra Getúlio Vargas; a chamada Revolução Constitucionalista.

Detalhe da culatra do Mauser M1908 do Contrato Brasileiro – coleção particular

Detalhe da alça de mira graduada até 2.000m – Mauser 1908 – coleção particular
Da Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, a F.N. de Herstal, Bélgica, o Exército importou grande quantidade de carabinas, também entre os anos de 1922 a 1924, para uso de tropas de artilharia e cavalaria. A quantidade correta de armas importadas ainda não é devidamente comprovada. A ação era do Mauser 98, em calibre 7mmX57mm, alavanca de ferrolho curvada para baixo e a coronha seguia o estilo “inglês”, sem punho-pistola. A telha era de madeira do tipo inteiriça, apenas com uma abertura, de onde emergia a alça de mira. A braçadeira dianteira era do tipo estreito, não a tradicional em forma de H mais comumente encontrada nos fuzís. As carabinas mediam 1,063 m de comprimento, cano com 0,558 m e peso total de 3,601 Kg.
As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação tipo 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.
Em 1930, a reviravolta política causada pela ascensão de Getúlio Vargas e a proclamação do “Estado Novo”, sistema modelado em vários aspectos à ditadura fascista de Mussolini, alavancou sobremaneira a reequipação das Forças Armadas. Além disso, no nordeste do país vinha crescendo a ameaça constante do cangaço. Por essa razão, e com a produção um pouco limitada da Fábrica de Itajubá, o governo aceitou uma proposta da Mauser Werke, da Alemanha, já sob controle do partido nazista, que cultivava uma simpatia discreta com o Governo Getulista.

Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo – o número serial foi removido da foto por privacidade – (acervo particular)
Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado
A Mauser, embora ainda debaixo das normas do Tratado de Versalhes e produzindo “secretamente” armas para equipar o Exército Alemão, ofereceu ao governo brasileiro o preenchimento desta demanda, com o Modelo 1935, em versões de fuzil ou de carabina. Essas armas, uma produção pré-guerra, apresentavam o que de mais perfeito a Mauser podia exibir no que tocava à acabamento e qualidade.
Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano.
Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.
Na verdade essas armas eram idênticas ao modelo alemão de 1898, aqui adotado como M1908, com exceção da alça de mira tangencial já utilizada neste último modelo, além da incorporação de um rebaixo efetuado na parte frontal da coronha para melhorar a aderência da mão. Desta forma, essa similaridade não apresentava dificuldades maiores para o treinamento dos soldados, já acostumados à arma. Grande parte dessa importação permaneceu em arsenais brasileiros praticamente sem uso até a sua substituição pelo Mosquetão Itajubá, a partir de 1950, com a adoção do calibre .30-06 Springfield pelas Forças Armadas Brasileiras. Acredita-se que grande parte desses Mauser foram posteriormente retrabalhados e transformados no Mosquetão M1949.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia. Coleção particular.
Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.
O MAUSER “BRASILEIRO”
Devido à grande demanda de fuzis para suprir as Forças Armadas Brasileiras durante a primeira metade do século XX, a Fábrica de Itajubá iniciou a fabricação “em casa” dos Mauser mod. 1908 como alternativa às importações que eram geralmente feitas junto à D.W.M. na Alemanha (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik) e da C.Z. (Ceska Sbrojovka), na então Tchecoslováquia, com a utilização de madeiras locais ao invés das nogueiras européias. Foi então que a partir de 1934, e como forma de minimizar a dependência de importação de armas, a Fábrica de Itajubá decidiu produzir fuzís e carabinas no Brasil, originando assim o chamado modelo 1908/34, uma versão “nacionalizada” e encurtada, nos moldes das carabinas.

Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm
Em 1949, após a II Guerra, onde o Brasil participou com a F.E.B. nos campos de batalha da Itália, por influência e acordo militar com o governo norte-americano, o Exército resolveu adotar o calibre .30-06 como regulamentar, embora o 7X57mm continuou ainda, e por muito tempo, presente em algumas unidades do Exército, bem como nos “Tiro de Guerra”. Com essa modificação, a Fábrica de Itajubá começa a produzir uma carabina Mauser, baseada no 08/34 mas em calibre .30-06 Springfield, aqui batizada por Mosquetão (Carabina) Itajubá M1949. Posteriormente, uma segunda série com pequeníssimas mudanças, tais como a boca do cano rosqueada para permitir montagem de lança-granadas e quebra-chamas, foi fabricada em 1954, originando assim o Mosquetão Itajubá M954.
Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield, baseado na ação Mauser de 1898
Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças
Ainda em 1949 os engenheiros da fábrica participaram de um projeto de produzir uma cópia do fuzil semi-automático alemão Gewehr 43, um projeto da Carl Walther e que foi usado nos anos finais da II Guerra. Como as patentes alemãs expiraram ao final da guerra, esse fuzil poderia ser copiado sem problema de pagamento de royalties. No entanto, foi apenas produzido em pouca quantidade e não foi adotado por nenhuma força militar no Brasil.
Cópia do Gewehr 43 alemão produzido em 1949 pela Fábrica de Itajubá (coleção particular)
Em 1964, o Exército Brasileiro resolve adotar o fuzil semi e automático belga, o F.N. denominado F.A.L. (Fuzil Automatique Legère), ou fuzil automático leve, utilizando o cartucho padrão da OTAN, o 7,62mmX51, cartucho baseado no .308 Winchester. Paulatinamente, esse fuzil começou a substituir os mosquetões Itajubá M949 e M954, ainda em calibre .30-06. Em 1967, a fim de reduzir custos e poder padronizar mais rapidamente o calibre utilizado pelo Exército Brasileiro, a Fábrica de Itajubá resolve modificar cerca de 10.000 mosquetões para que pudessem usar o novo cartucho, aproveitando também para aliviar o peso da arma. Assim nascia o M968, apelidado pelo exótico nome de “Mosquefal”.
Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO
Essa transformação era de natureza simples. Como o culote do cartucho 7,62mmX51 tem exatamente o mesmo diâmetro do .30-06, não houve necessidade de se modificar nada no ferrolho, caixa de culatra e mecanismo de disparo. A alça de mira tipo Mauser foi eliminada, sobre o cano, e a telha de madeira, agora, não tinha mais a abertura superior para ela. Foi desenvolvida uma alça de mira traseira, tipo “peep-sight”, algo semelhante à usada no fuzil norte-americano Enfield 1917. Além disso, foi acrescentada uma massa de mira mais alta e um quebra-chamas, com suporte para possibilitar montagem de um lança-granadas, o mesmo utilizado pelo FAL. Essa arma ainda se encontra em uso até hoje em diversas unidades de “Tiro de Guerra”. Desta forma, foi decretada a “morte” definitiva do cartucho .30-06 Springfield nos quartéis brasileiros.
Durante as décadas de 70 a 80 a Fábrica de Itajubá lançou algumas carabinas baseadas nas ações Mauser de fuzís que eram, progressivamente, sendo recolhidos nas unidades do Exército, além do que ocorria com os leilões organizados pelo E.B. a fim de vender essas armas, ora obsoletas, para militares e colecionadores registrados.
Algumas dessas carabinas, feitas em muito pouca quantidade, foram distribuídas para algumas unidades policiais e para serem usadas em veículos militares. Eram carabinas curtas, chamadas de Officer, talvez uma alusão ao fato de serem utilizadas por oficiais. Segundo meu amigo e expert em fuzis, J. Renato M. Figueira, a intenção era de se fazer uma carabina do tamanho da americana .30M1. Tanto as ações de fuzis Mauser 1894 e 1898 foram utilizadas. Várias dessas armas foram, posteriormente, leiloadas pela Imbel. Conta Figueira que várias dessas peças, em leilão, estavam com suas coronhas tomadas por carunchos. O acabamento era o parquerizado, mais barato e simples de se fazer do que oxidação à quente e eram fornecidos com bandoleiras de lona.
AS ESPINGARDAS
Em meados da década de 60, diversos fuzis remanescentes do modelo 1894 em cal. 7X57mm. se encontravam completamente fora de serviço e espalhados por várias unidades do Exército Brasileiro. Surgiu então a idéia de se reaproveitar esse armamento, a grande maioria deles em perfeito estado; ao invés de serem destruídos, e lançando mão de pouquíssimo investimento, a Fábrica de Itajubá resolve transformá-los em uma arma para venda no comércio, destinada à caça; uma espingarda de alma lisa.
A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor
Da grande quantidade de armas recuperadas dos quartéis e depois de passarem por uma triagem, aproveitava-se a coronha com a soleira de metal, a ação completa (caixa de culatra com mecanismo de disparo, ferrolho e armação do carregador) e os acessórios da coronha como anilhos e presilhas de bandoleira. As coronhas foram aliviadas e “afinadas” em algumas de suas partes, o que tornou a arma mais leve. O cano, bem como as miras, eram removidos e em seu lugar entrava um novo cano de alma lisa, fabricado na própria Itajubá. Foram escolhidos dois calibres para estabelecerem as duas versões da espingarda; o calibre 28 e o 36. Como não havia mais a alça de mira regulável, a nova telha que recobre parte do cano teve que ser refeita, por não ser possível a original ser reaproveitada. Note a coronha típica dos Mauser 1894, sem punho-pistola.
De acordo com o leitor Marcos Letro, militar e instrutor de tiro, as primeiras espingardas em calibre 36 foram colocadas à venda em 1962, oferecida para sargentos e oficiais do Exército, na época pelo preço de Cr$ 1.000,00 (Mil Cruzeiros ). Os modelos em calibre 28 foram lançadas entre 1964 e 1965, pois ainda havia disponibilidade de muitas peças em estoque. A esta altura, as espingardas já se encontravam à venda nas lojas de caça e pesca do país. O autor adquiriu uma calibre 28 no final de 1965, ao preço de Cr$ 45.500,00. Os pistolões, mais difíceis de serem encontrados hoje em dia, em calibre 36, foram os últimos a serem fabricados, pois não havia mais disponibilidade de coronhas, diz o leitor colaborador.

Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28
A escolha desses dois calibres não foi feita tão somente pelo fato de serem, na época, muito populares para caças pequenas e de aves. O fato é que, no caso do calibre 28, havia uma feliz coincidência de que os cartuchos podiam se encaixar corretamente, de ambos os lados, nas abas do carregador, mas somente em número de dois, um em cima do outro. Havia a possibilidade de se colocar mais um cartucho diretamente na câmara, o que fazia a arma comportar tres cartuchos.
A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.
No caso do calibre 36, a coisa era mais fácil de se adaptar; nem foi necessário o uso de uma lâmina de transporte do carregador dos cartuchos de forma plana, como no caso da 28; podia-se usar a mesma lâmina original do fuzil, com a nervura de divisão central, visto que os cartuchos podiam ser carregados de forma bifilar tal como os originais em calibre 7X57mm.

Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.
Infelizmente nos faltam dados sobre a produção e vendas dessas duas espingardas, bem como até que ano foram produzidas, mas acredita-se que até meados da década de 70; depois de várias tentativas de contato com a Imbel, não obtivemos resposta e colaboração dela neste sentido. Talvez, se um dia recebermos essas informações, elas serão sem dúvida adicionadas aqui. Mas, pode-se afirmar sem medo de errar que essas espingardas foram bem vendidas. O preço era convidadivo, custando um pouco mais que uma espingarda da Amadeo Rossi ou da CBC, modelos de um cano, de cão externo, armas bem mais simples.
Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28

Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28
Os modelos eram fornecidos com canos em “full-choke“, ou seja, com um certo estrangulamento, característica que aliada ao grande comprimento do cano (740 mm), permitia um alcance considerável para o calibre. O autor fez testes do tipo “pattern” na espingarda de calibre 28, em alvo de papel, para se avaliar a densidade de chumbos. A 10 metros de distância, o diâmetro da chumbada de número 7 estava em torno de 40 centímetros, o que mostra uma concentração muito grande.

Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm
Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil para uso com cartuchos de caça, a arma muito dificilmente dava problemas de alimentação e de ejeção. Porém, os cartuchos tinham que ser do tipo com boca rebordada, de papelão ou plástico. Cartuchos de metal, do tipo “Presidente” produzido pela CBC, em virtude de terem a boca em canto vivo, enroscavam na alimentação. Outro fator importante era a qualidade do produto e sua durabilidade, pois com excessão do cano, se tratava de um fuzil fabricado na Alemanha com os melhores materiais de que se dispunha na época. Sem dúvida, uma arma que duraria por várias dezenas de anos, se convenientemente bem tratada.

Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez

Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.
Uma variante bem mais rara, derivada do mesmo projeto, foi uma espécie de pistolão, lançado no calibre 36 nos finais da produção, por ainda possuírem em estoque o mecanismo da ação, mas não mais dispondo mais de coronhas. O pistolão usava uma coronha tipo pistola, com a empunhadura posicionada logo abaixo da culatra e um pequeno fuste colocado na parte anterior, sob o cano, que tinha pouco mais de 30 cm. de comprimento. Era um pouco desconfortável o manuseio da ação por ferrolho, uma vez que a mão esquerda deveria estar empunhando a arma enquanto a direita abria o ferrolho. Esse pistolão foi bem menos disponibilizado no mercado do que as espingardas.
Pistolão Imbel em cal. 28 – cortesia de um leitor, utilizando a ação Mauser do tipo 1898
Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)
Os últimos exemplares produzidos, já com a empresa utilizando seu novo nome, Imbel, usavam ações do Mauser tipo 1898 oriundas de fuzis remanescentes do Contrato Brasileiro de 1908. Acredita-se que essas últimas saíram de linha no começo dos anos 90. Mesmo nos fuzis Mauser, a ação modelo 1898 tem uma diferença marcante em relação à modelo 1893, dentre outras visando maior segurança: na ação 1898, o simples fato de se erguer a alavanca do ferrolho e baixá-la novamente, já arma o percussor. Na ação 1893, após a alavanca erguida, o ferrolho tem que ser puxado um pouco para trás para se proceder ao engatilhamento.

Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior – (Foto cortesia de D.A.N.)

Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)

Outra variação da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre

Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos. (Foto cortezia de D.A.N.)
Acima, colaboração do leitor Emanoel Oliveira, catálogo da Imbel com dois modelos da espingarda cal. 28GA e um modelo pistolão.
DETALHES DE FUNCIONAMENTO
De maneira análoga ao manuseio do fuzil Mauser, abre-se a culatra puxando-se o ferrolho totalmente para trás. Insere-se dois cartuchos no carregador (cal. 28), por cima, de forma que o último fique retido pelas abas traseiras. Um terceiro cartucho pode ser inserido diretamente na câmara. Neste caso, antes de fechar o ferrolho, exerce-se uma pequena pressão para baixo no cartucho para que o ferrolho passe por cima dele e tranque sobre os cartuchos existentes na câmara.

Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36
Após cada disparo, o ferrolho necessita ser aberto até o final de seu curso, ejetando o cartucho vazio; fecha-se novamente o ferrolho, quando o cartucho seguinte no carregador se solta das abas, para ser alimentado. Em relação aos cartuchos utilizados, dever-se tomar o cuidado de se usar os designados para câmaras de 65mm e não os de 70mm, que poderá ocasionar problemas sérios.
O mecanismo de gatilho, mantido exatamente como o original, não é particularmente muito duro, mas tem a característica típica dos fuzis Mauser, que são os dois estágios bem definidos e com curso bem longo. De qualquer forma, mesmo se tratando se arma derivada de um fuzil militar, o acionamento do gatilho é macio.
A trava de segurança, que é de uma eficácia a toda prova pois impede de forma muito consistente o movimento do percussor, funciona da seguinte maneira:
À esquerda, ferrolho destravado e desengatilhado; no centro, arma engatilhada e travada (o ferrolho pode ser manuseado desta forma com total segurança); à direita, trava total acionada, que não permite nem a abertura do ferrolho para manuseio.
Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.
O ferrolho pode ser retirado da arma com muita facilidade. Do lado esquerdo da culatra há um retém, articulado em um pino, com um ressalto serrilhado na parte superior. Abre-se o ferrolho até o final do curso, abre-se esse retém para fora, puxando-o para a esquerda e retira-se o ferrolho. Ao recolocar o ferrolho na arma, não é necessário se mover o retém, mas atenção com o posionamento correto da lâmina do extrator.
O funcionamento da calibre 36 era mais garantido do que na 28. Nesta última, o autor teve a oportunidade de usar várias delas, a extração nem sempre ocorria de forma adequada. Interessante citar que cartuchos carregados eram extraídos com mais eficiência do que os vazios. Muitas vezes, esses eram corretamente extraídos da câmara mas por questão de ajustes, eram “largados” pelo extrator no meio do percurso, antes de atingirem o ejetor, que fica localizado na trava do ferrolho, lado esquerdo da caixa da culatra.
CONCLUSÃO
Trata-se de uma arma curiosa, tanto nos aspectos técnicos como da forma como foi idealizada. No Brasil da década de 60, com pouquíssimos fabricantes concorrentes e nenhuma espingarda com padrões altos de qualidade, diga-se de passagem, a Fábrica de Itajubá teve a chance e a idéia interessante de reaproveitar armas militares, cujo destino certo seria a destruição, e lançar uma espingarda no mercado, com investimento baixíssimo e praticamente nenhum custo de desenvolvimento.

Mesmo se tratando de uma adaptação, a arma tinha suas virtudes como extrema resistência, qualidade dos materiais e robustez a toda prova. Sua semelhança com os fuzis Mauser de repetição podem ter inclusive, ajudado nas vendas pois era uma arma atraente e muito mais vistosa que as simples espingardas de um tiro e de um cano existentes na época.
À esquerda, o autor em ação, caçando codornas com a Itajubá 28, na década de 60
A desvantagem ficava por conta do tamanho avantajado, embora os modelos em calibre 36 tiveram uma opção que utilizava canos mais curtos; em relação ao transporte, elas eram realmente um tanto incovenientes e chamavam muito a atenção, pois não tinham o recurso comum nas espingardas tradicionais de se separar o cano do resto da arma, inclusive sem uso de ferramentas.
O acabamento é muito bom, de modo geral, com o madeiramento bem conservado e envernizado brilhante, e peças em aço com oxidação negra brilhante. O ferrolho foi mantido em aço puro, sem acabamento algum. Estéticamente a arma peca um pouco pela parte dianteira onde, com a retirada do prolongamento do fuste do fuzil, a coronha termina de forma um tanto abrupta.
A ITAJUBÁ HOJE
Hoje, a fábrica de Itajubá é parte do complexo fabril da Imbel, fornecedora de armamento bélico para as forças armadas, incluindo aí o fuzil FAL M964, a carabina MD97, as pistolas baseadas no projeto 1911 M973 bem como armas para uso de civís e atiradores na categoria “Tiro Prático” (I.P.S.C.) como o modelo GC45. Além disso ainda produz munição de uso militar e vários tipos de pólvora destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é outra arma destinada ao público atirador esportivo, conforme nos mostra o material promocional abaixo.
Essa arma é a substituta de outra carabina no mesmo calibre, lançada pela Fábrica de Itajubá nas décadas de 70 a 80, com o intuito de competir no mercado com suas rivais da CBC e da Rossi. Era uma carabina com carregador destacável de 5 cartuchos, de repetição por ferrolho, muito bem construída com materiais de primeira linha. Em sua época, provou ser uma das mais agradáveis e precisas carabinas nacionais.
Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza.
DADOS RESUMIDOS DA ESPINGARDA 28 E 36
Data de fabricação: entre 1965 a 1975 (estimado)
Calibre: 28 e 36
Capacidade: 28 (3 cartuchos) e 36 (5 cartuchos) incluindo um câmara
Acabamento: oxidada
Comprimento total: 125 cm (28) e 107 cm (36)
Comprimento do cano: 74mm (28) e 56mm (36)
Pêso: 2,500 Kg descarregada (28) e 2,325 Kg (36)
































tenho uma espingarda itajubá cal 36 é o meu chodó,pois vem passando de gerações,desde meu avô,esta resistrada sob o número xxxxx,devidamente registrada na policia federal.
josé barbosa dantas
18/07/2014 at 17:30
Paulo, infelizmente a Imbel não possui registros que indiquem a data de produção. Um abraço.
Carlos F P Neto
07/07/2014 at 15:48
muito bom, tenho uma 28 3 tiros e ate agora não sabia a procedencia dela, alguem sabe como saber o ano proximado de fabricação?
Paulo Leal
06/07/2014 at 23:43
Boa tarde, Carlos !
´´Ótimo o artigo ….
Há tempos tenho uma Itajubá 36, mais não sabia qual sua verdadeira origem, pois achava que era um mosquetão e que apenas servia o cartucho 36, fico grato pelos esclarecimentos, é uma ótima espingarda de fato.
Márcio
Márcio
22/06/2014 at 18:39
Kleiton, o vão a que se refere é o carregador da arma, para a colocação dos cartuchos um a um; essa arma não usa carregador tipo “pente”, ou seja, destacável. Grato pelo contato.
Carlos F P Neto
10/06/2014 at 10:57
ola Carlos;obrigado por nos iterar de todas essas informações .tenho uma Itajubá; calibre 36 existe algum pente para ela pois vejo que ela tem um vão em baixo da câmera que deve caber uns 5 cartuchos pode me explicar sobre ela um pouca .agradeço de coração obrigado.
kleiton andrade
10/06/2014 at 10:40
Elter, pode nos enviar as fotos por e-mail; publicaremos com prazer.
Carlos F P Neto
06/06/2014 at 23:34
Boa noite, parabéns pelo artigo, caso queria complementar tenho fotos de um pistolão dessa remessa rara em calibre 28.
Elter
06/06/2014 at 20:38
Prezado Mai, grato pelos elogios e seu depoimento. Grande abraço.
Carlos F P Neto
29/05/2014 at 15:01
Parabéns pelo artigo! Com ele conhecemos mais um pouco da história pois tenho uma espingarda full choke cal. 36 da Itajuba n. 20601 que pelas alterações e lembranças de meu pai foi comprada na década de 60 e ele utilizou para caça, hoje guardamos para reliquia de família. Meu pai adora contar as histórias sobre essa arma, está bem conservada e já tive a oportunidade de atirar com ela. Um abç e mais uma vez parabéns.
Mai Osorio
29/05/2014 at 1:00
Daniel, por favor verifique a nossa política de avaliações, no menu do nosso site. Obrigado.
Carlos F P Neto
22/05/2014 at 15:28
Caro sr tenho uma itajuba calibre 20 e com um detalhe numero 001 e gostaria de saber se ela tem valor maior por ser a primeira?
Daniel Fredriksson
21/05/2014 at 23:04
Bom dia, parabéns pela preciosidade em mãos, e apoio o dito pelo Carlos Neto, deixe como está, somente repare o necessário para o funcionamento, pois as cicatrizes do tempo só lhe dão a beleza e demonstram a idade (pena se forem por descuido), gostaria inclusive duma imagem dela, como as apresentadas no texto do site, pois o que é valioso tem que ser mostrado. Felicidades.
JOÃO LUIS
04/05/2014 at 11:59
Robson, grato pelo seu depoimento. Estando a arma conforme sua descrição, o que me parece bom, deixaria como está, sem dúvida. Um abraço.
Carlos F P Neto
03/05/2014 at 21:16
Prezado Sr. Carlos F P Neto, gostaria de lhe dar os parabéns por suas matérias e por compartilhar seu rico conhecimento. Tenho aprendido muito sem duvida alguma, estou diante de um grande dilema e gostaria de ouvir sua opinião a respeito. Herdei uma Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular), ela estava guarda a 40 anos, esta 100% original inclusive com a bandoleira só esta faltando a vareta que fica abaixo do cano. Como estava todo este tempo sem manutenção alguma, resolvi desmontar todo em 100% com muito cuidado afim de avaliar seu real estado. Porque quero colocar ela operacional, sou atirador esportivo ( silhuetas metálicas ). Bom depois da desmontagem completa verifiquei que o interior do cano esta excelente,o ferrolho também esta sem detalhes precisa apenas de uma boa limpeza, a coronha tem uma pequena rachadura de uns 5 cm no interior na altura do rasgo do gatilho facilmente reparável. Bom coloquei todas as pecas de molho no querosene por 02 dias e apos a retirada do molho verifiquei que ha pequenas corrosões no cano afrente da telha entre ela e a massa de mira, ha também na alca de mira e em cima da culatra. Ou seja as corrosões de encontram presentes aonde é possível de se colocar a mão e aonde é visivel. Abaixo da madeira por incrível que pareca esta intacto A pergunta é: O Sr. acha que devo deixar como esta? somente lubrificar e pronto,ou devo restaurar refazendo a oxidação? Isso iria diminuir o valor histórico da arma? Desde já muito obrigado por sua atenção abcs.
Robson Prudente
01/05/2014 at 22:59
Ok, André, abraços.
Carlos F P Neto
14/04/2014 at 19:22
Não tem sujeira na câmera. Já pensei no molde mas ainda não tentei.. vou tentar essa semana.. a arma é toda original.. tem todas as peças numeradas e os parafusos são todos originais e com pouco sinal de chave.. imagino que não tenha sido feita nem uma modificação, muito menos de calibre. Essa semana vou tentar o molde e vou lhe passar as medidas dos orifícios do cano. O que mais intriga é a base do pente, que acomoda muito bem o 7mm. No caso de um calibre mais curto imagino que teria um pente menor. Conversamos.
André
14/04/2014 at 16:07
André, o calibre original dessa arma é o 7X57. Verifique bem que poderá haver sujeira na câmera. Na dúvida, o ideal seria tirar molde, mas daí a coisa já vai para um rumo bem complicado. Abraços.
Carlos F P Neto
14/04/2014 at 13:11
Olá Carlos.. Conversamos sobre um mauser que não entrava a munição 7.62×51 e você me disse que seria o 7×57. Pois essa munição também não entra. Vai um pouco (quase nada) mais do que a 7.62. Que calibre seria esse? Pode ser o 7,65 argentino? 7.62×39?? Por favor uma luz!! kkk… Obrigado por enquanto.
André
13/04/2014 at 21:17
Obrigado, João, por seu depoimento e seus elogios ao site.
Carlos F P Neto
12/04/2014 at 21:09
BOA NOITE. OBRIGADO PELO ÓTIMO ARTIGO. POSSUO UMA .22LR ITAUBÁ, MOSTRADA ACIMA NO FOLDER, E GARANTO QUE É UMA ARMA EXCEPCIONAL, PENA QUE TENHO NOTICIAS QUE PARARAM DE FABRICA-LA. QUANTO AO MOSQUEFAL JÁ UTILIZEI E TAMBÉM É ESPETACULAR, CONTUDO UM POUCO PESADO PARA USO CONTÍNUO E A MUNIÇÃO 7.62 É MUITO TRAÇANTE.
JOÃO LUIS PRITSCH
12/04/2014 at 19:07
Prezado Oreste, grato pelos elogios. Infelizmente a prática de transformar armas de um calibre em outro, além de ser procedimento arriscado, é ilegal, e não coincide com a nossa linha de atividade no site, que é a divulgação histórica e técnica de armas de fogo. Sinto muito não poder ajudá-lo.
Carlos F P Neto
10/04/2014 at 9:57
Sr. Carlos, li todos os comentários deste tópico para não fazer uma pergunta já abordada. Reconheço muito o seu conhecimento admirável e que demonstra muita propriedade do assunto. E lhe parabenizo por isso. Minha dúvida consiste em saber se é possível transformar a espingarda itajubá calibre 36 para carabina em outro calibre com a troca do cano. Se possível como o Sr. avalia o custo/benefício? Desde já agradeço sua atenção.
Oreste P. de Oliveira
10/04/2014 at 3:32
baah… Mas muito obrigado por tudo. Um abraço e até mais !
André
01/04/2014 at 0:39
André, depende de uma série de fatores; até a RM a qual você pertence influi nisso. Sinceramente, eu acho difícil de apostilarem a Chapina 32-20 como obsoleta. O cartucho não é mais produzido no Brasil mas ainda existe fabricação em vários países. Arriscar entrar com a documentação pode ser um tiro no pé. Se recusarem aceitar a arma como obsoleta, e não tendo ela registro, fatalmente será intimado à entregá-la à PF. Lembre-se de que a alçada de qualquer arma sem registro é da PF. Ela só passa a ser do Exército quando estiver devidamente apostilada em seu mapa.
Carlos F P Neto
30/03/2014 at 20:33
Muito obrigado novamente Carlos. Aproveitando o espaço e sua boa vontade quero lhe fazer outra pergunta. Uma chapina 32-20 eu consigo fácil o CR de obsoleta?
André
29/03/2014 at 23:18
André, entendendo que você tenha CR, a princípio e aos olhos do R-105 os fuzis Mauser em calibre 7X57 são obsoletos. Mas infelizmente neste país as coisas não funcionam de forma tão simples. Eu já soube de dois casos de entrada de processos para cadastrar fuzis Mauser como arma obsoleta, armas que estavam sem resgistro anterior, obviamente. Um foi recusado, no estado de SP e outro foi aceito, no DF. Infelizmente, depende de como o SFPC de cada RM entende e interpreta a lei. Mas lembre-se, mesmo que consiga cadastrar como arma obsoleta, você a deixa perfeitamente legal, mas não se consegue Guias de Tráfego normais, como se estivesse no acervo de tiro. Caso você não tenha CR, aí, infelizmente, seja a arma obsoleta ou não, você poderá ser enquadrado em posse de arma de calibre restrito. Um abraço.
Carlos F P Neto
27/03/2014 at 12:48
Obrigado Carlos. As munições x51 eram festim. Vejo que “toca” seu site de forma majestosa, e por isso merece mais uma vez os parabéns pelo seu trabalho. Pesquisando, vi que algumas dimensões do estojo do 7×57 de fato são menores, o que agora me leva a entender que a arma em questão pode sim ser deste calibre. Se for 7×57 se torna obsoleta?
André
26/03/2014 at 23:07
André, se o cano ainda for original, é o 7X57 mesmo e claro, 7,62X51 não serve. Cuidado com essas experiências; use sempre a munição correta em suas armas.
Carlos F P Neto
26/03/2014 at 21:28
Muito obrigado Carlos. Mas parece ser um calibre menor, pois a munição 7,62 não consegue entrar inteira, então creio 7×57 também não entraria. A munição se aloja perfeitamente no pente, o ferrolho empurra e puxa normal, mas a munição não entra inteira. Seria o 7,62×39??
André
26/03/2014 at 15:01
André, pela descrição das marcas tudo indica tratar-se de um Mauser 1898, provavelmente uma carabina de cavalaria, em calibre 7mm (7X57), do contrato brasleiro de 1908.
Carlos F P Neto
26/03/2014 at 14:43
olá.. recentemente vi um Mauser com as seguintes características: 94,5 cm de comprimento total (da soleira a ponta do cano) e sua numeração começa com o símbolo de “beta” 4546 e a letra “b” ao redor de um circulo no final. Todas as peças tem a mesma numeração ou o numero 46 antecedido pelo símbolo de “alfa”… Gostaria de saber de que modelo se trata, calibre e etc… Obrigado pela atenção e parabéns pela pagina!!!! olhando para o 1908 é muito parecido. O tipo de numeração é igual, porém em outro lugar. Ele não tem esse acabamento em madeira por cima do cano e a parte aonde esta carimbado os números é “encostada” na alça de mira, ou seja, comparando ao 1908 os números ficam “mais pra frente”. Espero que me ajudem ! obrigado
André
25/03/2014 at 17:40
Neder, claro que com excessão da coronha e comprimento do cano, as características da arma são as mesmas, baseada na ação de fuzis Mauser. Abraços.
Carlos F P Neto
05/02/2014 at 18:36
Amigo me ofereceram um pistolão imbel cal.28 modelo luxo, gostaria de saber sua opnião, tem as mesmas caracteristicas da espingarda?
obrigado
Neder
04/02/2014 at 7:28
Adriel, qualquer óleo mineral puro, como os usados em máquinas de costura e também os aerosóis (WD-40, por exemplo) podem ser utilizados.
Carlos F P Neto
08/01/2014 at 18:57
boa noite, amigo possuo uma espingarda dessas calibre 28 e gostaria de saber qual oleo ou graxa uso para a arma em si e para o conjunto de ferrolho dela. fico muito grato se puder me ajudar com essa dúvida.
Adriel
07/01/2014 at 20:37
Giuliano, só trocando-se o cano. Grato pelo contato.
Carlos F P Neto
21/12/2013 at 19:56
Parabéns pelo conteúdo publicado, será que da para transformar o 7mm em calibre 762? O que se pode fazer pois não se encontra munição !
Giuliano
21/12/2013 at 19:53
Darlan, realmente a disponibilidade de cartuchos 7X57mm é escassa no Brasil. Mas, é possível alterar o calibre de sua arma atualizando o seu mapa. Você precisa entrar com uma solicitação (apostilamento) para substituição de calibre em uma mesma arma. Se não tiver sido feita vistoria do SFPC antes disso, é bom solicitar uma antes da troca do cano. Saindo a aprovação, troca-se o cano e solicite a perícia da arma novamente.
Carlos F P Neto
16/12/2013 at 21:31
Achei perfeita a pesquisa sobre o mauser 1894,98 e 1932. Possuo uma 1932 Browning no cal. 7mm customizada e utilizo para caça ao Javali aqui no RS, são muito efetivas, sendo que minha maior dificuldade está neste calibre. Bem que o exército poderia autorizar a mudança de calibre para 308 win. Pois assim tudo ficaria fácil. Gostaria de saber se existe algo que possa ser requisitado para a mudança de calibre.
Darlan
Darlan
16/12/2013 at 21:00
Meu caro G.A., o meu caro amigo Figueira é mesmo um expert no assunto fuzis Mausers, além de outras coisas. Agradeço seus elogios e estamos á sua disposição para outras dúvidas. Grande abraço.
Carlos F P Neto
12/12/2013 at 14:32
Parabéns pelo excelente artigo. Apesar de já ter recebido algumas informações do J.R. Figueira pelo facebook, esse artigo tem muitos detalhes e informações riquíssimas sobre os Mausers utiilizadas pelo Exército Brasileiro. Está me ajudando muito a começar minha coleção com o tema EB, especialmente os fuzís Mauser. Eu consultei alguns livros americanos sobre o assunto, mas a informação é muito sumarizada. Eu me apaixonei pelo fuzil Mauser 98, especialmente os em 7mm.
Parabéns novamente.
Abs,
G.A.
Gosto De Armas
11/12/2013 at 18:41
Adão, saudações; os cartuchos são colocados no carregador, acessível por cima assim que você abre o ferrolho. Evidentemente que a arma não dispara cartuchos 7,62X51; trata-se de uma espingarda para cartuchos de caça, apesar de um dia ter sido um fuzil. Grande abraço.
Carlos F P Neto
13/11/2013 at 13:17
Possuo uma Itajubá Full Choke Cal. 36. Até agora não encontrei onde colocar os cartuchos. E minha dúvida é se também usa-se munição de 7,62mm na mesma????
Adão Leitão
13/11/2013 at 0:57
Erick, não tenho o e-mail do Vander (não consta da mensagem dele) mas esperamos que ele entre em contato. Um abraço.
Carlos F P Neto
05/11/2013 at 13:01
Caro Carlos boa tarde!
Percebi que em seus comentários, o Vander deseja vender um cz 22!
Por favor peça para me contactar, um forte abraço!
Reishtatter
erick mateus reishtatter
05/11/2013 at 12:49
Caro Erick, o prazer é todo nosso ao receber elogios e incentivos como os seus, trazendo à nós sua posição da qual compartilhamos; a fraternidade e camaradagem dos que participam desse tão ingrato (no Brasil) esporte.
Carlos F P Neto
03/11/2013 at 17:44
Sou policial militar de SP e atirador, e é uma satisfação muito grande observar tantos companheiros unidos num assunto gostoso e pacífico que é o universo das armas de fogo. Gostaria de parabenizá-los de antemão, sendo uma honra os comentários claro e simples do Sr. Carlos F P Neto. Um fraternal abraço e que o grande arquiteto lhe ilumine. erick.csantana@gmail.com
Erick
03/11/2013 at 16:02
Mateus, saudações. Realmente está em andamento um artigo sobre as metralhadoras usadas na II Guerra, a exemplo dos dois artigos já existentes sobre armas curtas e longas. Grato pelo incentivo.
Carlos F P Neto
31/10/2013 at 18:26
Prezado Carlos
O senhor poderia postar um artigo sobre a metralhadora leve Maschinengewehr 34 e 42 e o seu funcionamento ainda mais que a 42 causava mais terror nos aliados(os brasileiros chamavam-o de lurdinha).
Mateus Fontenelle
31/10/2013 at 11:45